Como era de se esperar na véspera das eleições há "muita coisa a ser feita". O governo quer mostrar trabalho (mesmo que tentem dissociar o Governo do "M", todos sabemos que são uma e a mesma coisa). Estradas a serem construídas, renovadas, alargadas. Até mesmo o trânsito em Luanda acalmou. As campanhas estão bem mais mornas do que era de pensar e bem mais do que em 92. Não se nota tanto empenho por parte dos partidos em fazer uma campanha "daquelas", que passavam camiões a atirar t-shirts e chapéus. Sim, não são as presidenciais e não têm a mediatização de 92. Havia realmente dois sérios partidos: MPLA e UNITA. Privados de um verdadeiro líder, com carisma e eloquência, a UNITA encontra-se "mais fraca" do que em 1992. Talvez seja por sentir isso, que o MPLA não mete o pé a fundo nesta campanha, e vai "nas calmas", ou talvez seja porque a campanha ainda vai no princípio e os partidos ainda estejam a "aquecer". De qualquer uma das maneiras, os programas eleitorais começaram a ser apresentados, mas parecem-me ser dum bla bla entediante e quase básico: "vamos dar luz, água potável, melhorar a agricultura, etc., etc.". A demagogia instala-se nos comícios, as promessas caem como chuva em Abril, mas infelizmente, parecem-me promessas vazias, enfim, promessas de político.
O poder tem deixado muita gente com sede. E quem fala em poder, fala em dinheiro. E hoje, o dinheiro parece ser a língua oficial de Angola. Com ele, apagamos e derrubamos tudo que for necessário, incluindo monumentos ou edifícios históricos para fazer grandes centros comerciais só para os ricos: sim, estou a falar do Kinaxixi, que foi bem recentemente, completamente destruído para o novo projecto, passar-se-á a chamar "Centro Comercial do Kinaxixi". Que bonito. Com mais dois monstros de torres, uma em cada lado, passará a ser mais um espaço onde aqueles "que podem" poderão passear, comprar roupa de marca, ou mesmo entrar só para se refrescarem, num dia de calor. Não resta um rasto do antigo edifício do Kinaxixi que foi construído por um arquitecto angolano e que tinha a sua História e o seu valor. Vamos lá em nome do dinheiro e do "desenvolvimento", destruir História e construir centros comerciais. E com mais duas torres. Deixem-me dizer que as torres em Luanda, construídas quase aleatoriamente (para não dizer anarquicamente) têm destruído a imagem duma cidade que em tempos já foi chamada de bonita. Hoje, as torres saltam do chão, sem seguirem nenhum critério nem nenhum plano urbanístico. Até a baía tem de pagar: a draga que estava no princípio no porto de Luanda, já dragou à entrada da Chicala, em frente ao panorama e à entrada da ilha de Luanda. O projecto, que era inicialmente para aumentar as faixas da marginal, limpar e descontaminar completamente a baía (processo que demoraria 2 anos) e reorganizar os esgotos da cidade (que davam todos para a baía), foi modificado. Agora, fala-se em construírem-se hotéis de luxo. Também sei que o povo fala muito e ainda espero que não seja verdade, mas depois de ver tanto culto pelo dinheiro, já pouco me espanta. Seria sem dúvida uma evidente falta de respeito pelos luandenses, pois não se começa um projecto para se mudar a meio do caminho, sem pedir satisfações a ninguém.
Uns ousam falar, "esses prédios, isso tudo que estão é construir, é bom. É evolução!". Evolução?! Para quem? Todos esses condomínios de luxo com guardas e muros altos, são evolução para quem? Só se for para aqueles que já se encontravam num bom estado de "evolução", os ricos. Porque o pobre, tem de sair da praia do Bispo para ir para o Benfica numas casas sem condições, ou do Baleizão para o Cacuaco, apanhar umas 3, 4 horas de trânsito até chegar ao "serviço". Quem é que anda a pensar nesses? Não são cidadãos? Não podem fazer parte da "evolução"? De todos os edifícios que estão a construir na cidade de Luanda (há dezenas e dezenas), não vi UM que seja para o povo, ou se preferirem, estatal. Tudo é privado. TUDO. E quando se pergunta o preço de um desses apartamentos, são sempre números com pelo menos 6 zeros. Isso é muito zero. E não são Kwanzas. É triste ver essa realidade e é mesmo triste ver que mesmo com uma economia que cresce, com eleições à porta, em Angola continua a ser a lei do "quem pode, pode e quem não pode, se sacode."
N'Manga
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1. Por um t
ai est