INDEPENDENCIA CULTURAL — I ACTO
Antes de entrar no tema que pretendo abordar, quero dizer que estou extremamente contente em ver que o blog tem sido um ponto de encontro, onde se têm promovido debates intensos e frutuosos. Debates esses que têm dado origem a dois fenómenos muito importantes :
. A multiplicidade de opiniões que tem sido digerida, debatida e reconhecida pelas várias partes envolvidas;
. O estímulo à pesquisa, recorrendo às mais variadas fontes disponíveis, com intuito de aprofundar e sustentar os nossos argumentos.
Isto, por mais simples que pareça, acontece cada vez menos hoje em dia, nas nossas sociedades superficiais onde as ideias são de plástico e os argumentos tem a cor verde!
No ultimo “post” e comentários foram debatidos os mais diversos assuntos, mas lá para o fim, os mais aprofundados estavam mais ligados à economia. O tema que eu pretendo lançar para a nossa mesa de debate é um bocado diferente do anterior, mas também está ligado e tem como título :
“Despertar de consciências para uma ‘independência cultural’ em Angola”.
Arrisco-me a dizer que alguns de vocês já estarão a desenvolver um preconceito sobre o que vou falar, mas peço para manterem as vossas “tabúas em branco” e não julgarem o livro pela capa.
A MAKA
O “M.N” disse num dos seus comentários há alguns dias atrás, que nós “somos muito ocidentalizados”. Nesta frase eu tirava só o “muitos” e deixava “SOMOS OCIDENTALIZADOS” e mais nada!!! E não vale pena me virem dizer que “sei dancar kizomba e como funji, então sou Africano”. Quer queiram quer não, Angola tal como TODOS os países de Africa, foi “colonizada” (“desenvolver as condições de vida e a civilização dos indígenas”, Dicionário UNIVERSAL da Língua Portuguesa). Esta definição do dicionário mete nojo, deveriam das duas uma, ou mudá-la, ou arranjar outra palavra que pudesse exprimir mais fielmente a tamanha monstruosidade praticada pela Europa contra África.
Não venho aqui culpar a Europa pelos males todos de Angola, como fez um senhor há algum tempo, aqui no Blog. Venho relembrar este “pequeno” factor que foi a “colonização”, pois Angola e os Angolanos encontram-se num estado em que se pode dizer que conseguiram a sua independencia política há 30 anos, mas continuam dependentes de Portugal e da Europa culturalmente. Mudanças económicas, políticas e sociais positivas só poderão acontecer quando nós os Angolanos despertamos as nossas consciências e recuperarmos a nossa identidade há muito tempo perdida. O angolano não fala da sua História, continua a passar para trás as suas línguas nacionais, não é activo politicamente e tem como objectivo de vida fazer-se à imagem do homem do ocidente! Com a situação assim não chegaremos a desenvolvimento nenhum como Naçao, só se vocês concordarem que a construção de prédios de luxo com mais de 20 andares e ilhas falsas em frente à marginal de Luanda é desenvolvimento!
Então qual a minha sugestão ou palpite para realmente chegarmos a um desenvolvimento económico,político e social ?
. Eu acredito que o futuro de qualquer nação pode ser mudado se investirmos na educação e na cultura ! Porquê de não se ensinar linguas nacionais nas escolas angolanas? Poderão dizer que são línguas mortas e que não têm utilidade nenhuma no mundo de hoje. Mas uma língua vai mais além de interesses de mercado de trabalho deste mundo globalizado. A língua de um povo, é a História e a cultura do mesmo. Frantz Fanon, médico e escritor revolucionário que inspirou maior parte dos movimentos de libertação em África disse: “Eu atribuo uma importância fundamental para o fenómeno da lingua. Falar significa estar na posição de utilizar uma certa sintaxe, entender a morfologia deste ou daquele idioma, mas acima de tudo significa assumir uma cultura, suportar o peso de uma civilização “. Não pensem que estou aqui a pedir como fez Jomo Kenyatta antigo presidente do Quénia que disse a quem não conseguisse viver sem falar inglês poderia fazer as malas e ir-se embora. Mudar a nossa língua principal, o português, neste momento seria uma loucura, isto deveria ter sido logo após a independência e mesmo assim acho que teria sido complicado. Mas pronto, o que peço aqui é que voltem a pôr o ovimbundu, kimbundu, bakongo e as outras línguas a serem ensinadas como segunda língua nas escolas das suas regiões.
. Vamos também começar a exaltar mais os nossos heróis nacionais (a independência nao foi só Agostinho Neto) e o resto dos grandes africanos que lutaram pela independência nos seus países. Pessoas como : Steve Biko, Amílcar Cabral, Patrice Lumumba, Sekou Touré, Samora Machel, Jomo Kenyatta,Kwame Nkrumah entre muitos outros, devem ser lembrados e as suas lutas estudadas. Obras literárias africanas escritas por africanos têm que ser lidas nas escolas. Foram pessoas que foram mais além do debate e da conversa, inspiraram movimentos e mudaram mentes!
. Deixemos de dizer quem “encontrou” Angola e vamos falar de quem lá estava antes, vamos investir nas pesquisas sobre a nossa História antes dos portugueses terem chegado. Não pensem que quero voltemos a viver como há 5 séculos atrás, mas pelo menos quero que os jovens de hoje em dia tomem consciência de onde viemos , quem somos, por onde passámos e aonde estamos, pois os jovens hoje vivem numa Angola na qual aspiram “ascender” à cultura da coca-cola numa mão e telemóvel na outra. Os mais velhos que sabem da História e a viveram, não falam e parecem não ter força para esta segunda e decisiva luta que é a indentificação de Angola em África e no mundo !
Precisamos de ter a nossa própria personalidade para conseguirmos lidar com o presente e enfrentar o futuro. O petróleo pode dar-nos muito dinheiro para construirmos a torto e a direito, mas só a cultura e a educação darão ao povo angolano uma ALMA!
Por agora é tudo , quero que isto sirva mais como abertura ao debate a este tema importante. Aguardo ideias,críticas e sugestões.
Deixo-vos o incio de um poema de Maurício de Almeida Gomes do livro “Poesia de Angola”
Exortação
Ribeiro Couto e Manuel Bandeira,
Poetas do Brasil,
do Brasil, nosso irmão,
disseram :
” - É preciso criar a poesia brasileira,
de versos quentes, fortes, como o Brasil,
sem macaquear a literatura lusíada”.
Angola grita pela minha voz,
pedindo a seus filhos nova poesia!
Deixemos moldes arcaicos,
ponhamos de lado,
corajosamente
suaves endeixas
brandas queixas
e cantemos a nossa terra
e toda a sua beleza
Angola, grande promessa do futuro,
forte realidade do presente,
inspira novas ideias,
encerra ricos motivos.
É preciso inventar a poesia de Angola!
(…)
E só mais uma coisa, queria relembrar a todos visitantes que estão connosco na luta pelo voto dos angolanos na diáspora, para fazerem o vosso curto vídeo e mandarem para revolucaoemangola@gmail.com
Paz,
Mukuolua Kinamatos
Viva Kinamatos,
Concordo contigo que o caminho para uma nação “rica” esta longe ser este que Angola tem trilhado… A cultura e a educação aliada a valorização do “Angolano” é fundamental para não termos que comprar carrões e casarões no exterior para provarmos aos outros que somos alguma coisa.
Mas ha algo no teu post que discordo… “Mudar a nossa língua principal, o português, neste momento seria uma loucura, isto –> deveria <– ter sido logo após a independência e mesmo assim acho que teria sido complicado”.
Um dos grandes unificadores do povo Angolano neste momento é a lingua portuguesa, que felizmente nos foi deixada pelos portugueses (talvez sem ela teriamos outras guerras neste momento). Concordo que devemos ensinar as linguas nacionais nas escolas, mas como linguas secundárias.
Temos que valorizar as boas coisas deixadas pelos ex-colonos e a lingua foi uma delas… Para além de permitir o contacto com uma vasta população lusofona, é o meio de comunicação entre os Angolanos e isso temos que preservar e defender.
Acredito que defendas isto, mas a tua frase que transcrevi deixou transparecer o contrario…
Um abraço,
+1Angolano
Eu acho muito relevante este tema, e mais um ao qual não me parece darmos a devida importância. +1angolano, da mesma maneira que a lingua portuguesa é, como muito bem assinalaste, um dos (poucos?muitos? a pesquisar) factores unificadores do que concebemos como Angola, a negação das linguas nacionais é ao mesmo tempo e com igual intensidade (maior?menor? a especular/estudar) um alimento ao ressentimento de quem se sente receber ordens de uma “minoria” (étnica) a quem não reconhece autoridade. Temos entre mãos uma situaçao que ja nem é delicada, é “delixada”. Nenhuma solução é evidente ou simples, mas uma delas era dar emprego aos sociologos e estatisticos que nos possam ilustrar a gravidade da situaçao com inqueritos no terreno, caso contrario estamos condenados à especulaçao ou a observaçao (muito) empirica de algumas furtivas viagens de fim-de-semana ao interior.
Não sei se mudaria grande coisa, ou que impacto teria nas mentes e coraçoes da gente, mas um exemplo do que foi tentado em outros paises (para alem da OBVIA valorizaçao da riqueza e pluralidade cultural intrinsecos a cada regiao), foi a atribuição de nomes nativos aos paises. O Alto Volta passou a chamar-se Burkina Faso, juntando as duas linguas mais faladas na regiao. Burkina, em Molé, significa “Homens íntegros” e Faso em Dioula, “Casa do pai”. As duas juntas fazem “O Pais dos Homens Integros”. O mesmo se aplica ao Zimbabwe, antiga Rodésia, cujo nome deriva de “Dzimbadzemabwe” que significa “A grande casa de Pedra” em Shona. Vê so a maka ja que o nome Angola, vem do rei N’gola (Kilwanji) do reino do Ndongo….Kimbundu portanto. Epa, eu sei, é complicado, nenhuma solução se perfila como sendo a LOGICAMENTE acertada a adoptar, mas precisamos de discutir com muita profundidade os nossos antagonismos para podermos nivela-los e, com muito empenho, entender-nos. Mas isso começa por se ASSUMIR q existe um problema, ao invés de continuar a nega-lo para não ter de o enfrentar.
Boa Mukuolua
KulpadoKomum
Eu defendo o ensino das linguas nacionais, mas não sei bem em que moldes… como tu disseste os sociologos e estatisticos teriam que trabalhar em conjunto com o governo para não se tomarem decisões que mais tarde se venham a revelar problematicas.
O problema existe, basta clicar numa qualquer noticia do http://www.angonoticias.com ou quando passamos numa rua em Luanda e ouvimos uma qualquer conversa de esquina e depararmos com os mais “absurdos” (alguns não tanto) comentarios, que vão ao encontro dos ressentimentos a que te referes.
A verdade é que não sei ao certo as medidas a tomar… por exemplo se ensinarmos as diferentes linguas nacionais nas diferentes regiões de Angola é fundamental garantir que todos falem o português com o risco de criarmos mais um ponto de separação entre as pessoas das diferentes regiões. Temos que lutar por uma Angola unida, para depois lutarmos por uma Africa Unida.
Claro que não é através da lingua que se consegue estes intentos, mas numa fase embrionaria em que as coisas mais mesquinhas nos atiram uns contra os outros.. ha que reflectir antes de se tomar decisões a este nivel.
(Aproveito para apelar aos sociologos que por aqui passem que deixem as suas opniões)
um abraço,
+1Angolano
Mano, falas de moldes, mas eu acho que o nosso mal é justamente tentar sempre moldar demais as coisas, preocupando-nos com as POSSIVEIS consequências e os riscos de “backfire” de uma politica seja ela social, economica ou de outro dominio vivendo com um constante medo de TENTAR. E claro que estamos a lidar com assuntos sensiveis, mas eu acho que se fizermos as coisas com a melhor das intençoes e estivermos REALMENTE dispostos a aprendermos uns com os outros, ao invés de estar a aplicar medidas de “cedência” ou mera restruturaçao pedagogica. Claro que tem de haver um acompanhamento minucioso dos efeitos subsequentes para podermos ir ajustando as politicas a medida que os defeitos se revelam e para isso, temos que valorizar muito mais a massa cinzenta formada/orientada para a vertente social, que ate agora relegamos de maneira vergonhosa para 5° plano por não criarem riqueza palpavel (leia-se DINHEIRO) e imediata. A riqueza que eles criam é uma da qual temos vindo a ser privados desde muito muito antes da independencia e é a falta dela que nos torna completamente ignorantes sobre as medidas a evitar e a tomar.
Um abraço +1angolano
KulpadoKomum
As sociedades são dimanicas vivemos querendo ou não em redes onde uma borboleta bate as assas na Autralia um tufão no Golf do Mexico se forma, por este motivo falar em uma identidade angolana seria cair no erro e no mito das nações dentro dos moldes europeus.
SOMOS OCIDENTALIZADOS” Bom Bom Bom não somos “ocidentalizados mais sim passamos pelo processo tido como civilizatario que querendo ou não deixounos marcas profundas. Ser africano é muito alem de dançar ou se expressar ou dominar uma lingua nacional e não dialeto, e afirmar que somos ocidentalizados seria afirmar que apenas nascemos em África, mais vivemos dentro de preceitos se não totalmente europeu então quase que europeu simplesmente. Apesar de nossos critrerios de avaliação e julgamento serem praticamente de matriz ocidental em relação a valores, questões esteticas e valores entre outras e deixo aqui minha posição em relação alguns termos usados pelos europeus para definir os não europeus assim como o indígena.
E nesse processo que passamos não só pela mão do europeu assim como na mão do arabe e judeu herdamos caracteristicas e e tambem internamente tivemos nossos contatos e assim formamos e surgiram varios grupos etnico linguistico, e nenhum destes grupos ficou dependente de um outro, mas acontece uma apropriação de habitos e costumos que logo se tornam parte e se forma uma nova cultura.
Não sei o que poderiamos ou devemos considerar como, mudanças económicas, políticas e sociais positivas, consciencias não se recupera pois ela não se perde só se transforma de toma um rumo possivelmente não o que gostarimos que fosse. Que identidade africana ou angolana seria a de uma Áfrika mitica que os pan-africanistas sonharam ou idealizaram assim como a diaspora africana, ela não se perdeu apenas não é como sonhamos ou utopicamente projetamos.Que historia queremos ou iremos contar apartir que que paramentro, que dados, que textos, que conceitos de historia, que metodologia, que termos usar, ou simplesmente re-escrever em cima dos escritos e visão ocidental realizando estudos linguisticoe repensar os conceitos e desenvolver coisa proprias.
Deixo aqui uma pergunta o que queremos e entendemos por NAÇÂO e sua formação e consequencias identitarias. Educação e Cultura queremos que bases adotar e metodos, linguas nacionais como segunda lingua que lingua seram eleitas se existem cerca de 45 linguas faladas em Angola, e ter mais de uma lingua como nacional vai contra a propria ideia de formação e ou criação de NAÇÂO, sendo a língua de um povo pilar central de sua constituição, reduzir o ensino em apenas 7 ou 10 linguas seria matar cerca de 30 grupos etnicos.
Herois o que seria ser um quem define quem seria um se para outros é e outros não, assim acontence por exemplo com as lutas de descolonização para os de matriz europeia os euro-descendente eram herois e para os africanos ou afro-africanos herois e dentro do povo africanos não se teve caminho unicoe por isso para outros pessoas como Stive Biko seja heroi e para outros não
Fico feliz em saber que não estamos mortos assim como Stive Bico falou.
Assinado Nkuwu-a-Ntynu Mbuta
Familia Blog,
Em primeiro lugar mano Nkuwu-a-Ntynu Mbuta concordo contigo que a lingua tem um papel fundamental na formação de uma nação e como disse o +1angolano, a lingua portuguesa é um dos “grandes unificadores do povo Angolano”. MAS ao mesmo tempo como disse o KulpadoKumum é tambem muito provavelmente factor de algum rancor entre muitos Angolanos. E com este comentario do “ressentimento”, lembrei me mais uma vez de Frantz Fanon, quando ele se referiu no seu livro “Black Skin, White Masks” como muitos dos Negros de Martinique quando falavam o Frances com “homem branco” tentavam arduamente e da melhor maneira “afinar” o seu sotaque que chegava ao ponto de ser ridiculo. E isto é um situação que acontece em Angola com o portugues. Basta ouvir a radio, o noticiario, ou mesmo numa conversa casual com os nossos amigos e familia. No nosso caso nao diria especificamente o homem negro, mas sim o Angolano em geral,branco,mulato,negro tenta “alcançar” o português de Portugal, pois inconscientemente esse é o português correcto, o português que tem astuto, o português que reconhece te como um cidadão “civilizado”! E as vezes faz o mesmo com o brasileiro, mas nessas ocasioes tentar imitar o portugues do brasil que até tá tão inserido na nossa sociedade,basta olharem para os autdoors e publiciades que existem por Angola fora.
Repito não venho aqui pedir para eliminarmos a lingua portuguesa de Angola, mas sim peço para tratar das nossas linguas esquecidas e ainda vou mais longe em dizer que ja deviamos comecar a officializar o nosso portugues de Angola. Se vamos usar o portugues vamos pôr o nosso tempero a mistura (como ja o fazemos) e nao deviamos ter vergonha de o faze-lo. Os Brasileiros o fizeram! Acredito que daqui mais uns anos o nosso dicionario de Portugues de Angola estara a sair nas bancas. O que pensam disto?
Agora em relação a ser possivel pôr as tais 45 linguas existentes em Angola no nosso sistema educativo eu diria que é possivel, bastante possivel! Nkuwu-a-Ntynu Mbuta falou em Steve Biko e é de lá (Africa do Sul) que vou buscar inspiração para esta ardua tarefa que vai ser revolucionar o sistesma educativo em Angola! Na constituição Sul Africana assinada pelo o grande Nelson Mandela em 1996 ele oficializa 11 linguas Nacionais a ser ensinadas nas escolas dependentes das regioes e oficializa 2 LINGUAS para ser ensinadas em todas escolas do pais. E ainda vai mais longe ao officializar que todos os municipios deviam pesquisar qual a lingua official mais falada por todos os residentes do municipio e esta poderia ser a lingua ser ensinada nas escolas do municipio. Ideia maluca? Talvez? Poderas dizer que temos o dobros das linguas officias que a Africa do Sul, mas eu acredito que se funcionou para 11 funciona para 45! Só teriamos de estabelecer qual serias as 2 linguas a serem ensinadas em todas as escolas do pais, uma seria o Português,claro e qual seria a outra?
Akele Abraco,
Paz,
Mukoulua kinamatos
Viva,
Quando falava em “moldes” referia-me na definição das linguas que seriam ensinadas nas diferentes regiões de Angola e quais seriam seleccionadas como principais. TENTAR é partir para a acção com o coração, e temos que utilizar a cabeça para decidir sobre este assunto, não digo apenas as nossas que andamos a debater sobre o ensino de linguas que nem conhecemos, mas das pessoas que as falam e dominam.
Eu actualmente não estou no terreno… e a involvencia é a possivel. Infelizmente ainda não tive a possibilidade de viajar por Angola a fora e interagir com as diferentes populações (o que tornam as minhas opniões distantes). Mas digo-te a minha opnião não é baseada no que é melhor a nivel economico, até porque acho que a verdadeira riqueza não esta no bolso, mas na cabeça… é o que esta subjacente neste debate. Valorização do Angolano (Sem a necessidade de X5’s e casarões em Cascais).
Eu apoio a inspiração do Mukoulua kinamatos para revolucionar o sistema de ensino Angolano. Podemos realmente implementar o ensino dos 45 dialectos nas escolas, o que é necessario é vontade.
Como dizia o historiador Joseph Ki-Zerbo um dos grandes problemas do desenvolvimento da civilização Africana foi o facto do conhecimento passar de boca em boca… muito se perdeu e como ainda temos este habito antigo muito ainda se perde. E nas linguas nacionais acontece o mesmo, existe o esforço de poucos (ver links interessantes: Kimbundo) para tentar criar dicionarios e regras para estas diferentes linguas… Alguém sabe-me responder quantos dialectos em Angola têm dicionarios e regras por escrito?
Temos que virar essa pagina da nossa historia…
Um abraço,
+1Angolano
Caros amigos,
Nunca ouvi ninguém protestar sobre a nossa língua oficial, o Português por isso discordo das vozes que sugerem a intervenção do Estado na criação de leis de obrigatoriedade e promoção das línguas autóctones no ensino público. Vou indicar os contras e espero que vocês, os que defendem essas medidas, indiquem os prós para pesarmos na balança e avaliarmos os efeitos retroactivos de uma medida desse tipo.
CONTRAS IMPLICITOS:
-Fomento da segregação Angolana.
-Dissonância com o léxico.
-Encargos do erário público na formação de professores, programas, edição de manuais, etc.
-Encargos de tradução de documentos: Manuais de instrução, documentos oficiais, públicos, Constituição da República, sentenças, receitas médicas, multas, etc.
-Fomento do tribalismo e da diferença étnica na medida em que uns reclamariam que são maioria e deviam ter mais regalias e estatutos.
-Fomento de fronteiras internas que por sua vez originariam ideias de criação de Estados Confederados.
Estes são os mais importantes na óptica do Estado mas há outros incómodos associados a uma medida com esta. Por exemplo, há uma lei em vigor em Angola que obriga que os produtos comercializados no país tenham o rótulo em português. Quem importa de países não Lusófonos é que paga esse rótulo ao exportador e teria mais custos associados para mais uma data de dialectos. É utópico e inexequível o que se pretende com uma medida destas.
Quais os benefícios para o Angola?
Concordo com subsídios para as escolas privadas, através do Ministério da Cultura, que queiram leccionar estas línguas mas, sem ser obrigatório como plano curricular académico, apenas como uma valência na formação cultural do indivíduo.
Não podemos pensar que o Estado é a Santa Casa da Misericórdia, ele não deve imiscuir-se nestas questões quando tem muitas outras tarefas sociais que carecem de imediata intervenção.
Se hoje a palavra de ordem é/deve ser a união de Angola e da família angolana, este é o tema que fomenta a segregação da Nação já em si suficientemente desordenada.
Mukuolua Kinamatos,
(…)“O “M.N” disse num dos seus comentários há alguns dias atrás, que nós “somos muito ocidentalizados”. Nesta frase eu tirava só o “muitos” e deixava “SOMOS OCIDENTALIZADOS” e mais nada!!! E não vale pena me virem dizer que “sei dancar kizomba e como funji, então sou Africano”. Quer queiram quer não, Angola tal como TODOS os países de Africa, foi “colonizada” (“desenvolver as condições de vida e a civilização dos indígenas”, Dicionário UNIVERSAL da Língua Portuguesa). Esta definição do dicionário mete nojo, deveriam das duas uma, ou mudá-la, ou arranjar outra palavra que pudesse exprimir mais fielmente a tamanha monstruosidade praticada pela Europa contra África.” (…)
Acho que o ser ou não ser é uma questão subjectiva. Cada um fala por si! Eu sou Angolano luso descendente e encaixo-me nesse rol de meio africano meio ocidental, com valores adquiridos dos 2 continentes, mas há milhões de pessoas no nosso país que de europeu apenas têm a língua portuguesa e todos os hábitos e costumes culturais são 100% africanos e não deves cair na falácia de dizer que “SOMOS OCIDENTALIZADOS”. A nossa estrutura social não é ocidental. Repara como se vestem as gentes da nossa terra, os rituais e costumes todos eles diferentes de Cabinda ao Cunene.
Os das cidades de betão são tal como eu “afrocidentais” mas as massas são maioritariamente autóctones a 100% sem mistura de sangue e com valores africanos intrínsecos a essa origem. Claro que a nova geração consome e adquire através da rádio e da TV (RTP, Globo, Cinema, MTV e outros) comportamentos de outras culturas mas no geral somos um país “sui generis”.
Sem outro assunto no momento aproveito para desejar a família do Blog umas festas felizes e um próspero ano novo.
Estou na terra e não tenho tanta disponibilidade de acesso a Internet por isso não estranhem a ausência.
Abraço a todos.
M.N
MN,
Nunca ouviste protestar, mas também não tens noção de quantas pessoas não dominam, ou não falam DE TODO a nossa língua oficial. O Estado não tem de aguardar que as vozes se levantem para reclamar, o Estado deve conhecer o povo que governa e saber estar à altura de responder aos seus ensejos.
Quanto a tua lista de contras à implementação de línguas nacionais no nosso ensino, gostaria de realçar que à excepção destas:
“-Encargos do erário público na formação de professores, programas, edição de manuais, etc.
-Encargos de tradução de documentos: Manuais de instrução, documentos oficiais, públicos, Constituição da República, sentenças, receitas médicas, multas, etc.”, o resto são tudo hipóteses, previsões, de maneira nenhuma podes estabelecer uma relação de causa e efeito ex-ante, apesar de todos sabermos que são riscos reais, também sabemos pelas experiências de outros países (porque infelizmente, não conseguimos experimentar nada sem nos basear nos outros), que essas hipóteses não são necessariamente e invariavelmente verificadas. Insisto que tudo depende do método de implementação das reformas, do empenho e dedicação no acompanhamento minucioso dessas medidas, que possam em “tempo real” dar conta de possíveis derrapagens e dos ajustes necessários para controlá-los.
Prós (tão especulativos e hipotéticos quanto os teus contra):
A valorização da nossa cultura em toda a sua complexidade (e para mim VALORIZAÇÃO não é metermos umas imagens num museu, para apreciarmos o Angola de outrora condescendendo com os nossos antepassados “primitivos” nas suas tradições).
Dar significado ao orgulho, por ora vazio, de nos afirmarmos angolanos.
A “africanização” da nossa “ocidentalização”
O reconhecimento e respeito às raízes de cada povo integrados, diminuiria o ressentimento de quem se sente “agredido” e “rejeitado” e facilitaria a aceitação desse território por parte (pelo menos) da maioria.
Retocar o português de maneira que ele se adapte à nossa fonética, dando origem ao “angolês” (como o “brasilês”)
Haverá mais, mas esses são os que me ocorrem assim de repente.
Fez-me um bocado de confusão preocupares-te tanto com os custos (claro que é relevante,não é isso que questiono), se tu próprio há algumas semanas num outro comentário, noutro contexto, dizias que 8% do PIB investido na educação era altamente insatisfatório.
Temos que saber estabelecer as nossas prioridades mano, apesar de eu adivinhar que a maior parte dos quadros angolanos (formados no estrangeiro, portanto com noções de progresso e evolução já préconcebidas), não se sujeitariam a mais privações dos seus hábitos de lazer adquiridos na diáspora, preferindo deixar-se estar com uma saudade chorosa no conforto dos seus lares europeus, temos de reconhecer que não conseguimos evoluir em TODAS AS FRENTES simultaneamente, os resultados estão bem patentes, não conseguimos fazer nada que funcione convenientemente sem a assistência técnica dos “sábios” inventores das tecnologias.
Eu apostaria fortemente na educação, ainda que isso nos custasse alguns anos de “atraso” tecnológico. Claro que nem toda a gente partilha da minha opinião, pelo menos não os decisores do nosso país.
Quanto as outras preocupações de rótulos (sempre o dinheiro antes do ser humano) e outros mambos menores, mano, aconselho-te a veres vários exemplos de países com mais de uma língua (oficial ou não), soluções para esses “problemas” são mais que abundantes.
“Não podemos pensar que o Estado é a Santa Casa da Misericórdia, ele não deve imiscuir-se nestas questões quando tem muitas outras tarefas sociais que carecem de imediata intervenção.”
As vezes consegues chocar-me :-/. Mas pronto, vou respeitar o teu ponto de vista, a educação e a cultura devem ser terceirizados, o Estado deve ser aquele pai que dá dinheiro ao filho para comprar guloseimas na escola e deixar o professor ensinar-lhe tudo.
“A nossa estrutura social não é ocidental. Repara como se vestem as gentes da nossa terra, os rituais e costumes todos eles diferentes de Cabinda ao Cunene.”
A estrutura que queremos OFICIALIZAR é totalmente ocidental. Não vês os nossos responsáveis máximos a representarem estes “autóctones” como lhes chamas, à excepção de algumas senhoras, como a Eufrazina Maiato que frequentemente dão primazia aos nossos trajes. Muitos destes “autóctones” não reconhecem no Estado autoridade, porque este não se lhes sabe dirigir no seu idioma, dando ouvidos apenas ao soba local.
Não achas um bocado contrasensual assumires que as “massas” são maioritariamente com valores africanos intrínsecos e depois negares-lhes esses valores, por repressão psicológica? Os nossos valores e tradições são alvo de chacota por parte dos “afrocidentais” que se sentem mais evoluídos, mais “in”, mais gente e que lidam com condescendência com aquele que não domina o português, que come com as mãos, que veste Bubu, que anda com os seios de fora. Diz-me se estou a mentir mano.
Boas festas para ti também, vamos sentir a tua falta aqui. Aproveita o calor da terra, entre “afrocidentais” (eheheh essa foi só para aquele picanço habitual).
KulpadoKomum
Mukuolua Kinamatos,
Eu acho que não faz sentido ensinar 45 línguas nacionais num país (pelo menos não no ensino público). Concordo plenamente com o M.N., quando ele diz que o ensino dessas línguas promove o regionalismo e fomenta o tribalismo. Falamos muito em união em Angola, em identidade em Angola, para depois dizermos que queremos que cada um tenha a sua língua…(sim, eu percebi, o português continua a língua de base, mas mesmo assim). A língua é sem dúvida um transmissor de cultura muito grande, vejamos o exemplo do português: cada povo tem a sua maneira de falar o português. Nós não falamos como os portugueses e o nosso português está “recheado” de palavras vindas das nossas línguas nacionais (kuia, muata, bwe, a lista não termina). Essa forma de falar português, é hoje, a nossa identidade! É para mim paradoxal falar dum país inteiro e UNIDO e depois falar de várias línguas: a língua é sem dúvida um factor de unificação, mas pode também, ser o maior factor de separação e segregação. Vejam o exemplo da Bélgica…
Portanto: sim. Queremos todos ser muito nacionalistas e promover o NACIONAL. Mas o nosso nacionalismo deve ser racional e não pôr em risco aquilo que é o fundamento de todo o nacionalista, que é a Nação. ☺
O caso da Martinica francesa não é o mesmo de Angola: lembro-te que a Martinica francesa faz parte da França, não é um país independente (e por opção própria). Eles não negam o lado deles francês.
Estamos a tentar construir um país, temos que usar as armas que temos: o português é a língua que se fala no país inteiro, então que seja o português o nosso meio de unificação.
KulpadoKomum, disseste: “Retocar o português de maneira que ele se adapte à nossa fonética, dando origem ao “angolês” (como o “brasilês”)” …… eu acho que isso já acontece naturalmente.
Para concluir, eu acho que ao insistirmos nesse assunto parece-me que estamos abraçar tudo que aparece que venha rotulado de “cultura duma Angola que ainda não existia”, ou seja “cultura dos REINOS”. Viremos a página e não abracemos tudo que venha com esses rótulos, porque garanto-vos que há muita coisa que nós hoje não aprovaríamos.
Não sou do reino do Congo, sou de Luanda.
Abraço,
N’Manga
Ja viste como tem piada, temos sempre tendencia de apontar os exemplos negativos quando podemos ao mmo tempo conhecer positivos (neutros). Sabes bem que o caso da Belgica (como qualquer outro) e particular, mas assumamos que toda a crise se deva ao facto unico de coexistirem duas linguas. Que tens a dizer entao da Suiça (4 linguas OFICIAIS)? Nao parece haver muita confusao por essas bandas.
Certo, em Espanha ha regionalismos e algum ostracismo/xenofobia entre eles, com mais ou menos incidencia segundo uma porrada de criterios que nem sei começar a listar (os Bascos, os Catalaes, os Galegos, nao morrem de simpatias pela gente de Madrid). Teremos de analisar bem cada caso, porque, insisto, tudo depende dos metodos que usamos para forjar uma identidade comum (se isso passar por atropelos à valores inerentes à cada regiao, acredita, vai ser dificil algum dia conseguires reunir consenso NACIONAL). Tenta olhar para os exemplos da Africa do Sul e da Namibia, tenta averiguar mirar a Tanzania, Madagascar, Burundi, Rwanda, Somalia, Ethiopia onde o ensino primario e feito nas linguas nacionais. As ex-colonias inglesas em geral funcionam assim. O caso da Nigeria em particular:
“in primary School, which lasts six years, each child must study two languages, namely:
(i) his mother-tongue (if available for study) or an indigenous language of wider communication in his area of domicile, and
(ii) English language;
(b) in Junior Secondary School (JSS), which is of three years’ duration, the child must study three languages, viz:
(i) his mother-tongue (if available for study) or an indigenous language of wider communication in his area of domicile,
(ii) English language, and
(iii) just any one of the three major indigenous language in the country, namely, Hausa, Igbo, and Yoruba, provided the Language chosen is distinct from the child’s mother-tongue”
(http://fafunwafoundation.tripod.com/fafunwafoundation/id8.html)
Um abraço
KulpadoKomum
KulpadoKomum,
É curioso teres falado do caso da Nigéria em particular, um país considerado instável, com altos problemas de regionalismo (a Nigéria tem mais de 300 tribos, e elas não se entendem todas entre elas). Seja as lutas pelo poder no Estado de Taraba (que provocou grande inimizades entre as populações Tiv e Jukun, e que terminou na pilhagem e morte de milhares de pessoas), seja também os conflitos nos Estados de Sokoto, Jigawa, Delta e Ondo, no que toca à questões de configurações territoriais e a escolha de capitais dos novos Estados que foram estabelecidos em Agosto/Setembro 1991. Começamos na luta entre os Urhobo, Itsekiri, Igbo, passamos pela a luta no Estado de Ondo, até chegarmos ao mais sangrento da História recente da Nigéria, que opôs os muçulmanos Hausa/Fulani às minorias não muçulmanas do Estado de Bauchi e de Kaduna e nos estados de Adamawa e do Taraba…. A lista é infindável… Realmente, talvez se esses povos tivessem todos a MESMA língua (em vez de terem uma língua à parte), e se não se apegassem tanto aos valores culturais dos seus ancestrais, conseguiriam encontrar um equilíbrio entre eles e finalmente viver em harmonia. Bom exemplo o da Nigéria… Eu nem sequer vou comentar o caso do Rwanda (todos sabemos muito bem do genocídio, um dos mais sangrentos da nossa História, que opôs Tutsis e Hutus), nem da Somália (onde a guerra começou há mais de 17 anos, e ninguém liga, contudo é uma das guerras mais sangrentas do Mundo)… Ao ver todos esses exemplos, fico mais do que contente, fico aliviado, que Angola já não esteja a caminhar nesse caminho… Reino do Congo + Reino da Matamba e Ndongo+ Reino do Kassanje+ Reino Lunda- Chowke+ Reino Sudeste+ Reino do Planalto Central+ Reino Sudoeste + Reino da Kissama = ANGOLA. Deixemos de falar em reinos, falemos numa Nação.
Um abraço,
N’Manga
Apesar de perceber alguns dos receios espelhados pelos teus comentários, insisto que a atomização (patente no teu comentário) de fenómenos tão complexos à uma simples causa (cultura/idioma) é, para dizer o mínimo, perigosa.
Sem querer avançar muitos argumentos de defesa, deixa-me só salientar que nem eu nem tu, temos conhecimento suficiente sobre a CULTURA/RAÍZES africanas e muito menos do papel que elas desempenham nos desentendimentos entre os seus distintos povos (eu arrisco que esse papel é menos relevante que aquele formado pela panóplia de interesses económicos atrás de QUALQUER guerra, incluindo as “santas”). Estamos a discutir com base em crenças pessoais que emanam do nosso parco dominio da História de cada país em conflitos e caíndo no facilitismo da generalização.
Tu acreditas que ensinar línguas nacionais poderia fomentar mais divisões entre nós, ok, eu não te posso dizer que isso não seja um risco a considerar, mas daí a ser contra o seu ensino, fundando a minha oposição nesses receios (para ti certezas aparentemente), vai um grande passo. “Apagar” o passado é negar ao indivíduo a sua identidade e um caminho perigoso na construção de uma NOVA (comum) que só se saberia edificar com muitos anos de TOLERÂNCIA e não promovendo esquecimentos voluntários com programas escolares mais que duvidosos.
Exemplo: Ensinar que a Rainha N’zinga M’bandi foi uma heroína e grande lutadora omitindo as cenas que hoje consideramos malaikes que ela possa ter feito (o célebre facto de usar o dorso de seus escravos como assento) é um flagrante exemplo de como não sabemos aceitar a História e a falta de inteligência para saber metê-la em perspectiva. Hoje, sentar-se nas costas de um empregado é impensável, não é por isso que, sem saber mais, vamos desclassificar o gesto da Raínha como bárbaro, ou aberrante, ou complexado. Temos de conseguir recriar o ambiente da época para tentarmos perceber melhor certas atitudes e comportamentos e, essa é a missão, muitas vezes frustrada, da História. Esconder os podres e enaltecer o que é bom é, a meu ver, um erro, estaríamos a agir exactamente como as pessoas que criticamos todos os dias (manipuladores de informação).
So mais uma coisa, agradecia que de futuro citasses mais as fontes nas quais te apoias, pode ser que tenhamos interesse em aprofundar.
Abraço
KulpadoKomum
sem dizer que fiquei à espera que refutasses o exemplo funcional da Suiça. Ja agora, o que dizer da Africa do Sul e Namibia (o primeiro ensinando ao menos 11 linguas diferentes dependendo da regiao e o segundo tentando faze-lo garantindo educaçao na lingua nacional/regional ate à 4 classe)?
Desculpa pelo duplo post, ha quem reclame do tamanho dos textos :-p
KulpadoKomum
Deixo aqui um site de Poesia de Angola
http://www.lusofoniapoetica.com
Eu não digo que a língua é o factor das guerras. Como disse anteriormente “a língua é sem dúvida um factor de unificação, mas pode também, ser um grande factor de separação e segregação.” Obviamente que nessas guerras há mais coisas por trás(ninguém vai lutar só porque tem uma língua diferente), mas esses desentendimentos(sejam eles económicos ou sociais), têm também uma ligação com o facto que esses povos não se sentirem um só: “nem sequer têm a mesma língua!”
” não temos conhecimento suficiente sobre a CULTURA/RAÍZES africanas e muito menos do papel que elas desempenham nos desentendimentos entre os seus distintos povos”
Nenhum desentendimento no mundo é baseado em diferença de culturas, mas sim em diferentes interesses (e concordo contigo quando dizes que são na sua maioria económicos, embora também existam os sociais). Contudo, essa divergência de interesses provém muitas vezes da cultura (maneira de pensar, objectivos dum povo, ambições, etc.). Dizer que é uma guerra por “diferença de cultura” é um abuso de linguagem. A cultura dá origem à uma divergência de interesses, mas isso não faz da cultura o motivo da guerra. Isso tudo para dizer que não é preciso conhecer profundamente uma cultura para avaliar os motivos que levam à uma eventual guerra. Não precisamos de conhecer profundamente a cultura da Alemanha para saber quais foram os motivos que a levaram a causar/participar na Segunda Guerra Mundial.
O caso da África do Sul: Sim, é um pais com 11 línguas oficializadas. A África do Sul viveu o apartheid durante longuíssimos anos (o apartheid estava baseado na segregação não só racial como étnica), que favorecia uma minoria branca.
Foi a constituição de 1996 que instaurou e oficializou as línguas nacionais, constituição essa, estabelecida pelo ANC (African National Congress, partido fundado em 1912, e que mudou de nome em 1923). Vês aonde começa? 1912, muito ao contrário do MPLA ou qualquer outro partido formado em Angola (criados por volta de 1960). 48 anos de avanço é “alguma coisinha”. A África do Sul já fazia greves nacionais e gerais em 1950. Na altura em que as línguas foram oficializadas, já havia uma noção de Nação, um país, e o inglês era aceite por todos como língua nacional. Não esqueçamos o importantíssimo pormenor de quem tomou liderou essas mudanças: Nelson Mandela. O homem que uniu um país inteiro e que se tornou num emblema mundial. Portanto, sim, a África do Sul ensina muitas línguas, mas temos de ver o percurso que foi percorrido até chegar a tal ponto. Não sou contra línguas nacionais, mas enquanto Angola não se assumir como país na sua íntegra, enaltecer línguas nacionais só vai segregar ainda mais os povos. Concordo, numa segunda fase, quando o país for um País, que se ensinem línguas nacionais na escola, mas até lá…
Um abraço,
N’Manga
Feliz Ano Novo caros amigos irmãos.
Vou estar menos activo que nos últimos tempos porque estou em exames e como tmb trabalho complica ainda mais mas, ainda assim, acompanharei periodicamente o blog.
Ainda sobre este tema, afirmo que estou em sintonia e em concordância com a posição de N´Manga, subscrevo-me nas suas intervenções. A curto prazo é melhor crescermos um pouco mais como país/nação e depois de alguma estabilidade e maturidade tmb defenderei o ensino destas línguas.
abraço
MN
Kulpadokumum
http://mankakoso.blogspot.com
Esperando que o progresso não as extinga e q a actual despreocupação não leve os visados a rebelarem-se com um poder central com o qual nao se sentem minimamente identificados, que não tirem os filos da escola por acharem que la nao aprendem nada q valorize a sua cultura minoritaria… esperemos!
Bom ano mano MN e q tudo se passe bem nos exames e trabalhos.
KulpadoKomum
Boas!!!!
Apesar de não ser um comentador frequente dos temas que aqui se têm tratado, aproveito este momento para dar a minha opinião sobre um tema que está cada vez mais presente no nosso quotidiano. “Angola a caminho do desenvolvimento”.
A meu ver, apesar do “desenvolvimento” do sector económico de Angola, aquilo que considero realmente ser a base de um desenvolvimento sadío, próspero e responsável, assumindo um compromisso para com a humanidade, está muito aquem do que se tem feito neste caso em Angola.
A noção de desenvolvimento, assenta em valores morais e éticos que cada vez mais se ofuscam pelo “canibalismo emergente” resultante da caça a fortuna, que infelizmente alguns o apelidam se o que significa capitalismo.
A uma sobreposiçao da ganância e da falta ética sobre o humanismo que para além de ser uma virtude, gera o entendimento entre os homens e constitui uma alavanca fundamental para o deseenvolvimento de Angola.
Neste momento, Angola é única e exclusivamente pensada em termos matériais e alguns pensam que é o necessário para um país crescer.
O maior investimento que o homem na minha opinião, que o homem deve fazer é apostar no conhecimento que o levará a criar um mundo desenvolvido e responsável.
No caso de Angola, é necessário que se façam novas apostas para o desenvolvimento do país, desde a educação até a contrução e posteriormente proporcionar estilos de vida. Mas, até la chegar, é necessário saber o que é que as pessoas realmente necessitam para a satisfação das suas necessidades primárias.
É importante a valorização da nossa cultura, na nossa identidade, mas não nos podemos esquecer que para o desenvolvimento aconteça em termos economicos com o propósito de garantir qualidade de vida, se aposte numa cultura e linguagem universal.
Contudo, tudo isso só será possível quando “alguns Anglanos” puserem de parte os preconceitos, idéias pré-concebidas, traumas não sofridos de que se fizeram acompanhar durante esses anos todos e que hoje apesar de não usufruirem daquilo que o país produz, culpam o passado de não os deixar perpectivar o futuro!!!!
Quando isso acontecer, ai sim teremos DESENVOLVIMENTO!!!!
abraço a todos
Cidadão do Mundo
“… não nos podemos esquecer que para o desenvolvimento aconteça em termos economicos com o propósito de garantir qualidade de vida, se aposte numa cultura e linguagem universal.”
Nao sei porque. Nao argumentas, afirmas isso como se fosse uma verdade absoluta. Desenvolvimento = identidade universal? Balelas!
O teu tom parece-me ironico quando falas de “alguns angolanos” preconceituosos, que devem por de parte traumas nao sofridos. De que traumas falas? Do trauma da guerra? Do trauma de emigrar à pé? Do trauma de nao saber se se vai conseguir dar de comer aos filhos? Do trauma de nao saber se se vai pisar numa mina no caminho para a lavra? Do trauma de ter de confiar em messias incumpridores de promessas? E mais uma vez, a ligaçao do desembaraço desses traumas nao referenciados ao DESENVOLVIMENTO. Trata de elaborar da proxima vez para ver se pdoemos ter uma discussao mais aprofundada.
abraço de um cidadao do mundo para outro
KulpadoKomum
Boas KulpadoKomum!!
Falo dos traumas de todos aqueles que vêem as coisas em função do tom de pele, de todos aqueles que tentam encontrar um culpado para alguns dos infortúnios que tiveram. Os preconceitos de que vos falo, são cada vez mais visíveis na nossa sociedade e que mais os sentem são angolanos como nós que por terem um tom de pele mais claro são alvo de ofensas e põem em casa as suas o seu amor a pátria. É cada vez mais comum este tipo de actos na nossa sociedade ou estou redondamente enganado? Quantos amigos teus já passaram por isso? as pessoas que fazem isso são pessoas normais? Quantos amigos ou familiares tens que ja passaram por isso? Falo em “alguns angolanos” porque nem todos partilhamos da mesma opinião por isso não é justo generalizar, por isso tenho o cuidado de falar em “alguns angolanos”.
Não ponho em causa o teu amor a pátria, ou a preservação da cultura angolana e também preservo isso mas, vamos ser sinceros é preciso compreender o mundo em que se vive para podermos desenvolver e quando falo em compreender o mundo em que vivemos interessa arranjar um elo de ligação com as outras culturas que existem no mundo para que haja intercâmbio de informação e troca de conhecimentos e experiências. Pois o nosso elo de ligação que permitirá a ligação com os outros povos não será certamente feito em Kimbundu. Não desvalorizo uma das nossas línguas mas sim, reforço o que disse em relaçção a identidade universal que todos nós devemos ter a par da nossa própria edentidade senão vivemos isolados. Olha para o caso da China até a alguns anos atrás, para alguns países árabes embora haja outras questões que os levam a manter-se de certa forma em choque com o ocidente.
abraço
Cidadao do mundo
esqueci-me de uma coisa!!
KulpadoKomm, soube que quando o blog foi criado e se estava a tratar da questão da manifestação referente ao direito de voto dos angolanos que residem fora, apareceram pessoas a comentar perguntando se as pessoas que dirigem o blog eram brancos ou mulatos. Isso tem lógica? São pessoas normais? É com esta mentalidade que o país se vai desenvolver? Acho que não.
cidadao do mundo
Olha esse assunto do racismo é muito delicado mesmo, ainda bem q o abordas, acho q deveriamos fazer um post sobre isso. Tenho sentido muito nos ultimos anos o recrudescer da tensao racial, as pessoas que por facilidades associam mal as coisas e atribuem culpas a torto e a direito e os “culpados” que acabam por dar razao as acusaçoes comportando-se de maneira deploravel e completamente intoleravel, procedendo a esse tipo de praticas de “filtro” por cor de pele, fazendo o mesmo tipo de generalizaçoes inconscientes e ignorantes que os outros. De quem é a culpa? Nao é isso que interessa agora, mas também não queiras descartar-te dela, de certo modo, todos somos culpados quanto mais não seja por EVITAR O PROBLEMA, por fingir q ele não existe, até ao dia em que a mina nos rebenta nas trombas. O RACISMO E UM PROBLEMA REAL, temos antes de mais de saber reconhece-lo e ter coragem de lhe fazer face, mas não sera certamente com acusaçoes e contra acusaçoes (“certos angolanos que culpam outros angolanos da sua desgraça”) que isso se concretizara.
Quanto a tua segunda mensagem, acho que o problema é o mesmo, antes de te revoltares, tenta perceber primeiro pq q esse tipo de coisas que estamos aqui a fazer é associado à brancos/mulatos.
O problema é profundo brother, vamos ter de ser forcados e segurar o touro pelos cornos, senao ‘tamos lixados!!!
paz ai
kulpadokomum
Cidadao do mundo,
Concordo contigo que o racismo é um problema em Angola, contudo acho que tens uma posição demasiado na defensiva e pouco imparcial. Donde vem o racismo de Angola? A verdade é que a esmagadora maioria da população que é pobre, é negra. Minto? Quantas crianças mulatas ou brancas vemos a pedirem esmola na rua? O branco e os mulatos continuam a ter o que até passou a ser chamado de “vida mulata”, engraçado não é? Com isso não quero dizer que os brancos e os mulatos são culpados seja do que for, estou simplesmente a dizer que quando as pessoas olham, imediatamente fazem essas associações: brancos e mulatos, ricos, negros pobres. Embora, grande parte dos que controlam o país sejam negros, a associação será sempre essa, enquanto não houver uma regulação do desnível social. Obviamente que também não podemos esquecer o colonialismo e todas as suas consequências.
Com isso tudo só quero dizer que devemos olhar para a situação da maneira mais imparcial possível e não deixar que os nossos sentimentos se misturem. Hoje dizem “blog de brancos e de mulatos”, talvez se algum dia vierem cá ler alguns post saiam dizendo “um blog de angolanos”. O tempo é pai, e ensina.
Um abraço,
N’Manga