Quarta-feira, Agosto 13, 2008

Reportagem BBC: "America's New Frontier"

Esta reportagem é de 2005, por isso algumas das informações já são ultrapassadas e temos de ser justos quanto ao trabalho que está a ser feito e reconhecido mesmo pelos mais críticos entre nós de 2005 à esta parte, nomeadamente no que toca as estradas nacionais. No entanto, a maior parte destas informações continuam a ser, para nossa grande tragédia, absolutamente actuais. Não há legendas, sinto muito. Aconselho-vos a irem ao youtube e procurarem as outras postagens do journeymanpictures, tudo super informativo e há várias reportagens sobre Angola sendo esta a mais completa.

alt : http://www.youtube.com/v/KpJ4xtwTRMY&hl=en&fs=1 alt : http://www.youtube.com/v/7P-DmmrjGGs&hl=en&fs=1 alt : http://www.youtube.com/v/JIaGywDlcv8&hl=en&fs=1

KulpadoKomum
Escrito por (R)EvolucaoEmAngola em 14:41:02 | Link permanente | Comments (0) |

Terça-feira, Agosto 12, 2008

Época de eleições


Como era de se esperar na véspera das eleições há "muita coisa a ser feita". O governo quer mostrar trabalho (mesmo que tentem dissociar o Governo do "M", todos sabemos que são uma e a mesma coisa). Estradas a serem construídas, renovadas, alargadas. Até mesmo o trânsito em Luanda acalmou. As campanhas estão bem mais mornas do que era de pensar e bem mais do que em 92. Não se nota tanto empenho por parte dos partidos em fazer uma campanha "daquelas", que passavam camiões a atirar t-shirts e chapéus. Sim, não são as presidenciais e não têm a mediatização de 92. Havia realmente dois sérios partidos: MPLA e UNITA. Privados de um verdadeiro líder, com carisma e eloquência, a UNITA encontra-se "mais fraca" do que em 1992. Talvez seja por sentir isso, que o MPLA não mete o pé a fundo nesta campanha, e vai "nas calmas", ou talvez seja porque a campanha ainda vai no princípio e os partidos ainda estejam a "aquecer". De qualquer uma das maneiras, os programas eleitorais começaram a ser apresentados, mas parecem-me ser dum bla bla entediante e quase básico: "vamos dar luz, água potável, melhorar a agricultura, etc., etc.". A demagogia instala-se nos comícios, as promessas caem como chuva em Abril, mas infelizmente, parecem-me promessas vazias, enfim, promessas de político.

O poder tem deixado muita gente com sede. E quem fala em poder, fala em dinheiro. E hoje, o dinheiro parece ser a língua oficial de Angola. Com ele, apagamos e derrubamos tudo que for necessário, incluindo monumentos ou edifícios históricos para fazer grandes centros comerciais só para os ricos: sim, estou a falar do Kinaxixi, que foi bem recentemente, completamente destruído para o novo projecto, passar-se-á a chamar "Centro Comercial do Kinaxixi". Que bonito. Com mais dois monstros de torres, uma em cada lado, passará a ser mais um espaço onde aqueles "que podem" poderão passear, comprar roupa de marca, ou mesmo entrar só para se refrescarem, num dia de calor. Não resta um rasto do antigo edifício do Kinaxixi que foi construído por um arquitecto angolano e que tinha a sua História e o seu valor. Vamos lá em nome do dinheiro e do "desenvolvimento", destruir História e construir centros comerciais. E com mais duas torres. Deixem-me dizer que as torres em Luanda, construídas quase aleatoriamente (para não dizer anarquicamente) têm destruído a imagem duma cidade que em tempos já foi chamada de bonita. Hoje, as torres saltam do chão, sem seguirem nenhum critério nem nenhum plano urbanístico. Até a baía tem de pagar: a draga que estava no princípio no porto de Luanda, já dragou à entrada da Chicala, em frente ao panorama e à entrada da ilha de Luanda. O projecto, que era inicialmente para aumentar as faixas da marginal, limpar e descontaminar completamente a baía (processo que demoraria 2 anos) e reorganizar os esgotos da cidade (que davam todos para a baía), foi modificado. Agora, fala-se em construírem-se hotéis de luxo. Também sei que o povo fala muito e ainda espero que não seja verdade, mas depois de ver tanto culto pelo dinheiro, já pouco me espanta. Seria sem dúvida uma evidente falta de respeito pelos luandenses, pois não se começa um projecto para se mudar a meio do caminho, sem pedir satisfações a ninguém.

Uns ousam falar, "esses prédios, isso tudo que estão é construir, é bom. É evolução!". Evolução?! Para quem? Todos esses condomínios de luxo com guardas e muros altos, são evolução para quem? Só se for para aqueles que já se encontravam num bom estado de "evolução", os ricos. Porque o pobre, tem de sair da praia do Bispo para ir para o Benfica numas casas sem condições, ou do Baleizão para o Cacuaco, apanhar umas 3, 4 horas de trânsito até chegar ao "serviço". Quem é que anda a pensar nesses? Não são cidadãos? Não podem fazer parte da "evolução"? De todos os edifícios que estão a construir na cidade de Luanda (há dezenas e dezenas), não vi UM que seja para o povo, ou se preferirem, estatal. Tudo é privado. TUDO. E quando se pergunta o preço de um desses apartamentos, são sempre números com pelo menos 6 zeros. Isso é muito zero. E não são Kwanzas. É triste ver essa realidade e é mesmo triste ver que mesmo com uma economia que cresce, com eleições à porta, em Angola continua a ser a lei do "quem pode, pode e quem não pode, se sacode."

N'Manga

Escrito por (R)EvolucaoEmAngola em 01:48:23 | Link permanente | Comments (3) |

Sábado, Agosto 09, 2008

Thomas Sankara

Embora muitos de nós muitas vezes esqueçamos, Angola não está isolada. Angola faz parte dum continente. Esse continente tem uma História. E quando falo da História d'África não estou só a falar da Pré-História :"O primeiro homem apareceu em África". Não! Estou a falar duma História recente que infelizmente, nós em Angola nem sequer sonhamos que existe (pelo menos a geração mais nova). Penso que é indispensável olharmos à volta, olharmos para cada pais o nosso continente como se de nós mesmo se tratasse. Vamos ver diferenças, sim, mas também vamos ver muitas semelhanças. E olhando à volta, vasculhando na História dos nossos irmãos africanos, descobriremos Thomas Sankara.  
 
Thomas Sankara foi o presidente do Burkina Faso entre 1983-1987. Foi ele que mudou o nome do país, antes conhecido como Alto-Volta, para Burkina Faso: "Países de Homens íntegros". Aos 34 anos, tornou-se presidente através dum golpe de estado. Era um dos poucos líderes africanos a realmente fazer algo pelo seu pais. Iniciou uma luta contra a corrupção. Os ministros viram as suas regalias a bazar pelo ralo. Todos os ministros que tinham de viajar, viajavam em classe económica. Ele dizia: "Estando em classe executiva ou classe económica, todos descolam e aterram ao mesmo tempo". Fez campanhas massivas de vacinação para diminuir a taxa de mortalidade infantil, construiu escolas, estava empenhado na melhoria educação, da agricultura. Foi um dos primeiros presidentes a assumir uma preocupação ecológica, plantou milhões de árvores para impedir o avanço do deserto. Dirigiu também a reforma agrária de redistribuição de terras aos camponeses. Era também a favor da emancipação da mulher ( proibiu a excisão, deu cargos políticos a algumas mulheres, etc), fez campanhas de incentivo ao desporto, contribuiu enormemente para a valorização da produção natural (no que toca, por exemplo, ao algodão, todos os ministros e funcionários públicos eram OBRIGADOS a usarem roupa tradicional feita com algodão nacional).
 Sankara era abertamente contra o pagamento da dívida dos países africanos, dívidas estas que ele dizia que "sufocavam" o continente, e disse-o na cimeira dos países africanos, apelando a todos os países africanos a não pagarem.
O seu regime revolucionário marcou-se por uma forte oposição da parte do poder tradicional (que ele marginalizava) e duma classe média pouco numerosa mas relativamente poderosa. Esses factores, agravados pelas tensões entre os radicais e os moderados, levaram ao seu assassinato durante o sangrento golpe de estado do 15 de Outubro de 1987.  Foi assassinado pelo seu braço—direito e amigo de longa data Blaise Compraoré  (que é até hoje, o presidente do Burkina), tendo este alegado que "ele traíra a revolução".
Foi um presidente carismático que  marcou uma época e encheu muitos africanos de esperança. Obviamente que o seu regime tinha os seus podres, mas as suas intenções eram louváveis e puras, das mais puras que houve em África até os dias de hoje, por isso é conhecido como o Che africano.
Para relatar tudo que fez Sankara precisaria de muitas e muitas páginas. Tentei resumir em alguma linhas o que daria para escrever um livro, ou fazer um site.. Convido-vos, obviamente, a procurarem mais sobre ele, a pesquisarem. Foi pesquisando que  cheguei à conclusão que é dum Sankara que Angola precisa, e infelizmente não acredito que sejam as eleições presidenciais de 2009 que nos trarão um...

N'Manga
Escrito por (R)EvolucaoEmAngola em 15:26:23 | Link permanente | Comments (2) |