As guerras e as desculpas esfarrapadas que as justificam, pt. II
E até que ponto estariam eles preparados a ir para preservar essa hegemonia? As apostas são elevadíssimas, trata-se de defender um modus vivendi ao qual foram habituados os cidadãos americanos e que só é sustentável se estiverem asseguradas algumas comodidades económicas.
Os visitantes deste blog, que até são poucos, já se devem ter questionado como funciona essa “coisa” das dívidas externas e porque que uns países são pressionados para a pagarem quando as maiores dívidas do mundo são detidas pelos países mais desenvolvidos, correndo solitário à frente, nada mais nada menos que os EUA com 10 triliões de $. A verdade é que quanto mais “sólida” a economia, mais fiável é o devedor (pensem no rico e no pobre que se dirigem ao mesmo banco para pedir um empréstimo) e os Estados Unidos são nada mais nada menos que a entidade emissora do dinheiro mundial, podendo dar-se ao luxo de imprimir mais quando fizer falta.
Mas, há também o facto dessa dívida ser sustentada pelos detentores de dólar mundialmente, que realizam as suas compras e investimentos nessa moeda, garantindo assim a sua afirmação como moeda rainha. Ou seja, um país em vias de desenvolvimento faz-se financiar pelo FMI ou pelo Banco Mundial (empréstimos esses fixados, logicamente, em dólares), esse financiamento não vai servir para ficar parado no banco à espera de taxas de juro, será utilizado para meter em prática a estratégia de relance da economia do país debitor (comprar ou investir) e remunerado com juros. Essa circulação de dólares além-fronteiras permite aos americanos endividarem-se tranquilamente sem recear o futuro.
Quais seriam os cenários a considerar de uma possível diminuição do dólar nas reservas mundiais?
Digamos que por uma razão qualquer, os vários países do mundo começam a reduzir a quantidade de dólares que armazenam e o substituam gradualmente por outra(s) moeda(s), para negociarem com cada parceiro comercial nas moedas que melhor lhes convém.
Uma das consequências mais evidentes seria que a procura pela moeda americana diminuiria, diminuindo assim o seu valor e, se continuarmos na lógica anterior, a dívida passaria a ser mais premente do lado do seu verdadeiro detentor e isso abanaria as consciências americanas, entorpecidas pelo “american dream”, que seriam forçadas a acordar para o pesadelo da incerteza.
A incerteza faz parar o dinheiro, aqueles que o detêm têm medo de o investir e perdê-lo, os credores vão buscar o que lhes é devido com medo de os seus clientes se tornarem insolventes (incapazes de honrar a dívida contraída). Uma ilustração bem recente disto foi a crise do mercado imobiliário nos EUA onde, devido à taxa de juros baixíssimos, os bancos se meteram a emprestar dinheiro como se o amanhã não viesse e como consequência os preços dos kubicos subiram em flecha (pensem sempre na PROCURA/OFERTA, com créditos baixos o pessoal vai querer aproveitar para comprar a sua casa, só que toda a gente se mete a fazer isso e o resultado é que as casas disponíveis não acompanhando o rítmo da procura, vão se valorizar).
O dólar anda um coxe coxo!
Verdade seja dita e assumida, o dólar tem vindo a perder muito valor nos últimos tempos, sobretudo em relação ao euro, com uma tendência a acentuar-se o fenómeno no futuro próximo. Fiz-vos um quadro abaixo em que limito a comparação da taxa de câmbio do dólar com algumas moedas, recolhendo apenas o câmbio no início de Janeiro e o actual (Dezembro). Se quiserem divertir-se a fazer as vossas comparações, carreguem aqui para €, Libra, Yen e Yuan e aqui, para o nosso Kwanza.
| Euro | Libras | Yen (Japão) | Yuan (China) | Kwanza | |
| Janeiro 2007 | .758 | .51 | 119 | 7.8 | 80 |
| Dezembro 2007 | .683 | .49 | 112 | 7.4 | 74 |
Isso é bom ou mau? Depende do ponto de vista de quem analisa, mas há sempre ganhadores e perdedores.
As empresas americanas que se dedicam sobretudo a exportação, ganham clientes europeus (mundiais) que vão fugir do euro forte e poupar muito dinheiro importando dos EUA, mas as empresas americanas que são essencialmente importadoras e que têm na Europa o seu fornecedor principal, vêm-se gregas para suportar o custo imposto pela taxa de câmbio desfavorável. O cenário na europa é igual, é só aplicar a lei do “vice-versa”.
No caso de Angola, os EUA e a China são dois dos seus maiores clientes, um paga em dólares porque é a sua moeda nacional e o outro porque é a moeda dos intercâmbios internacionais. Por sua vez Angola vai importar os bens mais baratos possíveis para o seu consumo e , sendo detentora de dólares, sai-lhe muito mais em conta adquirir o que falta lhe faz, nos Estados Unidos ou na China, a Europa revelando-se um mercado mais caro.
Suponhamos agora que a China queira reduzir a sua importantíssima reserva de dólares (mais de um trilião) e comece a dar primazia ao euro como moeda de troca, Angola teria mais dificuldades em negociar com a China e provavelmente procuraria outros mercados, ou então, Angola poderia, também ela, desamarrar-se mais do dólar, moeda depreciada e acumular mais euros no seu lugar, moeda mais estável e mais fiável e que lhe garantia um melhor acesso (mais barato) ao mercado europeu, cada vez mais importante (27 países, mais de 490 Milhões de habitantes). Só que essa é uma decisão que não podemos tomar de ânimo leve, porque ante ameaça à estabilidade interna do “american dream”, os “maldosos” que tiveram a audácia de o arruinar, terão de pagar as consequências e nós, penso eu, estamos fartos de ouvir as armas a falar e não creio que tenhamos a força anímica e de espírito para nos fazermos rebentar em restaurantes.
A liberdade de escolha, sedimentada na soberania nacional
Os países do Médio Oriente têm todo o interesse, economicamente falando, em dar esse salto. Todos os indicadores são favoráveis ao € e à dispensa do $, a balança comercial é excedentária, a dívida externa europeia comparada com a americana é modesta e as taxas de juro são significativamente mais altas (interessante para os investidores e credores, sector bancário e imobiliário essencialmente). Para complementar, o mercado europeu é agora o mais importante em termos de efectivos, o principal parceiro comercial dos países do Médio Oriente e, finalmente, quase tudo que se pode adquirir em $, pode-se também adquirir em €, excepto… adivinhem… o petróleo!
A experiência iraquiana mostrou o melhor e o pior. Na altura da mudança do dólar para o euro, o câmbio estava em 1$ = 0.83€, dois anos depois… preciso de dizer mais? Logicamente o pior, foram as consequências políticas, ainda hoje podemos testemunhá-las no jornal das 13 (eles são muito “chateados” esses iraquianos, não aceitam a derrota com a veleidade que gostariam os seus “libertadores”).
Mesmo assim, os outros países parecem inclinados em dar seguimento ao timoneiro Hussein. O Irão já tem a sua reserva em euros constituída, indicador mais do que evidente da sua vontade. Hugo Chavez ferrenhamente anti-americano, vê com bons olhos esse distanciamento em relação ao dinheiro do império, tendo ele próprio já tomado medidas que fizeram ranger os dentes em Washington, nomeadamente a troca de petróleo com professores e médicos cubanos.
A libertação dos povos oprimidos por ditadores
Os EUA consomem 25% da produção mundial de petróleo, são mais dependentes do bruto que qualquer outro país e, ter de adquiri-lo numa moeda apreciada em relação a sua, seria o fim da macacada, a queda do ogre, o terminus para o comboio do tio Sam. Algo tem de ser feito né? Jogue-se o ás de copas (sendo o de espadas o petróleo), a carta secreta número dois no baralho dos estadunidenses para controlarem os negócios mundiais: a acção militar.
KulpadoKomum
KulpadoKumum,
Sobre este tema, o meu PALPITE é de que os EUA não têm nada a perder com o dólar fraco, não lhes aquece nem lhes arrefece. As reservas mundiais de quase todo o Mundo estão na Reserva Federal Americana por isso o enfraquecer do dólar também enfraquece outras economias e mantém-se um equilíbrio global.
Com o dólar MOMENTANEAMENTE mais fraco as exportações dos EUA crescem (como tu já disseste), ou seja, a procura externa aumenta, logo há necessidade de aumentar a produção, isso faz com que aumentem os postos de trabalho e por sua vez o PIB. A economia é cíclica e depois da tempestade vem a bonança. Se hoje estão em “recessão” logo logo estarão outra vez em alta suportados por esse aumento das exportações. Repara que os EUA são quase auto-suficientes e não são dependentes das importações, a excepção do Crude.
Os acontecimentos têm de ser vistos com outra perspectiva, não foi o dólar que ficou mais fraco foi a Europa que precisou do Euro mais forte para fazer face a especulação do petróleo e outros factores externos. A Europa teve de, para que o aumento dos combustíveis não prejudicasse a sua economia, manter os mesmos preços dos combustíveis a custa da valorização do Euro sacrificando momentaneamente as suas exportações para fora da UE. (Compra petróleo mais barato) Se o Euro não valorizasse hoje o preço da gasolina na Europa estava tão elevado que isso provocaria um aumento de todos os bens de consumo e os Governos caiam, pois os cálculos dos Orçamentos de Estado não tinham previsto a crise do sector imobiliário que despoletou estas mudanças todas.
Para os USA o dólar fraco tem outras vantagens além do aumento das exportações americanas, o dólar fraco atrai turistas que por sua vez trazem mais receitas para os cofres dos EUA.
Ainda não vi uma única desvantagem para os USA pelo facto do dólar estar mais fraco. Já para países como Angola e outros que têm enormes reservas monetárias em dólares e que importam tudo o que comem, esses sim vão sofrer, aliás já estão a sofrer.
Abraço,
MN
Mano MN, com todo o respeito que possa ter pelos palpites de cada um, gostaria de te pedir que desses o teu melhor para fundamentar os teus, porque neste caso parece-me bastante ser um palpite baseado nas tuas crenças anteriores ao post, que aparentemente não te inspirou a minima curiosidade para as meteres em questão. Missão falhada
Ok, o € valorizou-se mas como podes dizer que o dólar não se desvalorizou? Como podes reparar, tive o cuidado de analisar o câmbio do dólar em relação a várias outras moedas e mesmo em relação ao nosso modesto kwanza sujeito à uma taxa de inflação de 10% por ano ele perdeu 6 kzw por dólar ao longo do ano de 2007. O facto de o fosso ser maior entre o dólar e o euro mostra claramente que um apreciou-se e o outro depreciou-se e pelas razões que já mencionei, isso não é muito bom para os europeus que queiram exportar para a América.
“os EUA não têm nada a perder com o dólar fraco, não lhes aquece nem lhes arrefece. As reservas mundiais de quase todo o Mundo estão na Reserva Federal Americana por isso o enfraquecer do dólar também enfraquece outras economias e mantém-se um equilíbrio global.”
Cada um interpreta como quer, mas o que eu argumentei foi justamente que eles podiam dar-se ao luxo de não lhes aquecer porque a maior parte das reservas em moeda estrangeira de todos os países no mundo (mas sobretudo a China e o Japão) era ATÉ ao momento constituída essencialmente de dólares e, o que eu avancei como problema foi justamente o facto destes países estarem a mudar o seu comportamento de reservas e a reduzir a quantidade de dólares (em forma de títulos do tesouro americano). Não te parece que vai começar a aquecer-lhes mais os déficits gémeos altíssimos? Pareces estar a negligenciar completamente que o facto de aumentarem as exportações não lhes compensou em nada o desíquilibrio na balança comercial, porque as importações aumentaram também (demanda pouco elástica talvez, falta de vontade de abandonar hábitos de consumo, a fé eterna no crédito, viver acima dos meios) tendo atingido o seu record em 2006 com -750 bilhões de $. A dívida pública por outro lado, por causa dos enormes encargos financeiros da guerra, roça os –270 bilhões. É negligenciável quando os estrangeiros deixarem de guardar o teu dólar nos cofres? Se achas que sim, faz favor de me elucidares nos porquês e comos.
“No one wants to predict a crisis, or portend gloom and doom. But the warning signs are there. The International Monetary Fund’s World Economic Outlook (April 2004) notes that
…the prospect of continuing large US fiscal and external deficits and the implied external borrowing adds to concerns about international imbalances, increasing the chances of a disorderly resolution, including a rapid fall of the dollar and a rise in US long-term interest rates.”
“Repara que os EUA são quase auto-suficientes e não são dependentes das importações, a excepção do Crude.”
Posso aceitar que me digas que se não tiverem os produtos que querem consumir para importar, que possam substituir a maior parte deles produzindo internamente, mas acho que estás a incorrer num erro gravíssimo nessa tua afirmação, sobretudo quando o volume de importações não cessa de crescer. Os americanos, como todos os outros povos deste mundo, querem consumir o mais barato possível nesse caso, têm como TODO OUTRO PAÍS, interesse em importar bens (manufacturados, géneros alimentícios, matérias primas, enfim, TUDO) cujo custo aquisição seja inferior àquele de se produzir localmente. OU SEJA, os Estados Unidos são ALTAMENTE DEPENDENTES das importações!
Não tenho a certeza de perceber bem o que queres dizer com isto: “As reservas mundiais de quase todo o Mundo estão na Reserva Federal Americana ”. Na Reserva Federal = FED Bank? Nos Estados Unidos? Ou simplesmente as reservas mundiais (a maior parte) são dotadas em dólares (mas cada uma nos seus Bancos Centrais respectivos)?
“Os acontecimentos têm de ser vistos com outra perspectiva, não foi o dólar que ficou mais fraco foi a Europa que precisou do Euro mais forte para fazer face a especulação do petróleo e outros factores externos.”
Isto já não muito a vêr com crenças, mas com ceguez voluntária. O Euro apreciou-se? OK, facto! Isso invalida que o dólar se tenha depreciado? Como é mano? As taxas de câmbio que atirei no post são inventadas? É uma conspiração? O dólar continua a valer o mesmo, tendo perdido valor única e simplesmente em relação ao euro? Desafio-te a sustentares as tuas alegações com dados, mas se depois das tuas pesquisas, chegares a mesma conclusão que eu (euro apreciado E dólar desapreciado) promete-me que vais rever esse teu “palpite”. É certo que uma subida no preço do carburante da economia tem como consequência uma subida em cadeia do resto dos preços, mas caro MN, a contenção da subida do RESTO DOS PREÇOS é justamente o mote do BCE: “Manter a estabilidade GLOBAL dos preços, restringindo a taxa de inflação abaixo dos 2% (valor ideal, mais do que frequentemente ultrapassado).”
Aquele abraço
KulpadoKomum
M.N,
Concordo em grande parte com o que tu dizes. O dólar fraco beneficia os EUA em vários aspectos (aumento das exportações, atrai o investimento estrangeiro, etc…). No entanto, tendo em conta que o petróleo é uma matéria-prima essencial como “input” do sector secundário (EUA como país fortemente industrializado e, como diz o KulpadoKomum no post, visceralmente dependente deste combustível fóssil) e que o preço do barril tem vindo a aumentar progressivamente de dia para dia, pergunto-me, na minha ignorância em questões económicas profundas, até que ponto é que isso não irá ou estará a afectar as contas do Estado Norte-americano.
KulpadoKomum,
A propósito do desfecho do teu texto “a carta secreta número dois no baralho dos estadunidenses para controlarem os negócios mundiais: a acção militar”, queria partilhar convosco uma informação à qual tive acesso há pouco tempo e que me deixou, como se diz no Brasil, meio “grilada”.
Os EUA criaram um contingente militar especializado e exclusivamente direccionado para África, ao qual deram o nome de AFRICOM. Segundo as fontes oficiais, o objectivo deste contingente é basicamente trabalhar ao lado dos Estados africanos no sentido de contribuir para a estabilidade, a segurança e o bem estar dos povos, estando preparados para agir em momentos de crise mas nunca querendo ameaçar a soberania das nações africanas.
Este… exército, que se encontra para já na Alemanha, está em negociações com a UA (até agora sem grande sucesso, acho eu) para se instalar em algum país africano e, já agora, custou aos cofres americanos uns 50 milhões de dólares.
… (Para mais informações: http://www.africom.mil à distância de um click)
Enfim, eu não sei bem o que isto tudo pode significar. Há quem diga que esta é uma resposta dos americanos à presença da China em África ou, lá está, a questão do PETRÓLEO, mas é isso algo que os EUA negam a pés juntos.
Se já estavam a par desta estória comentem, se não tentemos saber mais acerca disto que, a mim, não me cheira muito bem…
Fiquem bem.
Kukiela*
Viva camaradas,
Sou um leitor atento e assiduo dos vossos posts e comentarios. Não tenho feito comentarios pois muitas das minhas questões têm sido elucidadas durantes os vossos interessantes debates (excluindo as desavenças pessoais).
Este ultimo post vem rematar a ideia de que os Estados Unidos estão numa posição fragil e que corre serios riscos de entrar numa nova crise economica, muito pior que a de 1973, pois para além do petroleo ficar mais caro ainda tem o problema do regresso dos Dolares que andam espelhados por este mundo fora.
Eu tenho uma questão, ou melhor varias… os Estados Unidos, sendo a principal potência mundial, aparece como o centro do problema que se adivinha, mas e a Europa? Aonde fica a Europa nessa historia? Pelo que vejo, os paises da união Europeia ou apoiam as politicas externas norte americanas ou simplesmente não se metem no assunto.
Se o Dolar afundar a economia Europeia não vai afundar também e consequentemente o Euro?
Pelos vistos também não lhes interessa que o petroleo passe para os tão valiosos Euros. Oiço muito pouco sobre este assunto na imprensa Europeia… e depois de ler o post e posteriormente os links verifiquei que de facto existe aqui um problema que parece estar a ser camuflado.
E para Angola, sera uma boa politica nesta altura mudar as reservas de dolares para euros?
Caro Kulpadokumum,
O meu anterior comentário resulta da conclusão de uma pequena conversa numa aula de economia onde coloquei essa questão ao meu professor (em off, fora do tempo de aula, sobre disparidade entre euro/dólar). Segundo ele, muito sinteticamente, há prós e contras da Europa e da América. Concluiu que a situação que hoje se observa deve-se a instabilidade do Médio Oriente e é, de certo modo, “concertada” pela UE e pelos USA caso contrário, e caso isso afectasse seriamente a economia dos USA, os responsáveis tomariam as devidas medidas para corrigir essa ameaça.
Transpareceu, nas entrelinhas dessa minha conversa, que factores como a especulação do Petróleo, a gripe aviaria, a crise imobiliária, um eventual conflito no Irão, o escudo antimíssil e outros, principalmente a questão das eleições nos USA, estarão por detrás deste “momento” onde a Europa beneficia mas em contra-partida apoiará eventualmente (não sei em que medida nem em que tratados) os aliados dos USA.
Eu sei que os USA têm-se endividado para sustentar esta guerra. Não pus nada do que tu escreveste em questão, nem sequer discordei.
Segundo ele, o dólar não vai ganhar muito mais mas a economia dos USA (depois de um mínimo relativo há sempre um momento de expansão) vai voltar a crescer no instante em que Bush sair do poleiro (o dólar está fraco desde que a administração Bush tomou posse) e haja outros interlocutores e outra administração na Casa Branca. Mas ainda assim ele acha que estratégia dos USA é que o dólar fique sempre abaixo do euro.
Quanto a questão da China e outros que detêm grandes reservas de dólares trocarem as suas reservas para euros, a acontecer, seria catastrófico para o dólar sim Sr., mas duvido que o façam porque isso é jogar no totoloto e é imprudente, ninguém sabe quando e o que acontece amanhã. O mais certo, e espero que Angola o faça rapidamente, é trocarem algumas reservas para euros ou Libras (de preferência euros) seguindo o velho e sábio habito de que não se deve deixar os ovos todos no mesmo cesto.
Espero que agora percebas melhor ou faça mais sentido o meu anterior comentário. Se ainda assim houver uma questão menos clara coloca-a para ver se consigo passar o meu ponto de vista. (baseado na conversa com o prof., e que faz todo o sentido)
Por último, quero desfazer uma questão que me parece já obvia com constantes frases do tipo:
“(…)gostaria de te pedir que desses o teu melhor para fundamentar os teus, porque neste caso parece-me bastante ser um palpite baseado nas tuas crenças anteriores ao post, que aparentemente não te inspirou a minima curiosidade para as meteres em questão. Missão falhada
“(…) Desafio-te a sustentares as tuas alegações (…)”
Broda Kulpadukumum, não estou aqui em “missões” ou em desafios. Teço, livremente, opiniões sem outras ambições que não as de mostrar os meus pontos de vista muitas vezes desviados da razão onde espero que vocês actuem fazendo-me ver também os vossos pontos de vista. Nem sempre estou certo e em alguns casos expresso-me com pouca clareza, aprendo com vocês e espero passar algumas ideias em troca, como “feed back”, para que também aproveitem algo nas minhas passagens aqui neste espaço, mas parece-me que tens sempre alguma espécie de hostilidade, que não está explícita, como se estivéssemos num concurso a competir quem é o mais brilhante.
Se de alguma forma, inconscientemente, deixei passar a intenção arrogante de me armar em xico-esperto, que fiquem aqui desfeitas essas dúvidas, não quero provar que sou ou sei mais do que outro qualquer.
Várias são as situações em que te sinto “hostil” ao meu pensamento. (Basta ler os teus comentários aos meus comentários)
Não quero que me dês palmadinhas nas costas ou que me apapariques e me leves ao colo, quero que debatas comigo pontos de vista e não “desafios” e “missões”.
Por outro lado, como a palavra escrita as vezes pode ser ambígua e muitas vezes susceptível de interpretações equívocas, peço desculpa se, por não ter o prazer de privar contigo mais vezes, não te conheça o suficiente para perceber que isso seja o teu modo de ser normal com toda gente e não só comigo e que eu esteja com a mania da perseguição e da hostilidade. Se for esse o caso desculpa o meu equívoco.
Aquele abraço de sempre.
M.N
Kukiela,
Já tinha ouvido falar dessa Força quando o General que a comanda visitou Angola no início do mês.
Neste momento não tenho opinião, não estou minimamente informado do projecto, mas posso tecer alguns comentários.
Não sou daqueles radicais fundamentalistas que repulsam e vêm com maus olhos tudo que esteja ligado a Americanos mas a primeira vista parece-me que têm outros interesses por trás que não a segurança dos coitadinhos dos africanos que são mal governados por oligarcas déspotas e corruptos. A primeira vista parece-me um projecto de pura geoestratégia.
Repara que eles têm bases em quase todos os continentes para dominar posições geográficas e oceanos, para que possam estacionar tropas e “passear” Porta-aviões, Submarinos e Caças: Guantánamo, Lages, na Alemanha, no Afeganistão, no Japão e em muitos outros mais mas ainda não têm nada de concreto em África, penso que intenção deva ser essa.
Mas atenção, estou só a especular…
Fica bem,
M.N
MN, estas a exagerar sim, nao tenho a minima intençao de te atacar e se desafiei os teu argumentos foi porque nao foste suficientemente claro. Tens que entender que quando começas uma exposição de ideias por “o MEU palpite…” as pessoas (eu, neste caso) interpretam isso como “EU penso que…” pressupondo que construiste a tua ideia baseando-te nas mais variadas fontes que te chegam às mãos/ouvidos. Sendo que costumas sempre apresentar uma sequência logica que apoia os teus argumentos, eu achei simplesmente que não estavas a ser suficientemente contundente, ou que tinhas pura e simplesmente refutado as minhas alegações. Se dizes que o $ n baixou sou obrigado a concluir que discordas de algo q apresento como um FACTO (medido!) e não como um palpite e por isso te pedi que fundamentasses.
Não tive a minima intençao de ser duro contigo, mas em nenhum ponto deixaste claro no teu comentario q eu estava a discutir com o teu professor. Seja como for, peço-te desculpa se te ofendi de alguma maneira, és das poucas pessoas que postam aqui e nunca poderia faze-lo intencionalmente pq ia deixar de ter c quem debater.
Para terminar quanto a esse penultimo post, a China e o Japao JA COMEçARAM a diminuir as reservas deles de $ (eu meti um link ou dois no artigo original sobre isso) e essa é a razão mais forte que me levou a levantar as questões apresentadas no post.
Quanto aos acordos militares em Africa, obrigado kukiela, sinceramente não estava a par, tenho de reduzir a minha dependência aos media convencionais. Concordo com as observaçoes do MN, adicionando apenas que elas (observaçoes) sao motivos suficientes para explicar muito do meu anti-americanismo e anti-politica em geral. NINGUEM (ok, QUASE ninguém, mas são tão raras as excepções q torna-se dificil distinguir uns de outros) faz nada para ajudar os “coitadinhos” e quando o fazem é para o SHOW, para fazer Dumping, para diminuirem os impostos sobre a riqueza (filantropia) ou como golpe de marketing (“ao menos faz qq coisa de bem com o dinheiro que ganha sacaneando os outros”). Voces acham q o Herman faz Natal dos Hospitais/prisoes pq se importa com aquela gente? Os discursos do politicamente correcto tomam-nos por idiotas e eu n aprecio, dai os meus “anti”!
Caro +1Angolano, bem vindo e obrigado por participares. Olha ai mano, como ja deves ter dado conta, não somos propriamente experts em nenhum dos assuntos que desenvolvemos/debatemos, por isso não leves nenhum do material aqui postado como sendo “a previsão infalivel do futuro” ou “a verdade nua e crua”. Tentamos, e acho que nao falo so por mim, trazer para a mesa assuntos que nos preocupam, para discutirmos juntos e partilharmos opinioes que são limitadas aos conhecimentos que temos, sempre tentando basear as nossas previsões em dados factuais e/ou historicos. Nessa ordem de ideias e para responder a tua pergunta:
Facto - Apesar dos déficits gémeos altissimos e de todo o cenario catastrofico para o futuro que apresentei, os Estados Unidos continuam a ter um crescimento mais importante do que o da União Europeia com 4,8% previstos para 2007.
Opiniao - Quanto mais evoluida uma economia, maior o seu PIB, e quanto maior o PIB, mais lento sera o seu crescimento, porque mais nos aproximamos dos niveis optimos de produçao, produtividade, emprego, evoluçao tecnologica. 4.8% de crescimento é MUITO (mesmo MUITO) BOM, mas se os outros indicadores economicos nao se acertam, os EUA arriscam-se a inverter a tendência e é sobre isso que fala o artigo. Os EUA so podem dar-se ao luxo de ter essas dividas porque TODO O MUNDO a sustenta detendo $. Quando as pessoas diminuem a sua dependência do dolar, os EUA deverão ter de equilibrar os déficits e isso significa muito provavelmente tomar medidas pouco populares como o aumento de impostos. O imposto sobre a riqueza normalmente é pouco visado e a razão é simples (pensa no Ronaldinho que quer bazar de Espanha por causa desse imposto): o rico pode dar-se ao luxo de expatriar os seus capitais (ou uma parte) e investir noutro pais onde terao de abrir mao de menos (chama-se a isto VANTAGEM COMPARATIVA). Se o pais esta a precisar de investimentos para relançar a economia, far-se-a antes o contrario, baixa-se o imposto sobre rendimento/empresas, devendo então ser o cidadao comum a compensar a perda pagando mais (mais simples aumentar 1 euro a milhoes de pessoas do que 100 a algumas centenas).
Não sei se se avizinha uma crise pior que a de 29 (black thursday) ou a de 73, tudo depende do comportamento dos detentores de reservas e dos produtores de petroleo, mas acredita nisto, se a OPEP decide (duvido para ja) passar de dolares para euros, podes dizer bye bye uncle sam!
- Opiniao: se o dolar afunda e a economia americana vai ao “ar”, a europeia leva um rombo claro, todo o mundo vai sentir o abalo, os Estados Unidos sao excelentes clientes e fornecedores ao mesmo tempo, mas, nao exageremos, o fim do dominio da economia americana ia ser um simples POWER SHIFT, eles iam passar a ter MENOS influencia no xadrez mundial, iam ter de abrir mao de mta da sua estratégia geopolitica, mas nao iam ficar a ZEROS e iam continuar a precisar de consumir e iam continuar a produzir portanto a resposta e NAO…a Europa nao se lixa se os EUA cairem.
Espero que te tenha elucidado mais do que confundido, mas nao hesites em chutar as perguntas, a dika aqui é a malta conversar entre amigos, brainstorming :-p.
Ate ja
KulpadoKomum
KulapadoKumum,
Não há necessidade de pedido de desculpa uma vez que eu é que deturpei e não compreendi a tua escrita, desfeito que está, garanto-te que não mais porei em causa ou considerarei um “ataque” qualquer comentário teu a mim direccionado mesmo que discordes radicalmente de alguma opinião minha.
Aquela frase do dólar que não baixou mas sim o euro é que se valorizou era para realçar que a Europa tem feito mais para o euro forte do que os USA para valorizar a sua moeda. Captaste?
O dólar perdeu terreno e baixou sim, como comprovado e bem ilustrado naquele teu quadro.
Na análise da economia dos USA importa referir também o papel das multinacionais uma vez que eles têm uma economia muito aberta. Não sei bem qual a fatia que cabe as essas mas arrisco mesmo a pensar que 1/4 da riqueza dos USA é produzida fora do seu espaço geográfico (RLRE - Renda Líquida Recebida do Exterior), por esse Mundo fora onde supostamente há o Euro, a Libra e o Iene. Muito do que os USA importa é produzido pelas suas Multi lá fora.
Abraço.
M.N
Não sei MN, vou averiguar, mas parece-me um pouco exagerada a estimativa. Vê bem, o PIB = riqueza produzida por empresas nacionais e estrangeiras no pais em questao. PNB = riqueza produzida por empresas nacionais dentro e fora do pais. Ate agora estivemos a falar de PIB (GDP em shakespeariano). Não sei bem qual é a formula EXACTA das taxas que devem pagar as multinacionais aos paises onde têm constituida a sua sede, ainda no outro dia tive uma discussão sobre isso com o meu irmão… agora vou me empenhar mais para trazer mais certezas. Seja como for, em relação à tua ultima frase, sejam as mercadorias produzidas pelas multinacionais ou não, os produtos que saiem de um pais ao destino dos estados unidos são SEMPRE contados como importações e, nesse prisma, uma SAIDA de devisas, um encargo, um custo e não um acréscimo na riqueza.
Fico satisfeito por não haver sequelas a sarar :-). Vou tentar voltar mais logo com um comentario mais elaborado.
Na tranquilidade meu brother
KulpadoKomum
Brother eu tentei procurar, mas como não encontrei vou te dizer o que eu acho, do que eu pude compreender da economia de mercado “livre”.
Empresas multinacionais, são normalmente empresas privadas, podendo ou não ter participações do Estado (semi-publicas), realizando mais de 50% do seu rendimento no estrangeiro (entenda-se por estrangeiro, qualquer pais outro que aquele onde têm a sua sede). Essas empresas, pagam a cada pais onde estejam instaladas, o estipulado por lei (e também aqueles envelopes e brindes que aparecem na folha de balanço comercial listadas como: ENCARGOS DIVERSOS) e so pagam ao pais onde têm a sede, impostos sobre os benificios que realizam no pais (menos de 50% portanto né?). Olha, sinceramente não estou assim tão a vontade para afirmar que seja tão simples, senão qual seria o sentido do PNB? E do RLRE? Acho que o RLRE é uma soma de dividendos recolhidos de dividas saldadas (tipo, Angola deve 1 milhão mas este ano pagou 200 mil, esses 200 mil são para o pais receptor o RLRE).
Acho que é isso, se depois encontrares uma dika mais conclusiva apita, eu não tive muito sucesso, também não tive mto tempo aki no kubico (ya ya, para n dizer nada de especial mais valia ter ficado calado no meu canto né? Mas pronto, tinha prometido que o faria. Mesmo que um pouco aos empurrões, fica mais composto).
Aquele abraço
KulpadoKomum
Ok. O meu tempo tmb está escasso mas assim k possa vou retomar este tema. Abraço
eheheh tanta pressa que ja nem assinas pa? Entao é assim? Eh eh, sei como é nesta altura do ano, para quem não vai à Luanda como é o meu caso, ha os exames q se aproximam a passos largos. Boa sorte ai nos teus mambos e nao deixes apagar esta fogueira eheh.
ate ja
KulpadoKomum