Tuesday, July 24, 2007

DESCENTRALIZAR O PAÍS

Angola tem 1.246.700 km². É um pais enorme. Inútil dizer o que já toda a gente sabe: “Angola é um pais grande e belo… fauna e flora únicas…”, essa cantiga já todos nós conhecemos. Vejamos as coisas doutra maneira. A maior província é o Moxico, com 223 023 km², e a mais pequena é Luanda com 2 257 km². Só vos digo isso para termos realmente a noção do que a frase “Angola é um pais grande” quer dizer. Para muitos de nós, Angola é só Luanda. O pior é que mesmo para alguns dos nossos governantes, a visão é a mesma: Angola é só Luanda. Estamos todos enfiados numa cidade que já está completamente entupida, que não tem capacidade para tanta gente. Concebida inicialmente para 600 000, hoje com 4 000 000 de habitantes. Obviamente que as consequências são desastrosas: abastecimento de água, esgotos, trânsito, a própria estética da cidade, tudo! E como se não bastasse, grande parte dos ministérios encontram-se na baixa da cidade ( Marginal e arredores), o que vem a centralizar ainda mais. Tudo concentrado numa só avenida. Aqueles que moram em Viana, por exemplo, têm um trajecto diário demasiado penoso. Contudo Luanda continua a ser a cidade onde mais se investe no país. É lá que tudo acontece. Mesmo os que hoje estão nas províncias, são levados a “seguirem a luz” (por falta de investimento nas respectivas províncias) que acende no fundo do túnel. Essa luz é Luanda, e esse túnel afunila demais. Desenvolver outras províncias do país é uma prioridade absoluta. Assim que começarem a criar postos de emprego nas províncias, com tanto espaço que há, conseguiremos fazer com que as pessoas que vivem no musseque finalmente tenham uma oportunidade de trabalhar e ter uma casa normal, num bairro urbano. E se o governo saísse de Luanda? Imaginem quantos postos de trabalho seriam criados noutra província ( e porque não no Huambo? Uma província central, e que já esteve p’ra ser outrora a capital de Angola, a chamada Nova Lisboa). Numa primeira fase, seriam alguns ministérios ( o da agricultura deveria ser o primeiro, na minha opinião), e à medida que se fossem construindo estradas, condições na cidade para voltar a ser reabilitada e com um projecto urbanístico sério, correspondente à uma capital, num prazo de 3 anos o Governo estaria sediado numa outra província. Outro pólo no pais teria nascido: estaríamos finalmente a utilizar a superfície do pais, as populações à volta seriam puxadas “p’ra cima”, o desenvolvimento seria certo (pelo menos até à um certo ponto). Lubango, Huambo, Benguela, Bié, todas essas províncias (que segundo muitos relatos, são das mais bonitas do país) seriam “niveladas”. Penso que seria uma boa solução, e não seria uma solução inédita: isso já foi feito no Brasil, por exemplo.
Esta é mais uma ideia entre tantas outras. Uma ideia aberta à discussão, que pode ser refutada e reformulada. Este é, também, um dos grandes objectivos deste blog: propor soluções ao que muita gente insiste em classificar de insolúvel.
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Thursday, July 19, 2007

DEVANEIOS DE UM, ENTRE 15 MILHOES DE CULPADOS

Os jovens começaram a regressar das férias de décadas no estrangeiro. Férias, assim disse nosso presidente.
É revigorante ver tanto sangue novo a ser injectado nessa máquina caquéctica, manuseada por lapas incompetentes e por novos ricos que desfilam diariamente a sua prepotência, esfregando-a na cara daqueles outros que não sabem se amanhã vão poder fazer 400 kwz lavando um carro ou outro, vendendo um mata-mosquitos, transportando mercadorias no seu kangulo (roboteiros), esses que querem trabalhar, mas não lhes deixam, como já quiseram um dia estudar e não puderam, para quem o pão que se come à noite é ganho arduamente ao longo do dia, que têm bocas para alimentar, mas não podem, porque o despacho governamental ordena uma caça às bruxas, os fiscais batem e roubam os desgraçados que ousem ganhá-lo honestamente, empurrando-os para sabe o diabo o quê. Esses jovens que nunca tiveram meios de abandonar o país, os jovens que foram carne para canhão durante o longo período que durou a nossa guerra fratricida, que estão condenados a continuarem a sê-lo e já estão a deixar como herança os seus descendentes, que constituirão eles próprios, no futuro, o núcleo da população esquecida, os nossos empregados, os nossos motoristas, os nossos pobres e os nossos criminosos.
É lindo demais ver os jovens regressar, jovens com vontade de dar o litro, jovens que querem transformar o país em que vivem e torná-lo um sítio melhor para fazer também crescer os seus filhos, para que não tenham de ser obrigados a ir para fora estudar, correndo também eles o risco de por lá ficarem.
Mas será que assim é? Será que esse regresso é motivado por factores tão puros e altruístas?
Eu fico confuso, às vezes tenho impressão que há muita gente com muito boa vontade, mas que não têm propriamente uma ideologia sedimentada, que não sabem bem por onde começar, que estão meio perdidas e que se acabam acomodando na trincheira do argumento “sozinho faço o quê?” e assim se vão tornando em mais bichos domesticados pelo sistema, mais uma dobradiça na engrenagem. Tentam confortar a sua culpa pensando que vão fazendo o que podem, dando uns kwz aqui e ali, ao empregado que já recebe no fim do mês o que nós gastamos num fim de semana (ou em algumas horas) e que não tem nada que pedir mais, mas pronto, “toma lá para comprares medicamentos para a tua filha que tem paludismo”, ao moço que nos carrega as compras para cima, que nos lava o carro, na verdade, há quase sempre um serviço que se recebe em troca da tal de “ajuda”. Essa “ajuda” é em si, um catalizante para o estado de gangrena crónica em que vivemos. Quantos “sozinhos” existirão por aí fora, que não fazem o mínimo para se encontrarem e juntar forças? Haverá realmente vontade de fazer alguma coisa? Entristece-me muito constatar que NÃO. As pessoas são como ovelhas, precisam de um pastor, precisam de alguém que lhes ensine a canalizar essa vontade e torná-la em convicção porque cada uma sozinha não vai lá. Estão muito mais preocupadas em pavonear-se, mostrar o que o seu salário e uns bons “biznos” à esquerda e à direita podem comprar, muito além da roupa, dos óculos escuros e penteados da Beyonce, além dos terrenos, dos apartamentos de mais de um milhão de dólares em prédios que ainda nem estão construídos, além dos hummers e tubarões, muito além do legítimo.
Estamos a devorar as entranhas à nossa Angola, a deteriorar a nossa gangrena com a filosofia do “eu” e os abutres agradecem, mas um dia, por mais que tranquem as portas do carro, por mais que se barriquem atrás de muros de 3m com arame farpado electrizado e guardas armados, por mais que comecem a deslocar-se de helicóptero… a miséria irá bater-vos à porta e, nesse dia, não vale a pena chorar lágrimas de crocodilo, porque ela saberá quem vocês são!

 

KulpadoKomum

Posted by (R)EvolucaoEmAngola at 20:31:52 | Permalink | Comments (2)

Monday, July 16, 2007

Carta ao Consulado de Angola em Portugal: Abaixo-assinado.

 

Ex.ma Senhora
Dra. Célia Baptista
Cônsul Geral do
Consulado da República de Angola
Av. da República, 68 - 1050 Lisboa

Lisboa, 16 de Julho de 2007

Ex.ma Senhora Dra.,

Na qualidade de Cidadãos Angolanos, residentes em Portugal, e na sequência das notícias avançadas pelos media não podíamos deixar de demonstrar a nossa perplexidade face à possibilidade dos Angolanos residentes na Diáspora estarem impossibilitados de votar nas próximas eleições legislativas, alegadamente “por não estarem reunidas as condições necessárias”.

Sendo a edificação de um Estado Soberano e Democrático um dos principais objectivos da República de Angola, e de todos os Angolanos, é de inegável importância a participação de todos os Angolanos na prossecução deste objectivo.

Deste modo, parece-nos não poder ser, em circunstância alguma, ignorada a importância e o alcance do Constitucionalmente consagrado Direito de Voto da extensa Comunidade de Angolanos a residir em Portugal.

Neste sentido, e na esperança que este assunto ainda se encontre a ser analisado, gostaríamos de ser informados oficialmente pelo Consulado, sobre quais as alegadas condições que se encontram em falta para possibilitar que os Angolanos na Diáspora exerçam o seu legítimo Direito de Voto.

Agradecemos desde já a atenção dispensada e aguardamos por uma resposta o mais célere possível.

Pelo enriquecimento da democracia,

Abaixo-assinado

 

Esta carta será entregue ao Consulado de Angola em Portugal assim que forem reunidas todas as assinaturas necessárias para o abaixo-assinado. Embora este abaixo-assinado esteja a ser feito na cidade de Lisboa, sabemos que é um assunto que toca todos os angolanos ,em todo o Mundo. Por isso, achámos imprescindível enviar para além do abaixo-assinado feito em Lisboa, um abaixo-assinado “global” feito através da Internet. Assim, todos os angolanos, estejam aonde estiverem, são chamados a participar. A participação envolve, pura e simplesmente, o envio de um e-mail com o seu nome completo e número do bilhete de identidade ou passaporte ao queremos.votar@gmail.com. Na próxima segunda-feira, dia 23 de Julho, nós enviaremos por e-mail, ao consulado e ao MIREX(Ministério das Relações Exteriores), esta mesma carta seguida de todas as assinaturas que nos forem enviadas para o endereço electrónico referido. Deve se estar a perguntar: ”Porquê enviar duas vezes a mesma carta?”. Pois bem, para reforçar a nossa posição e para mostrar que não é somente a comunidade angolana em Portugal que está descontente com esta iniquidade que nos foi imposta, mas toda a comunidade angolana espalhada pelo Mundo, incluindo a que reside em Angola.

Até quando ficaremos calados?! Assine o abaixo-assinado.

Posted by (R)EvolucaoEmAngola at 22:39:54 | Permalink | Comments (8)

Friday, July 13, 2007

Artigos

Para aqueles que tiverem artigos que queiram expôr, ideias, informações (sobre possíveis manifestações, por exemplo) e que quiserem que a mensagem esteja bem visível, podem mandar um mail com todas as informações para o revolucaoemangola@gmail.com. Vamos analisar com toda a atenção e os artigos que forem pertinentes serão postos no site o mais rápido possível.
Posted by (R)EvolucaoEmAngola at 23:51:04 | Permalink | No Comments »

Saturday, July 7, 2007

HÁ MOTIVOS? ACHO QUE SIM!

Para aqueles que lêem o tópico e suspiram de impaciência, aqueles que acham que agora que a guerra acabou, o país precisa de espaço e condescendência da parte dos angolanos em vez de receber pressões e imposições. A vocês, eu convido-vos a olharem com atenção. É verdade, o país está a mudar : em 2006, Angola foi o país do mundo com maior taxa de crescimento(26%) e para 2007 espera-se a mesma proeza. Números que nos fazem mostrar os dentes, e que fazem alguns saltarem de alegria. Sem dúvida que a cidade de Luanda está a ser o palco de investimentos de todo o mundo. Começamos no «Belas Shopping» e só paramos nos hotéis de 5 estrelas que fazem na baixa da cidade. Bp-Amoco, Sonangol, Banco Espírito Santo, e muitos outros constroem prédios de mais de 20 andares. O investimento privado é sem dúvida um passo importante para a prosperidade dum país e longe de mim dizer que este investimento é negativo. Contudo, quando paramos por um segundo para olhar à volta, apercebemo-nos que tudo que é construído é privado. Tudo que é feito é p’ra quem tem dinheiro. O povo, este, é obrigado a subjugar-se e a aceitar o inaceitável. Acordar às 3 da manhã com o filho que tem de ir à escola, e começar a caminhada até à cidade, porque o trânsito está insuportável. Os moradores do Kambambe II são obrigados a realojarem-se por conta própria, pois as suas casas foram destruídas para a construção desse novo bairro chamado « Nova Vida », onde só vive quem pode. O mesmo com os moradores do Baleizão, realojados no Cacuaco, em casas sem a mínima condição, além da distância da cidade. O desrespeito é evidente e revoltante. Está na hora do Governo de Angola começar a governar para os angolanos, está na hora dele cuidar dos seus. O Governo não estende a mão à nenhum angolano que esteja estendido no chão.
Pois bem, meus caros, eu acho que cabe a nós, que através da educação e da informação conseguimos nos aperceber desta ignóbil situação, de tomarmos uma atitude. Juntar-nos para um bem comum, pois um pais não é próspero só por ter dinheiro e riquezas: enquanto o seu povo morrer de fome, cólera, malária, e tantas outras doenças por falta do básico para sobreviver, um povo não se pode dizer soberano e independente. Alguma coisa tem de ser feita e com urgência. Seremos poucos mas bons, e com a justiça do nosso lado, com muita motivação e força de vontade, muitas batalhas podemos travar e muitas podemos ganhar. Basta acreditar.

Posted by (R)EvolucaoEmAngola at 16:57:40 | Permalink | Comments (1) »

Wednesday, July 4, 2007

Artigos

Este blog é recentíssimo, artigos serão brevemente postados. Ainda assim, vocês não estão privados de comentar a criação deste blog, de opinarem,etc… Basicamente, de começarem a participar.
Posted by (R)EvolucaoEmAngola at 04:00:54 | Permalink | No Comments »

Tuesday, July 3, 2007

O começo

Meus senhores,

Este blog foi concebido com o puro e sincero objectivo de juntar os angolanos que ainda acreditam que é possível mudar Angola. Muitos de vocês, que acreditam que alguma coisa pode ser feita, mas que logo a seguir encolhem os ombros e viram os olhos dizendo: “Não posso mudar sozinho”. Pois é, ninguém muda sozinho, mas a verdade é que eu acredito que existam muitos ou pelo menos, os suficientes para mudar um país, para liderar uma revolução. Uma revolução é uma mudança forte, de grande relevo, não significa que tenhamos de explodir autocarros fazendo-nos de Kamikazes. Não, não é nada disso. Eu acredito em revoluções democráticas, eu acredito em manifestações, greves, campanhas de sensibilização, de educação, e tudo o resto que possa vir derivado duma política de justiça sem ser completamente extremista. Este tem de ser o ponto de encontro daqueles que pensam estar sozinhos, daqueles que têm ideias para fazer alguma coisa por Angola e dizem: “Não há pessoas”. Pois bem, venham aqui, exponham as vossas ideias, venham aqui mobilizar angolanos de todo o mundo para que finalmente Angola possa andar para a frente. Quem dá força ou deixa de dar a este site são vocês, ao acreditarem REALMENTE que este pode ser o começo, o início de uma “rede” de angolanos que supera o conformismo e não abdica do direito de ser um cidadão com voz e honra.

Trata-se dum site sério, portanto todas a pessoas que vierem aqui com mensagens de gozo ( como em muitos outros sites angolanos), serão banidas e as respectivas mensagens apagadas. Também mensagens descontextualizadas serão apagadas.

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