Angola tem 1.246.700 km². É um pais enorme. Inútil dizer o que já toda a gente sabe: “Angola é um pais grande e belo… fauna e flora únicas…”, essa cantiga já todos nós conhecemos. Vejamos as coisas doutra maneira. A maior província é o Moxico, com 223 023 km², e a mais pequena é Luanda com 2 257 km². Só vos digo isso para termos realmente a noção do que a frase “Angola é um pais grande” quer dizer. Para muitos de nós, Angola é só Luanda. O pior é que mesmo para alguns dos nossos governantes, a visão é a mesma: Angola é só Luanda. Estamos todos enfiados numa cidade que já está completamente entupida, que não tem capacidade para tanta gente. Concebida inicialmente para 600 000, hoje com 4 000 000 de habitantes. Obviamente que as consequências são desastrosas: abastecimento de água, esgotos, trânsito, a própria estética da cidade, tudo! E como se não bastasse, grande parte dos ministérios encontram-se na baixa da cidade ( Marginal e arredores), o que vem a centralizar ainda mais. Tudo concentrado numa só avenida. Aqueles que moram em Viana, por exemplo, têm um trajecto diário demasiado penoso. Contudo Luanda continua a ser a cidade onde mais se investe no país. É lá que tudo acontece. Mesmo os que hoje estão nas províncias, são levados a “seguirem a luz” (por falta de investimento nas respectivas províncias) que acende no fundo do túnel. Essa luz é Luanda, e esse túnel afunila demais. Desenvolver outras províncias do país é uma prioridade absoluta. Assim que começarem a criar postos de emprego nas províncias, com tanto espaço que há, conseguiremos fazer com que as pessoas que vivem no musseque finalmente tenham uma oportunidade de trabalhar e ter uma casa normal, num bairro urbano. E se o governo saísse de Luanda? Imaginem quantos postos de trabalho seriam criados noutra província ( e porque não no Huambo? Uma província central, e que já esteve p’ra ser outrora a capital de Angola, a chamada Nova Lisboa). Numa primeira fase, seriam alguns ministérios ( o da agricultura deveria ser o primeiro, na minha opinião), e à medida que se fossem construindo estradas, condições na cidade para voltar a ser reabilitada e com um projecto urbanístico sério, correspondente à uma capital, num prazo de 3 anos o Governo estaria sediado numa outra província. Outro pólo no pais teria nascido: estaríamos finalmente a utilizar a superfície do pais, as populações à volta seriam puxadas “p’ra cima”, o desenvolvimento seria certo (pelo menos até à um certo ponto). Lubango, Huambo, Benguela, Bié, todas essas províncias (que segundo muitos relatos, são das mais bonitas do país) seriam “niveladas”. Penso que seria uma boa solução, e não seria uma solução inédita: isso já foi feito no Brasil, por exemplo.
Esta é mais uma ideia entre tantas outras. Uma ideia aberta à discussão, que pode ser refutada e reformulada. Este é, também, um dos grandes objectivos deste blog: propor soluções ao que muita gente insiste em classificar de insolúvel.