Horror do vazio
“Sei que pode parecer repetitivo, mas afligem-me as megalomanias se
apossando de algumas cabeças que assumem responsabilidades em relação
a Luanda. Uns tantos acham que merecemos ter uma capital no estilo
Singapura ou Hong Kong, com torres de quarenta andares (no mínimo) ao
longo do mar. Não é forçosamente para amealhar umas comissões, como
imediatamente pensam os nossos cérebros borrados de preconceitos,
embora uns tantos aproveitem. Nada de novo, afinal: o mundo está cheio de
processos por causa do imobiliário e o cinema e a literatura até já
esgotaram o tema. O que me preocupa é muita gente estar sinceramente
convencida que isso é que é bonito e assim é que será viver bem. Têm
horror ao vazio que nas suas cabeças significa uma praça, um jardim, um
parque, um desperdício de espaço que ficaria melhor com uma torre no
meio (antes dizia-se arranha-céus, mas reconheço o exagero americano ao
inventar o termo, porque os céus não têm costas, são da natureza dos anjos,
e ninguém imaginaria um edifício a arranhar as costas de um anjo). Torre é
melhor, lembra logo aquelas construções onde se enfiavam os prisioneiros
para morrerem lentamente, como a célebre Torre de Londres, ou onde se
aninhava o povo da Europa medieval para se defender de ataques. Torre
sim, pois os seus utentes/prisioneiros vivem no medo de sair à rua, de viver
a cidade, enclausurados e protegidos da miséria que espalham à volta de si.
Queixamo-nos do trânsito na baixa da cidade (não só na baixa,
sejamos justos) e nem sempre escapamos de lá cair, porque ali está
concentrado mais de metade do capital financeiro e dos serviços do país. E
querem fazer mais torres, para atrair mais gente e mais carros? Que as
torres vão ter parques de estacionamento, dizem os defensores das ideias
futuristas. O problema é entrar ou sair dos parques, porque as ruas estão
atulhadas de carros. Claro que há uma solução do mesmo estilo: fazer as
ruas da baixa com andares, género auto-estrada em fatias sobrepostas, ou
até com viadutos por cima dos prédios, a arranharem as nuvens. Isso seria
um arranhanço útil. E já agora peço, façam um túnel por baixo da baía ou
uma ponte a ligar o bairro Miramar à Ilha, assim chegamos à praia em
cinco minutos, como era há vinte anos atrás. Como de todos os modos a
ideia geral é dar cabo da baía e da Ilha, também tanto faz, mais ponte
menos ponte… Suponho também que já deve haver negociações para se
tirar a Igreja da Nazaré do sítio onde está, a ocupar indevidamente um
espaço nobre para mais uma torre. Uma pequena concessão não fica mal,
mantém-se a igreja na cave do edifício. A História que se lixe, não foi a
lição da destruição do palácio de D. Ana Joaquina? Então continuemos.
Neste afã de ocupar todos os espaços, proponho também acabar com o
prédio dos correios, bem feio e sem valor arquitectónico por sinal, e já
agora com a praceta à sua frente, outro desperdício de espaço. E aquele
compacto e azul edifício que serve a polícia? Um quarteirão inutilizado! A
polícia pode ocupar um andar da nova torre. Com menos agentes, claro,
para se fazer encolher o Estado, assim mandam os compêndios do
liberalismo económico, nossa nova Bíblia.
Problema que estamos com ele é que todas essas novas construções
vão ter sérias infiltrações de água salgada, pois ali antes era mar. E o mar
gosta de recuperar o que lhe roubaram, ainda mais agora com a previsão da
subida dos oceanos, como em todas as conferências se apregoa. Vai ser
lindo, com as fundações das torres a serem corroídas pelo salitre e os
prédios a desabarem. Felizmente para eles, já não estarão cá os
responsáveis nem os seus filhos. E os netos dos outros que se lixem.”
Pepetela
O engraçado é ver alguém como o Pepetela se é que o texto é mesmo dele mais se assim for creio que ele deveria ser o primeiro a dar o exemplo já que é sabido que tem portas abertas no esquema da família. Assim sendo ele deveria ser o primeiro a propor um estudo e ou seminários e ou ainda uma pauta de encontros entre governantes e sociedade civil organizada a fim de se discutir o país antes de tudo antes de se autorizar construções sem estudos claros e sem fiscalização já que o Governo tirou essa função da universidade de engenharia e agora as próprias construtoras são os próprios fiscais, e não se tem hoje em Angola um órgão responsável para estes fins. E também para se discutir as privativazações de setores importantes e empresar chaves na manutenção de um Estado com poder e não destituído dele.
Epa Pepetela depois do 25 de maio é difícil de botar meu créditos em você, até que prove o contrario.
Paz e Graça
?!?
Como luandense, esse problema é de facto algo que me preocupa. Não sei para onde vai a cidade. A baixa de Luanda vai crescendo para cima com essas torres espelhadas ultramodernas, derrubando edifícios que carregam parte da nossa história nas paredes, património cultural de todos os angolanos (vejam o caso do Elinga Teatro). O certo seria revitalizar a baixa, arranjar as estradas e os passeios, restaurar os edifícios mantendo as fachadas. Nem vou falar dos projectos mirabulantes para a baía. Mas como não falar do crescimento desordenado dos mussuques? Não que eu seja contra o investimento privado que faz crescer as torres do chão, não que não goste de ver novos empreendimentos que são bons para a economia que galopa a dois dígitos, não que seja contra os condomínios privados. Mas é urgente resolver o problema da habitação digna para a esmagadora maioria dos luandenses, e não só nos musseques (quantos “prédios inacabados com parapeitos improvisados…”). Não me parece necessário descrever as condições em que vive o povo, todos temos olhos na cara. Está lá, assim escancarado para quem quiser ver: Luanda, a província mais pequena mas a mais populosa. O quê que é prioritários afinal? Pois é, é maka…
Kukiela*
Não acho que tenha de ser o Pepetela “o primeiro a a propor um estudo e ou seminários e ou ainda uma pauta de encontros entre governantes e sociedade civil organizada”. Ele não é nem membro do governo, nem chefe de uma empresa de obras públicas. Acho que o que ele disse está muito certo. Queremos importar o capitalismo selvagem a 100% e não paramos um segundo para pensar no que estamos a fazer. Tem razão o Pepetela,sim senhor: começa a haver “horror do vazio”. Constroem-se torres em cima de torres, de petrolíferas, bancos, agências de seguros, etc. Cada um faz a torre que quer, da cor que desejar, no espaço que achar adequado. E a culpa é de quem? Não é do Pepetela!! A culpa acaba sempre por ser das pessoas que estão no poder, que assinam as autorizações sem se preocuparem com a estética duma cidade partilhada por cerca de 5 milhões de pessoas. Os que assinam os papéis a autorizar essas atrocidades, são merecedores de uma punição legal: pesadas multas, ou mesmo em alguns casos (caso do prédio amarelo na Mutamba, por exemplo), de prisão.
Um abraço,
N’Manga
Concordo com o conteúdo do texto mas acredito que a solução(relativamente à questão do trânsito na viação) passa por descentralizar pontos chaves da cidade de modo a expandi-la, assim instituições escolares, hospitais de grande porte e outros devem ser postos em locais sem aglomerações. Quanto à construção de novos edifícios em substituição de antigos e com valor histórico penso que como tudo tem os seus prós e contras, porque é bom do ponto de vista económico, principalmente, mas no nosso caso em particular é mau porque só aumenta a diferença absurda entre “ricos e pobres”, tendo em conta os preços de comédia praticados tanto no mercado imobiliário como no que toca ao lazer. Agora, respondendo ao comentário pouco feliz feito ao texto de Pepetela gostaria de dizer a pessoa que não se identificou,tal como eu, que por maior que seja a força de vontade sozinho o senhor Artur Pestana nada pode contra pessoas que possuem um poder bélico infinitamente superior a todos que desta causa fazem parte, tentaremos sempre diplomaticamente mostrar que o capitalismo nada vale.
“Quanto à construção de novos edifícios em substituição de antigos e com valor histórico penso que como tudo tem os seus prós e contras”
Acho que percebeste mal o texto. Quando o Pepetela fala em construir pontes que liguem a ilha ao Miramar, ou de destruir a igreja ou mesmo o edifício dos Correios, ele está a ser sarcástico, para mostrar a tal com ponto a ideia é realmente ridícula e descabida. “Uma pequena concessão não fica mal,
mantém-se a igreja na cave do edifício.”.
Por outro lado, não vejo como a destruição de edifícios históricos aumenta o fosso entre ricos e pobres. Acho que todos saem a perder.
Abraço,
N’Manga
Percebi perfeitamente o ponto, apenas e como disse acho que tem os seus prós e contras. Toda a opinião é relativa, sabes bem que as ideias são influenciadas por factores distintos o que leva a um forçoso debate a fim de atingirmos um consenso, quero com isto dizer que o que parece mau a uns, a outros nem tanto, percebes? Agora, quanto à parte da substituição de edifícios foi um erro da minha parte, pois, a minha intenção era dizer que os edificios que se vão erguendo( ou seja totalmente novos, sem a remoção de outro) são todos erguidos com o propósito de confortar ainda mais os ricos, como tens a prova nos preços que são praticados no mercado imobiliário em luanda, principalmente. Gostei de ter encontrado alguem com quem possa manter um “diálogo”, ainda que escrito e que me entenda (e vice-versa) Obrigado pelo toque, tentarei ser o mais claro possível nos comentários futuros. Abraços, Sirik
Caro N’Manga, creio que sabe que o referido apesar de não ocupar cargos políticos tem um passe muito aberto e ate mesmo livre na panela, por isso já que o referido observou tal fato e por ter abertura e notoriedade publica e política poderia muito bem ser um proponente de encontros, seminários e etc…
E sobre tais prédios tidos como patrimônio cultural é algo questionável, pois seria patrimônio para quem e afinal num se tem dados e bons estudos sobre as edificações antigas, sem falar no uso e apropriação por parte da população por tais edifícios sem falar que a maioria deles é condenado em termos civil visto que desde 74 ou muito antes não sofrem ou sofreram reformas, que garantissem maior vida.
O que quero dizer é que manter edifícios antigos por serem antigos é um erro e construir por construir novos edifícios é um erro, o que deve ser e tem de ser feito é a suspensão de todos os projetos ou contratos vitais para Angola e antes rediscuti-los e realizar-se estudos em todos os setores e áreas para a criação de banco de dados, estatísticas e etc… Visto que não se tem em relação ao nosso assunto aqui um plano diretor ou de orientação urbana.
Paz e Graça
“creio que sabe que o referido apesar de não ocupar cargos políticos tem um passe muito aberto e ate mesmo livre na panela”
Eu não sei se o Pepetela tem ou “livre passe na panela” e não sei se tu o podes afirmar de forma tão categórica, assim como o tens feito até agora. Mas sinceramente, acho que tocar nesse ponto seria começar uma discussão que rapidamente entraria no círculo vicioso da pura especulação, e acho que ambos dispensamos a mesma. Limitemos-nos aos factos: não é ministro e não ocupa nenhum posto de poder. O que nos leva(mais uma vez) àqueles que REALMENTE têm o poder de decisão: os senhores ministros. Existe um Ministério do Urbanismo (o ministro é Srº Diakunpuna Sita José) que é responsável pelo plano urbanístico da cidade. Há portanto, estruturas e organismos criados para haver um controle de novas estruturas na cidade e no país, que seriam parte dum meticuloso plano urbanístico: isso é na teoria. Na prática, esse plano urbanístico é invisível.
“E sobre tais prédios tidos como patrimônio cultural é algo questionável”. Eu não digo (nem o Pepetela, no seu texto) que tudo que foi construído há mais de não sei quantos anos, é património cultural. O prédio inacabado da Maianga,por exemplo, não creio que o seja. Mas a igreja Nazaré, sim, o Palácio Dona Joaquina, SIM, a fortaleza São Miguel, SIM, etc, etc. Percebes?! Há edifícios que têm um valor Histórico, e que na minha opinião, devem ser preservados.
“Visto que não se tem em relação ao nosso assunto aqui um plano diretor ou de orientação urbana.”
O senhor Sita José devia ter um plano para a cidade. Se não o tem é porque não está a fazer o seu trabalho como o devia fazer. É ele o responsável (não é o único) e não o Pepetela.
Um abraço,
N’Manga
Fico por aqui e prefiro assim para não ficarmos em círculos e para terminar se for de seu interesse queria recomendar uma analise mais profunda do que poderia e ou como e o que faz que alguém classifique algo como patrimônio quer material ou imaterial.
Obs. onde tem hoje o “centro” da grande muralha da china antes tinha ali uma biblioteca e que alguém resolveu derrubar e queimar os livros para crias à muralha e hoje ela é um patrimônio. Então poderíamos ficar a falar sobre patrimônio e ou ainda trocarmos mais sobre.
Paz e Graça
Debater sobre certos assuntos é tão errado… somos ensinados de que há coisas sagradas, logo defendemos profundamente essas coisas. Assim acontece com o problema dos tais edifícios históricos, para que haja história é necessário vivê-la para poder lembrá-la. Não me interpretem mal apenas quero saber se não defendemos algo que é inexistente. Obrigado, Sirik
Percebo o teu ponto de vista.
O património cultural (quer seja material ou imaterial) transmite-nos parte da nossa cultura, História, etc. Sim, obviamente que há convenções para considerar seja o que for (um edifício, etc) um património nacional. Há portanto, no fim, sempre alguns que vão decidir por todos. Contudo eu acho que há marcas Históricas que são evidentemente parte dum património Nacional, por exemplo, a pedra que tem a marca do pé de N’Zinga M’Bandi, em Pungo-Ndongo. Concordas? Sendo ela um ícone da nossa História, é normal que essa marca faça parte dum património. Existe também o património arquitectural, do qual fazem parte os edifícios, etc, a parte arquitectónica. Sim, concordo contigo que tudo depende da importância que se dá a cada parte da História, portanto o que uns podem considerar património, outros nem tanto. Concordo. Por isso, devem haver convenções para se estabelecer o que é e o que não é património nacional. Contudo acho que há coisas que não podemos ignorar, e que cada angolano sabe e sente que faz parte da sua História e do seu passado: essas coisas fazem evidentemente parte dum património nacional.
P.S: O mesmo raciocínio se aplica quando se fala em património Mundial (a UNESCO fez uma lista).
Um abraço,
N’Manga
Concordo, nada mais a dizer.
Abraços, Sirik
Capitalismo selvagem, neo liberalismo, economia de mercado, etc., e podemos procurar outras definições, que em suma o resultado é Angola vive um periodo dificil na economia, pois nos somos de extremos, ou 8 ou 80, ou inflação descabida ou entao gastar tanto que nem sabemos o que fazer com ele, O Capital!.
Hoje voltei do extrangeiro (nosso pais vizinho - Namibia), onde temos um saco de 10kilos de batata a 4.99 USD, sendo que em luanda o mesmo saco custa 39.99 USD, voltei do extrangeiro, onde as ruas e avenidas são com 2 e 3 faixas para carros, voltei das obras de restruturação publica para aguas, electricidade e comunicação, todas elas feitas num fds, algumas com asfalto, voltei para esta parte de africa onde encontro a mesma a mão de obra é africana, com os mesmos genes, ocmo por exemplo os da última tribo guerreira que existiu em Angola, os cuanhamas.
Anomia
com calma
Não morando em Angola, tenho o previlégio de ir a Luanda pelo menos 1x por ano. E o que a visão periférica me permite ver com mais minucia, é o antes e o depois, as diferenças mais evidentes que ocorreram no espaço de um ano. no avião penso pra mim “vamos lá ver o que há de novo”. E quando chego é a mesma desilusão compulsiva, ano após ano. começa sempre na fronteira do aeroporto que dá acesso aos cintos de recolha da bagagem, onde todos os anos sou brindado com uma sala quente, nao climatizada sem tecto com a tubagem á mostra. A primeira impressão fotografica do nosso país é essa sala onde nos carimbam o passaporte de entrada para o festival do “horror de vazio”. Essa sala é paradigmatica do tipo de construção e de perspectiva de organização urbanistica que o nosso país tem. Ou seja, prioridade a coisas que não interessam agora, negligenciamento das pessoas e das necessidades basicas e ideias mirabulantes urbanisticas q favorecem capitalistas e violam o nosso patrimonio. A desilusão é compulsiva, pq esse neo liberalismo economico só trouxe construção burra e anarquica, construção económica, construção de e para os senhores do dinheiro. Eu tou com o Petetela, mas não sei usar a ironia dele, fico demasiado triste para ter tal elegancia sarcastica. Onde é que tão os planos de reestruturação? os hospitais, as escolas, a solução para as pessoas nos musseques? Há 3 anos fui a luanda e a novidade eram as sedes de bancos e torres multinacionais. Há 2 anos fui e a novidade era, bancos e torres multinacionais. Há 1 anos fui e a novidade era bancos e torres multinacionais, com previsões de abertura de hoteis e spas e umas migalhas de predios de habitação cujo preço dos apartamentos já se estima na ordem dos milhoes de dollares.
Temos o exemplo do dubai, de espanha, do brasil, pq é q não aprendemos com eles? Eu proponho uma mudança da capital para outro sitio de angola, que tal como disse a kukiela, é a provincia mais pequena para o numero mais matumbo de pessoas. Madrid foi construida para ser a capital, não era inicialmente, Brasilia também. Porque é que não seguimos essa mesma rota, como via para a descentralização? Luanda passava a ser a nossa barcelona, passava-se para a reabilitação dos edificios historicos e das nossas praias e bahia, sem querer impor mutações geneticas idiotas e violadoras de historia de beleza e de caracter nacional.
O oscar nyemeyer construi brasilia, e so foi inaugurada em 1960 apos um planeamento decente e estruturado de anos. Os grandes arquitectos espanhois deixaram legados a ser construidos pelos seculos vindouros em barcelona, Dubai importa arquitectos para fundirem ideias com o Sheikh Mohammad , a piramide do louvre foi feita por um americano de origem chinesa. Tudo é feito com calma, com estudo, com intercâmbio de ideias. Porque é que não planeamos o futuro, com calma. Luanda com calma, quiça outra capital, com calma. Porque é que temos de construir essas merdas desnecessarias agora, quando há tanto para priorizar? Não querem ter calma, querem uma Luanda nova iorquina já, sem medir as consequencias, sem pensar no povo, sem pensar nas proximas geraçoes, sem pensar na educacao, sem pensar na saude. Só a pensar na “nova biblia” onde o novo Deus esta pintado de verde em fortado de notas de dollars, e onde a direcção politica nunca comete perjurio contra a sociedade, pq ao povo a esse nunca se faz promessas.
Salvamarte
Mhhh eu por acaso no aeroporto tenho a assinalar mudanças “consideraveis”. Ha mais de dois anos que na sala de espera (bicha da emigraçao) encontro a cena climatizada (ao contrario do que tu dizes, mas tambem posso ter tido sorte e apanhado o dia do ano que o mambo decidiu arrancar), as vezes fresca demais e da ultima vez que fui ja tinham separado os tapetes das malas em dois coisa que tem um impacto incrivelmente desanuviador para a bandalha que era antes com 3 voos a chegar ao mesmo tempo para o tapete unico.
Salvamarte, acho que tudo depende das coisas as quais escolhemos prestar mais atençao e da importancia que damos (escolhemos dar?) a dikas que para os outros sao infimas. Ha quem venha de Luanda satisfeitissimo porque a cidade esta sempre em obras e isso e sinal de desenvolvimento, nos escolhemos continuar a apontar o que achamos que vai mal, uma atitude que é muitas vezes vista como antipatriotica e puramente “do contra”. Nao me entendas mal, eu acho que o exercicio de criticar é o mais importante para OBRIGAR a sociedade a tomar um rumo mais equitavel, eu subscrevo ao que dizes, so quis apontar esse pormenor, ate porque, a posiçao que escolhemos adoptar (critica ou defesa) muito frequentemente depende da imagem que tem o interlocutor face à nos. Se um dread vier te martelar que Angola é uma merda de pais, com uma merda de dirigentes corruptos, atirando-te à cara todas aquelas estatisticas que comprovam o que ele diz, tu vais querer fazer o contraponto metendo em frente de todo o argumento tudo o que faz com que seja “dreda ser angolano”. Tendo dito isto, concordo com a ideia de fundo do que apresentas, certamente as comparaçoes que fazem deixam muita margem para discussoes interminaveis, mas o fundo é sempre o mesmo e revem sempre a dizer que ELES “deviam olhar”, “deviam fazer”, “têm de resolver”, “têm de pensar”, a questao que gostaria que começassemos a fazer mais era: “o que podemos NOS fazer?”
abraço
kulpadokomum
KulpadoKomum
Não podia concordar mais com o KulpadoKomum… Olhamos muitas vezes (e incluo-me no grupo) para o que “eles têm de fazer” e esquecemos que nós, como cidadãos podemos ter um papel na sociedade. É sempre mais fácil apontar o dedo do que mexer o rabo. O que podemos nós fazer? É óbvio que as coisas que podemos fazer serão numa escala 1000 vezes mais pequena do que as coisas que eles podem fazer, mas isso não impede que hajam boas coisas que possamos fazer, em vez de ficarmos a falar mal deste ou daquele (independentemente de ter razão ou não), disto ou daquilo.
N’Manga
There is a point… Muitas discussões chegam a este momento a que chegamos agora: o que nós podemos fazer. E a questão é exactamente essa, a questão mais complicada, mais teimosa.
Sou de opinião que uma sociedade precisa de pessoas que “filosófem”, como o que fazemos aqui, acerca dos problemas; que não se vive só de engenheiros e médicos e a análise das ciências sociais é realmente importante para o funcionamento saudável das sociedades. Mas é obvio que a componente activa deve estar em equilíbrio com a componente “contemplativa” e muitas, mas muitas vezes me pergunto “o que é que EU posso fazer em concreto?”…
…
O que é que se pode fazer em concreto de produtivo para resolver alguns dos vários problemas que aqui já discutimos sobre Angola? Como não gastar energias em vão? Será que é em vão? O que é que se pode fazer estando lá e o que se pode fazer estando fora (que é o meu caso)? Como ter acções eficazes realmente sem entrar no sistema, na política? Como dar mais força à sociedade civil nas circunstâncias em que nos encontramos? São muitas as perguntas…
Certo que há o factor tempo, o longo prazo dos efeitos, mas há coisas que reclamam urgência e muitas vezes o que acontece é que nos sentimos impotentes tal o tamanho das makas. Mas queremos fazer e não só criticar… “não é facil…” =)
Kukiela*
Gostei do conteudo do vosso blogue e ja meti o link no meu (UIGECENTRICO.BLOGSPOT.COM).
Podem fazr o mesmo?
passarei mais vezes
força aì
O desenvolvimento de África deve ser ao modelo ocidental ou asiática? tenho a certeza que não, sou africano e desejo que um dia possa dizer que ser africano é ter um modelo e estilo de vida própria, agora o mito que o desenvolvimento é ter arranhas céus e grandes carros, então estamos no bom caminho. Caso desejamos um outro paradigma de desenvolvimento onde a tónica seja a africanidade, devemos começar por apostar na formação das pessoas, porque esta é base de uma sociedade, dizia um sociólogo português que diz hoje uma pessoa sem conhecer as letras é viver uma vida isolada, porque tudo hoje obriga-nós a ter conhecimento. Podemos aprender com os país desenvolvidos, mas devemos adaptar a nossa realidade.