Vida humana: 3 -$500
Ao contrário do que muitos podem pensar, não sou daqueles que criticam Angola "só porque sim". A cada análise critica que faço (certa ou errada) do meu Pais, uma onda de vergonha invade a minha alma. E ultimamente, a vergonha é um sentimento que predomina em mim. Vergonha de ver que no meu Pais, a vida humana não tem valor. O que aconteceu em Luanda no passado dia 29 de Março é o fruto duma negligência aberrante por parte dos governantes (e não só) e é sem dúvida o reflexo do desleixo "Satânico" em tudo que se faz nesse Pais. Esse desleixo tem um preço que nem o Bill Gates pode pagar: vidas humanas.
O desabamento do prédio da DNIC resultou na morte de 30 pessoas: 10 mulheres, uma criança e 19 homens. A criança de 3 meses estava lá para ser amamentada pela sua mãe. Já tinham sido feitos vários avisos: relatórios punham em evidência o eminente desmoronamento do edifício, mas mais uma vez, a filosofia do "deixa andar" e do "a maka não é minha" foi mais forte do que a convicção que vidas podiam ser perdidas. Essa negligência que se vê em TUDO que se faz em Angola, desde o respeito (inexistente) pelas regras de segurança rodoviária, até à postura de médicos ,que deviam ser os primeiros a reconhecer o valor duma vida humana, mas deixam morrer pacientes que não corriam risco de vida. Essa negligência que ataca "os mais fracos", aqueles que não tomam as decisões mas que sofrem as consequências das mesmas, porque são esses que vão perder a vida, são esses cujas vidas não têm valor. Esses "Zé-ninguém" serão sempre vítimas desse desleixo de uns e outros. A queda do edifício não me surpreendeu, pois há muito que lido com essa negligência "angolana". A minha consciência estava prevenida. Contudo, não posso nunca ficar insensível à morte de pessoas, é inadmissível.
Não estou a criticar só o Governo, critico também a postura de TODOS nós, que entramos no "esquema" e fazemos exactamente o mesmo. Já estamos tão habituados com a expressão "Fazer mais como então?!" que já nada nos parece aberrante e adoptamos a mesma postura de negligência ao fecharmos a boca quando devíamos abri-la. Não é porque "foi sempre assim" que devemos continuar a encolher os ombros e chorar a desgraça. Chega. Rico ou pobre, preto, branco, ou mulato, não interessa. Todos têm o direito à vida, e ela não pode, nem deve, estar sujeita aos caprichos ou à preguiça de uns.
Que esta desgraça acorde certas pessoas...
Que a morte de uns, salve a vida de outros.
N'Manga
O desabamento do prédio da DNIC resultou na morte de 30 pessoas: 10 mulheres, uma criança e 19 homens. A criança de 3 meses estava lá para ser amamentada pela sua mãe. Já tinham sido feitos vários avisos: relatórios punham em evidência o eminente desmoronamento do edifício, mas mais uma vez, a filosofia do "deixa andar" e do "a maka não é minha" foi mais forte do que a convicção que vidas podiam ser perdidas. Essa negligência que se vê em TUDO que se faz em Angola, desde o respeito (inexistente) pelas regras de segurança rodoviária, até à postura de médicos ,que deviam ser os primeiros a reconhecer o valor duma vida humana, mas deixam morrer pacientes que não corriam risco de vida. Essa negligência que ataca "os mais fracos", aqueles que não tomam as decisões mas que sofrem as consequências das mesmas, porque são esses que vão perder a vida, são esses cujas vidas não têm valor. Esses "Zé-ninguém" serão sempre vítimas desse desleixo de uns e outros. A queda do edifício não me surpreendeu, pois há muito que lido com essa negligência "angolana". A minha consciência estava prevenida. Contudo, não posso nunca ficar insensível à morte de pessoas, é inadmissível.
Não estou a criticar só o Governo, critico também a postura de TODOS nós, que entramos no "esquema" e fazemos exactamente o mesmo. Já estamos tão habituados com a expressão "Fazer mais como então?!" que já nada nos parece aberrante e adoptamos a mesma postura de negligência ao fecharmos a boca quando devíamos abri-la. Não é porque "foi sempre assim" que devemos continuar a encolher os ombros e chorar a desgraça. Chega. Rico ou pobre, preto, branco, ou mulato, não interessa. Todos têm o direito à vida, e ela não pode, nem deve, estar sujeita aos caprichos ou à preguiça de uns.
Que esta desgraça acorde certas pessoas...
Que a morte de uns, salve a vida de outros.
N'Manga

O brasileiro é um povo apático, assim como o angolano. A democracia brasileira há muito tempo perdeu as espinhas e amadureceu. Amadureceu mas não perdeu a ingenuidade. Espero que esta democracia angolana que aos poucos se consolida não deixe perder a oportunidade que nós brasileiros tivemos: a de criar uma democracia realmente participativa e conciliadora.
Gostaria de convidá-lo a escrever em minha revista eletrônica voltada a cultura e o cotidiano do mundo lusófono. www.opatifundio.com. Precisamos de seu olhar crítico sobre a sociedade angolana.
Um abraço.
(Comentar)
O brasileiro é um povo apático, assim como o angolano. A democracia brasileira há muito tempo perdeu as espinhas e amadureceu. Amadureceu mas não perdeu a ingenuidade. Espero que esta democracia angolana que aos poucos se consolida não deixe perder a oportunidade que nós brasileiros tivemos: a de criar uma democracia realmente participativa e conciliadora.
Gostaria de convidá-lo a escrever em minha revista eletrônica voltada a cultura e o cotidiano do mundo lusófono. www.opatifundio.com. Precisamos de seu olhar crítico sobre a sociedade angolana.
Um abraço.
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