Racismo: parte I
No decorrer dos meus estudos em psicologia social e das organizações, estudei bastante preconceitos e estereótipos. Estou certo que o tema do racismo é detentor de um estatuto lendário dentro de ambos os conceitos. Ainda assim não sou sociólogo nem antropólogo portanto não me vou estender muito sobre os aspectos científicos do racismo, a sua génese ou definição. Todos sabemos o que é, mesmo que não consigamos colocá-lo em Palavras. Todos já o sentimos ou perpetramos actos que se podem chamar de racistas.
Antes de me debruçar sobre Angola especificamente acho que faz mais sentido, dar a minha perspectiva daquilo que é o racismo e os passos que nos levam até lá. “O RACISMO É INEVITÁVEL”, a frase é certamente controversa, e analisada a superfície pode chocar. Mas aprendi que o nosso processo cognitivo, ou a forma como processamos a informação do mundo exterior é feita a partir de selecção e redução da informação, ou seja há tanta informação no mundo que é impossível conhecermos tudo, portanto seleccionamos a maior parte das coisas que sabemos e reduzimos aquilo que não podemos conhecer a partir da experiência prática com abstracções, para depois categorizarmos as coisas, ou seja, fazer com que elas façam sentido na nossa cabeça. E aí é que entram os estereótipos, que são precisamente a análise redutora de um grupo, nós percepcionamos o mundo e as coisas de uma forma necessariamente redutora pela quantidade massiva de informação que existe. Lógico que temos a capacidade de ser experts e conhecer com mestria fenomenal as coisas que nos interessam, mas tudo o resto vem em caixas de categorias, reduções e estereótipos.
Por exemplo, eu nunca fui à China, mas a noção que tenho é que os Chineses são baixinhos, bons no karaté, têm olhos rasgados, comem bué de arroz branco e que são colectivistas e trabalhadores. Assim como é essa a noção que qualquer um de vocês tem, porque há precisamente esse estereotipo, essa redução inevitável da realidade, por serem esses os dados do chinês em media. Esta linha de argumentação, diz-nos que os estereótipos ou redução de informação sobre determinado grupo ou categoria é inevitável portanto, nesse contexto “O RACISMO É INEVITÁVEL”. Todos nós somos racistas quando na bifurcação preferimos andar no lado da rua do casal caucasiano ao invés de irmos para o lado onde repousam os manos de pele escura, tu és racista quando te ris das anedotas do Fernando Rocha, eu sou racista quando um cigano vem ter comigo e dou por mim a abanar a cabeça em negação a negar trocos sem que o mesmo sequer tenha aberto a boca. A redução da realidade e inevitável.
O que não nos podemos esquecer numa abordagem mais filosófica e das coisas mais bonitas que há neste planeta. A singularidade das coisas, das pessoas. As pessoas não são grupos ou categorias são pessoas, cada um e apenas 1 e só independentemente da raça, religião cor dos olhos que partilhe com determinado grupo. O Yao Ming é chinês, assim como há bué de chineses que não gostam de arroz. Eu sou Angolano e não gosto de funge. A atitude e forma como sentimos percepcionamos um mambo, o comportamento e a manifestação da atitude. Temos de treinar a nossa atitude, e mudar o nosso comportamento em relação ao racismo. Os estereótipos estão lá, mas devem servir como uma luz, uma pista não como uma sentença ou dado adquirido. É estúpido fingir que os estereótipos não existem para evitar ser-se racista, mas é mais estúpido ainda ignorarmos a individualidade de alguém, para ser-se racista e tentar confirmar um estereotipo reduzindo-nos a ignorância.
O Brasil é dos países mais ricos e diversos culturalmente que já vi, e ao mesmo tempo o pais mais racista que já vi. Angola é dos países mais ricos e diversificados que África possui e ainda assim sofre severamente de racismo. Os critérios de entrada na discoteca, são dos que mais gosto para exemplificar os estereótipos, mesmo porque já fui vitima deste exemplo varias vezes. Os estrangeiros(brancos/mulatos) têm dinheiro
Logo são os candidatos naturais para entrarem nas discotecas, porque consomem muito e são civilizados. Segundo esta lógica, quem é proveniente de Angola provavelmente não tem emprego, ou seja é pobre e não vai consumir e não tem educação, ou seja é marimbo e vai provocar lutas e partir os bens da propriedade. Faz sentido, portanto o que os porteiros das discotecas fazem, todos escuros e grossos (e cá estou eu a estereotipar dentro da explanação do estereotipo) é deixar passar todos os claros e banir todos os escuros que não são celebridades, se é que se pode dizer que Angola tem tal coisa. Não interessa a forma com que essa pessoa se apresenta, se esta bem vestida, se apenas se quer divertir como os estrangeiros. O que interessa é a cor. Portanto toca a ser racistas, e mais triste ainda, legitimar mais direitos de entretenimento aos estrangeiros do que a ti, é como se esses porteiros estivessem a dizer: “Olá estrangeiro entra na minha casa, dorme na minha cama que eu durmo no chão, bebe a minha capuca que eu bebo agua, come o meu funge que eu passo fome e não te esqueças de f**** a minha bela mulher enquanto eu fico sem nada,” e a desvirtuação do ditado “a minha casa é a tua casa” para “a minha casa deixa de ser a minha casa e passa a ser a tua casa”. Como estes casos de racismo há muitos outros. O clássico complexo de superioridade dos mulatos em relação aos negros. A redução ilusória que os negros fazem, já vi muitos e muito bem formados, a argumentarem que os mulatos é que são detentores do poder e capital, quando não é verdade e assim. O habito dos negros e mulatos Angolanos serem racistas com os brancos muitas vezes sem fundamento, o que por ser uma tema sensível pode-se justificar. O que não se justifica é o racismo para com os chineses da mesma forma que os portugueses foram racistas connosco quando trabalhámos lá. Muitos dos casos que originam racismo são reais, mas não são regras, cada individuo é singular, tem livre arbítrio e o seu carácter não deve ser automaticamente categorizado e rotulado pela raça ou grupo a que pertence. Temos de descobrir quem somos e como queremos ser vistos pelos outros. Aprender com o Ruanda com o Quénia, é ver o que é que o ódio pela diferença trouxe a essas pessoas. Pensem nisso Angolanos, o futuro do mundo passa pela globalização pela capacidade de nos relacionarmos e negociarmos com outras culturas. Se não nos conseguimos relacionar connosco como é que vamos sobreviver no mundo globalizado?
Salvamarte
Branco ou mestiço? Perguntou-me a senhora que estava a preencher o formulário do meu bilhete de identidade. Branco, mestiço e negro são as 3 raças que podem ser colocadas no bilhete de identidade Angolano. Alguém muito ingénuo poderia dizer, “não existe racismo em Angola”. E eu responderia a essa pessoa : olhe para o bilhete de identidade, e veja a prova mais que oficial como o nosso pais é um pais racista e que fomenta o racismo.
Motivos por ser um pais racista? São dos mais diversos, sendo a colonização para mim o “motivo base” do racismo em Angola, e em todos países do Mundo. Todos países do mundo? Sim, todos os países do mundo! A colonização não resultou só na exploração e ocupação de um povo, mas também resultou na “migração” desse povo durante anos e anos. Os que foram ocupados e explorados fora misturados como é o caso de Angola. Misturados coisa que não aconteceu muitos com os outros países colonizadores, sendo Portugal o mais “mente aberta” quando se tratava de “conhecer” melhor o povo ocupado. E os que colonizavam e que são muitos deles conhecidos como países do primeiro mundo hoje em dia, não estavam contentes por terem sobre sua guarda os povos explorados, portanto resolveram começar a “trazê-los” para os seus países “super-desenvolvidos” onde o ser humano não era um “selvagem”,mas sim um “civilizado”. Isto tudo mesmo com o fim da escravatura e da colonização deixou marcas e vestígios enormes na nossa sociedade.
O “branco” hoje é olhado de lado, porque lembra os tempos da colonização e vai passar o resto da vida dele a ouvir : “vai lá p’ra tua terra seu branco de m****!!!” O mesmo “branco” ira olhar de lado para os “mestiços” e “negros”, porque ainda carrega com ele inconscientemente o pensamento colonialista, onde ele é o civilizado, e os outros são um bando de selvagens que tão a destruir o pais. O “mestiço”, é olhado de lado pelas outras duas “facções” porque cometeu o erro de ficar no meio, quem mandou ficar em cima do muro? E olha de lado os outros, porque se acha superior ao “negro” mas não se sente suficientemente respeitado pelo “branco”. E finalmente o “negro” e olhado de lado porque sempre foi considerado inferior e o que tinha de ser “assimilado”. E também olha de lado os outros dois grupos porque um (“mestiço”) ta em cima do muro e o outro ( “branco”) não ta na terra dele. E assim nos encontramos neste ciclo VICIOSO que fomentamos claramente em documentos oficiais.
Hum..e já me esquecia, a resposta que eu dei a senhora que tratava do bilhete foi : EU SOU ANGOLANO!! e ela deu-me um bom xoxo à moda da terra e escreveu RACA: MISTA.
Paz,
Mukuolua Kinamatos
“Alguém muito ingénuo poderia dizer, “não existe racismo em Angola”. E eu responderia a essa pessoa : olhe para o bilhete de identidade, e veja a prova mais que oficial como o nosso pais é um pais racista e que fomenta o racismo.”
Concordo plenamente com esta afirmacao do amigo Mukuolua Kinamatos, e sinceramente nao percebo como e que a raça é um dado relevante no B.I .
Por acaso ate fiz uma pequena investigacao e a conclusao que tirei foi que apesar dos biletes de identidade poderem de facto conter informacao relacionada com a classificacao etnica ou racial do individuo, muitos poucos paises usam esta opcao nos seus documentos de identificacao.
Agora em relacao aquilo que “brancos, “mesticos” e “negros” pensam uns dos outros.
O que se passa na nossa terra e que os “negros” chamam de “pula(s)” a todos aqueles que sao mais “claros” e maior parte das vezes usam o termo com sentido altamente prejorativo.
Outro problema e que qualquer branco em Angola e automaticamente denominado de estrangeiro, sera que nao nascem brancos em Angola(?),sera que nao nascem brancos nas familias angolanas?
Hoje fico por aqui para nao vos roubar mais tempo, so queria aproveitar para vos congratular pelo trabalho que tem feito no blog e pedir desculpas pela falta de acentos (culpa do meu teclado).
Abracos…
As teorias racistas tiveram o seu apogeu no século XIX. Poderá encontrar literatura sobre este assunto na internet; se procurar por Conde Gobineau encontrará com certeza informação sobre a sua teoria, que defendia que a raça branca é superior às outras e que a mistura das raças conduz à degenesrescência humana; parece ter sido esta teoria a base das ideias hitlerianas da purificação da raça branca.
Nao me parece que o mal social do racismo esteja relacionado com a forma como percepcionamos o mundo, mas sim com a forma como somos socializados… Talvez, para voltarmos a ser TODOS simplesmente indivíduos, seja preciso desaprendermos muita coisa; o saber nem sempre é cultura; muitas vezes é um amontoado de ideias atabalhoadas. Talvez tenhamos que aprender a reflectir; de que valem os conhecimentos se não soubermos utilizá-los?
E, finalizando o meu raciocínio, penso que, para que de facto possamos ser indivíduos igualmente considerados, teremos de ser, acima de tudo, livres; e hoje, infelizmente, em todo o mundo, ninguém o é.
Sobre a aquisição do conhecimento sugiro-lhe este livro muito interessante, de Humberto Maturana e Francisco Varela: The Tree of Knowledge.
Uma Angolana Transparente
Racismo: ser ou não ser heis a questão!
Em 2000, março…entrei eu para uma empresa mista angolano-francesa…e o meu director geral, francês, óbvio, que novidade…ineteressado que todos os franceses falassem português…óbvio, uma das suas politícas de boa vizinhança…só que as cartas oficiais eram escritas, quantas vezes em francês… entre muitas conversas de socialização, questionamento e algum interesse em conhecer Angola e a sua dinâmica quanto a identidade “racial” dos angolanos como eu, MULATA, CRIOULA, como Queiram ou mestiça, também pouco importa, já que há BRANCOS E NEGROS, AMARELOS e PELES VERMELHAS…eu SOU A MISTURA DE TODAS ELAS…Quer Queiram, Quer não…dizia eu…este director como bom francês…perguntou-me um dia à laia de boa conversa e de bom francês…se EU era NEGRA ou MULATA…e eu com um dos meus melhores sorrisos… como boa filha da P* ,da mãe digo…disselhe.:Porque não,Sr.fulano, ser tão Branca quanto Negra!Escolha o Senhor!Era sexta feira,e era secretária do DG, numa empresa voltada para a marginal, fim de tarde desejou-me bom fim de semana, e eu também retribuí com mais um dos meus melhores sorrisos, que por acaso conservo, apesar de quase mais dez anos passados, nesta Angola por qual insisto e pela qual entendo a vossa luta!È ísso..ser mulato…ou não… !Um beijo grande do tamanho de Angola, com muitos sabores…ANA BELA Luanda
Angola jamais ira dizer nao ao racismo visto que, racismo eh um sentimento que na mais pura inocencia todo ser humano tem dentro de si.Sou negro,Angola e nao fumento o racismo mas sei que dentro de mim ha pequenas particulas racistas que nao sei de onde vieram mas sei que ca estao.
Angola como todo e qualquer pais no mundo aonde haja uma imensa diversidade de racas e nacionalidades eh muito provavel que o sentimento racista e outro NACIONALISTA estejam mais acentuados do que qualquer outro tipo de sentimento de represalha.
Temos que admitir que Angola eh um pais pos-guerra no qual os Angolanos negros nao conseguem admitir que os Angolanos brancos ou mulatos tambem sejam Angolanos dai partirem para a discriminacao racial.
Nao querendo fugir do ponto espero que o povo angolano seja mais forte,unido e acima de tudo mais inteligente para que de maneira eficaz e solida saiba ultrapassar ou contornar esse problema que nos assola.
Dizer que brancos e mulatos tem mais oportunidades que os negros angolanos tambem nao esta errado de todo e sabem porque?? Porque o negro angolano reduz-se a sua mais pura ignorancia,corrupcao,ganancia e sobretudo egoismo enquanto que os outros(brancos e mulatos) sabem e souberam tar unidos como um verdadeiro povo e assim construir grandes imperios financeiros-economicos.
Viva a Angola que Angola eh dos Angolanos (independentement da sua cor)
Segundo pude pesquizar, o racismo presume-se quando uma raça se sente superior a outra de tal forma que não se sentindo ameaçada tende a afasta-la e em ultimo caso “extermina-la”, e a pergunta que faço é: em Angola há racismo no verdadeiro sentido da palavra?! Acharão os angolanos que são superiores às outras culturas que constantemente tendem a “invadir” o nosso espaço?! Pelo que vejo não é isto que está em causa, muito pelo contrario, as atitudes do qual nós chamamos racistas, advêm tão somente do preconceito e da falta de cultura que nós angolanos vivemos dia após dia. Se fossemos realmente racista por acharmos que somos superiores aos que nos “atormentam”, estariamos bem na medida em que, sendo nós os superiores não tinhamos de nos preocupar com absolutamente nada, a problematica surgequando esses “seres inferiores”, começam a ocupar os “nossos” postos de trabalho. Quando os mesmos se fazem valer de licenciaturas provenientes do estrangeiro sem culpa de no nosso país dar-se pouco valor ao que é nacional. Em angola “não” existe este racismo, nós não somos suficientemente bons para pudermo-nos dar ao luxo de ser racistas…e só não o somos porque não nos deixam ser. Racismo não é uma coisa boa atenção, mas é algo que já está implementado na cultura universal ha mts sécs, e não deixará de existir nem que o próprio Obama se torne o primeiro presidente negro norte americano. Tal como as mulheres, serão sempre “mulheres”, nem que a Hillary ganhe as presidenciais norte americanas.
Por fim concluo dizendo que, ha certos conceitos que por mais voltas que o mundo dê, irão sempre estar presentes e o racismo é claramente um deles.Senão reparem, nós somos tão “superiores” e racistas que aqueles que são da nossa raça senão tiverem de acordo conosco, tornam-se nossas vitimas,não existe so racismo entre pretos e brancos(aliás dum modo geral este assunto tornou-se tão “alarmante” no resto do mundo que isso quase já não se usa, tomemos como exemplo os grnds cargos institucionais internacionais que ja têm sido ocupados por negros,atrevo-me mesmo a considerar que só falta um PAPA negro pra tudo estar consolidado) e por mais incrivel que pareça racismos entre pretos e pretos só ví em angola, isto é racismo?! Depende doconceito de cada um!!!
Salvamarte,
Sem querer entrar em muitas discussões sociológicas sobre a génese do racismo, não posso deixar de discordar da afirmação “é inevitável”, apesar de bem sustentada. Creio que pode-se sim dizer que o racismo baseia-se numa abstracção, numa generalização, num estereotipo mas é muito mais que isso.
Estereotipos, no geral e como bem explicaste, são necessários para organizar o conhecimento, a nossa experiência, a vasta informação que hoje recebemos e que tem que ser na maior parte das vezes resumida. Até mesmo no humor, na cultura da ironia e das piadas, não creio que sejam condenáveis. É também comum e, diria mesmo, natural, termos ideias pré-concebidas acerca de assuntos que mal conhecemos. Temos sempre uma vaga ideia, uma opinião, um “pensei que fosse…”.
No entanto, o tipo de estereotipo que está na base do racismo, da xenofobia, da homofobia, etc não pode ser inevitável. A melhor forma de se combater um estereotipo grave, como estes o são, é informando, porque quero crer que é maioritariamente a falta de informação, a ignorância que estão na sua origem. No entanto, existem casos de doutores, intelectuais e até mesmo cientístas, (bem informados?), com teorias racistas que devem ser punidos. Trata-se de discriminação, de desrespeito pelos Direitos Humanos, crime, enfim… algo tão ruim tem que ser combatido, pode ser combatido e portanto, é evitável. Claro que toda a mudança de mentalidades não se faz em dois dias, dois anos, dois séculos, como podemos infelizmente constatar. “Nobody said is was easy…”
Quanto ao que disse o Mukuolua Kinamatos, acho que numa sociedade intelectualmente evoluída, limpa de preconceitos e maldades (não me lembro de nenhuma agora…) indicar-se a raça no BI seria normal, mais uma característica física do indivíduo como o peso e a altura. Mas no caso específico de Angola onde, parece-me consensual, existe muito racismo de todas as partes, não será de todo boa ideia. Apelar a uma identidade negra, branca ou mestiça, acentuar a diferença no tom da pele só serve de combustível para a discriminação. Além do mais, parece-me uma característica perfeitamente dispensável (tanto que poucos países a utilizam).
Fico contente por ver o movimento do blog a crescer. Este é capaz de ser o tema que mais propiciará a participação das pessoas porque provavelmente todos temos uma estória para contar: é a nossa realidade e deve ser discutida abertamente.
Fiquem bem.
Kukiela*
(peco desculpa pela falta de acentos,teclado ta sem eles)
Caro Tiago,
Fiquei um pouco assustado com as contradiccoes que apresentou no seu post. Mas talvez nao tenha interpretado bem ou talvez a sua mensagem nao foi bem transmitida. Entendi que e’ contra o Racismo e considera-o extremamente negativo, mas aqui vai o que achei extremamente incoerente no seu texto :
“racismo presume-se quando uma raça se sente superior a outra de tal forma que não se sentindo ameaçada tende a afasta-la e em ultimo caso “extermina-la”, e a pergunta que faço é: em Angola há racismo no verdadeiro sentido da palavra?!
Quando se trata de uma raca se sentir superior a outra eu acho que existe claramente um sentimento de ameaca por parte da raca que se sente superior. O senhor proprio reconhece que devido ao “preconceito e da falta de cultura” existe esse “fenomeno” que nao e’ o racismo para si e que eu gostaria de saber o que senhor chama. Pois a base do racismo para mim baseia se sim no nocao que uma raca se sente superior a outra e no PRECONCEITO e FALTA DE CULTURA da suposta “raca superior”. Sim existe racismo no verdadeiro sentido da PALAVRA em Angola, ja lhe disse, basta olhar para o seu bilhete de Identidade e vai ver como o estado pos lhe um “carimbo” racico! Voce poderar dizer,mas por a RACA no bilhete de indentidade nao significa tentar ser superior mas sim uma forma de indentificacao portanto nao e’ racismo. Pode nao ser um atitude racista, mas e’ definitivamente uma atitude que promove o RACISMO a 100%. Eu indentifico me como Angolano antes de mais nada e se realmente o organismo que no momento tiver a recolher os dados do meu bilhete identidade precisar desde dado tao ridiculo que e’ a cor de pele de uma pessoa, esse organismo na sua mente RACISTA que olhe simplesmente para minha foto na parte da frente!O estado pode nao ser o dedo que puxa o gatilho mas e’ definitivamente a arma.
Diga me uma coisa, entao para si o racismo tem a ver com o dinheiro ou posicao social? Quem sao esses ser superiores e inferiores que fala? Pois para mim e’ racista o branco, o negro ou o mulato, rico ou pobre a partir do momento que se acha “superior” a outra raca!
“nós não somos suficientemente bons para pudermo-nos dar ao luxo de ser racistas”
Nao sabia que era preciso ser “bom” seja la isso o que for para si para se ser racista. E volto a repetir, para existir racismo nao e’ preciso ser pais do primeiro mundo, racismo existe em todo lado, onde exista diferentes racas e muita BURRICE como dizia o Gabriel O Pensador. Quando nos tornamo nos racistas com pessoas da mesma raca nao e’ por motivos de um nao concordar com outro, mas e’ sim pelos mesmo motivos que uma pessoas branca e’ racista para uma pessoa negra e vice-versa. E venho ja informar lhe que existe racismo entre pessoas da mesma raca em todo lado do mundo nao so em Angola.
Concordo consigo em relacao em nao saber que termo a usar para este tipo de “racismo”. Pois e’ a mesma raca “atacar” a si mesma.
Esses certos conceitos racistas e machistas vao continuar a existir nao so por pessoas que continuam a pratica los mas tambem por causa de pessoas que nao acreditam que se pode terminar com eles. Entao acredita que mundo vai ser machista para sempre? tenha cuidado e abra o olho pois um dia eu e voce vamos estar na minoria e a comecar a sofrer de feminismo! Mas como voce disse isto sao apenas os meus conceitos…..
E deixo a pergunta, o que voces pensam do”sistema de quotas” nas universidades,trabalhos e ate em telenovelas que existe no brasil? Acham que era uma boa politica para se aplicar em Angola?
Paz,
Mukuolua Kinamatos
Fenix/BR
n sou antropologo, pscicologo, sociologo ou coisa e tal, mas para minha pessoa, o racismo esta mais relacinado ao medo do que a “superioridade”.
Apesar de discordar de alguns argumentos apresentados, em ambos os textos, reconheço no racismo, mais do que uma monstruosidade moral, uma realidade preocupante.
O racismo consiste num grupo de crenças morais, alicerçadas em falsidades empíricas sobre as pessoas. Acreditar que certos grupos de seres humanos são mais ou menos qualquer coisa, é privilegiar a ignorância através de uma falsidade resultante da dificuldade em aceitar-se – por ignorância, intolerância ou hipocrisia –, que as capacidades cognitivas dos humanos variam de pessoa para pessoa.
Por ser mais fácil criticar ou responsabilizar os outros do que justificar as nossas limitações, alguns querem fazer passar a ideia terrível de que tudo é aceitável e de igual valor, ignorando desta forma a existência de um abismo entre a seriedade e a frivolidade.
Tentar defender o indefensável ou justificar o injustificável é apenas uma admissão de ignorância vestida enganadoramente de explicação.
Angola vive inserida neste lodaçal conceptual, acima de tudo pelos inúmeros “conceitos” e “preconceitos” adquiridos numa atitude subserviente – sempre ciente de autoridades e hierarquias –, durante décadas de “regimes” de pensamento fechados, á crítica e discussão aberta. [Colonialismo / Guerra / Comunismo]
Numa linguagem mais fluente, racismo é um preconceito que privilegia o raciocínio caprichoso daqueles que padecendo de um qualquer complexo de inferioridade, e que definindo ideias com base em ódios antigos só demonstram vácuo intelectual, atingindo apenas o erro e a mentira.
Acredito que todos os angolanos, promovendo a cultura da liberdade intelectual – que está na base da escola moderna –, conseguirão “ignorar” esta irracionalidade e adoptando uma atitude crítica e um empenho na formação, conseguirão construir um futuro “enorme”.
Agora posso citar o Salvamarte… completando o “pensamento”:
“… O racismo é inevitável, se continuarmos a privilegiar a ignorância…”
O comentário já vai longo mas é apenas uma palavra mais ao:
Mukuolua Kinamatos
Existe a ideia errada de atribuir responsabilidades pelo racismo existente á colonização. Acredito que algumas “razões” tenham resistido aos tempos, mas a colonização terminou á mais de 30 (trinta) anos e a mão-de-obra activa que vive hoje os problemas de Angola, anda por volta dessa idade. Que idade tinhas aquando da independência?
Não quero com isto ilibar a colonização pelos erros cometidos, mas penso que devemos ser racionais em oposição ao facilitismo que nos direcciona a responsabilizar a cor da pele pelas nossas limitações.
Saudações
Informal
Viva kukiela,
Não costumo participar na novela dos comentários, mas hoje vou tentar ser um bom actor e contribuir.
Não quero ser mal interpretado, muito sucintamente, o objectivo do meu texto é uma espécie de primeiro encontro dos AA (alcoólatras anónimos)em que é dito aos doentes “parabens por terem chegado a esta sala, porque o primeiro passo e o mais dificil é admitirmos que temos esta doença/problema) vivemos num mundo de negação. Convido-te a fzr um exercicio, pergunta a 10 pessoas chegadas a ti se se acham racistas, depois pergunta-lhes se já cometeram algum acto racista ou descriminatório. Se tudo correr de acordo com a honestidade que se exige, a primeira resposta por parte de todos vai ser não sou racista, e a segunda sim já descrimnei já fui racista. O que é no minimo incongruente e contraditório.
Continuo a ter como uma das minha frases predilectas “não há nada mais bonito do que dizermos o que sentimos e pensamos”, mas isso é raro, e extremamente dificil de se fazer, apesar da frase ser simples. é a rota dos mais ávidos de conhecimento mais ávidos para a lucidez e transparência. Nem toda gente quer isso para a sociedade. Compreensivel dessa gente, é inseguro, perigoso. Quanto a mim é inevitavel para a evolucao de uma sociedade. Digo isto em contexto metafórico, muitos Galileus ainda vão ter de arder na fogueira para Angola reconher o quão redonda e bela pode ser, vai ser um processo longo, mas que vamos cumprir sem duvida. Sem duvida.
Menos filosofico e Voltando ao tema kukiela, talvez tenhas-te focado demasiado naquilo que descrevi como sendo “inevitavel”(estereotipar/ reduzir info) e esquecido do reverso da moeda, que é a capacidade que tu e eu temos de olhar para cada 1 como uma entidade particular. Podemo-nos educar para isso, embora que seja um processo longo e dificil. É como pegar numa colher cheia de açucar e ver cada granulo, como unico, diferente e igual aos demais em simultâneo, ao aprendermos a fzr isso connosco, o racismo torna-se evitável.
p.s. 1 exemplo de uma cidade verdadeiramente tolerante, Londres. Negros, indianos, muçulmanos, brancos, vês medicos, professores, doutores, bombeiros o que tu quiseres, de todas as raças, turbantes em bancos, rastafaris em hoteis etc…não há cores, há curriculos e pessoas.
li algures “o racismo é uma caracteristica das sociedades pouco evoluidas culturalmente”, ora vejamos, Portugal colonizou paises durante a maior parte da sua existencia, é um país com cerca de 800 anos, e ainda há muito racismo. Quantos anos tem angola independente? hehehe…acredito que estamos numa boa rota. Em relação a maioria dos nossos irmãos de Africa que ainda vêm na pele e na religião alheia motivos de guerra civil em pleno seculo 21 e em relação aos nossos colonizadores, tendo em conta a discrepância “cultural” considero-os tão racistas como nós.
paz
p.s. 2 agradeço a todos pelas sugestões, comentários e recomendações literárias, baza fazer mais isso, recomendar livros, filmes, documentários e partilhar experiencias
SALVAMARTE
Começando pelo texto do Mukuoula Kinamatos:
Uma pergunta: Quando queres descrever fisicamente uma pessoa por palavras, não mencionas a cor? Nunca disseste: “Aquele alto, branco (ou mulato ou preto), magro….”? Não será a cor uma das descrições físicas mais evidentes e básicas que existem. O Bi é o que nos identifica… então qual é o mal de ter a raça? Eu estaria de acordo contigo se em vez de raça viesse etnia. Aí sim seria uma clara incitação à segregação, mas neste caso acho que a cor é tão pertinente (ou mais) como a altura, como bem disse a Kukiela. Acho que não podemos fazer do assunto raça um tabou. Cada um ter a sua cor, acho que não nos devemos chocar quando se fala em raça. Pessoalmente, não vejo aí incitação do Estado ao racismo, como tem sido alegado aqui.
Informal:
Sem dúvida, o colonialismo teve uma influência no racismo que se sente tanto dum lado, como doutro (África e Europa). A relação mestre-escravo dum lado alimenta egos, do outro destrói.
“mas a colonização terminou á mais de 30 (trinta) anos e a mão-de-obra activa que vive hoje os problemas de Angola, anda por volta dessa idade. Que idade tinhas aquando da independência?”
Mesmo que não fosses nascido, as consequências são sentidas hoje em dia e a tinta ainda está muito fresca… demasiado fresca. 30 anos não é nada… muitas das pessoas que lutaram pela independência ainda estão entre nós e muitas delas ocupam postos importantes. Não penso que 500 anos de escravatura e exploração se apaguem em 30 anos (muito menos qdo ainda se fala de neo-colonialismo).
Salvamarte
“Se tudo correr de acordo com a honestidade que se exige, a primeira resposta por parte de todos vai ser não sou racista, e a segunda sim já descrimnei já fui racista. O que é no minimo incongruente e contraditório.”
Acho sim que já todos cometemos actos racistas… Contudo, penso que uma coisa são actos pontuais, e outra são atitudes recorrentes. Uma pessoa que “aprenda” com esses “reflexos” racistas, vai sem dúvida primeiro “estranhar” e agir com medo ao “desconhecido”, mas rapidamente aprenderá a lidar com essa “diferença” e vai “autoeducar-se”. Aquele que permanecer no “erro”, eternamente temendo o “desconhecido” ou alimentá-lo com argumentos generalistas e simplórios, poderá sim, ser chamado de racista. Não sei se me fiz entender. ☺
“exemplo de uma cidade verdadeiramente tolerante, Londres. Negros, indianos, muçulmanos, brancos, vês medicos, professores, doutores, bombeiros o que tu quiseres, de todas as raças, turbantes em bancos, rastafaris em hoteis etc…não há cores, há curriculos e pessoas.”
Por Londres ter pessoas de todo o mundo quer dizer que é menos racista do que Angola? Esses negros, indianos, muçulmanos, etc., não são eles também vítimas de racismo? Acho que estás a pintar o quadro demasiado de cor-de-rosa. Ao ler os comentários, fico com a ideia que há menos racismo no mundo do que em Angola… “o racismo é uma caracteristica das sociedades pouco evoluidas culturalmente”
Há países com um elevado nível cultural mas que são racistas. Essa relação entre cultura e o racismo é, na minha opinião, fictícia”. Há países que têm uma elevadíssima taxa de imigração, mas que também são racistas. Ter cultura não é necessariamente estar isento do racismo. Países do primeiro mundo, altamente “sofisticados” e cheios de cultura são também racistas.
Um abraço,
N’Manga
Kukiela,
“A melhor forma de se combater um estereotipo grave, como estes o são, é informando, porque quero crer que é maioritariamente a falta de informação, a ignorância que estão na sua origem.”
Informando como? Dizendo: “Não sejas racista, somos todos iguais”? As pessoas já não sabem disso? O racismo não é como o Sida, não podemos dizer: “O racismo mata, protege-te!”. Qual é a falta de informação? Como tu própria disseste: “existem casos de doutores, intelectuais e até mesmo cientistas com teorias racistas”. Achas que doutores e intelectuais ou mesmo cientistas não estão “informados”? O que é não estar informado?
Penso que não é lógico falar de informação. Talvez se esses intelectuais convivessem mais com outras raças… se passassem uma temporada em África ou na China, por exemplo, talvez aí prescindissem do preconceito… talvez não.
Uma história engraçada e que faz pensar: O prémio Nobel de medicina de 1964, James Watson (um dos pioneiros do DNA) afirmou que ele é “profundamente pessimista quanto ao futuro de África” pois “todas as nossas políticas de desenvolvimento são baseadas no facto que a inteligência deles (dos africanos) é a mesma que a nossa (dos ocidentais), quando todos os testes dizem que não é verdadeiramente o caso”. E ainda acrescentou: “Todos aqueles que tiveram negros como empregados, sabem o que é”. Vês?! Trata-se de um dos 3 cientistas que descobriu o ADN. Falta de informação?! Não. Preconceito puro e simples.
Um abraço,
N’Manga
Salvamarte,
Centrei-me no teu “é inevitável” porque é inevitável não me fixar nessa expressão tão forte e determinista. Concordo, contudo, contigo quando dizes que é importante admitirmos que existe o problema e não o atirarmos para um canto da sala como relevando a sua gravidade, mas isso pensei que fosse consensual (surpreendentemente, depois de ler o comentário de Tiago M. Bessa da Costa vi que não estava assim tão certa…)…
Quanto ao inquérito que me pediste para fazer, não seria necessário concretizá-lo para concluir o que tu concluíste. MAS quanto a isso recorro ao que disse o N’Manga, não podemos confundir actos isolados de racismo com o ser-se realmente, se quiseres intrinsecamente, racista. São níveis absolutamente diferentes, do meu ponto de vista. Mas olha, entendi melhor a tua ideia, o que é um sinal de que não te devias coibir de participar nos debates, não sei… =)
N’Manga,
Quando fiz a ressalva dos casos de “doutores, intelectuais e até mesmo cientistas com teorias racistas” (ressalva sim, porque acredito que é de uma ressalva que se trata) lembrei-me exactamente desse exemplo que deste do “Nobel cientista racista”.
Bom, nem todas as pessoas são boas e o mundo não é todo cor-de-rosa, estamos de acordo. Existe a discriminação como algo da ordem da “Maldade”, do “Ódio”, que são por si conceitos meio difíceis de definir sem recorrer à patologia, não sei, será… Não sou imune à inefabilidade.
No entanto, acredito mesmo que na maior parte dos casos, como cuidei dizer no meu comentário, não se trata desse tipo de racismo “preconceito puro e simples”, nas tuas palavras, e sim de uma falta de informação, ou seja, ignorância, análises erráticas, falsos juízos, não sei como dizer melhor: uma atitude resultante de um desconhecimento das coisas, “burrice”, diria o Pensador. Mas nesse caso é possível, julgo eu, mudar as mentalidades das pessoas. E tem-se conseguido: tivemos séculos de escravatura, séculos de mulheres fechadas em casa, séculos de homossexuais reprimidos, etc etc. Não vamos negar que existe um caminho que foi já percorrido até ao ponto em que estamos e que é ainda longo daqui adiante.
E sim, ainda nos falta muito para que saibamos que somos realmente todos iguais, respondendo à tua pergunta “As pessoas já não sabem disso?”. Como fazer para que elas compreendam? Informando, debatendo, mostrando, condenando, justificando, punindo juridicamente, lutando e acima de tudo apelando à igualdade de oportunidade. Se calhar esse é o caminho, um pouco como deve ser o jornalismo: “Show, don’t tell”. Não sei se me fiz entender melhor.
Pegando neste último ponto, sem me querer estender muito mais, acho pertinentíssimo discutir-se aqui questão proposta pelo Mukuolua Kinamatos: o sistema de quotas.
Pessoalmente, eu não acho que seja um sistema justo porque acredito que precisamente por sermos iguais em capacidades, devemos ser iguais em oportunidades, isto é, concorrer em igualdade de circunstâncias. Esse regime de quotas desvaloriza o mérito de todas as partes. Poderá até ser bem intencionada, mas não creio que seja a política mais eficaz. É preciso antes garantir que quem sofra de discriminação possa recorrer à Justiça, denunciar a universidade ou a empresa que devem ser devidamente punidos nos trâmites legais. Além disso, não me parece que essa medida fosse bem recebida em Angola…
Discuta-se…
Kukiela*
Manga Manga. lol. “Londres ter pessoas de todo o mundo quer dizer que é menos racista do que Angola? Esses negros, indianos, muçulmanos, etc., não são eles também vítimas de racismo?”
MANGA:
“Há países com um elevado nível cultural mas que são racistas. Essa relação entre cultura e o racismo é, na minha opinião, fictícia”
Utilizei o exemplo de Portugal os seus 800 anos Golias quase milenares de história em relação aos nossos pequenos David 30 e stressei o facto de haverem poucas diferenças em relação aos niveis de discriminação e racismo em ambos os países. Não leste? ou esqueceste? Com isto quis dizer que a cultura era um factor importante, mas não determinante, como vemos em Portugal. Depois usei o exemplo de Londres onde a cultura faz toda a diferença, com o qual tu perguntas “Londres ter pessoas de todo o mundo quer dizer que é menos racista do que Angola? Esses negros, indianos, muçulmanos, etc., não são eles também vítimas de racismo?” SIM mano, no Reino Unido há infinitamente menos racismo do que em Angola, e se me perguntares se a cultura é factor importante, a minha resposta é sem duvida, mas não determinante, daí a ter falado de Portugal que no capitulo do racismo ainda vive na era das cavernas.
A Cultura de um povo, reflecte a sabeboria de um povo. Tu sabes como poucos, que conhecimento é poder. Então eu pergunto-te como é que a tua cultura, não faz de ti uma pessoa menos racista? Vejamos, qual é o slogan que as pessoas gostam de atirar aos racistas? TU ÉS UM IGNORANTE!O que implica dizer que essas pessoas, são dotadas de falta de cultura. Ora, o que é contrario á ignorância? sabedoria, se eu sei mais, em ultima análise sou mais culto, se sou mais culto, vou ser necessariamente menos racista. Achas que isso é refutável?
Como Londres,há Nova Iorque, Montreal, Tokyo, Dubai…Consideradas as cidades mais avançadas do mundo. Não são como Paris e Lisboa, onde só vês os negros muçulmanos e outras minorias étnicas a limparem o chão ou a condizir o autocarro. Estão em qualquer posição quando digo qualquer, é precisamente isso, reitores de faculdade, gerentes de bancos, aspirantes politicos, gerentes, CEOs. Se as minorias étnicas são discriminadas nesses sitios, lógico, mas é seguro dizer também que são muito mais aceites como comuns pelo governo e pela sociedade em geral.
Voltando ao aspecto da desenvoltura cultural, em Portugal podem ser tão racistas como nós, mas a nível de preconceito puro, sabes bem que estamos a anos luz e só temos a culpar a nossa cultura. Vais a um sector publico tratar de um documento, não podes ir com os teus calções mais que adequados porque estas num país de clima tropical, tens de ir de calças porque é uma “falta de respeito ao governo” dizem-te eles. Se tens cabelo grande, és um “maricas” ou “drogado” portanto, não és digno de entrar em qq sitio da função publica. Se és preto e andas com uma branca, não ser amor é automaticamente “é complexado, tem vergonha da raça então anda com uma branca” Meu Deus Manga quantos e quantos e quantos exemplos de preconceito podem ser atribuidos á nossa “cultura”. sim MANGA, em relação a Londres,Montreal…ANGOLA ESTÁ A ANOS LUZ DE ATRASO. Com isto não quero dizer que acho esses sitios melhores que Angola é mega, mas a nível cultural que acaba por reflectir o nosso preconceito, que é quase sempre infundamentado, e quase sempre ridiculo, simplesmente não podemos competir.
SALVAMARTE
quanto ao sistema de quotas. Concordo plenamente com a kukiela.
Salvamarte
Kukiela,
Eu dei precisamente o exemplo do prémio Nobel para deixar explícito que me parecia que estavas a cair num paradoxo que aparentemente persiste. Explico-me: Tu dizes que se trata de “uma falta de informação, ou seja, ignorância, análises erráticas, falsos juízos, não sei como dizer melhor: uma atitude resultante de um desconhecimento das coisas”… tudo isso me parece bastante vago. Ignorante em que sentido? Um prémio Nobel não é alguém que tenha uma reduzida capacidade de raciocínio (ou falta de informação). E como ele próprio afirma, “todos que trabalharam com negros sabem o que é”, portanto ele teve contacto, não se trata de “desconhecimento das coisas”. Uma pessoa que conviva diariamente com africanos, que tem “conhecimento das coisas”, pode ser racista (ou uma pessoa que conviva com europeus, asiáticos ou o que for). Não se trata de “informar”, na minha opinião. Acho importante realçar esse ponto porque creio que nele reside a minha conclusão pessoal: a natureza do ser humano é discriminatória e segregacionista. Dizer que as pessoas são racistas devido à falta de informação ou a erros de raciocínio, acho que é demasiado simplista e mesmo indulgente. Podes punir quantas vezes quiseres uma pessoa que cometa actos racistas, mas não hás-de mudar o que ele pensa, remetendo assim o racismo ao silêncio, mas perpetuando a sua existência. Mas há-de vir sempre à tona de uma maneira ou doutra: vê na Europa. Há punições para todo aquele que perpetrar um acto racista, mas isso não impede o racismo de existir. Não é porque existem pessoas de todo o mundo em Londres ou Paris, que não haja racismo.
Porquê que eu falo em natureza humana? Por exemplo, se surgisse (hipoteticamente) no Mundo uma nova raça humana…devido à destruição do planeta, aquecimento global etc., começam a nascer homens verdes: qual seria a reacção NATURAL? Eu penso que seria a repulsão. Agora imagina que há um país de verdes… com hábitos de vida completamente distintos dos nossos, mais “retrógrados” ou “evolutivos”, enfim, que não fosse ao encontro daquilo que são os nossos padrões do que é normal, correcto ou certo para uma sociedade… Como é que nós (tu e eu) olharíamos para os “verdes”? Sê sincera contigo própria e ignora toda a demagogia que te passar pela cabeça, como é que vais olhar p’ra eles quando vierem à Angola? Penso que não se trata duma falta de informação, mas duma reacção natural ao “novo”, ao “diferente”.
Um abraço,
N’Manga
Salvamarte,
“e sou mais culto, vou ser necessariamente menos racista. Achas que isso é refutável?”
Acho extremamente refutável. Uma pessoa extremamente culta, pode ser extremamente racista. Os mais eruditos não estão isentos de racismo.
1-Paris é uma cidade que ao nível cultural se encontra ao mesmo nível que todas as cidades que mencionaste (muito mais do que o Dubai e ao mesmo nível que Londres). E contudo, assumes que há racismo em Paris (o que é no mínimo paradoxal). Logo, cultura NÃO é igual à “não-racismo”.
Volta 40 anos atrás… Inglaterra, EUA, França, etc., já eram países com um elevado nível de “cultura”, não é?! E contudo tinhas panteras negras, Martin Luther Kings, que continuavam a lutar pelos direitos… não foi assim há tanto tempo. O Bush já era nascido.
2 – Dubai é uma cidade onde os indianos são explorados até à morte, trabalham dia e noite, privados do passaporte e do direito de voltarem para o seu país.
Sinceramente, não penso que Angola esteja, neste aspecto, a anos-luz de nenhum país desenvolvido, NENHUM. Acho que em Angola pode chegar a haver (não sei se há, não posso afirmá-lo, mas digo que há a possibilidade de haver) mais união entre as diferentes raças do que em qualquer um dos países que citaste (exactamente por brancos, pretos e mulatos também terem lutado juntos na libertação de Angola).
Podes pintar o G8 da cor que quiseres, mas do que eu conheço (Reino-Unido incluído) não deixamos nada a dever.
Um abraço,
N’Manga
Eu acho q nos mesticos temos sido discriminados pelos dois lados. Quando eu estava em Angola ate 2 anos atras sofri discriminacao racial. So o facto do nosso BI mostrar a raca e um grande sinonimo de segregacao racial. Da mesma forma q quando estive de passagem por Portugal por apenas uns dias, pais q nao conheco bem, pois eu andei por outros paises mais desenvolvidos, e fez-me bem pq hj eu trabalho com mercado de capitais e nao necessito de petroleo para sobreviver. Mas voltando a minha passagem por Portugal, la tambem sofri algum preconceito. resumindo em miudos, nao foi nem Angola nem portugal que me abriram as portas. e acho q nunca nehum de nos mesticos ira ser presidente em nenhum dos dois paises. Eu ate penso q o melhor seria nos mesticos unirmo-nos e fazermos um abaixo assinado online para pedir uma parcela de terra e construirmos a nossa propria nacao, como aconteceu com os judeus q fizeram de israel uma grande potencia. Eu para dizer a verdade nao confio em nenhum dos dois.
Laton Tel Aviv
N’Manga,
O que eu quis dizer é precisamente que a posição do tal cientísta não me parecia a mim ignorância mas antes, como tu disseste, “discriminação pura e simples”. O ponto em que nós discordamos, e não vejo o porquê de ser paradoxal, é que eu não acredito que seja da natureza de todos os seres humanos, em regra, ser-se preconceituoso, “discriminatório e segregacionista”, pelo contrário. O que eu continuo a defender é que na maior parte dos casos de racismo, onde o episódio do prémio nobel não está incluído, trata-se sim de um tipo de pensamento que é possível mudar, um pensamento mais “”inocente”" que pode ser combatido. Concordo que não é punindo que se mudam mentalidades mas não deixa de ser uma forma de se fazer justiça e proteger quem sofre de racismo.
Quanto ao exemplo que deste, “uma reacção natural ao novo e ao diferente”?? Para quem é que a raça negra, por exemplo, é nova e diferente? O que é isso de ser novo e diferente? Não será um resultado do desconhecimento das coisas? Ignorância no fim das contas? E a tal atitude segregacionista não mudaria depois da convivência e da compreensão das falsas diferenças que conduziram ao erro inicial? Sim?
Por outro lado, mudando um pouco a abordagem e direccionando a questão do racismo mais para Angola, creio que as consequências de haver tanto racismo são preocupantes.
O que mais me preocupa à primeira vista é que o racismo vem associado a uma questão de “status socio-económico”, mais precisamente, a ideia de que os brancos e mestiços têm melhores condições de vida que os negros. Esta ideia além de enganadora é perigosa porque num cenário de instabilidade política, fragilidade democrática e pouca instrução da população em geral pode ser aproveitada. Não faltam exemplos, mesmo na História da Europa, de bodes espiatórios criados estratégicamente para persuadir a população descontente. Esse é um cenário possível para Angola, possível.
Importa, neste contexto, caminhar no sentido de se evitar que algo deste género aconteça. Como? É urgente solucionar os problemas do povo, que não adianta repetir, todos conhecemos. É urgente uma consciencialização das próprias “elites” e da responsabilidade que têm na sociedade civil, os quadros, as novas gerações,… É urgente haver vontade política. (Mais uma vez, “nobody said it was easy…”)
Kukiela*
Vou dividir o meu comentario em duas ou tres partes para nao ser tao exaustivo.
Para a Angolana Transparente: a nossa tendência na atribuição de raízes recentes às teorias/preconceitos que prevalecem na actualidade é recorrente mas altamente falaciosa. Desde o princípio dos tempos, que o Homem migra e se debate com quem encontra no seu caminho, o vencido (outra etnia, outra tribo, outra raça, seja qual for a sua marca de distinção) retirando-se para outras paragens ou submetendo-se a escravatura. Os Bantus que vieram do centro de África para se instalar em Angola, escorraçaram os Bosquímanes (Khoisan) e todas as civilizões desde a Babilónia no século XVIII A.C, Grécia VII A.C, Roma e por aí em diante passando pela idade média, até a mais recente, fizeram o mesmo, sendo a escravatura uma prática recorrente. Desde então que os povos submissos são considerados seres inferiores, com menos capacidades, 3/5 humanos (este tipo de barbaridade era legislação na constituição americana até 1868). É claro que o progresso dos meios de informação favorecem a globalização e generalização das ideias que se vão fortalecendo na nossa psique mais ou menos formatada. Foi o caso depois da invenção da escrita 3500 A.C, foi o caso com a aparição e desenvolvimento das tecnologias de comunicação, a rádio, a televisão, a telefonia móvel e mais recentemente a internet. Hoje em dia qualquer um pode atirar o barro à parede com uma teoria estapafurdia que logo encontra seguidores prontos a dar o sangue por essa verdade absoluta, de tal modo o acesso à informação é célere.
Concordo com as tuas observações sobre o saber e a cultura, mas do teu ponto de vista, qual seria a maneira de “voltarmos a ser indivíduos”, quando é que o fomos? Também achei interessantes e curiosas as ideia de “desaprendermos muita coisa” e de “sermos livres”, podes aprofundar?
Ao “Anónimo” que diz “ …o negro angolano reduz-se a sua mais pura ignorancia,corrupcao,ganancia e sobretudo egoismo” não caias nessa cantiga dread, estás a dar eco ao coro que os europeus tanto se esforçam por nos enfiar na cachimónia com filmes tipo Lord of War e The Last King of Scotland: “a corrupção e o egoísmo são características inerentes ao preto”, como se fosse alguma deformação genética. Nem vou considerar isso uma análise, baseias-te apenas na sempre fácil côr de pele para compreender algo de tão complexo. Há muitos factores históricos e sociológicos a ter em conta para TENTAR explicar esse canibalismo plutocrata. Repara também que o preto mangolé (ou de outro país africano) sofre em geral de um síndrome de novo-riquismo, a falta de hábito ao dinheiro e ao conforto tem esses efeitos em qualquer sítio, sobretudo quando o background académico é tão baixo. Os netos dessa gente (os filhos já estão lixados) vão ter outro tipo de mentalidade, verás (mas não esperemos que esse dia chegue, vamos tentar ser catalizadores desse processo de consciencialização).
KulpadoKomum
Ao informal,
tiveste um raciocínio muito interessante até borrares tudo com aquele eterno “lavar de mãos” meio disfarçado do colonialismo. “Sim teve influência mas já acabou há 30 anos”. Que pobreza de argumentação. Assim que duas civilizações chocam os seus destinos passam a ser escritos com outra pena, essas civilizações passam a ter inexoravelmente um ponto no percurso em que as suas rectas se intersectam, uma história em comum. No nosso caso foram 500 anos de concordância entre as rectas com infinitos pontos em comum, 500 anos de barbárie que em 30 anos (ainda para mais de guerra, ela também não completamente independente dos 500 anos precedentes) tu pretendes eficazmente apagados das memórias dos que sofreram mais directamente (ainda tem pessoas VIVAS que pertenceram a província ultramarina de Angola, a jóia da coroa)? Temos de deixar de formar só engenheiros, estamos a precisar urgentemente de perceber a complexidade da nossa existência e aprender a conviver com ela, o que não quer dizer nunca esquecer ou ilibar.
Ao N’manga,
acho que estás a ser politicamente correcto querendo deixar transparecer que a raça é só mais um dado pessoal como a altura ou o peso. Certo, na cabeça de alguém progressista onde a raça não seja mais do que essa diferença de pigmentação que serve para nos distinguir do outro “N’manga” com a mesma altura, mesma data de nascimento, mesma morada, só cor de pele diferente. Estás a falar mesmo a sério? Em Angola? Aliás, se bem entendo, segundo a tua teoria de “a natureza do ser humano é discriminatória e segregacionista” em algum país do mundo seria a inserção desse dado recebida com indiferença? Sê SINCERO, quando TU tiveste de responder à pergunta da senhora BRANCO OU MISTO, não houve nada que te fez confusão no estômago?
Ao Laton Telaviv,
espero que fiques por aí, porque esse tipo de mentalidade já não faz falta em Angola. E continua na tua ilusão que és independente do petróleo, é de uma ingenuidade ridícula. Boa sorte para ti e que a vida te sorria em Israel.
KulpadoKomum
Kukiela,
ao longo das tuas intervenções vens defendendo uma punição a quem pratique o racismo, ao mesmo tempo que recusas o sistema de quotas para quem tenha sido sistematicamente desfavorecido pelo sistema racista IMPOSTO durante séculos. Em primeiro lugar, a punição seja ela de que tipo for, não erradica de MANEIRA NENHUMA o racismo que continuará acantonado na mentalidade ignorante de quem não tem a “coragem” de se misturar e tentar compreender outras tradições, outras maneiras de pensar, de viver. Isso já foi tentado e é praticado na actualidade e o único resultado que tens é a DISSIMULAÇÃO, a falsidade das pessoas que são legalmente interditas de berrarem a todo pulmão o que sentem, mas cujas acções, por mais singelas que sejam, acabam por reflectir invariavelmente o preconceito que nutrem pela diferença. Um efeito perverso disso é que as pessoas são de tal maneira lavadas com a educação politicamente correcta sem sinceridade, que acabam por não reparar nesses pequenos gestos (o ser mais céptico em relação a aceitar a palavra de um árabe ou de um preto, o sorrir mais para o preto ou para o branco, o atender melhor uns que outros), afastando completamente a possibilidade de fazerem distinções, defendendo-se atrás do argumento: “eu não sou racista, tenho amigos asiáticos, pretos e verdes”.
Seja como for, acho que actos flagrantes de racismo devem ser punidos, não podemos tolerá-lo, descartando a punição porque não muda mentalidades. Mudando como não, a pessoa pagará a factura da sua ignorância, seja com multas, ou com trabalho comunitário, ou seja lá qual for o método escolhido.
Voltando ao sistema de quotas, por mais desvantagens que tenha, ele tende a acelerar o almejado equilíbrio entre as diferentes etnias que constituem uma sociedade, sobretudo quando algumas dessas etnias começaram a corrida com quinhetas voltas de avanço. Por isso não te entendo a ti quando me chocas com esta ingenuidade: “por sermos iguais em capacidades, devemos ser iguais em oportunidades” e muito menos ao Salvamarte que ao mesmo tempo que se deslumbra ao ver Rastas no Banco ou CEO’s de seja o que for, não se dá conta que, se isso se vê na Inglaterra mais do que em qualquer outro país europeu é em GRANDE PARTE devido ao sistema de quotas. Kukiela, iguais em oportunidades sim, mas achas que quem nasce no bairro operário e tem de trabalhar desde os 10 para ajudar a mãe que é empregada de um de nós e não recebe suficiente para alimentar os seus 6 filhos, que não tem gerador e deve estudar a luz de vela, que não pode entrar na escola privada e tem de arranjar maneira de subornar o professor e a essa prática se habitua percebendo que não é afinal necessário conhecer a matéria mas a melhor maneira de agradar o prof, fazendo-o até ao fim dos seus estudos, a pessoa que não pode COMO EU E TU vir estudar fora e ter acesso ao universo de informação que hoje existe para quem quiser consultar, ACHAS QUE ESSA PESSOA ALGUMA VEZ TEVE AS MESMAS OPORTUNIDADES? É aberrante que só consideres as MESMAS oportunidades quando se candidatam ao mesmo emprego com o “mesmo” diploma (ou pelo menos foi isso que percebi, espero estar enganado). Dizes que te PARECE que a medida não fosse bem recebida, mas porquê que tens essa ideia e a ser mal recebida, sê-lo-ia por quem?????????
Ainda outro benefício do sistema de quotas é obrigar as pessoas de diversos backgrounds a conviver e a conhecerem-se mutuamente. Claro que isto não é tão linear, mas é muito mais fácil fazeres amigos indianos ou jamaicanos se partilham todos o mesmo ambiente de trabalho do que se ficares a espera ir a um restaurante indiano e fazer amigos lá, porque já se viu que as comunidades têm tendência a “ghettoizar-se”, frequentam todos os mesmos sítios onde só essa comunidade é representada, de tal modo que um “estranho” se sente desencorajado de bokwar (ver caso de angolanos em Lisboa, mas muito mais evidente são os chineses).
O Chris Rock resume tudo isto muito bem: “don’t get me wrong, I don’t think I should get a job over a white person if I get a lower mark in the test, but if there is a tie…. FUCK HIM!!! He had a 400 hundred year headstart.”
Salvamarte um bom filme para ti: Crash
Kukiela não podia deixar de terminar sem te oferecer o prémio pelo termo mais rebuscado de todas as intervenções: “ Não sou imune à inefabilidade”. Xê tás a insultar a minha árvore genealógica inteira!!!
Até ja
KulpadoKomum
KulpadoKomum,
Pegando no exemplo que deste do morador do BO, uma coisa não entendi: a desvantagem dele está em ser negro ou em ser pobre? Porque se for por ter mais dificuldades a nível socio-económico existem soluções que podem ser muito proveitosas: em primeiro lugar bolsas de estudo que todas as universidades, principalmente as públicas, têm o dever de proporcionar a quem não está efectivamente em igualdade de oportunidade. Existem ainda regimes especiais para trabalhadores-estudantes para que possam conciliar o trabalho com os estudos. E as Faculdades devem ter, em principio, salas de estudo, bibliotecas, salas de computadores, etc. para quem não tenha essas condições em casa.
É claro que isto constitui um ideal muito longe da realidade angolana mas penso que é por aí que se deve pensar a integração do miúdo do BO que quer estudar e deve ser incentivado a isso, é por essa frente que se deve atacar para resolver esse tipo de desigualdade. Mas isso é outra história diferente da do sistema de quotas que a mim não me parece que seja um bom sistema de integração, repito, por mais bem intencionado que seja.
Só para que tenhas uma ideia, aqui em Portugal, ALGUMAS Faculdades (os seus alunos) recebem mal estudantes que entrem através de regimes especiais de quotas (por exemplo, pessoal dos Açores e da Madeira ou mesmo os que beneficiam do famoso estatuto de imigrante). Sim, em determinados cursos mais competitivos estes alunos são discriminados. É a mesma linha de raciocínio, KulpadoKomum. Essas quotas para minorias raciais/étnicas não funcionam como catalisadores do processo anti-discriminação, como defendeste. Pelo contrário: a sociedade, essas instituições (empresas, universidades…) estariam como que assumindo escandalosamente que NÃO dão a mesma oportunidade a todos os indivíduos! “Ah, então vamos estipular quotas…”- não. Parece-me um mau princípio. Esse pacto de incompetência não me convence. Devem ser criados outros mecanismos, jurídicos também, para combater o problema. Eu não me sentiria integrada se entrasse na Faculdade através de um regime de quotas por causa da minha raça, e tu?
PS.: Ah… =) “Inefabilidade” (incapacidade de exprimir algo em palavras) é uma palavra curiosa… Mas não entendi o teu comentário, Senhor-das-palavras-caras-e-dos-discursos-eloquentes! eheheh
Beijinho,
Kukiela*
Se pretendermos ser intelectualmente honestos devemos, ao tentar “desmistificar” o racismo, evitar a tirania do “politicamente correcto”, porque uma reacção histérica apropriada pode dar um ar de alegado pensamento progressista – que fica sempre bem –, mas que no fundo não passa de ideias de senso comum que acabam por distorcer toda a realidade.
Não pretendi defender a colonização nem tenho a crença de que deva ser defendida, porque tenho consciência dos “sentimentos” e “ressentimentos” acumulados durante anos.
Ao afirmar que “existe a ideia errada de atribuir responsabilidades pelo racismo existente á colonização”, eu pretendi apenas dizer que o racismo é a “acção moral discriminatória” com base na crença de que certos grupos de seres humanos são mais ou menos qualquer coisa, sendo factualmente verdadeira ou falsa (a crença) em função da realidade e não dos desejos das pessoas.
O colonialismo terá contribuído como “acção moral” para o germinar do racismo, pela discriminação social que impedia o direito de oportunidades, e não – ao contrário do alarido de alguns policias do pensamento disfarçados de militantes das boas causas –, como detentor da exclusividade (do racismo). Senão como explicar o racismo entre pessoas da mesma raça?
O “politicamente correcto” está a transformar-se num “pesadelo orwelliano” que ao dificultar o racionalismo e a avaliação crítica demonstra ser um sinal inequívoco de menoridade intelectual e obscurantismo que nos direcciona (consciente ou inconscientemente) á desonestidade intelectual.
O pretenso racismo de Watson (se é que o sentido das suas palavras é exactamente o que insinuam) pode estar a ser vítima disso mesmo.
Afirmar que “os brancos são geneticamente mais inteligentes do que os negros” é uma crença pessoal criticável, até mesmo condenável, mas legitima.
Afirmar que “os negros são geneticamente mais atléticos do que os brancos” é também uma crença criticável, até mesmo condenável, mas legítima.
A diferença entre as duas crenças estará na coerência, que provocou a histeria conhecida com o protagonismo da primeira e que certamente não provocaria com o protagonismo da segunda.
Julgar precipitadamente uma crença – mesmo que “politicamente incorrecta” –, como falsa apenas por conveniência é admitir o que Sartre chamava má-fé: o auto-engano intelectual que consiste em mentir a nós próprios.
Saudações
Informal
KulpadoKomum:
A tua argumentação é tão confusa que nem chega a estar errada, simplesmente não faz sentido.
Começas por confundir racismo com invasões e conquistas dos nossos ancestrais (em que muitas vezes partilhavam a mesma raça) e terminas de forma retórica a condenar sumariamente tudo o que se afaste do “politicamente correcto”, produzindo mesmo afirmações “eticamente incorrectas” [“… 500 anos de barbárie …”] (que dificilmente poderás justificar com isenção).
Para terminar, e uma vez que considero que o obscurantismo começa sempre, historicamente, com a tentativa de ocultar verdades incómodas, permite-me dizer-te que o “colonialismo” (criticável, condenável, o que tu quiseres) será sempre uma referência na história de Angola. Mas como referência deverá ser sempre o ponto de partida na caminhada para o futuro e para o progresso, e não o ponto de chegada para qualquer justificação das nossas incapacidades e insucessos.
Já é altura dos angolanos livrarem-se de conceitos e preconceitos que os conduzem a um complexo de inferioridade redutor.
O futuro constrói-se apoiado na história mas olhando em frente.
Fica bem
Informal
O sistema de quotas é um “pau de dois bicos”. Ao mesmo tempo que obriga as pessoas a conviverem/trabalharem com as “minorias”, põe o problema de ter pessoas mais qualificadas que ficariam sem emprego porque tem de reservar X lugares para as minorias.
“don’t get me wrong, I don’t think I should get a job over a white person if I get a lower mark in the test, but if there is a tie…. FUCK HIM”
KulpadoKomum, se as coisas fossem tão lineares como isso o assunto já estava arrumado há muito tempo. Nunca se resume à um teste, isento de influências exteriores e completamente imparcial… se assim fosse era só fazerem-se testes anónimos e pronto. Mas entrevistas de emprego envolvem a presença do candidato… e assim que ele chega, muitas vezes a entrevista acaba antes de começar. Acho que é bom e que mesmo tendo o seu lado negativo, obriga as pessoas a conviverem com minorias étnicas, deixando a esperança que com essa convivência venha uma aceitação e uma abertura de espírito entre as raças.
Contudo, Kukiela, não vejo com isso se pode aplicar em Angola, uma vez que essa minoria (que seria privilegiada) é “dominante”. As minorias (brancos e mulatos) vivem bem. Só se aplicássemos o que o KulpadoKomum mencionou (e que acho uma abordagem muito interessante) fazer uma selecção de pessoas que vêm de diferentes backgrounds sociais, e não em termos de raça. Seja por bairro em que vive, seja pelo dinheiro que tem… é complicado, mas pode ser feito.
Ao mesmo tempo, pergunto-me : Não estaremos a dar um passo maior do que a perna? Não será o sistema de quotas uma coisa dos países industrializados, e nós ainda não temos de nos preocupar seriamente co m isso? Convido-vos a responderem…
Um abraço,
N’Manga
Kukiela:
“Pegando no exemplo que deste do morador do BO, uma coisa não entendi: a desvantagem dele está em ser negro ou em ser pobre?”
No país em que vivemos ser preto não é obrigatoriamente sinónimo de ser pobre, mas ser pobre é quase sinónimo de ser preto e ser branco ou mestiço é quase sinónimo de se viver no mínimo bem. Ou queres discutir isto?
O teu problema é estares a analisar o sistema de quotas pelo topo, como se cada indivíduo chegasse a idade adulta com as mesmas capacidades e as mesmas oportunidades e tu fosses perder o lugar para o qual és mais competente (depois esta é outra discussão, o nível de competência e os “instrumentos” que utilizamos para medi-la, sobretudo nos países onde os desníveis não são tão flagrantes, o que não é AINDA o nosso caso), para alguém que não está minimamente qualificado para o efeito, pelo simples facto que a empresa precisa de mais representatividade da maioria racial.
Repara que só usas como exemplo as faculdades, eu estou a falar de bases sem as quais a tua chegada à faculdade pode até se concretizar, mas nunca em pé de igualdade para com aquele que no decurso do seu percurso educativo, nunca teve outra preocupação senão a de se formar.
É normal que se olhe de lado NO INÍCIO para os que não tiveram de fazer o mesmo esforço para passar os exames nacionais e que tiveram direito a entrar mesmo assim, mas esse sistema existe há quanto tempo? Tudo tem o seu ritmo, seguramente que quanto mais o tempo passa mais as pessoas se consciencializarão para as razões dessa tomada de decisão e para além do mais estou certo que não são todos que torcem o nariz ao pessoal das ilhas, porque querendo ou não, eles só podem acrescentar riqueza cultural ao ambiente universitário, se algumas pessoas preferem rejeitá-los, estão no seu direito de continuarem a ser quadradas e nem sequer se interrogarem sobre as razões desses ilhéus terem esses direitos exclusivos, mas tenho dúvidas que seja a maioria.
A discriminação positiva tem como base a inserção de pessoas que foram historicamente subjugadas a funções secundárias e que sofram hoje as consequências desses tempos, não é só uma discriminação rácica, mas sócio-económica também. Por exemplo, no Brasil existem quotas para pessoas com deficiências físicas, na Finlândia existem quotas universitárias para falantes da língua sueca, com a intenção que haja sempre um mínimo de indivíduos pertencentes a minoria de finlandeses que falam sueco com educação superior para salvaguardar os direitos linguísticos dessa minoria. Em muitas sociedades patriarcais milenares o lugar da mulher é na cozinha e em casa a tratar dos rebentos, mentalidade muitas vezes derivada de crenças religiosas já muito inculcadas nos espíritos. Se se quisesse hoje mudar esse panorama (sei lá, mudança radical de mentalidade, renegação de um passado considerado vetusto) e dar um “empurrão” ao fenómeno de integração, sem que se tivessem de esperar séculos para que este se operasse naturalmente, poderia passar a haver uma imposição legal para que as raparigas fossem educadas como os rapazes. Certo? Errado? Acho que não existe uma resposta única e uniforme, aplicável a TODO o tipo de discriminação positiva, depende muito da vontade da maioria, que não seja algo de pura e simplesmente imposto. A constituição na Alemanha defende os direitos iguais para homens e mulheres, no entanto paradoxalmente, decreta que a mulher deve ter tratamento preferencial para um emprego.
Podia obrigar-se aos colégios privados a leccionar um certo número de estudantes de bairros desfavorecidos gratuitamente desde a primeira classe. Isto seria claro um reconhecimento humilhante da debilidade actual do nosso ensino público, mas quando o filho do presidente da républica estuda na escola portuguesa acho que o maior vexame já se produziu. Enquanto não se desparatiza o ensino público, seria uma maneira de favorecer os excluídos.
Quando se tem um lugar numa empresa e se faz a triagem dos CVs poderia dar-se prioridade a certos grupos desfavorecidos (económicos, raciais, o que for). As empresas já fazem isto, a favor de uns ou outros e de maneira arbitrária, como muito bem sublinhou o N’manga (sobretudo sem ter de se justificar), porquê não obrigá-la a fazê-lo para o recrutamento de efectivos? Sabemos que em Angola nada é simples e que encontrar indivíduos para ocupar os cargos que se vão vagando nas empresas se revela frequentemente como uma tarefa espinhosa (as empresas também estão a crescer a um ritmo mais elevado que aquele ao qual conseguimos formar quadros), mas também sabemos que há certos grupelhos de bolseiros que voltam com o diploma na mão e não conseguem ser absorvidos pelo mercado de trabalho com a mesma facilidade que outros. Quais são então os critérios se as duas pessoas que vêm com o mesmo diploma e sem experiência prévia?
Não seria dificil legislar que depois de um certo número de tentativas frustradas de recrutamento de indivíduos pertencentes a essa minoria ou classe excluída, a empresa estivesse livre para recrutar alguém de capaz independentemente do seu sexo ou cor de pele, mais difícil seria verificar que esses trâmites seriam respeitados, porque não se pode esperar de uma empresa que aja de boa fé, elas têm tendência (e um gabinete jurídico conhecedor na matéria) a driblar o mais legalmente possível toda e qualquer restrição de movimentos.
Posto isto, concordo com o N’manga, seria um passo maior do que a perna e totalmente desfasado com a nossa realidade circunstancial. Todo e qualquer tipo de sistema de quotas a ser adoptado em Angola NÃO DEVE começar pelo topo, não é no recrutamento, mas na garantia de formação de base que nos devemos concentrar, adoptando um sistema menos rudimentar do que eu proponho acima, mas que vise sobretudo as crianças que depois da sua educação primária acabem por abandonar os estudos. Os seus efeitos só poderiam ser sentidos pelo menos duas gerações depois. É um caso a estudar.
Agora vou tentar passar as próximas horas a tentar desencriptar o comentário do Informal.
Até já
KulpadoKomum
Caro Informal,levou tempo, mas acho que percebi o teu recado
“como explicar o racismo entre pessoas da mesma raça?”
Deduzo que tenhas uma teoria, mas gostaria que antes de a expores, me dissesses se alguma vez viste ou ouviste falar racismo branco-branco?
“Afirmar que “os brancos são geneticamente mais inteligentes do que os negros” é uma crença pessoal criticável, até mesmo condenável, mas legitima.”
Então o Dr. Watson agora é vítima do políticamente correcto? Não existe um travo de instinto racista ao querer agrupar “amostras” de seres humanos usando a raça como categoria, não existe uma predisposição a querer provar a sua opinião intrínseca?
Sabes, nós podemos fazer muitos estudos estatísticos que “provam” muita coisa e a tendência normal das pessoas, sobretudo as que não dominam tais técnicas e não conhecem bem as suas limitações, é acreditar que certas correlações evidenciam causalidade, mas esse não é sempre o caso. Houve um estudo feito propositadamente para mostrar as limitações dos modelos estatísticos e o rídiculo que podem por vezes as conclusões: mostrou-se que o número de bêbados e de professores catedráticos variavam da mesma maneira ao longo dos anos nos EUA, seguiam as mesmas tendências de crescimento seguidas de queda. A conclusão é que se deve aumentar o consumo de álcool para que hajam mais professores nas univ.
O estudo do Dr. Watson esquece DELIBERADAMENTE de informar que existem mais diferenças entre indivíduos da mesma raça, do que do CONJUNTO das diferentes raças, ou seja, se pegares 1000 brancos, 1000 pretos e 1000 azuis, constatarás que no seio de cada 1000 existem dispersões muito mais importantes do que entre os 3 grupos de 1000 estudados como um todo. Depois existe a questão das amostras, se pegares em 1000 votantes do PP (portuga) és capaz de encontrar muito mais imbecis ignorantes do que 1000 pretos apanhados ao acaso na Damaia.
E discordo peremptoriamente quando dizes que é OPINIÃO LEGÍTIMA. NÃO! Ele é um CIENTISTA, a opinião dele tem um certo peso e vai acomodar muita gente que tem preguiça de tentar se curar dessa doença. “Se o Dr. falou, quem sou eu para discordar, eu pensava isso, mas agora sei que tinha razão!”
“Afirmar que “os negros são geneticamente mais atléticos do que os brancos” é também uma crença criticável, até mesmo condenável, mas legítima.”
Se pensares bem (lá estou eu a ser “politicamente correcto” né?), existe uma explicação menos complexa para isso, tenta lembrar-te o que se fazia dos escravos mais fracos ou inaptos para trabalhar e és capaz de te dar conta que houve uma espécie de selecção natural forçada (já que pareces acreditar na ciência não deverás descartar as hipóteses darwinistas né? Ou a tua crença científica também é selectiva?).
Consigo entender no entanto o teu ponto de vista sobre a nossa aptidão a rejeitar categoricamente umas teorias e ser tão permeáveis a outras, mas não somos todos, com maior ou menor intensidade, vítimas do politicamente correcto? A meu ver, isso até tem o seu quê de saudável. Qual é a TUA posição? És incorrecto só para fazer contraponto e alimentar a discussão, ou nutres realmente sentimentos que preferes não partilhar, passando a pasta para o Dr. Watson e evitando o debate com aqueles que apelidas de “policias do pensamento”?
Mantenho que o colonialismo foi uma brutalidade, com ou sem a colaboração activa dos nossos Reis e não creio que tenha sequer de começar a citar-te a longa lista de arbitrariedades que foram praticadas ao longo desse período. Se és um defensor do “papel positivo da colonização” estás no teu direito de políticamente incorrecto, mas poupa-me o discurso porque já o conheço de cor. Aconselha-me antes o melhor livro que tenhas que sustente o teu ponto de vista que eu prometo-te que o vou ler.
“o “colonialismo” (criticável, condenável, o que tu quiseres) será sempre uma referência na história de Angola.”
É verdade, mas não por escolha ou opção!
Força aí Informal
KulpadoKomum
“Caro Informal, levou tempo, mas acho que percebi o teu recado : -)”
Caro KulpadoKomum… levou tempo, mas acho que não percebeste nada. Nem que eu não pretendi defender Watson, nem o colonialismo, assim como não percebeste que as tuas crenças serão tão legítimas quanto as dos outros – mesmo que politicamente incorrectas –, podendo apenas ser refutadas de forma racional, isenta e coerente.
Lamento que tenhas recorrido ao “argumentum ad hominem” como arma de arremesso na tentativa de ocultares algum complexo ou preconceito que te possa incomodar.
A tua argumentação, além de falaciosa centra-se apenas no tipo de racismo que supostamente ofende os negros ou os diminui nas suas capacidades intelectuais, contrastando com alguma benevolência na situação inversa.
A agressividade manifestada sobre a “inteligência superior dos brancos” e a ingenuidade idiota e redutora assumida com a “superioridade atlética dos negros” são bem o exemplo de uma tendência por demais evidente.
A tua crença nasce de premissas erradas para justificar algo moralmente errado.
Existe fundamento empírico que justifique que os “negros são atléticamente superiores” ou é apenas uma questão ego e que te dá jeito?
A tua crença nessa “proposição” será tão legítima quanto a daqueles que acham que numa modalidade atléticamente exigente e disciplinada como a ginástica, a “quota” (já que gostas da palavra) de negros praticantes de topo é tão reduzida que os exclui da excelência.
Permite-me expor o problema (da legitimidade das crenças) de outra forma:
A existência ou não existência de “deus” é para uns (crentes) uma realidade indiscutível e para outros (não crentes) apenas um acto de fé [considerando que acreditar em algo com base na fé é acreditar em algo sem ter razões que estabeleçam a sua verdade].
Empiricamente ninguém poderá afirmar qual das crenças é verdadeira ou falsa, mas mesmo assim, nenhuma (crença) deixa de ser legítima. Digladiando-se constantemente, mas legitimas.
Caro KulpadoKomum, eu estou-me nas tintas para o dr. Watson e para o colonialismo.Poderei discuti-los, mas servi-me deles apenas para expor fragilidades na argumentação usada prioritariamente como desculpa (o facilitismo).
Para mim, a crença da inferioridade intelectual (racismo) é essencialmente um preconceito ancorado na ignorância, intolerância e incoerência, que nos priva da liberdade. E se não somos livres, o que se chama dignidade humana pode ser uma convenção, mas sem fundamento real.
Para terminar, vou mesmo descartar a teoria “darwinista” ridiculamente usada para exteriorizares o “dogma” que te incomoda.
O racismo branco-branco, por uma questão de “ética intelectual” vive disfarçado de “inveja”.
Fica bem
Informal
N’Manga e KulpadoKomum:
Ya… Mas mesmo assim continuo a achar que o sistema de quotas não é o melhor sistema de integração das minorias raciais. Mas estamos de acordo que em Angola então faria menos sentido ainda e há outras prioridades. Uma delas é dar oportunidades, tanto de estudo como de emprego, a quem não está em igualdade de circunstancias, estamos totalmente de acordo, não olhar pelo topo. Mas tal não deve ser encarado do ponto de vista racial mas sim socio-económico, apesar de não discutir que “No país em que vivemos ser preto não é obrigatoriamente sinónimo de ser pobre, mas ser pobre é quase sinónimo de ser preto e ser branco ou mestiço é quase sinónimo de se viver no mínimo bem”.
Fiquem bem.
Kukiela*
Informal,
se calhar és muito mais informado, mais culto e mais apto a fazer leituras ajuizadas e imparciais sobre o mundo que nos rodeia do que eu. Nao sei, é uma possibilidade, mas eu teria as minhas reservas em crer que tu consegues abstrair-te de tudo e ser alg que de tao imparcial é sem opiniao (ou pelo menos, ao longo da tua extensa exposiçao codificada nao a quiseste partilhar, ou talvez eu tenha realmente, como dizes, percebido mal). Devera haver alguma coisa na qual acredites, big-bang/evolucionismo vs creacionismo, supermercados vs ruina de pequenos comerciantes, homem foi a lua vs tudo encenado na Area 51, estudos cientificos vs intuiçao de vida, israel vs palestina, razao do alcorao banir o porco da dieta. Para tudo havera varias verdades e varias leituras, mas quanto mais nos interessamos aos temas, mais temos tendencias a “encostar-nos” mais a umas do q a outras, se calhar fechando-nos apos a escolha feita a outra verdade mais verdadeira q possa vir a impor-se (provar-se) mais tarde. Tudo é subjectivo, até ha uns anos atras dizia-se Africa “berço da humanidade”, depois encontraram-se ossadas mais antigas na China e tudo teve de se repensar, até q finalmente se encontrou na Etiopia os mais antigos vestigios da nossa especie na carcaça que chamaram de Lucy (recentemente concluiram que afinal nao era uma femea) e tudo voltou à formulaçao inicial. Isto para dizer, que devemos estar sempre prontos a questionar o nosso “conhecimento” e que ele acaba por ser sempre, queiramos ou nao, CONVENCIONAL. Meto conhecimento entre “” pq realmente, como bem observas, muitas vezes sao mais baseados em escolhas de campos de ideias do q propriamente em algo q tenhamos nos proprios descoberto ou aprofundado. Eu posso ate estar enganado na minha analise, mas ela baseia-se na MINHA OBSERVAçAO empirica e VISIVEL da realidade (q admito q possa ser ilusoria, sei la!). Senao vejamos:
Estados Unidos - todas as modalidades que tenham a ver com atletismo (excluindo talvez a maratona) ou desporto onde o potencial fisico e um requerimento indispensavel(penso em american football, basebol, basketbol) sao altamente dominados por pretos, sendo que eles constituem menos de 20% da populaçao.
França - equipa de futebol, equipa de atletismo, desportos em geral, tudo arquidominado por blacks, quando estes sao uma minoria
Exemplo mais flagrante: PORTUGAL, vai ver quem sao as maiores estrelas do atletismo portugues.
Sera que estes individuos nao tiveram as mesmas condiçoes de treino que os seus conterraneos brancos? Podera ser uma simples coincidencia? Claro que sim, claro que é muito facil fazer uma ligaçao de causa/efeito com um factor singular e este tipo de facilidades normalmente se revelam de pobreza analitica e falsidade cientifica, acredito que haja mais, mas a minha teoria baseia-se nos humildes conhecimentos que recolhi ao longo dos meus ainda curtos anos de vida.
Espero que concordes tambem que nao e a mesma coisa estudar as performances fisicas e as performances intelectuais que têm um grau de muito mais elevada complexidade analitica, sendo que a sabedoria é medida por convençoes (testes de Q.I e cultura geral e etc) que sao bastante volateis segundo a introduçao de um ou outro novo criterio (leia-se: individuo A cujo teste de Q.I deu 150, repetindo o teste pode ter 100)
Enfim, opinioes… fica bem
KulpadoKomum
Para mais informação sobre a forma como a colonização afectou a psique colectiva dos povos africanos, alguém pode querer pesquisar alguma coisa do Franz Fanon.
Eu sou negra e sou mesmo racista. Eu nao gosto da raca branca. Mesmo sendo racista ja cheguei ate a nomorar com brancos so por razoes financeiras, porque amor nunca esteve la. Hoje sou uma pessoa bem formada, com um bom salario e negocios com a ajuda desses “brancos”. Eu faco racismo contra os brancos nascidos em Angola,e eu nao os considero Angolanos. O motivo da luta pela independencia foi para nos livrarmos desta raca, mas parece que tem sido dificil. Por isso votarei para Unita para acabarmos com essa raca branca .
Africa nunca estara livre de guerras se a raca branca nao desaparecer.
O mundo seria melhor se cada continente fosse destinado a cada uma raca. Entao isso quer dizer que no mundo haveriam 7 racas, e cada raca estaria no seu lugar.
E’ verdade que sao os negros em Angola que controlam o poder, sao esses negros os mais ricos e poderosos de Angola.
Eu como Angolana e negra que sou, eu nunca vou considerar um branco nascido em Angola como Angolano. Esse branco e’ provavelmente um Portugues nacido em Angola, mas no lhe da o direito de ser Angolano.
Brancos e mulatos em Angola sao a minoria nos podemos mata-los a qualquer momento, e extinguir esta raca nao so de Angola,mas de Africa. VIVA AO RACISMO…VIVA UNITA..Savimbi i miss ya
Esses comentários são tristes, mas reflectem bem, muito bem mesmo, a maneira de ver de muitos angolanos: “um branco que nasce em angola, não é angolano”. Só os negros são angolanos! “SOU MESMO RACISTA, VAMOS ACABAR COM A RAÇA BRANCA”. é triste, muito triste.
N’Manga
Que pena que ainda hajam pessoas com acesso à computadores que tenham uma maneira de ver tao… redutora?!?! O mundo seria melhor se cada houvesse um continente reservado para cada raça? E diz-me la sabia moça quantos continentes teriam de existir? Como os delimitarias? Darias a cada “raça” uma porção de terra proporcional ao numero de habitantes dessa raça? Como se poderia fragmentar as massas terrestres que a natureza se esqueceu de fazer?
Sera que o tempo que levas desde a composiçao ate ao momento em que carregas no “ENVIAR” nao e suficiente para te fazer cair na real e dares conta da dimensao da ESTUPIDEZ que irradias? Tinhas mesmo ainda mais a dizer para um segundo comentario? Dama, sei que pessoas como tu existem em todo o lado e sei que infelizmente os que pensam como tu estao longe de serem em numero modesto, mas entristece-me profundamente constatar essa realidade, ver que NO MEU PAIS (nao preciso da tua aprovaçao, vai à merda ta bem?) ha tanta gente BURRA como tu, ainda pior que os pobres burros que nunca foram a escola, uma BURRA que sabe ler, escrever, que tem acesso à informaçao e que vai passar esse tipo de mentalidade aos seus filhos. APODRECE E DA DE COMER AOS VERMES sua burra. Achas mesmo que a UNITA é um partido guiado pela mesma raiva cega que tu? Conheceste a Fatima Roque? Verifica as tuas fontes e tenta usar um pouco da tua escassa massa cinzenta (cuidado para nao gastar tudo de uma vez) questionando-te sobre as contradiçoes da imagem que tens deles.
Sucessos na vida, espero que consigas encontrar um marido preto que te proporcione coisas melhores que os brancos com quem assumes sem o minimo pudor teres namorado por interesse.
Assalto ao 50 cent da ma imagem ao pais? NAO… TU DAS UMA MA IMAGEM AO PAIS. IGNORANTE!
KulpadoKomum
Anónimo, devia ter vergonha de pensar assim,em pleno seculo 21,eu sou negra e qdo vejo q ha negros a pensarem assim em pleno seculo 21 concluo q sao pessoas com serios complexos de inferioridade por serem negros….tristezaaaaaa s
Sra. ” Sou negra e sou mesmo racista”,
Logo de partida vejo que a Sra. não foi bem formada de certeza, e que pouco sabe sobre o que foi a luta de libertação nacional e o que isso significou para todos os Angolanos, brancos, negros e mesticos. Este tipo de comentários como outros já o disseram aqui não me surpreendem de maneira nenhuma, talvez o tamanho descaramento que tenha assumir isso seria o factor surpresa. E penso, será que a sra. assume o seu racismo nos meios em que se encontra? no local de trabalho? com os seus amigos? familia? ou espera este tipo de oportunidades anónimas ou quando esta com outras pessoas com a mesma linha de pensamento como a sra. para expõr esse seu lado racista, xenofobo e extremamente ignorante. Gostaria muito que me respondesse a esta pergunta, pois estou curioso em saber como uma RACISTA ASSUMIDA é vista na sociedade Angolana e em geral.
Paz,
Mukuolua Kinamatos
Mukuolua, tb n sou mto apologista desse uso da luta de libertaçao como bandeira do angolano branco, preto e mulato, é a defesa mais mastigada (e nunca engolida) das desigualdades de oportunidade gritantes na nossa sociedade actual que é terreno fértil para essa xenofobia/racismo que se alastra como um virus “airborne” pelos paises mais pobres, nomeadamente africanos. Mesmo na luta de libertaçao houve favorecidos e interesses pessoais defendidos em nome do “bem comum” e da nobreza da causa, havia carne para canhao e filet mignon na messe. E preciso de deixar de utilizar esse escudo como justificaçao da angolanidade, porque quem estava do outro lado da cerca nao vai morder esse anzol.
Abraços
KulpadoKomum
Bem… nao devemos olhar para o racismo, devemos olhar para JESUS porque se nos olharmos para o racismo vamos acabar por lamemtar todos os dias das nossas vidas porque ele existe com o objectivo de baixar a autoestima de muita gente.
Eu sou negro e tambem fui racista, mas no dia que eu emtrei na IGREJA UNIVERSAL DO REINO DE DEUS ouve uma transformaçao em mim sobre tudo na mente e apartir dai eu, realmente deixei de ser racista. OBS:siga e servi a JESUS voce vai ver o que ele fez (morreu por ti) e o que vai fazer.
Anónimo,
Até é possivel compreender o facto de ser racista,e ter a opinião que tem sobre as pessoas con quem compartio a sua vida, o que é dificil de compreender é que haja pessoas, bem seijão de raça, negra,mestiça o branca que tenhão compartido a vida de eles com um ser tao baixo como a, ía diser senhora, mas essa nao é uma palavra que se le possa aplicar.
Anónimo, A Senhora não é racista, é uma prostituta apenas. Ser racista é considerar sua raça superior e ter argumentos, não vender o corpo por interesse. Toma lá
Caros O que escrevem afasta-se da realidade histórica, talvez por isso, um mar nos divide, na interpretação que fazemos da realidade da soberania portuguesa em Angola, talvez por eu ser Angolano e ter nascido Português, tenha vivido intensamente os últimos 35 anos, tanto a terra onde nasci como o meu pais que é Portugal. Tanto em Portugal como em Angola, vivem pessoas que não terão mais um reencontro com a história, é um paradigma, porque são, negros, mulatos e brancos, sentem-se portugueses e angolanos e aqueles que não fugiram para Portugal em 1975 como era suposto, não tiveram vida fácil, na actualidade muitos portugueses e angolanos, continuam a ter a coragem de questionar, porque razão Portugal abriu mão do direito histórico a Angola, deixando-se levar por uma falácia de alguns poucos que apregoavam que os milhares de brancos ali nascidos não podiam ser angolanos por causa da sua cor da pele sendo isso, uma vergonhosa falsificação da história. Porque os antepassados de muitos negros que hoje se dizem «genuínos» e «donos da terra» ocuparam os territórios que actualmente compõem Angola, pouco antes, e, às vezes, pouco depois de os portugueses terem chegado e, muitas vezes, ao mesmo tempo que os colonizadores. Os únicos angolanos genuínos são, curiosamente, os mais marginalizados dos nativos: os Khoisans bosquímanes e hotentotes ) que se fixaram em Angola há mais de 11 mil anos e os Vátuas ( que não são negros) que habitaram a sua região situada nos desertos do Namibe há mais de 3 mil anos. Todos os outros povos fixaram-se em Angola a partir dos grandes movimentos migratórios da população banto, que se foram miscigenado e cruzando entre si. Afinal lá como cá, o melhor mesmo é não confiarmos naqueles que querem reescrever a história. A cor das pessoas é indiferente, o valor de cada um é intrínseco, foi assim que fomos educados por um povo com 800 anos.
Qual a realidade histórica da soberania portuguesa em em Angola? talvez por eu ser Angolano e ter nascido Português, vivi intensamente os últimos 30 anos, tanto da terra onde nasci como em Portugal, e tanto em Portugal como em Angola, vivem pessoas que mereciam um reencontro com a história, é um paradigma, porque são, negros , mulatos e brancos, muitos não fugiram para Portugal em 1975 como era suposto. Na actualidade muitos portugueses e angolanos, continuam a ter a coragem de discutir, porque razão Portugal abriu mão do direito histórico a Angola, deixando-se levar por uma falácia de alguns poucos ( ESSES SIM RSCISTAS)que apregoavam que os milhares de brancos e mulatos ali nascidos não podiam ser angolanos por causa da sua cor da pele, sendo isso, uma vergonhosa falsificação da história. Porque os negros que hoje se dizem «genuínos» e «donos da terra» ocuparam os territórios que actualmente compõem Angola, pouco antes, e, às vezes, pouco depois de os portugueses terem chegado e, muitas vezes, ao mesmo tempo que os colonizadores. Os únicos angolanos genuínos são, curiosamente, os mais marginalizados dos nativos: os Khoisans bosquímanes e hotentotes ) que se fixaram em Angola há mais de 11 mil anos e os Vátuas que habitaram a sua região situada nos desertos do Namibe há mais de 3 mil anos, não eram negros. Todos os outros povos, incluindo os negros com origem nos grandes lagos, fixaram-se em Angola a partir dos grandes movimentos migratórios da população banto, que se foram miscigenado e cruzando entre si. Afinal, o melhor mesmo é não confiarmos naqueles que querem reescrever a história e deixarmos de avaliar as pessoas pela cor da pele.
Anónimo, e`triste voces todos ,com os vossos comntarios,brancos,pretos,mulatos,que isso?raca humana de merda.sim de merda,nao se mentalizaram q esta terra e de DEUS E Q NOS ESTAMOS CA SO DE PASSAGEM,DE Q E`Q SERVE O EDUARDO DOS SANTOS ANDAR ACUMULAR RIQUEZAS ,SE QUANDO MORRER APODRECE E E`COMIDO PELOS BICHOS,OS BENS FICAM,E ELE E`PODEROSO???MUDEM A VOSSA MENTALIDADE DE MERDA..CADA QUAL E`COMO E`,VIVE A TUA E DEIXA VIVER OS OUTROS,ESTAMOS CA DE PASSAGEM,ESTA TERRA E`DEUS,NAO E`NOSSA…MEENTALIDADES DE MEERDAA,Q SO`QUEREM GUERRA POR TERMOS CORES DIFERENTE.UGH…NOJENTO
exte texto foi mt importante para mim e percebe -se a mensagem d quem o excreveu e oena q n hajam tmx textox sobre ete tema