Racismo: parte I

No decorrer dos meus estudos em psicologia social e das organizações, estudei bastante preconceitos e estereótipos. Estou certo que o tema do racismo é detentor de um estatuto lendário dentro de ambos os conceitos. Ainda assim não sou sociólogo nem antropólogo portanto não me vou estender muito sobre os aspectos científicos do racismo, a sua génese ou definição. Todos sabemos o que é, mesmo que não consigamos colocá-lo em Palavras. Todos já o sentimos ou perpetramos actos que se podem chamar de racistas.
Antes de me debruçar sobre Angola especificamente acho que faz mais sentido, dar a minha perspectiva daquilo que é o racismo e os passos que nos levam até lá. “O RACISMO É INEVITÁVEL”, a frase é certamente controversa, e analisada a superfície pode chocar. Mas aprendi que o nosso processo cognitivo, ou a forma como processamos a informação do mundo exterior é feita a partir de selecção e redução da informação, ou seja há tanta informação no mundo que é impossível conhecermos tudo, portanto seleccionamos a maior parte das coisas que sabemos e reduzimos aquilo que não podemos conhecer a partir da experiência prática com abstracções, para depois categorizarmos as coisas, ou seja, fazer com que elas façam sentido na nossa cabeça. E aí é que entram os estereótipos, que são precisamente a análise redutora de um grupo, nós percepcionamos o mundo e as coisas de uma forma necessariamente redutora pela quantidade massiva de informação que existe. Lógico que temos a capacidade de ser experts e conhecer com mestria fenomenal as coisas que nos interessam, mas tudo o resto vem em caixas de categorias, reduções e estereótipos.
Por exemplo, eu nunca fui à China, mas a noção que tenho é que os Chineses são baixinhos, bons no karaté, têm olhos rasgados, comem bué de arroz branco e que são colectivistas e trabalhadores. Assim como é essa a noção que qualquer um de vocês tem, porque há precisamente esse estereotipo, essa redução inevitável da realidade, por serem esses os dados do chinês em media. Esta linha de argumentação, diz-nos que os estereótipos ou redução de informação sobre determinado grupo ou categoria é inevitável portanto, nesse contexto “O RACISMO É INEVITÁVEL”. Todos nós somos racistas quando na bifurcação preferimos andar no lado da rua do casal caucasiano ao invés de irmos para o lado onde repousam os manos de pele escura, tu és racista quando te ris das anedotas do Fernando Rocha, eu sou racista quando um cigano vem ter comigo e dou por mim a abanar a cabeça em negação a negar trocos sem que o mesmo sequer tenha aberto a boca. A redução da realidade e inevitável.
O que não nos podemos esquecer numa abordagem mais filosófica e das coisas mais bonitas que há neste planeta. A singularidade das coisas, das pessoas. As pessoas não são grupos ou categorias são pessoas, cada um e apenas 1 e só independentemente da raça, religião cor dos olhos que partilhe com determinado grupo. O Yao Ming é chinês, assim como há bué de chineses que não gostam de arroz. Eu sou Angolano e não gosto de funge. A atitude e forma como sentimos percepcionamos um mambo, o comportamento e a manifestação da atitude. Temos de treinar a nossa atitude, e mudar o nosso comportamento em relação ao racismo. Os estereótipos estão lá, mas devem servir como uma luz, uma pista não como uma sentença ou dado adquirido. É estúpido fingir que os estereótipos não existem para evitar ser-se racista, mas é mais estúpido ainda ignorarmos a individualidade de alguém, para ser-se racista e tentar confirmar um estereotipo reduzindo-nos a ignorância.
O Brasil é dos países mais ricos e diversos culturalmente que já vi, e ao mesmo tempo o pais mais racista que já vi. Angola é dos países mais ricos e diversificados que África possui e ainda assim sofre severamente de racismo. Os critérios de entrada na discoteca, são dos que mais gosto para exemplificar os estereótipos, mesmo porque já fui vitima deste exemplo varias vezes. Os estrangeiros(brancos/mulatos) têm dinheiro
Logo são os candidatos naturais para entrarem nas discotecas, porque consomem muito e são civilizados. Segundo esta lógica, quem é proveniente de Angola provavelmente não tem emprego, ou seja é pobre e não vai consumir e não tem educação, ou seja é marimbo e vai provocar lutas e partir os bens da propriedade. Faz sentido, portanto o que os porteiros das discotecas fazem, todos escuros e grossos (e cá estou eu a estereotipar dentro da explanação do estereotipo) é deixar passar todos os claros e banir todos os escuros que não são celebridades, se é que se pode dizer que Angola tem tal coisa. Não interessa a forma com que essa pessoa se apresenta, se esta bem vestida, se apenas se quer divertir como os estrangeiros. O que interessa é a cor. Portanto toca a ser racistas, e mais triste ainda, legitimar mais direitos de entretenimento aos estrangeiros do que a ti, é como se esses porteiros estivessem a dizer: “Olá estrangeiro entra na minha casa, dorme na minha cama que eu durmo no chão, bebe a minha capuca que eu bebo agua, come o meu funge que eu passo fome e não te esqueças de f**** a minha bela mulher enquanto eu fico sem nada,” e a desvirtuação do ditado “a minha casa é a tua casa” para “a minha casa deixa de ser a minha casa e passa a ser a tua casa”. Como estes casos de racismo há muitos outros. O clássico complexo de superioridade dos mulatos em relação aos negros. A redução ilusória que os negros fazem, já vi muitos e muito bem formados, a argumentarem que os mulatos é que são detentores do poder e capital, quando não é verdade e assim. O habito dos negros e mulatos Angolanos serem racistas com os brancos muitas vezes sem fundamento, o que por ser uma tema sensível pode-se justificar. O que não se justifica é o racismo para com os chineses da mesma forma que os portugueses foram racistas connosco quando trabalhámos lá. Muitos dos casos que originam racismo são reais, mas não são regras, cada individuo é singular, tem livre arbítrio e o seu carácter não deve ser automaticamente categorizado e rotulado pela raça ou grupo a que pertence. Temos de descobrir quem somos e como queremos ser vistos pelos outros. Aprender com o Ruanda com o Quénia, é ver o que é que o ódio pela diferença trouxe a essas pessoas. Pensem nisso Angolanos, o futuro do mundo passa pela globalização pela capacidade de nos relacionarmos e negociarmos com outras culturas. Se não nos conseguimos relacionar connosco como é que vamos sobreviver no mundo globalizado?
Salvamarte
Branco ou mestiço? Perguntou-me a senhora que estava a preencher o formulário do meu bilhete de identidade. Branco, mestiço e negro são as 3 raças que podem ser colocadas no bilhete de identidade Angolano. Alguém muito ingénuo poderia dizer, "não existe racismo em Angola". E eu responderia a essa pessoa : olhe para o bilhete de identidade, e veja a prova mais que oficial como o nosso pais é um pais racista e que fomenta o racismo.
Motivos por ser um pais racista? São dos mais diversos, sendo a colonização para mim o "motivo base" do racismo em Angola, e em todos países do Mundo. Todos países do mundo? Sim, todos os países do mundo! A colonização não resultou só na exploração e ocupação de um povo, mas também resultou na "migração" desse povo durante anos e anos. Os que foram ocupados e explorados fora misturados como é o caso de Angola. Misturados coisa que não aconteceu muitos com os outros países colonizadores, sendo Portugal o mais "mente aberta" quando se tratava de "conhecer" melhor o povo ocupado. E os que colonizavam e que são muitos deles conhecidos como países do primeiro mundo hoje em dia, não estavam contentes por terem sobre sua guarda os povos explorados, portanto resolveram começar a "trazê-los" para os seus países "super-desenvolvidos" onde o ser humano não era um "selvagem",mas sim um "civilizado". Isto tudo mesmo com o fim da escravatura e da colonização deixou marcas e vestígios enormes na nossa sociedade.
O "branco" hoje é olhado de lado, porque lembra os tempos da colonização e vai passar o resto da vida dele a ouvir : "vai lá p'ra tua terra seu branco de m****!!!" O mesmo "branco" ira olhar de lado para os "mestiços" e "negros", porque ainda carrega com ele inconscientemente o pensamento colonialista, onde ele é o civilizado, e os outros são um bando de selvagens que tão a destruir o pais. O "mestiço", é olhado de lado pelas outras duas "facções" porque cometeu o erro de ficar no meio, quem mandou ficar em cima do muro? E olha de lado os outros, porque se acha superior ao "negro" mas não se sente suficientemente respeitado pelo "branco". E finalmente o "negro" e olhado de lado porque sempre foi considerado inferior e o que tinha de ser "assimilado". E também olha de lado os outros dois grupos porque um ("mestiço") ta em cima do muro e o outro ( "branco") não ta na terra dele. E assim nos encontramos neste ciclo VICIOSO que fomentamos claramente em documentos oficiais.
Hum..e já me esquecia, a resposta que eu dei a senhora que tratava do bilhete foi : EU SOU ANGOLANO!! e ela deu-me um bom xoxo à moda da terra e escreveu RACA: MISTA.
Paz,
Mukuolua Kinamatos

Concordo plenamente com esta afirmacao do amigo Mukuolua Kinamatos, e sinceramente nao percebo como e que a raça é um dado relevante no B.I .
Por acaso ate fiz uma pequena investigacao e a conclusao que tirei foi que apesar dos biletes de identidade poderem de facto conter informacao relacionada com a classificacao etnica ou racial do individuo, muitos poucos paises usam esta opcao nos seus documentos de identificacao.
Agora em relacao aquilo que "brancos, "mesticos" e "negros" pensam uns dos outros.
O que se passa na nossa terra e que os "negros" chamam de "pula(s)" a todos aqueles que sao mais "claros" e maior parte das vezes usam o termo com sentido altamente prejorativo.
Outro problema e que qualquer branco em Angola e automaticamente denominado de estrangeiro, sera que nao nascem brancos em Angola(?),sera que nao nascem brancos nas familias angolanas?
Hoje fico por aqui para nao vos roubar mais tempo, so queria aproveitar para vos congratular pelo trabalho que tem feito no blog e pedir desculpas pela falta de acentos (culpa do meu teclado).
Abracos...
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Nao me parece que o mal social do racismo esteja relacionado com a forma como percepcionamos o mundo, mas sim com a forma como somos socializados... Talvez, para voltarmos a ser TODOS simplesmente indivíduos, seja preciso desaprendermos muita coisa; o saber nem sempre é cultura; muitas vezes é um amontoado de ideias atabalhoadas. Talvez tenhamos que aprender a reflectir; de que valem os conhecimentos se não soubermos utilizá-los?
E, finalizando o meu raciocínio, penso que, para que de facto possamos ser indivíduos igualmente considerados, teremos de ser, acima de tudo, livres; e hoje, infelizmente, em todo o mundo, ninguém o é. ;-)
Sobre a aquisição do conhecimento sugiro-lhe este livro muito interessante, de Humberto Maturana e Francisco Varela: The Tree of Knowledge.
Uma Angolana Transparente :-)
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Em 2000, março...entrei eu para uma empresa mista angolano-francesa...e o meu director geral, francês, óbvio, que novidade...ineteressado que todos os franceses falassem português...óbvio, uma das suas politícas de boa vizinhança...só que as cartas oficiais eram escritas, quantas vezes em francês... entre muitas conversas de socialização, questionamento e algum interesse em conhecer Angola e a sua dinâmica quanto a identidade "racial" dos angolanos como eu, MULATA, CRIOULA, como Queiram ou mestiça, também pouco importa, já que há BRANCOS E NEGROS, AMARELOS e PELES VERMELHAS...eu SOU A MISTURA DE TODAS ELAS...Quer Queiram, Quer não...dizia eu...este director como bom francês...perguntou-me um dia à laia de boa conversa e de bom francês...se EU era NEGRA ou MULATA...e eu com um dos meus melhores sorrisos... como boa filha da P* ,da mãe digo...disselhe.:Porque não,Sr.fulano, ser tão Branca quanto Negra!Escolha o Senhor!Era sexta feira,e era secretária do DG, numa empresa voltada para a marginal, fim de tarde desejou-me bom fim de semana, e eu também retribuí com mais um dos meus melhores sorrisos, que por acaso conservo, apesar de quase mais dez anos passados, nesta Angola por qual insisto e pela qual entendo a vossa luta!È ísso..ser mulato...ou não... !Um beijo grande do tamanho de Angola, com muitos sabores...ANA BELA Luanda (Comentar)
Angola como todo e qualquer pais no mundo aonde haja uma imensa diversidade de racas e nacionalidades eh muito provavel que o sentimento racista e outro NACIONALISTA estejam mais acentuados do que qualquer outro tipo de sentimento de represalha.
Temos que admitir que Angola eh um pais pos-guerra no qual os Angolanos negros nao conseguem admitir que os Angolanos brancos ou mulatos tambem sejam Angolanos dai partirem para a discriminacao racial.
Nao querendo fugir do ponto espero que o povo angolano seja mais forte,unido e acima de tudo mais inteligente para que de maneira eficaz e solida saiba ultrapassar ou contornar esse problema que nos assola.
Dizer que brancos e mulatos tem mais oportunidades que os negros angolanos tambem nao esta errado de todo e sabem porque?? Porque o negro angolano reduz-se a sua mais pura ignorancia,corrupcao,ganancia e sobretudo egoismo enquanto que os outros(brancos e mulatos) sabem e souberam tar unidos como um verdadeiro povo e assim construir grandes imperios financeiros-economicos.
Viva a Angola que Angola eh dos Angolanos (independentement da sua cor) (Comentar)
Por fim concluo dizendo que, ha certos conceitos que por mais voltas que o mundo dê, irão sempre estar presentes e o racismo é claramente um deles.Senão reparem, nós somos tão "superiores" e racistas que aqueles que são da nossa raça senão tiverem de acordo conosco, tornam-se nossas vitimas,não existe so racismo entre pretos e brancos(aliás dum modo geral este assunto tornou-se tão "alarmante" no resto do mundo que isso quase já não se usa, tomemos como exemplo os grnds cargos institucionais internacionais que ja têm sido ocupados por negros,atrevo-me mesmo a considerar que só falta um PAPA negro pra tudo estar consolidado) e por mais incrivel que pareça racismos entre pretos e pretos só ví em angola, isto é racismo?! Depende doconceito de cada um!!!
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Sem querer entrar em muitas discussões sociológicas sobre a génese do racismo, não posso deixar de discordar da afirmação "é inevitável", apesar de bem sustentada. Creio que pode-se sim dizer que o racismo baseia-se numa abstracção, numa generalização, num estereotipo mas é muito mais que isso.
Estereotipos, no geral e como bem explicaste, são necessários para organizar o conhecimento, a nossa experiência, a vasta informação que hoje recebemos e que tem que ser na maior parte das vezes resumida. Até mesmo no humor, na cultura da ironia e das piadas, não creio que sejam condenáveis. É também comum e, diria mesmo, natural, termos ideias pré-concebidas acerca de assuntos que mal conhecemos. Temos sempre uma vaga ideia, uma opinião, um "pensei que fosse...".
No entanto, o tipo de estereotipo que está na base do racismo, da xenofobia, da homofobia, etc não pode ser inevitável. A melhor forma de se combater um estereotipo grave, como estes o são, é informando, porque quero crer que é maioritariamente a falta de informação, a ignorância que estão na sua origem. No entanto, existem casos de doutores, intelectuais e até mesmo cientístas, (bem informados?), com teorias racistas que devem ser punidos. Trata-se de discriminação, de desrespeito pelos Direitos Humanos, crime, enfim... algo tão ruim tem que ser combatido, pode ser combatido e portanto, é evitável. Claro que toda a mudança de mentalidades não se faz em dois dias, dois anos, dois séculos, como podemos infelizmente constatar. "Nobody said is was easy..."
Quanto ao que disse o Mukuolua Kinamatos, acho que numa sociedade intelectualmente evoluída, limpa de preconceitos e maldades (não me lembro de nenhuma agora...) indicar-se a raça no BI seria normal, mais uma característica física do indivíduo como o peso e a altura. Mas no caso específico de Angola onde, parece-me consensual, existe muito racismo de todas as partes, não será de todo boa ideia. Apelar a uma identidade negra, branca ou mestiça, acentuar a diferença no tom da pele só serve de combustível para a discriminação. Além do mais, parece-me uma característica perfeitamente dispensável (tanto que poucos países a utilizam).
Fico contente por ver o movimento do blog a crescer. Este é capaz de ser o tema que mais propiciará a participação das pessoas porque provavelmente todos temos uma estória para contar: é a nossa realidade e deve ser discutida abertamente.
Fiquem bem.
Kukiela*
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Fiquei um pouco assustado com as contradiccoes que apresentou no seu post. Mas talvez nao tenha interpretado bem ou talvez a sua mensagem nao foi bem transmitida. Entendi que e' contra o Racismo e considera-o extremamente negativo, mas aqui vai o que achei extremamente incoerente no seu texto :
"racismo presume-se quando uma raça se sente superior a outra de tal forma que não se sentindo ameaçada tende a afasta-la e em ultimo caso "extermina-la", e a pergunta que faço é: em Angola há racismo no verdadeiro sentido da palavra?!
Quando se trata de uma raca se sentir superior a outra eu acho que existe claramente um sentimento de ameaca por parte da raca que se sente superior. O senhor proprio reconhece que devido ao "preconceito e da falta de cultura" existe esse "fenomeno" que nao e' o racismo para si e que eu gostaria de saber o que senhor chama. Pois a base do racismo para mim baseia se sim no nocao que uma raca se sente superior a outra e no PRECONCEITO e FALTA DE CULTURA da suposta "raca superior". Sim existe racismo no verdadeiro sentido da PALAVRA em Angola, ja lhe disse, basta olhar para o seu bilhete de Identidade e vai ver como o estado pos lhe um "carimbo" racico! Voce poderar dizer,mas por a RACA no bilhete de indentidade nao significa tentar ser superior mas sim uma forma de indentificacao portanto nao e' racismo. Pode nao ser um atitude racista, mas e' definitivamente uma atitude que promove o RACISMO a 100%. Eu indentifico me como Angolano antes de mais nada e se realmente o organismo que no momento tiver a recolher os dados do meu bilhete identidade precisar desde dado tao ridiculo que e' a cor de pele de uma pessoa, esse organismo na sua mente RACISTA que olhe simplesmente para minha foto na parte da frente!O estado pode nao ser o dedo que puxa o gatilho mas e' definitivamente a arma.
Diga me uma coisa, entao para si o racismo tem a ver com o dinheiro ou posicao social? Quem sao esses ser superiores e inferiores que fala? Pois para mim e' racista o branco, o negro ou o mulato, rico ou pobre a partir do momento que se acha "superior" a outra raca!
"nós não somos suficientemente bons para pudermo-nos dar ao luxo de ser racistas"
Nao sabia que era preciso ser "bom" seja la isso o que for para si para se ser racista. E volto a repetir, para existir racismo nao e' preciso ser pais do primeiro mundo, racismo existe em todo lado, onde exista diferentes racas e muita BURRICE como dizia o Gabriel O Pensador. Quando nos tornamo nos racistas com pessoas da mesma raca nao e' por motivos de um nao concordar com outro, mas e' sim pelos mesmo motivos que uma pessoas branca e' racista para uma pessoa negra e vice-versa. E venho ja informar lhe que existe racismo entre pessoas da mesma raca em todo lado do mundo nao so em Angola. Concordo consigo em relacao em nao saber que termo a usar para este tipo de "racismo". Pois e' a mesma raca "atacar" a si mesma.
Esses certos conceitos racistas e machistas vao continuar a existir nao so por pessoas que continuam a pratica los mas tambem por causa de pessoas que nao acreditam que se pode terminar com eles. Entao acredita que mundo vai ser machista para sempre? tenha cuidado e abra o olho pois um dia eu e voce vamos estar na minoria e a comecar a sofrer de feminismo! Mas como voce disse isto sao apenas os meus conceitos.....
E deixo a pergunta, o que voces pensam do"sistema de quotas" nas universidades,trabalhos e ate em telenovelas que existe no brasil? Acham que era uma boa politica para se aplicar em Angola?
Paz,
Mukuolua Kinamatos
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n sou antropologo, pscicologo, sociologo ou coisa e tal, mas para minha pessoa, o racismo esta mais relacinado ao medo do que a "superioridade".
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O racismo consiste num grupo de crenças morais, alicerçadas em falsidades empíricas sobre as pessoas. Acreditar que certos grupos de seres humanos são mais ou menos qualquer coisa, é privilegiar a ignorância através de uma falsidade resultante da dificuldade em aceitar-se – por ignorância, intolerância ou hipocrisia –, que as capacidades cognitivas dos humanos variam de pessoa para pessoa.
Por ser mais fácil criticar ou responsabilizar os outros do que justificar as nossas limitações, alguns querem fazer passar a ideia terrível de que tudo é aceitável e de igual valor, ignorando desta forma a existência de um abismo entre a seriedade e a frivolidade.
Tentar defender o indefensável ou justificar o injustificável é apenas uma admissão de ignorância vestida enganadoramente de explicação.
Angola vive inserida neste lodaçal conceptual, acima de tudo pelos inúmeros “conceitos” e “preconceitos” adquiridos numa atitude subserviente – sempre ciente de autoridades e hierarquias –, durante décadas de “regimes” de pensamento fechados, á crítica e discussão aberta. [Colonialismo / Guerra / Comunismo]
Numa linguagem mais fluente, racismo é um preconceito que privilegia o raciocínio caprichoso daqueles que padecendo de um qualquer complexo de inferioridade, e que definindo ideias com base em ódios antigos só demonstram vácuo intelectual, atingindo apenas o erro e a mentira.
Acredito que todos os angolanos, promovendo a cultura da liberdade intelectual – que está na base da escola moderna –, conseguirão “ignorar” esta irracionalidade e adoptando uma atitude crítica e um empenho na formação, conseguirão construir um futuro “enorme”.
Agora posso citar o Salvamarte… completando o “pensamento”:
“… O racismo é inevitável, se continuarmos a privilegiar a ignorância…”
O comentário já vai longo mas é apenas uma palavra mais ao:
Mukuolua Kinamatos
Existe a ideia errada de atribuir responsabilidades pelo racismo existente á colonização. Acredito que algumas “razões” tenham resistido aos tempos, mas a colonização terminou á mais de 30 (trinta) anos e a mão-de-obra activa que vive hoje os problemas de Angola, anda por volta dessa idade. Que idade tinhas aquando da independência?
Não quero com isto ilibar a colonização pelos erros cometidos, mas penso que devemos ser racionais em oposição ao facilitismo que nos direcciona a responsabilizar a cor da pele pelas nossas limitações.
Saudações
Informal
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Não costumo participar na novela dos comentários, mas hoje vou tentar ser um bom actor e contribuir.
Não quero ser mal interpretado, muito sucintamente, o objectivo do meu texto é uma espécie de primeiro encontro dos AA (alcoólatras anónimos)em que é dito aos doentes "parabens por terem chegado a esta sala, porque o primeiro passo e o mais dificil é admitirmos que temos esta doença/problema) vivemos num mundo de negação. Convido-te a fzr um exercicio, pergunta a 10 pessoas chegadas a ti se se acham racistas, depois pergunta-lhes se já cometeram algum acto racista ou descriminatório. Se tudo correr de acordo com a honestidade que se exige, a primeira resposta por parte de todos vai ser não sou racista, e a segunda sim já descrimnei já fui racista. O que é no minimo incongruente e contraditório.
Continuo a ter como uma das minha frases predilectas "não há nada mais bonito do que dizermos o que sentimos e pensamos", mas isso é raro, e extremamente dificil de se fazer, apesar da frase ser simples. é a rota dos mais ávidos de conhecimento mais ávidos para a lucidez e transparência. Nem toda gente quer isso para a sociedade. Compreensivel dessa gente, é inseguro, perigoso. Quanto a mim é inevitavel para a evolucao de uma sociedade. Digo isto em contexto metafórico, muitos Galileus ainda vão ter de arder na fogueira para Angola reconher o quão redonda e bela pode ser, vai ser um processo longo, mas que vamos cumprir sem duvida. Sem duvida.
Menos filosofico e Voltando ao tema kukiela, talvez tenhas-te focado demasiado naquilo que descrevi como sendo "inevitavel"(estereotipar/ reduzir info) e esquecido do reverso da moeda, que é a capacidade que tu e eu temos de olhar para cada 1 como uma entidade particular. Podemo-nos educar para isso, embora que seja um processo longo e dificil. É como pegar numa colher cheia de açucar e ver cada granulo, como unico, diferente e igual aos demais em simultâneo, ao aprendermos a fzr isso connosco, o racismo torna-se evitável.
p.s. 1 exemplo de uma cidade verdadeiramente tolerante, Londres. Negros, indianos, muçulmanos, brancos, vês medicos, professores, doutores, bombeiros o que tu quiseres, de todas as raças, turbantes em bancos, rastafaris em hoteis etc...não há cores, há curriculos e pessoas.
li algures "o racismo é uma caracteristica das sociedades pouco evoluidas culturalmente", ora vejamos, Portugal colonizou paises durante a maior parte da sua existencia, é um país com cerca de 800 anos, e ainda há muito racismo. Quantos anos tem angola independente? hehehe...acredito que estamos numa boa rota. Em relação a maioria dos nossos irmãos de Africa que ainda vêm na pele e na religião alheia motivos de guerra civil em pleno seculo 21 e em relação aos nossos colonizadores, tendo em conta a discrepância "cultural" considero-os tão racistas como nós.
paz
p.s. 2 agradeço a todos pelas sugestões, comentários e recomendações literárias, baza fazer mais isso, recomendar livros, filmes, documentários e partilhar experiencias
SALVAMARTE
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