Corrupção
Segundo os relatórios anuais da Transparency International, em 2006 entre 163º, Angola foi o 142º país mais corrupto e em 2007 ocupou a 147º posição em 179º (ordem decrescente). O embaixador de Angola no Brasil, Alberto Neto, numa entrevista à Globo diz que o objectivos de Angola é não chegar aos níveis de corrupção do Brasil e da Nigéria e que as pessoas querem ser ministros não pelo bem estar do povo mas por causa da bufunfa. Neste momento, tiramos a corrupção do saco dos crimes e dos tabus, normalizando e integrando-a nas práticas correntes de todo o bom cidadão. São meros dados que só servem para confirmar o que vemos diariamente nas nossas ruas.
Qualquer conversa sobre Angola que dure mais de 10 minutos, independentemente do assunto, acaba sempre por cair no tão afamado tema: Corrupção. Afinal que outro problema tanto afecta o nosso país?
Este discurso que nos acompanha há decádas para aonde é que nos leva? Depois de debates intermináveis, de tantas horas de discussão chegamos a uma conclusão, ao ponto de partida: Angola é Corrupta! E AGORA??
É imperativo que comecemos a abordar este problema de maneira diferente. Em vez de constatarmos a corrupção pensarmos em formas de combatê-la.
Aqui vai uma sugestão: Todas as escolas, hospitais, obras públicas e investimentos do Estado devem ter uma placa a afixar o valor que foi destinado a cada obra. É uma medida que não só é uma prova de transparência como também promove um maior envolvimento e responsabilização por parte de todos os benificiários.
Por exemplo, segundo a proposta de orçamento geral de Estado para 2008 vão ser investidos 36.885.328.921 KZ no Ensino Primário 1,45% do orçamento, sem dúvida muito dinheiro. Mas o quê que um número como este diz a um cidadão comum como eu? Rigorosamente NADA. Agora se por exemplo eu souber que a escola aonde eu estudo recebeu 10.000.000 Kz para garantir o funcionamento da mesma, os professores sabem que existe $ para pagar salários e podem exercer maior controlo, os alunos sabem que há $ para remodelar as instalações e começam a questionar-se porque que não têm cadeiras suficientes na sala de aulas; e o próprio director de escola tem as rédeas bem mais curtas porque agora tem contas para prestar não só aos seus superiores mas também às pessoas que dele dependem. Já não podes dizer que a culpa é exclusivamente do Estado, porque neste momento tu é que não defendeste o que é teu.
Outra sugestão: a existência de prémios nacionais e regionais para os melhores profissionais nas diferentes áreas, que fizerem uma gestão eficiente e eficaz dos recursos e mostrarem entrega e dedicação.
Um dos grandes problemas actuais, é a ausência de incentivos para se agir honestamente. Há muita gente que tenta ser o mais correcto possível, mas depois de ver todos à sua volta a desvalorizarem ou simplesmente não reconhecerem o esforço, acabam por desistir, é normal, não são de ferro, são humanos. É comum não se valorizar uma pessoa que não rouba, porque parte-se do pressuposto que é errado roubar e que não faz mais do que a sua obrigação. Pressuposto este que não se verifica em Angola, considero que dificilmente conseguiremos combater a corrupção sem estimular a honestidade, sem transformarmos a honestidade num valor essencial.
Medidas como estas não são suficientes para resolver tão profundo problema, mas, sem dúvida, limitam abusos e uma governação totalmente despreocupada e irresponsável.
“…Sei que não vai dar para mudar o começo, mas se a gente quiser vai dar para mudar o final!”
Jorge
Qualquer conversa sobre Angola que dure mais de 10 minutos, independentemente do assunto, acaba sempre por cair no tão afamado tema: Corrupção. Afinal que outro problema tanto afecta o nosso país?
Este discurso que nos acompanha há decádas para aonde é que nos leva? Depois de debates intermináveis, de tantas horas de discussão chegamos a uma conclusão, ao ponto de partida: Angola é Corrupta! E AGORA??
É imperativo que comecemos a abordar este problema de maneira diferente. Em vez de constatarmos a corrupção pensarmos em formas de combatê-la.
Aqui vai uma sugestão: Todas as escolas, hospitais, obras públicas e investimentos do Estado devem ter uma placa a afixar o valor que foi destinado a cada obra. É uma medida que não só é uma prova de transparência como também promove um maior envolvimento e responsabilização por parte de todos os benificiários.
Por exemplo, segundo a proposta de orçamento geral de Estado para 2008 vão ser investidos 36.885.328.921 KZ no Ensino Primário 1,45% do orçamento, sem dúvida muito dinheiro. Mas o quê que um número como este diz a um cidadão comum como eu? Rigorosamente NADA. Agora se por exemplo eu souber que a escola aonde eu estudo recebeu 10.000.000 Kz para garantir o funcionamento da mesma, os professores sabem que existe $ para pagar salários e podem exercer maior controlo, os alunos sabem que há $ para remodelar as instalações e começam a questionar-se porque que não têm cadeiras suficientes na sala de aulas; e o próprio director de escola tem as rédeas bem mais curtas porque agora tem contas para prestar não só aos seus superiores mas também às pessoas que dele dependem. Já não podes dizer que a culpa é exclusivamente do Estado, porque neste momento tu é que não defendeste o que é teu.
Outra sugestão: a existência de prémios nacionais e regionais para os melhores profissionais nas diferentes áreas, que fizerem uma gestão eficiente e eficaz dos recursos e mostrarem entrega e dedicação.
Um dos grandes problemas actuais, é a ausência de incentivos para se agir honestamente. Há muita gente que tenta ser o mais correcto possível, mas depois de ver todos à sua volta a desvalorizarem ou simplesmente não reconhecerem o esforço, acabam por desistir, é normal, não são de ferro, são humanos. É comum não se valorizar uma pessoa que não rouba, porque parte-se do pressuposto que é errado roubar e que não faz mais do que a sua obrigação. Pressuposto este que não se verifica em Angola, considero que dificilmente conseguiremos combater a corrupção sem estimular a honestidade, sem transformarmos a honestidade num valor essencial.
Medidas como estas não são suficientes para resolver tão profundo problema, mas, sem dúvida, limitam abusos e uma governação totalmente despreocupada e irresponsável.
“…Sei que não vai dar para mudar o começo, mas se a gente quiser vai dar para mudar o final!”
Jorge
