As guerras e as desculpas esfarrapadas que as justificam
É costumeiro os governos que decidem unilateralmente atacar um país, refugiarem-se em argumentos morais para arrecadarem o apoio das massas cujo núcleo duro é constituído por pessoas de reduzido percurso académico, limitado nível de cultura geral e uma capacidade enorme para serem moralistas sem moral, tal qual o religioso devoto que desanca nos filhos e na mulher. Isto é assim em todo o lado, as massas têm de ser massas, para serem previsíveis e fáceis de manipular.
É muito mais simples ter-se aprovação popular se formos atacar um regime ditador e corrupto, onde se matam pessoas à gás e onde se deixa deliberadamente morrer à fome certas etnias, sobretudo se o país em questão não faz por dissimular o ódio irascível que nutre pelo nosso e tem em sua posse armas que nos podem destruir a todos.
Já se sente o pulsar da tensão belicosa que se vive e se cogita nos bastidores, eles vão nos dando pistas, utilizando os veículos de difusão de informação convencionais, que, adivinhe-se, são digeridos pelas massas como pílulas da verdade. Fala-se em atacar o Irão, “uma ditadura intolerável, liderada por um presidente incorrigível, que tem por apanágio avançar propostas chocantes contra o menino prodígio, o Estado protegido de Israel e que, além do mais, tem vindo a empobrecer urânio, preparando-se para, dizem, ser mais um país com a arma nuclear. Não se pode permitir isso, alguém tem de lhes mostrar os limites da soberania nacional, implícitos no organigrama da hierarquia mundial”. Afinal, o polícia pode andar armado, mas esse é um privilégio que não pode ser cedido a um saloio maluco qualquer, que possa meter em risco a estabilidade e a segurança do mundo “livre”.
Vamos lá analisar a questão com um pouco mais de recuo e perguntar-nos porque raios de carga d’água se escolhem países como o Iraque e o Irão de tantas outras ditaduras que existem por aí, para se liberar o povo?
O Sadaam já foi enforcado e já deve andar lá para cima com direito a algumas virgens. Menos de 7, já que não teve o bom senso de se mandar aos ares levando consigo alguns “infiéis”, mas, ao invés disso, o péssimo gosto de se deixar apanhar num buraco, sendo depois devidamente enxovalhado num segmento televisivo que girou o mundo.
O que é que aqueles gajos ainda andam lá a fazer? Não há outros conflitos por resolver? Então e o Sudão? Há quanto tempo o mundo “civilizado” assiste impávido ao genocídio no Darfur incapaz de ir em seu socorro? As ditaduras do Myanmar, da Coreia do Norte, da Líbia, Cuba, Zimbabwe, não tomam medidas? Uns embargos aqui, uns boicotes ali e uns vociferanços de tempos em tempos para lhes lembrar quem manda?
Os autoproclamados justiceiros do mundo parecem ter alguns critérios discriminatórios sobre quem merece a graça da salvação e quem pode morrer esperando.
Onde ficam a Arábia Saudita e a Rússia no meio disso tudo?
O primeiro, baseia a sua constituição no alcorão e vive sob a lei da Sha’ria, sendo o país com a mais elevada taxa de penas de morte, normalmente por decapitação (ou tiro na cabeça para as mulheres, para que elas não tenham de passar pelo vexame de ter de descobrir a cabeça e as costas*) e o segundo tendo recentemente besuntado a cozinha de sangue para fazer cabidela: condenação baseada em provas muito para lá de duvidosas de Mikhail Khodorkovski, envenenamento mortal de Alexander Litvinenko, assassinato de Anna Politkovskaya, retaliações à revoluções coloridas nos ex-satélites soviéticos, a brutal repressão na Tchetchénia, podíamos passar aqui um dia inteiro a enumerar os atropelos gravíssimos à lei internacional cometidas pelo governo do senhor Putin só nos últimos seis meses e que ele nem esboçou interesse em disfarçar, mas, vamos antes concentrar-nos nos VERDADEIROS terroristas, aqueles que são piores que todos os outros, aqueles que têm de ser erradicados e afastados do poder antes que o mal prevaleça sobre o bem.
Para aqueles que não foram na cantiga do ataque ao Afeganistão se dever ao mandato de captura de Bin Laden, ficou claro desde o princípio que a guerra no médio oriente era uma tomada de posição no xadrez geopolítico, a necessidade de os Estados Unidos conservarem a sua hegemonia controlando a matéria prima que é o baldrame da sociedade moderna, sem a qual, todo o nosso modelo social e económico se desmorona. Também se sabe que o maior consumidor dessa matéria prima são os Estados Unidos (5% da população mundial consumindo 25% da produção total) e que para manter os americanos calmos nos seus SUV, não se podem dar ao luxo perder o controlo sobre os preços. Pois, esses recursos são finitos e o maior produtor do mundo, a Arábia Saudita (uma luz?), já não tem o poder que tinha em ‘79 quando se propôs a compensar a quebra de produção iraniana, aumentando a sua, período esse que marca o fim do diktat da OPEP na determinação dos preços, tendo esta sido transferida para a bolsa de valores (um mercado à parte) onde os preços se estabelecem por especulação. Nessa altura, a procura era mais ou menos constante porque os países desenvolvidos não sofriam mudanças abruptas na necessidade de consumo e não havia muitos países em franco crescimento.
Hoje, a história é outra, o preço do barril vai continuar a subir enquanto os dois países mais povoados do mundo continuarem a ter as taxas de crescimento que se têm verificado nos últimos anos, a China e a Índia são países com muita “sede” de petróleo e tem sido sobretudo devido ao «boom» económico da China que a procura tem vindo a indicar uma tendência crescente, a oferta mostrando-se incapaz de lhe seguir o ritmo, ou por falta de capacidade, ou por falta de vontade dos países produtores, a maior parte dos quais realizam o essencial da sua riqueza nacional exportando o bruto e, receando certamente a escassez que se anuncia, vão racionando a sua exploração.
Consequência? Os Estados Unidos, maior consumidor, logo país sobre o qual as repercussões são mais importantes economicamente (não falo em termos de sofrimento físico), precisa de controlar uns quantos poços de petróleo e não pode condescender com pessoas pouco amistosas à frente dos governos dos países produtores.
Aí reside a razão lógica da invasão ao Iraque e das ameaças que se começam a sussurrar em direcçao ao Irão. Mas o que fizeram eles para que os Estados Unidos se sentissem tão ameaçados?
Em 2002, face a queda livre do valor do dolar, o Iraque propôs à OPEP que se passasse a cotar o barril em euros, que tinha mais valor e que lhes traria mais benefícios, tendo eles próprios dado o pontapé de partida. Foi aí que os Estados Unidos tiveram um calafrio e resolveram agir rapidamente, ao risco de verem o custo/barril ser multiplicado, o que representaria um autêntico descalabro para a economia americana. A solução? Tirar essa ideia absurda da cabeça do ditador, de preferência tirar-lhe mesmo a cabeça para que servisse de exemplo aos outros vizinhos atrevidos.
Pois bem, o Irão acabou de apresentar há coisa de alguns dias a MESMA proposta à OPEP. Creio que o Ahmadinejad está a preparar-se para um puro “western” com direito a bang-bang e pipocas para a assistência e Angola, como membro integrante da OPEP e visada pelo custo de oportunidade de continuar a vender o seu petróleo em dólares, tem uma palavrinha a dizer sobre o assunto, só ainda não sei qual é. Vou desenvolver um coxe mais com uma segunda parte, esta já vai longuíssima. Abram os olhos, cuidado com os caminhos obscuros!
KulpadoKomum
Longuissima.. =)
Há duas questoes muito pertinentes: O contributo da Globalizacao nesta situacao e a atitude dos EUA perante o cenário de países teoricamente mais fracos mas com potencialidades enormes no que concerne a recursos internos. Discordo da questao da globalizacao, pois este fenómeno “dissidente” pode ter, de entre as mais hipóteses, uma vertente positiva: transforma o mundo numa “aldeia global” e permite efectuar trocas comerciais muito mais abrangentes. Sim, esta é uma nocao muito “inocente” mas espero que compreendas onde quero chegar. Quanto a segunda parte da questao concordo plenamente. Veja-se por exemplo o caso da India: Tem um programa nuclear muito forte, e acima de tudo, é apoiado pelos EUA. Porque? Reside ai a questao. Convém-lhes. Nao fará diferenca caso se despolete um conflito. Há um investimento de capital americano muito forte. Há indianos na administracao de empresas. Incorre-se numa “divida” moral para com o todo poderoso EUA.
Acredito que Angola tem neste momento um sentido de conveniencia latente. Tem recursos, e enquanto estes dirigentes políticos, este Estado lá se encontrar, há interaccao entre estes.
Parece simples mas nao é.
Eh eh mano JuKuLuMeSsU sentiste ai um tom de reprovaçao à victoria da globalizaçao? N foi intencional, fui traido pelo subconsciente q veio intrometer-se na minha vã tentativa de ser imparcial. Ha uns anos atras era muito mais tendencioso e nao hesitava em juntar-me ao coro dos anti-globalizaçao nao sabendo argumentar mto bem as razões que me levavam a fazê-lo, senão a sensação visceral e inexplicavel que nos estavam a alimentar uma mentira. Hj, continuo a juntar-me ao coro, mas consigo concordar com alguns dos argumentos dos pro-globalizaçao, ou, pelo menos, com o q eles defendem que PODERIA, IDEALMENTE, ser atingido com ela. A evoluçao tecnologica brindou a humanidade com possibilidades fabulosas de se aproximarem as culturas, de se diminuirem as distancias, em tao pouco tempo atingimos niveis de desenvolvimento tao elevados que nem sei se, enquanto seres humanos, estamos aptos a gerir (de certeza que quando o Einstein enunciou a teoria da relatividade, mostrando que grande quantidade de energia poderia ser libertada de tão pequena quantidade de matéria, nunca pensou que esse saber poderia vir a ser usado para a constucção da bomba atomica).
Depois ha os factos, a globalizaçao é fabulosa para quem benificia dela, mas somos TAO POUCOS comparados com a totalidade de habitantes deste planeta,a vasta maioria desta encontrando-se invariavelmente do outro lado da moeda, que podemos questionar-nos sobre as verdadeiras intençoes de organismos globais como a OMC (sem falar claro no FMI e no Banco Mundial), quando nos cantam a antiga balada do “diminuir os desiquilibrios” e “promover a igualdade”. A verdade é que a cada ano que passa, aumenta o fosso entre os poucos que concentram nas suas maos a riqueza mundial e os outros que os ajudam a adquiri-las perpetuando o seu papel de vassalos ao mundo “civilizado”. E depois tem tambem o CUSTO dessa globalizaçao… o preço alem do “valor-moeda” que conseguimos cada vez a mais baixo custo (sem nunca nos perguntarmos como…ou acreditando na nossa ingenuidade que sao os patroes que aceitam abrir mao de parte do seu lucro para se tornarem mais competitivos numa sociedade que incentiva a concorrência), o desgaste do nosso meio ambiente, o quintal da nossa aldeia comum, a UNICA que temos, pelo menos até conseguirmos criar condições habitaveis na Lua. A globalizaçao e fixe no imediato para a fracçao infima de nos que pode sempre viajar e ir comprar os tomates, inchados de agua, produzidos por estrangeiros ilegais explorados em Espanha.
Tal como indicaste, a India e um dos paises que nao so possui a tecnologia nuclear como a propria BOMBA e, logo ao lado, os seus vizinhos paquistaneses, com quem andam alias sempre às turras por causa da Caxemira. Mas para alem destes: a China, a França, a Russia, a Inglaterra, o Japao (caso particular) e, claro, os Estados Unidos. A questao agora poe-se: quem determina quem pode e quem nao pode ter essa arma? Baseado em que argumentos? O Irao (que ainda ng conseguiu provar que esteja a desenvolver a bomba, estiveram la os inspectores e n viram nada!) n podera alegar receio de ser atacado pelos senhores que decidem as directivas pelas quais se rege o mundo, possuidores de tao terrivel engenho?
Como dizes, parece simples, mas nao é… de todo!!!
Até ja
KulpadoKomum
Sobre Globalização eu assumo que sou totalmente pró. Quer queiramos quer não ela não precisa da nossa permissão para entrar, ela impõe-se.
O Mundo está cada vez mais pequeno (o meu cabe dentro de um ipod, tenho lá os meus filmes, a minha música, a minha agenda e os meus contactos e as melhores fotos de sempre). O Mundo está a distância de um simples “click” do nosso “mouse” (palavra estrangeira e Global) e a distância de premir a tecla verde do nosso telemóvel. Essas duas situações automaticamente ligam-nos a qualquer parte deste planeta. As fronteiras do Mundo só são observáveis no Mapa-mundo porque o TGV e os aviões quebram-nas em fracções de segundos.
A comida que comemos à mesa vem de todos dos lados mais recônditos: arroz do Suriname, Banana da Venezuela, cereais da América do Norte, Frango do Líbano, Carne bovina do Paraguai, aves da Ásia e por ai a fora… Petróleo de África, a roupa que usamos vem da Ásia… os carros que nos movemos e dos nossos telemóveis são feitos com componentes de todos os lados…
As nossas referências musicais são estrangeiras… A nossa cinemateca é igualmente estrangeira… Até os nomes dos filhos dos meus amigos já são todos estrangeiros: Kiano, Kenzo, Owen, Patrick… (os pais destas crianças são todos angolanos)
Quanto a pergunta pertinente sobre as ditaduras que ainda persistem… no caso da Rússia e da Coreia do Norte é impensável atacar estes ou então temos a III Guerra Mundial. A guerra fria acabou mas os mísseis nucleares destes países continuam apontados. O “Killing Power” destas Nações dá para destruir o Planeta terra 30 vezes!!!
Atacar a Rússia significaria cortar o Gás Natural da Europa e levava os aliados Europeus ao colapso financeiro. Atacar a Coreia nunca seria permitido pela China nem pelos próprios Russos. Atacar o Irão significaria guerra total com o Mundo Muçulmano, e a escalada do preço do petróleo nunca mais parava e o feitiço virava-se contra o feiticeiro. O Sudão… um ataque não trás dividendos a ninguém no Ocidente por isso não lhes é rentável… já têm o dor de cabeça no Iraque e eram mais Muçulmanos na Guerra Santa…
Quanto aos outros conflitos por resolver… Se não houver conflitos, os maiores lobbies mundiais que são a indústria do armamento não vendem. Aonde é que são testadas as armas?? Nos conflitos!!!
Quem elege presidentes nos Estados Unidos e no resto do Mundo??? Os lobbies com as suas influências e com as suas “doações” para as campanhas!!!
Fazem ideia da quantidade de aviões, bombas e munições que foram testados no Iraque??? Isto tem muito que se lhe diga… Uns precisam de petróleo, outros precisam de testar armas e outros precisam de destruir material de guerra que está obsoleto e mais cedo ou mais tarde, caso não haja onde empregar esse material bélico, ele rebenta nos próprios países, ou seja as guerras vão sempre existir enquanto houver arsenal armazenado. Uma bomba é feita para explodir e tem um prazo de vida. No fim desse prazo ela rebenta sozinha, então mais vale juntar tudo no mesmo saco: Renovação de stock de armamento com tecnologia de ponta, como bónus temos menos um ditador, mais petróleo e não há melhor campo de testes para os lobbies que os elegeram do que o próprio cenário de guerra.
O Xadrez do Mundo é este… nós apenas somos peões.
Abraço
M.N
Subscrevo tudo o q disseste, nao podia estar mais de acordo. Vou so fazer uma pequena excepçao na opiniao sobre a globalizaçao e apontar-te que ACEITAR como facto que a globalizaçao chegou, viu e conquistou, através de todas os factos que enunciaste, nao é necessariamente ACEITAR que ela é uma boa coisa e muito menos ser PRO. E normal que quem benificia dela tem mais tendencia a ser pro, as pessoas querem e coisas boas a preços acessiveis, mas raramente nos questionamos sobre as condiçoes a que sao submetidas as pessoas para que essas sapatilhas cheguem aos nossos pés ao preço que chegam, na verdade, preferimos nao saber, ou simplesmente ACEITAR a nossa impotência face a uma realidade que nos ultrapassa. Pois bem, eu cheguei a conclusao que NENHUMA realidade nos ultrapassa, nos enquanto CONSUMIDORES somos responsaveis pelo sustento de tiranos insensiveis, que pensando apenas e so no seu enriquecimento pessoal, vao tratando aqueles sem os quais nunca sucederiam, como abaixo de cao, porque a mao de obra e fausta e trabalhador rebelde e trabalhador substituido.
Enfim, sei q n partilhas o mesmo ponto de vista, talvez possa vir a argumentar melhor o meu, caso veja necessidade.
abraço mano
kulpadokomum
Caro amigo Kulpadokomum,
Também partilho de muitos dos teus pontos mas…
As regras do Mundo já eram estas quando cheguei a ele. Para sobrevivermos temos de ter jogo de cintura e muito estômago. Aprendi muito cedo que ninguém olha por nós se não nós próprios e que para sobrevivermos fazemos de tudo. (já houve quem comesse carne humana para sobreviver a fome e ao frio)
Os mais pobres sempre vão servir os maus ricos tal como na Lei Natural das coisas o maior e mais forte sobrevive ao mais fraco. Um kota meu amigo disse-me uma vez: “Quem nasce lagarto nunca chega a jacaré” . A diferença está na nascença! Há quem nasça Marajá na India ou Sheik da Arábia (nascer filho de governante angolano tmb é muito bom) e há quem nasça numa qualquer favela brasileira, ou num gueto quaquer de África.
Se eu tivesse que pensar em todos os miudos menores de idade que estiveram a ser escravizados a trabalhar noite dia sem condições para fabricar a roupa que uso então já a muito que me tinha suicidado ou andava tapado com folhas das árvores.
Qual é a solução?
Não sei…
Se deixarmos de comprar estes artigos que vêem do Oriente a preços baixos essa mesma gente pobre perde o pouco ganha pão que tem e morre de fome.
Se tu imposeres aos seus governos que legislem ou fiscalizem melhor para que esta gente tenha mais dignidade, vais ter um custo de produção maior e o consumidor final vai ter preços mais altos.
O ciclo é vicioso, e nós estamos todos viciados.
Salva-me se puderes.
M.N
“As regras do Mundo já eram estas quando cheguei a ele”
Se desde o principio dos tempos tivessemos todos encarado as regras do mundo como as encontramos, acho que não so nao estariamos a ter esta discussao, como muito provavelmente nao estariamos (nos os dois) vivos e nao teriamos toda a parafernalia tecnologica, tais como a internet e os telemoveis, a nosso dispor. Pura e simplesmente iria haver uma consciencia perfeita da nossa posiçao de superioridade/inferioridade e uma aceitaçao generalizada que uns se submetem aos outros e a necessidade de nos impormos seria inexistente, derivada dessa auto-consciencia. Can I get a amen? Ou discordas?
Um kota meu amigo disse-me uma vez: “Quem nasce lagarto nunca chega a jacaré”
E um ditado derrotista e complexado e nao deveria ser alimentado a ng, incorrendo no risco que as pessoas creiam nele. Segundo a Forbes “aproximadamente 2/3 dos 946 bilionarios do mundo construiram as suas fortunas do ZERO, contando apenas com determinaçao e sacrificio, nao com bons genes” (http://www.forbes.com/2007/06/22/billionaires-gates-winfrey-biz-cz_ts_0626rags2riches.html)
Claro que podemos sempre argumentar que 946 em 6 bilioes sao excepçoes muito raras e q devem ter contado com um pouco mais que “determinaçao e sacrificio” e resta tambem saber se foi so com o seu sacrificio que contaram, ou se pegaram emprestado o de outros “voluntarios” para a sua causa, mas esse nao e o point. O point e que esses lagartos, tornaram-se dragoes!
Existem muitas soluçoes que individualmente podem parecer pouco significantes, mas o facto e q as pessoas se acham TODAS insignificantes e nunca conseguem formar um TODO. Ha gestos muito simples dependendo de qual e o teu “campo de batalha” de eleiçao, mas, por exemplo, para a preservaçao do ambiente, podes minimizar o teu uso de sacos plasticos, consumir o minimo de agua possivel quando tomas o duche, ter um autoclismo com dois botoes, um para o mijo, outro para a merda, apagar toda e qualquer lampada num compartimento que n esteja ocupado, desligar a televisao NO BOTAO, usar o blackgoogle ao inves do google normal, doar 5 euros mensuais ao GREEN PEACE… existem milhentos pequenos gestos. Se a tua preocupaçao for mais pelos trabalhadores explorados, podes juntar-te a nova tendencia de consumo e comprar em lojas de COMERCIO JUSTO (http://pt.wikipedia.org/wiki/Com%C3%A9rcio_justo), podes boicotar marcas e etiquetas que sabes por A+B que incorrem em praticas desumanas. O argumento de “Se deixarmos de comprar estes artigos que vêem do Oriente a preços baixos essa mesma gente pobre perde o pouco ganha pão que tem e morre de fome” é um bocado dramatico, as multinacionais que por la andam, nao sairao ate que o custo de produzir la seja igual ou superior ao de produzirem nos seus proprios paises, o facto de se dar o minimo de dignidade a um trabalhador que faz 16 horas numa linha de montagem, com pausas cronometradas e mal alimentados nao iria nunca fazer com que esses custos fossem aproximados sequer ao da produçao no seu “quintal”.
“O ciclo é vicioso, e nós estamos todos viciados”
E tu aceitas isso com naturalidade porque “As regras do Mundo já eram estas quando cheguei a ele”.
Nao posso salvar ng, cada um tem de ter consciencia dos seus actos e das suas consequencias sobre a vida de outros que neste mundo tentam escorregar das garras da fome, da privaçao e da miseria total e completa, e cada um tem de agir de acordo com a sua consciencia. Saber que se faz parte de um problema e nao tentar minimizar esse impacto e um crime contra a etica e a moral, e um autoflagelo à nossa consciencia e remete em questao a nossa inteligência, caracteristica que nos distingue (se para melhor ou para pior ficara para outro debate filosofico) dos outros animais. Mas se queres um conselho, para começar, podes tentar meter-te no lugar do mais fraco, imagina-te a trabalhar 16 h/dia para poderes meter comida na mesa, sabendo que o fruto do teu trabalho vai construir casinos e comprar jets privados, champagne e caviar em St. Tropez para um punhado de gajos que tiveram a BOA IDEIA de ir te dar emprego.
Demagogia ne? E mais forte que eu, talvez um dia consiga perceber que isto n me leva a lado nenhum e ceda à pressao diaria do pragmatismo que insiste em me bater à porta.
Abraço bro
KulpadoKomum
Amen
Demagogia é a palavra de ordem caro amigo Kulpadokomum, tanto eu como tu estamos sempre a usar dela.
“(…)cada um tem de agir de acordo com a sua consciencia. Saber que se faz parte de um problema e nao tentar minimizar esse impacto e um crime contra a etica e a moral, e um autoflagelo à nossa consciencia e remete em questao a nossa inteligência, caracteristica que nos distingue (se para melhor ou para pior ficara para outro debate filosofico) dos outros animais.(…)”
Todos fazemos o que podemos mas sem que isso afecte o nosso bem-estar. Eu até sei e costumo usar alguns truques para que “o Mundo se torne um lugar melhor”, reciclo e essas cenas todas mas desde que isso não interfira com a minha comodidade. Não abdico do AC no carro e no quarto no Verão, não abdico do aquecimento em casa no Inverno, quando vou para o Mussulo podia muito bem ir numa canoa a remar que até me fazia bem porque ando muito preguiçoso mas invés disso vou de barco a poluir a água… As vezes (quase sempre) estou a ver TV na cama (não há pior vicio) e quando desligo a dita, faço só pelo comando… fica em stand by e há muitos outros comportamentos negativos que por comodidade eu (e tu) não elimino.
O ditado do jacaré não é derrotista, é real!!! Mais uma vez discordamos de alguns pontos e outros talvez não estejam bem claros.
Todos os exemplos de sucesso que descreveste são validos mas esses 2/3 são a excepção e não a regra! Onassis, Bill Gates e outros batalharam como tu dizes mas não foi só determinação e sacrifício, foram capacidades natas deles que os levaram ao sucesso, tiveram talento (lá está o jacaré) e muitas trafulhices mas começaram do zero e venceram. (Infelizmente não é a regra)
Repara que quando nascemos não somos todos iguais! Não somos?!? Não!!!
Nascemos iguais em alguns aspectos! Por exemplo nascemos todos tábua rasa. Mas há outros aspectos importantes e por isso é que existe a estratificação social. Os mais privilegiados estão no topo da escala e os menos privilegiados estão na base da mesma. Mesmo entre os povos para os quais a riqueza e o poder parecem não ter grande valor se definem desigualdades. Há sempre pessoas com estatutos diferentes de ordens diversas: maior coragem, maior capacidade de liderança, maior destreza para o desporto, maior destreza para as artes e por ai a fora… Somos todos iguais??? Não!!! Se não eu era como o Cristiano Ronaldo,“ele nasceu jacaré, eu não…”
“(…) Mas se queres um conselho, para começar, podes tentar meter-te no lugar do mais fraco, imagina-te a trabalhar 16 h/dia para poderes meter comida na mesa, sabendo que o fruto do teu trabalho vai construir casinos e comprar jets privados, champagne e caviar em St. Tropez para um punhado de gajos que tiveram a BOA IDEIA de ir te dar emprego.(…)
Eu também te dou um conselho bro… Tenta mazé pôr-te na pele do magnata que está em St. Tropez a beber champanhe e caviar se não acabas mesmo por ser lagarto para sempre. E deixa-te de discursos politicamente correctos porque já temos idade pra saber que ninguém, nem eu nem mesmo tu, quer saber do fraco que trabalha 16h/dia servir o boss.
Abraço
M.N
Prefiro ser lagarto para sempre, do que passar a vida a tentar ser Jacaré alimentando-me de lagartos.
E doravante agradecia que nao te referisses a mim como se fosses omniconsciente e soubesses o q eu faço ou deixo de fazer, fica com as tuas duvidas, baseia-te nelas para me acusares de hipocrita se quiseres, mas nao me digas a mim que eu me importo mais ou menos c uma questao so para te sentires menos isolado no teu egoismo. Respeito a tua vontade de ser jacare, espero que encontres o teu ponto forte que te faz diferente (superior) ao resto dos comuns mortais, mas por favor, nao tentes legitimar as tuas opçoes, rejeitando aos outros a escolha consciente de ser lagarto. E arrogante, a roçar o prepotente.
KulpadoKomum
Caro KulpadoKumum.
Cada um como cada qual. Admito que sou ambicioso mas não desmesuradamente como descreveste, não passo por cima nem me alimento de ninguém, como já reparaste a minha bandeira e a minha luta é respeitar a opinião de todos, é respeitar todas as diferenças e conviver com elas.
Chegar a jacaré não significa obrigatoriamente que tenhas de pisar pessoas.
Arrisco, sob pena de ser novamente acusado de arrogante e prepotente, a dizer que temos os mesmos objectivos divergindo apenas nos métodos para alcança-los.
Sou o que sou, e não tenho reservas em admitir que tenho muitas ambições. Uma delas é chegar a jacaré por mérito próprio. Aprendi que sem ela (ambição) ninguém chega lá em cima e se queres mesmo ajudar o Mundo a ser um lugar melhor, se queres mesmo ajudar o teu país a ser verdadeiramente um país de direito, também devias ter ambições a chegar a jacaré porque se continuares sempre lagarto nunca às de conseguir as mudanças que tanto lutas aqui neste e noutros espaços. Quem decide os destinos são os jacarés já devias ter aprendido isso. Isso de seres povo com poder é uma mistura perigosa porque o povo, como já constataste na manifestação, não é unido e não quer saber de causas. As ideologias Marxistas não vingam por esse mesmo motivo.
“- Prefiro ser lagarto para sempre, do que passar a vida a tentar ser Jacaré alimentando-me de lagartos.”
Cada um sabe de sí… Tu queres ser o elemento fraco da cadeia alimentar enquanto eu quero ser o predador, respeito a tua decisão sem acusar-te de nada, tu também devias respeitar a minha sem fazer acusações de conhecimento de causa, e doravante agradecia que não te referisses a mim como se fosses omniconsciente e soubesses o que eu faço ou deixo de fazer, fica com as tuas dúvidas, baseia-te nelas para me acusares de hipócrita se quiseres, mas não me digas a mim que eu me importo mais ou menos com uma questão só para te sentires o melhor e o mais altruísta.
É arrogante, a roçar o prepotente.
Um abraço sincero e amigo.
M.N
Amigo M.N., não consegui conter um sorriso divertido ao notar a habilidade engenhosa com a qual viraste o meu texto contra mim. Has de dar indubitavelmente um bom jacaré! Acho que divergimos um coxe do tema do post, mas não é por isso que vamos deixar de discutir os nossos pontos de vista, pelo menos até uma das partes sentir que é um desperdicio de energia e de tempo tentar contra-argumentar.
Se calhar deveria ter sido mais explicito quanto ao tipo de jacarés que tinha em mente, não foi minha intenção diabolizar TODO O INDIVIDUO de avultadas posses (isto ainda tem muito que se lhe diga, mas para nao correr o risco de azedar a discussao, vamos evitar esse confronto e assumir aqui que existem uns piores que os outros), senao aqueles que sao implacaveis na perseguiçao das suas ambiçoes e nao se dao conta (ou nao querem dar conta, ou dao conta mas estao-se pura e simplesmente a cagar) do impacto negativo que advem das suas acçoes para atingirem tal fim. Não creio ser esse o teu caso.Pareces-me ser alguém de integro, incapaz de ficar indiferente às necessidades de seja quem for, nao discriminando o valor da vida humana de acordo com a classe social à qual estejam associados os teus (futuros) subalternos. Reconheço ter feito uma injusta generalizaçao, separando de uma maneira maniqueista jacarés e lagartos, quando a realidade é muito mais complexa e os dois escalões são muito heterogéneos na sua constituição e portanto apresento-te as minhas desculpas se te sentiste visado.
Entretanto acho que te falta um bocado de sentido de auto-critica se nao consegues perceber que “…já temos idade pra saber que ninguém, nem eu nem mesmo tu, quer saber do fraco que trabalha 16h/dia servir o boss” é presunçoso e arrogante. Eu não digo que não seja também egoista ou hipocrita, acho que o simples facto de estarmos vivos nos expõe à essas variaveis com maior ou menor incidência segundo cada um, mas tu acusares-me de não querer saber do fraco que trabalha 16h/dia so porque tu nao pensas nisso, é no minimo execravel e não poderia ter tido outra resposta que não fosse a reprovação e o repudio. Ao invés de tentares sempre defender-te com o ataque, deverias procurar na tua escolha de palavras as razões do meu desagrado e estou certo que acabarias por dar o braço a torcer, tens bom senso, boa argumentação e nenhuma necessidade de fazeres acusações “lowcost”.
Não tenho a minima intenção de comparar o pouquissimo que faço para acomodar a minha consciência, com o que fazem os outros. Ha quem faça muito mais do q eu, e ha quem faça muito menos, a minha unica esperança é que estes centros de discussão sirvam para que possamos todos encontrar pessoas que façam mais do que nos e usa-las como exemplos e fontes de inspiração. Nao acho de todo que essa influência possa ser exercida pela critica do estilo “mandar-à-baixo”, por isso, interpretaste MUITO mal o meu comentario e respondeste-o de forma ainda mais lastimavel, nao me considero ‘o’ melhor ou ‘o’ mais altruista, na verdade, nao me sinto merda nenhuma senão um calhau com olhos e um pseudo-intelecto que utilizo para me auto-flagelar diariamente por me sentir impotente e incapaz de meter em pratica o meu discurso e ser coerente com o que defendo. Fico muito feliz por ver que não sofres dessa sindrome e desejo-te sucessos na tua escalada ao escalão de jacaré, esperando que quando la chegares sintas realmente que de la e mais facil mudar o mundo (o que eu n acredito muito, mas so la chegando e q poderas ter a certeza ne?).
Sem mais a acrescentar por agora, akele abraço
KulpadoKomum
Amigos, M.N e KulpadoKomum,
A vossa discussao sobre Jacares e Lagartos foi longa mas felizmente conclusiva. Conclusiva porque de certa forma O Kupado Komum sem ter sido explicito conseguiu admtir que o obejectivo eh mesmo ser Jacare. Nao acreditoq que alguem queira ser fraco. O Kulpado Komum aqui mostro desde o principio uma visao politicamente correcta desde o principio mas deu um passo atras no fim. Esse ultimo passo pode por uma lado mostrar um HOMEM flexivel ja que “aprende” a ouvir os pontos de visto dos outros ou entao um revolucionario muito pouco dado a conflitos. Sim, ja que o conflito que o Kulpado Komum tentou evitar nao mostrando fraqueza ja mostrado, foi muito menos engenhoso do que os argumentos usados pelo M.N.
Pois bem, o que temos visto em Angola eh todos quererem ser o Jacare, e os ja existentes JACARES querem ser ainda maiores e maiores e maiores. Quando o principio desda (R)evolucao eh a igualdade de todos e que todos possam votar e lavantar a voz, fica claro que o Jacares nao querem que os Lagartos tenham voz…e se nascerem ja sem lingua ainda melhor. Com isto nao percebo o recuo do Kulpado Komum.
Claro que nao vale a pena estarmos a argumentar, contra-argumetar, refutando ideias que tem sido postas nas tabuas rasas, e as vezes sempre rasas de muitas pessoas. Claro esta, que o conhecimento nem sempre tem de ser necessariamente empirico. Mas com M.N disse o Kota que ele conhece e sem duvida admira…ja lhe incutiu que ele tem de Ser um Jacare…e Grande. E eh isso que ele faz..foi o que me pareceu.
Eh Soh a minha opiniao.
Kulpado comum….deste um passo atras..ou tas a apanhar balanco??
Quanto ao MN, se conseguires ser Jacare, seh grande mas ajuda os lagartinhos acrescer.
Um abraco
Diawaba Lokua
Amigo Kulpadokumum,
“Mea culpa” quanto ao ponto onde, imprudentemente, te inclui no meu rol, no rol dos que ganharam calos e se perderam. De facto a muito que deixei de olhar para muitos males a minha volta. Tive necessidade de acabar com a “masturbação mental” e pôr uma cortina a frente dos olhos a tapar aqueles pobres que deambulam a minha volta em Angola e fingir que não sei em que condições labutam aqueles que me fazem as confortáveis botas que uso no Inverno e os ténis que uso no Verão. O facto é que sou comodista e vaidoso demais para deixar de os usufruir.
Quero que saibas que te tenho em estima e consideração e que não era por um pequeno incidente de más interpretações que ia mudar de opinião.
Somos todos diferentes mas temos um objectivo em comum, o utópico Mundo melhor.
Sempre amigo
M.N
Minha gente,
Tenho acompanhado a discussão sobre estes diferentes meios para atingir os mesmos fins, segundo diz o amigo M.N, mas acho que é preciso compreender muito bem esses meios porque eles fazem a diferença toda. É preciso também compreender bem os conceitos, esses “jacarés” e “lagartos”. Quanto a isso não consigo estar bem esclarecida.
Um senhor chamado Pierre Bourdieu ao desenvolver na Sociologia o conceito de “distinção” - que é do que estamos a falar agora - diz (resumindo muito) que entre outros factores, a quantidade de “capital económico” e “capital cultural” são variáveis que determinam a posição de um agente no campo social. O que eu gostaria de entender nas vossas perspectivas é se para vocês um “jacaré” é um indivíduo que tem influência na sociedade exclusivamente por ter um elevado “capital económico”. Certamente, estamos todos conscientes de que vivemos num mundo capitalista onde o dinheiro é para muita gente o melhor meio para atingir fins (umbiguistas na maior parte das vezes).
No entanto, se quisermos mesmo sair do nosso umbigo, o que muitas vezes não é fácil como já foi aqui dito, creio que existem outros caminhos. É aí que entra o “capital cultural”. Pode ser considerado mais utópico e até bizarro, mas penso um lagarto com elevado capital cultural pode também mudar o mundo. E o M.N noutros comments referiu isso muito bem: “Com Blogs, com letras de música, com peças de teatro, com documentários, com artigos em jornais, com fóruns, e por ai a fora… etc., etc…”.
Não sei se me fiz entender… =)
Queria só deixar mais uma ideia. Se quisermos mudar o nosso bairro temos que sair do nosso quintal. Concordando em grande parte com o KulpadoKumum, existem pequenos gestos que nos fazem um pouco mais coerentes com as nossas crenças e um pouco mais leves com as nossas consciências. Não é à toa que a Justiça é representada por uma “balança”. É preciso pesar as coisas, se o nosso conforto é assim tão mais importante. E temos que admitir que há circunstâncias várias em que não compensa. Por isso, M.N, respeito por inteiro a tua ambição de ser jacaré mas vê lá se não acabas como uma avestruz com a cabeça enterrada na areia. Já provaste que tens visão para muito mais que isso.
Kandando
Kukiela*
Começando por cima:
Caro Diawaba Lokua, folgo em ver-te de volta,num tom muito mais afável e humorístico, ri bwé com o teu post (a apanhar balanço esta DEMAIS ahahahahahhhaa), apesar de não parecer ser tua intenção provocar risota acho que há uma espécie de humor involuntário na maneira como resumiste o meu debate com o mano M.N. e tiraste as tuas conclusões, um bocado atabalhoadas, se calhar legitimamente (tenho noção de não conseguir verbalizar a complexidade que são os pensamentos, considero-me uma pessoa confusa e sem certezas absolutas e por mais que tente evitar, essas incertezas materializam-se em divagações literárias). Se tiveres paciência para voltar atrás e ler bem o meu último post, darás conta que eu faço um “(isto ainda tem muito que se lhe diga, mas para não correr o risco de azedar a discussão, vamos evitar esse confronto e assumir aqui que existem uns piores que os outros )”, essas são as entrelinhas. Há muito a discutir sobre esse ponto, mas a coisa vai sempre resumir-se àquilo em que escolhemos (des)acreditar e, por mais dados estatísticos e empíricos que apresentes, é legítimo alguém que tem ambições diferentes das nossas, ACREDITAR firmemente que pode contrariar a tendência e distinguir-se do padrão. Como podemos nós desencorajar ou criticar essa crença, se nós próprios acreditamos e defendemos ideias às quais as pessoas são impermeáveis? Eu respeito a ambição do M.N. de vir a tornar-se um jacaré (aliás, se pusermos as coisas em perspectiva, comparado à 98% da população do planeta, nós somos TODOS jacarés, com possibilidade de nos formarmos, conhecermos outros países, outras culturas, temos a estrada bem pavimentada com acesso mais ou menos directo, ao estatuto de jacaré bangão), só espero que, se ele se der conta no caminho, que para consegui-lo precisará de meter de parte alguns valores que tinha como adquiridos e inalienáveis, esteja mais pronto a meter em causa a ambição do que os princípios. Mas isso é um problema dele com a sua paz de espírito e não o posso julgar por antecipação. Espero que, tornando-se alguém de peso na tomada de decisões em grande escala, ele possa vir a ser fulcral para uma mudança de fundo nas nossas estruturas de poder.
Eu não desejo e espero não vir a desejar integrar essa esfera, acreditar que podemos fazer algo de significativo integrando-nos na máquina e revertendo a sua marcha. Dos casos que estudei e das pessoas que conheço que estiveram/estão em posição de relevo na sociedade, só encontrei dois diagnósticos: ou a pessoa se conforma e joga o jogom tirando dele o melhor proveito possível, às despesas de jogadores mais fracos, ou a pessoa fica frustrada, eternamente emperrada no ponto onde eu (para já) estou, entre o profundo desprezo pelas regras do jogo que aumentam as injustiças e desigualdades e o facto de precisar de subsistir e ter de, fazendo a ginástica que quiser para minimisar o seu sentimento de impotência, jogar o jogo à mesma. Take your pick! Se calhar vais preferir acreditar na terceira opção invisível, do lagartinho que não alimenta o monstro, estás no teu direito, mas então não critiques a opção invisível do M.N. deseja-lhe antes boa sorte.
Para terminar meu mano Diawaba, não quero que me atribuam rótulos e se tiverem de o fazer, prefiro os de hipócrita e arrogante, do que algo tão pomposo e imbuído de responsabilidade como “revolucionário”. Nunca me afirmei como um, espero nunca incorrer no erro de o fazer, porque mesmo que o venha a ser aos olhos de quem me quiser “ler” assim, não será por me ter ouvido autodenominar-me como tal.
M.N. não te sentiste um coxe mais leve depois desse? Não sei quanto a ti, mas para mim é sempre uma libertação do caraças um gajo ter a “coragem” de expor o lado que normalmente tentamos esconder, incluindo de nós próprios. Como te disse, acho que em graus diferentes, somos todos egoístas, comodistas e tudo o resto que possa estar afiliado, depois podemos piorar ou melhorar, de acordo com as definições de cada um, com os exemplos que escolhemos seguir e com as prioridades que estabelecemos na vida. Na paz meu mano, ainda havemos de “chocar” muito mais vezes, mas o choque é saudável e importante para estimular a reflexão não achas?
Mana Kukiela com estrelinha, acho que na nossa discussão não entrámos muito no Jacaré Fernando Pessoa, a dika era mesmo Jacaré Bangão de X5. Sinceramente, esse Pierre Bordieu tem ar de ser alguém de muito interessante, mas a meu entender, no mundo de hoje em dia o “Capital Cultura” é levado muito pouco em conta, influenciando de maneira heterogénea (e ainda por cima reduzida) uma franja minoritária das pessoas que à ele têm acesso. Até porque, para que haja muitas pessoas a ter acesso à esse capital, é preciso “capital bufunfa” para o disseminar e aí, temos de recorrer a quem? Àquele que criticamos utilizando o “capital cultura”, caíndo muito frequentemente na contradição e dando razão ao que escolheu ser Jacaré Bangão. Acho que foi o Jukulumessu que deixou a assinatura que resume melhor tudo isso: parece simples, mas não é!
Abraços para os manos, beijinho para a mana.
KulpadoKomum
P.S. Kukiela, será que podes saber o que se passa aí com o nosso pessoal? O que está previsto para a cimeira? Contactem a mana Maria (aí no outro post) que está numa de se aliar a nós e já teve ideias para cartazes e tudo.
Gente boa,
Kulpado Komum, quando comecei a ler este blog, escrito por ti por outros que partilham de idéias semelhantes a tua, pensei sim que fosses revolucionario. Porque de certeza que se nao souberes bem o significado dessa palavra, tens um dicionario. Se leres na integra vais perceber o porquê de te ter chamado (R)evolucionário.
Quanto ao facto de seres hipocrita e arrogante disso nao tenho tanta certeza. Acho só que és precipitado. Vês umas duas ou trÊs linhas de um comment e começas logo a bater nas teclas sem pensares “Evolucionariamente”. E.g eu não critiquei em momento algum o M.N, e nem tenho de lhe desejar boa sorte..se ele se esforçar para ser Jacaré como ele parece que tanto quer.. a sorte po si só virá e ele jacaré será! É importante que ajude os lagartos a crescer. Se comer todos os lagartos que lhe aparecerem a frente..depois já nao há mais lagartos (ri-te mais um bocadinho). A sátira para alguma coisa serve. Satirizando corrigem-se costumes…
Mantens-te sempre na defensiva e és muito pouco crítico com as tuas próprias idéias, parece que tens um sub-consciente preguiçoso…nao que o sejas.
Enfim, nao tamos aqui para falar de ti. Nem acredito que o Blog tenha sido criado para que a tua personalidade seja criticada.
Mas acho bom dizer-mos o que pensamos dos autores do blog. A Kukiela é um ponto bastante positivo, consegue manter-se sempre politicamente correcta e neutralizar os “azedos” de qualquer discussao. Isso sim, parece (R)evolucionário.
Quando disseste “(isto ainda tem muito que se lhe diga, mas para não correr o risco de azedar a discussão, vamos evitar esse confronto e assumir aqui que existem uns piores que os outros )”. Eu nao me consegui rir porque acho que tudo o que dizes, o fazes com alguma seriedade….pelo menos é o mínimo que se podia pedir, Seriedade! por instantes senti-me preocupado mas como tu mesmo te descreveste: “tenho noção de não conseguir verbalizar a complexidade que são os pensamentos, considero-me uma pessoa confusa e sem certezas absolutas e por mais que tente evitar, essas incertezas materializam-se em divagações literárias)”.
Nao querer azedar a discussao por causa de um pequeno confronto de idéias, aonde por um lado estava um M.N a quem lhe foi dito para ser Jacaré(se calhar sem criticar os ensinamentos do Kota) e um Kulpado Komum bastante culpado por se sentir confuso?
Tudo o que eu queria dizer é que isso foi um indício da tua “complexidade mental”, metes-te em coisas azedas como a igualdade, voto etc..achas que o teu percurso será doce? .A tua luta até agora teve o seu mérito, é verdade..
As respostas do mano Kulpado Komum, fazem-me lembras aqueles alunos da escola secundária que para se afirmarem como gente tinham necessidade de dar respostas tortas a PROFESSORA.
Espero que os outros autores deste blog corrijam sempre, leiam e voltem a ler as respostas do Kulpado Komum, porque….
Mais uma vez é so mesmo a minha opinião.
Aquele abraço,
Diawaba Lokua
Desta vez nao me vou meter na defensiva Diawaba, os meus comentarios anteriores dos quais extraiste as citações, corroboram com o que expuseste. A critica é sempre bem vinda, pois às vezes precisamos que nos sejam apontadas as nossas contradiçoes para darmos conta que incorremos nelas. Sinto muito, mas para ja sou confuso e sem certezas, espero que ao menos esse “defeito” tenha o mérito de me fazer analisar melhor os variados pontos de vista, sem que seja levado a fechar-me no meu por casmurrice.
Para além das criticas às contradiçoes na argumentaçao, podias avançar as tuas ideias sobre o tema discutido, que ja se tinha desviado do tema do artigo original, mas que não deixa de ser um tema controverso. Assim, pelo menos, poderemos tambem apontar-te as (possiveis) inconsistências teoricas. Pareces estar mto seguro das tuas posições, partilha ai com o pessoal.
Até ja
O aluno da secundaria
KulpadoKomum
Quero partilhar convosco uma pequena particularidade:
Com este exercício de escrita e com as vossas ideias pude fazer uma triagem aos comentários feitos por todos nós, retirar o valor das vossas ideias, e molda-las as minhas ideias standard. Resultado?? Consolidei-me um pouco mais.
Vou tentar ser um bom jacaré mas gostava que vocês também se tornassem aspirantes a Jacaré para que todos um dia, já lá em cima, possamos lutar de igual com os que hoje se alimentam dos lagartos. A união faz a força e acho que somos suficientemente bons lagartos para nos deixarmos ficar cá em baixo da cadeia alimentar. Bora lá fazer essa metamorfose… (sem prejuízo dos valores a das causas que defendem hoje) Para frente é caminho!!!
Foi com agrado que descobri que Kukiela é uma mulher! É positiva essa participação quando observamos que a tendência é as mulheres afastarem-se destes ambientes.
Um abraço a todos.
M.N
Kukiela,
O capital económico vem com trabalho (na labuta) e com sorte (herdas ou ganhas a lotaria).
O capital cultural vem com a frequência académica que o dinheiro permite e com a vivência do meio social onde estás inserida e que o dinheiro também influencia.
A diferença entre Jacaré e lagarto está na maneira de pensar. Ou pensas grande ou pensas pequeno. Aí reside a diferença entes as 2 espécies.
(Tenho esta frase na mente a muitos anos mas só agora, depois destes debates e da tua pertinente pergunta, é que cheguei a conclusão final.)
“Quem nasce lagarto não chega Jacaré”
Cumprimentos
M.N
Só mesmo para rematar… No meu anterior comentário omiti a ideia importante de que para se ter acesso ao tal de capital cultural é preciso sim um certo capital económico, como vocês disseram e bem. Mas não vamos inverter a ordem. A ideia que quis defender (desculpem a teimosia) é que, simplificando, não é preciso ser RICO (verdadeiramente rico, ou seja, o Jacaré Bangão ambicioso que manda nos lagartos e tem o X5 na garagem) para ser influente numa sociedade e deter algum poder, mesmo na sociedade Angolana. E era isso que parecia que estavam a defender. Estamos a falar de mudanças a nível de mentalidades, consciência cívica e política, educação e cultura… “bla bla bla” É isso que é urgente (R)Evolucionar em Angola.
Mas vá, já está a ficar redundante demais sem necessidade. =)
M.N, é o que se pretende com discussões destas, chegar ao “fim” e readaptar as nossas posições às conclusões principais, fazer um “refresh” da página. Que se continue a discordar e a discutir, mas discutir pontos de vista, pontos de vista…
Mano KulpadoKomum, fugimos bue ao tema central do teu (longo) post. Discutiu-se apenas a tua primeira frase. Mas pelo que entendi ainda não acabaste a tua ideia. Estamos à espera dos próximos capítulos.
Kukiela*
M.N., a união faz a força em qualquer escalão da sociedade em que te coloques. Eu apostaria antes numa união de lagartinhos com “capital cultural” de jacaré para equilibrar a arrogância do poder politico baseado essencialmente em “capital economico”. Ha muitos mais lagartos do que jacarés e eu prefiro antes guiar-me pelo adagio que “contra milhoes ninguem combate”, até porque são os lagartos, baseando-se na sua (in)consciência politica, que decidem ciclicamente (assim esperemos que se torne) quais os jacarés que têm a missão de lhes conduzir a carroça. Mais uma vez, concordamos com os objectivos, discordamos nos meios para atingi-los. So é mais dificil começar por baixo, porque toda a gente quer ir para cima e uma vez la postos, acabam por se viciar demais no conforto para abdicarem seja do que for. Sim, porque, recuperando a tua metafora de um outro post qualquer, nao se fazem omeletes sem se partir ovos, da mesma maneira que não se muda nada se não estivermos dispostos a fazer sacrificios.
Diawaba, estava a espera que depois de todas as criticas, tivesses a humildade de avançar as tuas opiniões para que possamos tambem discuti-las, senão, de que serve criticar? Preferi nao entrar mto no detalhe do teu ultimo comentario e deixar-te a liberdade de me traçares um perfil psicologico. Não te “sintas preocupado” comigo, cada um sabe de si e eu não vejo mal nenhum em não se ter certezas absolutas. Para minha felicidade, não sou o unico no mundo, existem/iram inclusivé grandes cérebros (de acordo com os julgamentos de valor de cada um) que resumem bem o meu estado de espirito com frases muito sucintas. Aqui te deixo uma de Bertrand Russell (epistomologista, matematico, filosofo e politico. 1872 - 1970):
“The trouble with the world is that the stupid are cocksure and the intelligent are full of doubt.”
Kukiela, nao me disseste nada quanto à cimeira, os outros tb n me dizem nada… abandonaram a corrida ou quê?
Até ja a todos,
o aluno da secundaria e
KulpadoKomum
KulpadoKomum,
Não estamos a organizar nada para a cimeira. Pelo que tenho visto, seria complicado fazer algum tipo de manifestação mais “presencial”, pelo menos perto do local onde vai ser a cimeira e onde se realizam eventos directamente relacionados, devido ao minucioso e eleboradíssimo dispositivo de segurança à volta do acontecimento, aliás, como seria de esperar. Apesar de ser um momento em que África está na agenda política e mediática, provavelmente nem teriamos consentimento legal para o efeito.
Mas não abandonámos a luta embora eu sinta que estamos agora a passar por um momento mais frio por diversas razões. Existem sim planos concretos para os próximos tempos principalmente no sentido de fazer chegar a mensagem a mais angolanos não só em Portugal. Ainda existem pessoas que não estão a par do que se passa e dos que sabem, muitos não estão mobilizados. Isto não significa que concordem com esta decisão do Governo. Quanto aos nossos planos concretos, não sei, mas deves estar a par… É de salientar que continuamos abertos a sugestões.
Fiquem bem.
Kukiela*
Viva Kulpado Komum,
Acho que chegou altura de tentarmos começar a conversar e deixarmos de nos atacar, fire e back-fire não nos vai levar a lugar nenhum.
Começando pela quotaçao de Bertrand Russel, vejo que tens lido as teorias de Hegel. És mais pacifista do que eu. Eu ja tou mais virado para as teoristas mais “activistas”. Acredito que os meios justificam os fins, “by any means necessary”. Pois bem, nao vou “GOOGLE” nenhum filósofo ou político para encontrar um que me possa ajudar a refutar o que Russel disse no século passado, afinal os tempos mudam.
Mas poderia dizer que és mais estúpido do que inteligente. Apesar de nao seres “cocksure”, mas “full of doubt”. Não te tracei nehum perfil psicológico, mas simplesemente é o que aqui até hoje tens deixado transparecer.
Lembremos-nos que eu nao tou preocupado contigo nem tu comigo, mas temos algo em comum, o sonho de vermos uma Angola melhor. No que depender de mim podes contar comigo para tornar o sonho realidade.
Acho que o assunto que iniciou esta discussão ja foi batido e rebatido. Proponho que ponhas mais um tema novo e fresco para que começamos novamente uma discussão da próxima vez sem ressentimentos. Se assim fôr, teremos todos, certamente, discussões bem mais (R)evolucionárias
O abraço de sempre,
Diawaba Lokua
Diawaba agora estas a abusar um bocado, deixa de cagar sentenças e de te preocupar com adjectivos para me classificares. Que sejas muito feliz com a tua superioridade aparente, mas até agora nao fizeste nada sem ser me mandares abaixo, desde a tua primeira intervençao. Es desagradavel, tens o rei na barriga e ainda nao avançaste nada que se pareça com um contributo para discussao, so soubeste intervir para tirar CONCLUSOES DISTORCIDAS da minha troca de ideias com o M.N. Ou sera que nao tens opiniao formada? Nao te peço para falares de lagartos e jacarés, começa por comentar o ARTIGO ORIGINAL e por meter na mesa as tuas sugestões revolucionarias sr. eu-devo-ser-revolucionario-porque-refuto-hegel-e-embebedo-me-de-marx. Qual é a novidade que trazes para a historia na tua luta? Se nao tiver nada a ver com informatica, temo bem que ja tenha sido utilizada, se calhar ha muito mais de 100 anos (razao pela qual o “pensamento” de RusselL te parece obsoleto).
“Acho que chegou altura de tentarmos começar a conversar e deixarmos de nos atacar, fire e back-fire não nos vai levar a lugar nenhum”
“Pois bem, nao vou “GOOGLE” nenhum filósofo”
“Mas poderia dizer que és mais estúpido do que inteligente.”
Estas a ser um palerma de proposito, es ridiculo!
“Não te tracei nehum perfil psicológico, mas simplesemente é o que aqui até hoje tens deixado transparecer”
Aié? Ou é o que tu queres interpretar? Vai-te tratar mwadié, olha para o espelho antes de atirares pedras a todos os patinhos feios que te cruzam o caminho. E se tens algum pingo de consideraçao pelas outras pessoas que visitam este blog, n me mandes mais mensagens pessoais. Se quiseres continuar a insultar-me, manda-me um mail para revolucaoemangola@gmail.com
Felicidades mr. righteousness!
KulpadoKomum
Diawaba Lokua,
Desde o inicio deste blog que tens comentado frequentemente em vários temas, infelizmente não trouxeste absolutamente nada de positivo ou construtivo. A única coisa que fizeste foi abusar da boa fé das pessoas que estão envolvidas neste projecto.
Exprimenta ler todos os comentários que fizeste neste blog. Desafio te a tirar um único contibuto que acrescente algo em relação ao tema em questão ou a alguma das iniciativas que já fizemos(abaixo assinado, manifestação).
Como é que queres que te levemos a sério se primeiro dizes que não queres mais ataques(começados exclusivamente por ti) e depois, no parágrafo seguinte, chamas estúpido ao KulpadoKomum.
Acho que falo por todos se disser que a tua presença aqui é mais que dispensável.
Calvin
Pois bem,
Calvin, curti a tua intervenção, só acho que nao devias ter dito que a minha presença aqui é mais do que dispensável. Nao foste “DEMO CRÁTICO”. “o voto é um direito, lutar por ele é um dever”. “A common feature of democracy as currently understood and practiced is competitive elections. It was invented in 510 B.C.E. Competitive elections are usually seen to require freedom of speech, freedom of the press…”
KulpadoKomum, desde o princípio nunca foi meu objectivo julgar a tua personalidade. Acho que pensamos de maneiras diferetes. E nas nossas discussões julgavamos-nos um ao outro invés de nos focarmos na essência da questão. Acho que a divergência de idéias entre os homens é o primeiro passo para a (R)evolução da humanidade.
“As famílias mais unidas são aquelas em que cada um dos seus membros tem uma maneira singular de pensar”. Agora que ja todos nos começamos a conhecer melhor acho que começamos a constituir as bases para podermos marchar rumo ao mesmo objectivo. Podemos ser todos diferentes, ainda bem, mas estamos juntos pela mesma causa.
Sugeria aos autores do Blog que pusessem artigos mais “dentro de Angola”. Tipo podiamos pôr um artigo polémico dum desses jornais online ou nao, e fazer um fórum todos as semanas. Acho que se nos focarmos em assuntos de Angola conseguiremos expôr melhor as nossas idéias, pelo menos com mais coração.
KulpadoKomum, a semana passada tive a ver no finacial times dois artigos sobre a OPEP aonde a produção de petróleo em Angola no ano de 2008 ia subir para 1.3 milhoes de barris por dia, mas JES teve na Arábia Saudita e foi decidido que Angola irá produzir nao 1.3M/dia mas 2M por dia…achei controverso esse tão enorme aumento de produção…num país que tem uma diminuição de reservas de petróleo tao “galopante”.
KulpadoKomum vou tentar encontrar esse artigo e outros mais e depois mando para aquele e-mail que me deste.
Zelando pela (R)evolução,
Diawaba Lokua
OK, vamos tentar focar-nos no que interessa e não dispensar energias em mambos secundarios. Façam-se tréguas.
Estive a “google” pelo artigo que mencionas (http://www.ft.com/cms/s/0/2cc901aa-d1d2-11db-b921-000b5df10621.html?nclick_check=1), parece-me ser este. Se for, aqui diz que Angola tinha intenção de atingir os 2,5 milhões de barris/dia até 2012, mas a OPEP é que esta a querer meter o travão para que não excedam os 2 milhões.
O objectivo do cartel é ter os preços controlados, mantendo sempre uma relação estavel entre a oferta e a procura, estabelecendo quotas de produçao para os paises membros (que nao sao respeitadas desde 79) que permitam cumprir esse objectivo. Angola foi convidada a aderir a OPEP por ser uma esperança para o futuro desta economia tao dependente dos combustiveis fosseis. Sabes que nos ultimos anos se têm encontrado novos poços na banda, enquanto que nos principais paises produtores, crê-se ja se ter encontrado tudo e ja se pode estimar com razoavel certeza o tempo de vida que ainda têm. Por isso, ao contrario do que disseste, as reservas angolanas nao estao em queda, pelo simples facto que ainda não conhecemos a importancia das reservas que detemos.
Existem duas questoes perntinentes que podemos levantar:
- O que ganha/perde Angola aumentando o volume de produçao diaria?
- Como é que os petrodolares sao reinjectados na economia?
Nenhuma das respostas é tão obvia quanto podera parecer, existe sempre um compromisso muito estreito entre beneficios e perdas. Podemos achar logico que mais barris = mais kumbu:
KUMBU = Barris vendidos x Preço/barril
mas as duas variaveis estao intimamente ligadas e se todos os paises aumentarem a produçao com vista a aumentar o bolão do kumbu, a consequência sera a variavel PREçO/BARRIL diminuir, podendo eventualmente vir a compensar o aumento da outra, resultando finalmente em KUMBU = CONSTANTE.
Ai podemos passar a considerar o que perdemos: reduçao acelarada das reservas sem NADA EM TROCA (kumbu = constante).
A segunda pergunta é algo sobre o que nos devemos debruçar com muita atenção, o petroleo representa uma parte muito importante do nosso PIB, importante demais, indicando a fragilidade do nosso “boom” economico que assenta fundamentalmente na monoproduçao do crude. Parece-me que começamos a transferir à Educação, parte importante do OGE destinada anteriormente à Defesa (a confirmar). A ser verdade, é algo que devemos louvar, pois nunca poderemos deixar de ser dependentes do estrangeiro se não invertermos o mais rapidamente possivel as estatisticas sociais que nos caracterizam. Mas temos de tentar diversificar o mais rapidamente possivel as nossas fontes de rendimento, somos um pais cheio de riquezas, é inconcebivel ficarmos tao dependentes de uma so. Os paises do Médio Oriente ja perceberam e, à falta de minerais de substituição, estão a investir massivamente no turismo (um bocado exagerados nos seus projectos megalomanos, mas isso deixo ao criterio de cada um para julgar). Nos temos TUDO e NINGUEM!
Seja como for, a questao principal levantada pelo meu “artigo” prende-se mais com a desculpa das invasões militares e a importância que joga a preservação do valor da moeda nisso tudo.
Pensem so, a unica razao para o dolar não se ter ainda desgraçado completamente (e com ele a economia americana) é que TODOS OS PAISES DO MUNDO SAO OBRIGADOS A TEREM RESERVAS DE DOLARES NOS SEUS BANCOS CENTRAIS (Banco Nacional de Angola para nos). A razao? TODOS OS PAISES precisam de petroleo e este é (até agora) comprado exclusivamente em DOLARES!!! Essa era a questão a discutir e até agora ninguém se pronunciou sobre isso, ja falamos de lagartos, jagarés, diversos tipos de capitais, de hegel, evolucionarios e (r)evolucionarios, enfim, de tudo EXCEPTO do topico em questao.
Gostaria também de ver as vossas posições e previsões quanto a sustentabilidade do nosso modo de vida quando o bruto se extinguir. Sera que, como a maior parte dos cidadãos do mundo, colocam a vossa fé na descoberta de combustiveis alternativos antes do fim da era do petroleo? Também acham que as alternativas JA EXISTEM, mas que são os lobbies petroliferos, importantes demais nos dias actuais, a abafarem-nos e a atrasarem a sua implementação?
Espero que possamos apartir de agora entrar na parte “evolucionaria” do debate, se assim o desejares Diawaba.
KulpadoKomum
Esqueci de dizer:
A tua ideia do “entrar mais” em Angola parece-me muito interessante, mas era fixe que entrasses mais nos detalhes de uma linha de acção, como imaginas implementar essa ideia.
“…pôr um artigo polémico dum desses jornais online ou nao…”
Em que formato? Comentario? Como artigo eles so publicam o que lhes interessa… não estou certo de estar a visualizar bem o que propões.
“…e fazer um fórum todos as semanas”
Fazer um forum de que tipo? Estilo palestras num lugar concreto ao invés da internet? Acho isso uma boa ideia, é capaz de ser dificil no inicio, somos poucos e preparar este tipo de coisas envolve algumas horas de pesquisa, mas é definitivamente uma ideia excelente.
“Acho que se nos focarmos em assuntos de Angola conseguiremos expôr melhor as nossas idéias…”
O que são para ti assuntos que não têm a ver com Angola?
Até breve
KulpadoKomum
Caros Srs.,
Agora que se fumou o cachimbo da paz e se encontrou um ponto de equilíbrio, apontadas as “armas” que estão, gostava de também sugerir alguns temas como “Qual o papel do Estado Angolano?” (que já aqui mencionei em anterior comentário) uma vez que o Estado de Angola apresenta um cenário de falência total. Não há um serviço público que funcione e o pouco que funciona é movido pela gasosa. A luz é de gerador, a água é de moto-bomba própria, saúde só nas clínicas privadas, segurança só contratando serviços privados e mesmo assim há assaltos e roubos, ensino de algum nível e com instalações higiénicas só no privado e mesmo assim tenho as minhas dúvidas. Segurança social inexistente. E Assim vão todos os outros serviços públicos. A TAAG é uma empresa pública, é (foi?) um dos nossos orgulhos e vejam ao que foi reduzida.
Outro tema, e este vai de encontro com a sugestão levantada pelo Diawaba Lokua, tem haver, não a com a parte da prospecção e da produção do Petróleo mas sim, com o uso eficiente dessas receitas.
Quais as politicas Macro que Angola está a adoptar?
(As políticas Macro, como sabem, têm como principal objectivo o aumento de emprego, melhores salários, redução da inflação, estabilidade da moeda, equilíbrio da balança comercial (Importações vs. Exportações), ou seja, tornar Angola um país economicamente viável e não enclausurado a petróleo dependência dos outros países.)
Estarão elas a dar resultado?
Para esta resposta era necessário haver uma entidade que registasse esses dados Macroeconómicos e que os publicasse, não sei se ela existe em Angola, provavelmente existe mas deve estar no segredo dos Deuses. Se ela não existisse como poderia o governo ter indicadores se as politicas Macro têm sortido efeito??? (Será que eles sabem???)
Outra questão é a da descentralização do Poder. O PR veio recentemente falar a comunicação social e deixou, nas entrelinhas da mensagem, a ideia de que em breve haverá autárquicas. Qual a vossa e a opinião dos leitores?
Será que ela deve ser imediata?
De que forma?
Quais os prós e os contras?
Será que já temos quadros suficientemente qualificados para esse tipo de gestão?
Uma outra, e igualmente importante, questão é o Gabinete de Reconstrução Nacional (GRN), ou seja, quem está a frente do gabinete não são Arquitectos, nem Engenheiros Civis, são generais que, com o fim da guerra, ficaram sem ocupação e antes que estes ainda armassem algum conflito interno, criaram-se estas tarefas, que não são nada mais, nada menos, do que “jobs for the boys”.
Qual será o valor destas obras? Quem fiscaliza os orçamentos e a qualidade dos materiais?
Por último, um dos principais aspectos negativos que minam a democracia em Angola é a tripartição do poder (neste caso a falta dela). Claro que se entende que JES teve de ter punhos de ferro para governar Angola com tantos abutres a pairar mas será que agora já não há condições para se acabar com o Absolutismo e separar os Poderes Executivo, Legislativo e Judicial?
Como vêem, têm aqui muitos temas para desenvolverem em estilo de post, na tela principal, e não em off, como cortina de comentários.
Infelizmente não tenho tido o público (os Srs. deste Blog esquecem-se de participar na blogosfera geral e ficam presos, em estilo egocêntrico, ao seu blog) que desejava no meu blog (www.desabafosangolanos.blogspot.com) para poder desenvolver estes temas mas aqui acho que estão criadas as condições ideais para estes debates.
Um abraço amigo e de união.
M.N
Ah, enfim. Fico contente que finalmente se comece a andar em frente. Que se avancem ideias e não acusações e insultos que nada acrescentam a nenhum debate a n ser improdutividade . M.N., acho que é óbvio que o Estado deixou de se preocupar com o social há já bastante tempo. Tu disseste-o muito bem: a luz é do gerador, a água do tanque, etc. Devo contudo dizer que em termos de estabilidade económica, Angola não está má: a inflação foi controlada (a nossa moeda já tem o seu valor, já não precisamos de reajustar o Kwanza). É sempre bom lembrar que índice económico não quer necessariamente dizer desenvolvimento humano. Há muito dinheiro que entra nos cofres do Estado, agora esse investimento é que já não vemos nas ruas como eu acho que devíamos ver, ou seja, é verdade que se arranjaram estradas, que os caminhos de ferro estão a ser postos a funcionar, mas o povo continua a ver muita “poeira” no seu caminho: pitéu, luz, água, saúde, e educação, que é bom, nada! Falta o básico. Tudo que se vê fazer em Angola é privado: Universidades, hospitais, tudo. É mesmo lamentável.
Quanto a descentralização do poder… epah, maka! O JES tem punho de ferro, foi com mestria que afastou e foi afastando todos que tinham poder à sua volta (Lúcio Lara, e etc) e com mestria lá se manteve. É ele que tem o poder e é ele que controla. Não vejo como se pode separar o poder em Angola, hoje. Só com uma revolução popular. O esquema está tão bem montado, que só um factor X que não faz parte dos planos pode desfazê-lo. “Será que já temos quadros suficientemente qualificados para esse tipo de gestão?” Eu acredito que tenhamos quadros para o fazer. Há muita gente com o “savoir-faire” e com a vontade… não temos muitos quadros, mas acho que temos os suficientes (mais coisa menos coisa).
Pessoalmente, nunca escrevi nem propus escrever nada sobre isso porque acho que é só uma constatação de factos que todo o mundo conhece e que todas as semanas saem no angolense e noutros jornais. É o óbvio, e escrever sobre isso era tornar-se repetitivo e redundante. A ideia já não é fazer crónicas do que está mal, mas ir mais longe do que isso: apresentar soluções, ou propor maneiras de contrariar essa tendência. Contudo, é esta é só a minha opinião pessoal.Nós dissemos (em dois ou 3 posts) que CONVIDAMOS todos aqueles que tiverem artigos que queiram por aqui a enviarem-nos por mail. Nós votaremos (como fazemos p cada artigo, incluindo os nossos). Ter mais pessoas, para além desde restrito número de pessoas, a escrever artigos p o blog é sem dúvida uma mais-valia. Portanto, CONVIDO todos aqueles que tiverem ideias, artigos, etc, a elaborarem bem e mandarem por mail, para que possamos postar e para que não fiquem “escondidos” aqui nos comentários.
Um abraço,
N’Manga
N’Manga,
É preciso ser cauteloso com as palavras!
“Não vejo como se pode separar o poder em Angola, hoje. Só com uma revolução popular.”
Precisas explicar, como se fossemos todos muito burros, o que queres dizer quando escreves uma frase dessas. Eu por acaso sei que o que tu escreves é uma metáfora hiperbólica e que o queres dizer é MUDANÇAS IMEDIATAS, mas quem não sabe o que aqui se defende e quais as pretensões dos que aqui escrevem pode tirar conclusões erradas.
Eles não sabem que tu sabes que uma revolução é tudo aquilo que Angola não necessita e deve evitar a todo custo, pois o país e a sua credibilidade junto do exterior dificilmente resistiam a uma revolta/motim popular. A economia que tu disseste que está forte caia no exacto momento.
Eles não sabem que tu sabes que uma revolta só prejudicaria o país e o feitiço virava-se contra o feiticeiro porque quem iria sofrer com uma revolta não seriam as elites do governo porque essas têm os seus bens e fortunas fora do país e teriam o exército a sua porta a guarda-los e como a corda rompe sempre do lado mais fraco quem pagaria a factura de uma revolta seriam os mais claros e a classe trabalhadora.
Eles não sabem que tu sabes que uma revolta/motim é o pretexto que todos os marginais anarquistas esperam para poder saquear e linchar os que vivem nas cidades como fizeram no tempo dos conflitos dentro das cidades, em que saquearam as lojas, os armazéns, destruíram montras, assassinaram pessoas só para poder ficar com a casa ou com o recheio ou apenas o carro, em fim… Tu e eu sabemos que uma revolta só deitava abaixo tudo aquilo que a gente quer agora restaurar e tudo aquilo que já foi conquistado com o sacrifício de muitas famílias angolanas por isso por favor, antes que eles se enganem na percepção do teu texto, escolhe bem as tuas palavras.
Abraço e muitas cautelas.
M.N
M.N.,
“Não vejo como se pode separar o poder em Angola, hoje. Só com uma revolução popular.” Quando eu disse HOJE, referia-me exactamente aos dias de hoje, não a longo prazo. Eu não disse que uma revolução armada e sangrenta era o que eu desejaria para o meu país. Há várias maneiras de o fazer… Mas mais importante que tudo, essa “revolução” vem acompanhada duma importantíssima auto-consciência em massa em Angola. Essa auto-consciência é a chave da libertação. E acredita que quando essa auto-consciência chegar, vai haver uma revolução. Atenção: Há várias formas de revolução: n temos de escolher necessariamente a pior. Não podes dizer, na minha opinião, que as elites do governo não iriam sofrer com isso - iriam. Todos aqueles que têm poder hoje, o perderiam num piscar de olhos. E já com isso, estariam a “sofrer”.
Já tive essa conversa com muitas pessoas, e a cada vez vejo que a palavra revolução é aplicada sempre com sentido sanguinário e extremo: eu não concordo. Revolução não é necessariamente CHE GUEVARA. Não é necessariamente milícias. Revolução pode ser também (e repito-me, mas acho necessário) AUTO-CONSCIÊNCIA. Auto-consciência dos direitos, e da situação. Quando um povo toma consciência… tudo muda.
Espero não ser mais uma vez mal interpretado… Não estou aqui para conspirar contra governos, nem nada que se pareça. Quero que mais pessoas “acordem” e olhem à volta: sejam essas pessoas do poder ou do povo.
Contudo, M.N., percebo perfeitamente o que queres dizer. Obrigado pelo “chamamento” de atenção.
Um abraço,
N’Manga
Caro N’Manga,
Na primeira oportunidade que tiver explico-te o porquê do meu anterior comentário.
Contudo, gostava de acrescentar, ainda em resposta ao teu penúltimo comentário, o seguinte comentário a tua frase “Pessoalmente, nunca escrevi nem propus escrever nada sobre isso porque acho que é só uma constatação de factos que todo o mundo conhece e que todas as semanas saem no angolense e noutros jornais. É o óbvio, e escrever sobre isso era tornar-se repetitivo e redundante. A ideia já não é fazer crónicas do que está mal, mas ir mais longe do que isso: apresentar soluções, ou propor maneiras de contrariar essa tendência. Contudo, é esta é só a minha opinião pessoal”
Infelizmente tens razão, falamos, falamos e só apontamos os males sem nunca propor a cura dos problemas. O busílis da questão pertinente que tu colocas é que nenhum de nós tem o “know how” para receitar as enfermidades que assolam o nosso país. Economia, Politica social, administração Pública e outros que já aqui mencionei, são questões que têm de ser levadas muito a sério e ser tratadas por quem de facto conhece. Eu não sou economista se não até te dizia que politicas macro Angola devia optar, acho que devemos deixar as soluções para os experts para não cometermos os erros que os nossos kotas já cometeram que foi o de dirigir um país baseado em opiniões próprias e com base na gestão do deixa andar até ver no que dá, sem que nenhuns deles (ou muito poucos) fossem formados em alguma coisa.
Temos as mãos atadas mas julgo que temporariamente porque ao levantarmos aqui estas questões mais dia, menos dia haverá um Dr. com conhecimento do assunto que nos responderá as nossas questões. E acho que é positivo falar falar porque exercitamos e mostramos a todos aqueles que acham que tudo vai bem (e são muitos) que afinal há muita coisa mal. Contudo, esta é só a minha opinião pessoal.
Abraço
M.N
Gente Boa,
Kulpado Komum, ha dias vi o comentario de alguem que dizia que poderiamos tirar vinte minutinhos do nosso tempo para comentarmos e darmos a nossa opiniao do que acontece no nosso pais. Eu dcidi tirar um pouco mais. O meu país eh a minha vida e eu sinto-me na obrigaçao de dedicar cada vez mais e mais tempo a ele. Honestamente espero que consigamos ve-lo a (R)evoluir.
Umas das tuas perguntas foi: O que são para ti assuntos que não têm a ver com Angola?
Acho que tudo de certa forma tem a ver com Angola, é um facto, Angola de facto tem recebido influencias desde O OESTE ateh ao Oriente, desde a America ateh a Arabia Saudita. MEsmo assim acho que se numa primeira fase nos debruçarmos mais no que acontece mesmo no pais tirariamos mais proveito das discussoes. Coisas pequenas como as politicas internas,~a influencia dos emprestimos, a china, a Alemanha que agora nos emprestou 1Biliao de Dolares. Como todos os paises, nao ha ponto sem nó. Qual o interesses da Alemanha em Angola, o pros e os contras..etc etc.
Quanto ao facto de palestras em sitios concretos, na minha opiniao nao acho ainda boa ideia. Acho que era mais viavel, tentar-se manter a coesao via internet e depois sim decidir-mos “dar as caras”. Ateh agora o Blog tem sido bastante produtivo, vamos manter-nos neste “passo”
O que acontece com o petroleo acho que eh um assunto bem focral. Tudo o que temos vem do petroleo. E todo o interesse do resto do mundo em nós tambem é o efeito do petróleo. Fala-se que Angola descobre lençóis de petroleo todos os dias. Tudo bem. Mas um pais tao grande que depende maioritariamente de um unico recurso natural? DEpois do cessar fogo, Angola tornou-se o pais com maior crescimento de PIB de Africa, mais de 50% vem do petroleo.
Reparem que nos ultimos 3 anos Angola entrou com um pensamento somente a “curto prazo”. PAra desenvolverem o turismo querem fazer hoteis em tudo o que eh sitio, para darem “abrigo” aos estrangeiros fazem predios de 20 andares no meio de vivendas e ja a beira da estrada.
Voltando ao petroleo, temos os petrodolares no BNA. Se notarem bem, isso soh enfraquece mais a nossa economia, ao mesmo tempo que nos dá a sensaçao de que temos cada vez mais economicamente fortes. Tudo uma ilusao. Fala-se que o kwanza esta mais forte. Parece que sim, nao é? Mas nao. O Dolar é que está cada vez mais fraco e mai fraco e as nossas reservas de moeda estrangeiro sao feitas em USD.
Acho que nesta altura se podia manter a exploraçao do petroleo ao nivel que esta e desenvolver as outras 17 provincias.Tenho parentes que visitam o interior do país e que dizem que tudo eh do governador da provincia. E esse “tudo” eh muito pouco- Um poder sempre centralizado dentro do governo. Aonde tudo o que acontece é de meia dúzias deles. desde as telecomunicaçoes, centros comerciais, hóteis ateh as grandes empresas sao deles.. Cada vez se repara numa classe média, cada vez mais preocupada em comprar casas, pedidos de empréstimos todos os dias, casas de USD 1Milhao a serem alugadas a USD 15Mil… Os Dubaianos todos felizes com os Angolanos que têm dinheiro no bolso “CAsh” e vão la comprar carros de luxo em segunda mão que duram 6 meses. Mas mesmo assim la voltam para comprar mais um ou dois.
….
Diawaba Lokua
N´Manga,
“Outra questão é a da descentralização do Poder. O PR veio recentemente falar a comunicação social e deixou, nas entrelinhas da mensagem, a ideia de que em breve haverá autárquicas. Qual a vossa e a opinião dos leitores?
Será que ela deve ser imediata?
De que forma?
Quais os prós e os contras?
Será que já temos quadros suficientemente qualificados para esse tipo de gestão?”
Ainda aqui eu, no meu modesto ponto de vista, nao comodista mas realista, acredito que o PR devia ficar mais uns aninhos ateh se acalmarem os ânimos. Ha muita gente agita e excitada naquele páis cheio e idéias magníficas mas po-las em prático eh uma passo maior do que parece. Os pros é que isso aparentemente ia dar sangue novo ao país uma novas maneira de agir e pensar, mas….vamos esperar que as coisas cheguem ao seu lugar de uma maneira social e um pouco democrática. Um pouco democrática, porque a democracia é para os civilizados e hipócritas. Eu pessoalmente acho que ainda nao somos civilizados para podermos dizer tudo o que pensamos…e tanto sangue quente que é uma das características do nosso povo…..jamais levaria à hipocrisia.
Quanto aos quadros qualificadõs para este tipo de gestao, de certeza que os temos. Uns estudaram na diáspora e tiverem bolsas da Sonangol e outras entidades governamentais e outros já têm pais “emCASHeados”. O que significam que ambos nao acrteditam na mudança–.
Mais uma vez digo, vamos deixar o mais velho trabalhar, porque de uma forma ou de outra eu vejo as coisas a acontecerem, vejo desenvolvimento…e vocês, conseguem ver o mesmo que eu?
Kandandu,
Diawaba Lokua
M.N.,
Eu discordo. Eu não acho de devamos deixar sempre todas as questões para o experts. Eu acho que os experts são sim muito úteis em questões técnicas. Não acho que devamos deixar a economia aos economistas e a justiça aos juristas. Acho que há um limite até o qual podemos ir, nós os “leigos”. Dou-te um exemplo prático: foi proposto aqui no site fazer-se a descentralização de Angola, ou seja, desenvolver as outras cidades, para “desengarrafar” a capital (foi até proposto mudar de capital). Não é preciso ser economista ou jurista para propor isso. Os experts depois, serão indispensáveis para pôr o plano em prática. Não têm de ser necessariamente os experts a propor. Um outro exemplo é o plano Marshall: um plano económico para tirar a Europa do impasse… contudo, George Marshall não era um economista: era um militar. Continuar a criticar o que já foi criticado não chamará, na minha opinião, a atenção de ninguém.
Diawaba,
“Fala-se que o kwanza esta mais forte. Parece que sim, nao é? Mas nao. O Dolar é que está cada vez mais fraco”. O Kwanza está hoje estabilizado (depois de muitos zeros e muitos “reajustamentos”), consequentemente, podemos dizer que está mais forte. As pessoas “confiam” no kwanza (a força de uma moeda está na confiança que as pessoas depositam nela).
Sinceramente, eu não vejo o desenvolvimento que tu vês. Para mim, ver o PIB de Angola subir num gráfico bonitinho, não me aquece nem me arrefece. Porquê? Porque sei que esse PIB, esse capital, essa massa, está nas mãos de muito poucos (como tu próprio disseste: “tudo o que acontece é de meia dúzia deles”). Isso para mim não é desenvolvimento, é banga. Enquanto o povo estiver na miséria em que está, enquanto pessoas foram desalojadas dos seus lares e alguns até perderem as suas vidas para a construção de um centro comercial para a elite, enquanto lutarmos pelo BÁSICO (luz, pão e água), por mais hotéis e complexos que eu vir, continuarei a dizer que não vejo desenvolvimento. Por isso digo: SIM, ao sangue novo. Digo sim, na esperança que esse sangue traga novos ventos, ventos de mudança. E também na esperança, que esses ventos novos, batam na cara de algumas pessoas para lhes lembrar que está na hora de começar a cobrar por resultados. Ninguém cobra promessas. Que venham outros, com novas promessas, mas mais importante, que essas promessas sejam cobradas e acima de tudo, cumpridas.
N’Manga
Companheiros, tudo fixe? É bom ver que a coisa se vai animando.
Queria começar pelo primeiro post do M.N. e aproveitar para partilhar com todos o link da afectação do PIB(obrigado jorgito) e o das previsões para o futuro. Numa nota anedótica, chamo-vos a atenção para o fundo dos gráficos de barras, as referências e finalmente para o fundo de diapositivo. Vou evitar comentar a escassez de comentário e a apresentação em forma Power Point, ao invés de relatório, preferindo esboçar um sorriso e um tímido elogio ao publicarem-se dados, sejam eles infinitesimalmente minuciosos ou largamente questionáveis.
http://www.minfin.gv.ao/fsys/RESUMO_DA_DESPESA_POR_FUNCAO.pdf
http://www.minfin.gv.ao/fsys/EconomiaAngolanaPerspectivas.pdf
Logicamente que há certos dados que saltam à vista, ainda que menos que os resultados. Faço especial referência à educação, no qual investimos este ano 8% do PIB. A ser verdade, isto é muito bom mesmo. A título de exemplo, o Brasil, a 9ª economia do mundo, investiu em 2003, uns magros 0,7% (ref. AICO, outros dados podem existir de outras fontes) e os países mais desenvolvidos no mundo investem entre 5 e 7,5% PIB (http://www.insee.fr/fr/ffc/chifcle_fiche.asp?tab_id=148 consultem por vocês próprios a tabela do INSEE, instituto de estatísticas francês).
No mesmo tomo, temos o investimento na saúde de 6,5% PIB, igualmente importante, apesar de menos comparável com os “grandes” (http://www.insee.fr/fr/ffc/chifcle_fiche.asp?tab_id=187). Se o dinheiro vai para estes sectores, a malta gostaria de ver os resultados, mas se calhar para isso temos de começar a frequentar os hospitais públicos, não podemos partir sempre do princípio que isso também só está a servir para os TOUAREGS e os HUMMERS e terrenos no Mussulo né?
Os 13% PIB para órgãos executivos e legislativos, se calhar é um sinal né M.N. ? Não sei, acho que este quadro peca muitíssimo pela escassez de detalhes, atente-se por exemplo a um gasto de vulto que me chamou a atenção:
Segurança e ordem pública (7,5% PIB), dos quais a quase totalidade vai para:
Não especificados = 6% (serviços policiais 1,2%)
Se fossemos analisar a nossa economia por este “relatório”, poderiamos concluir precipitadamente que as coisas vão bem. Infelizmente entre o que sai do cofre do estado e o que chega ao destino final, vão muitas mãos, e sobretudo, muitos bolsos. Acho que deu para reparar que a taxa da gasosa tem sofrido uma inflação “nervosa” esses últimos tempos.
M.N. , ainda para ti:
“Infelizmente tens razão, falamos, falamos e só apontamos os males sem nunca propor a cura dos problemas. O busílis da questão pertinente que tu colocas é que nenhum de nós tem o “know how” para receitar as enfermidades que assolam o nosso país. Economia, Politica social, administração Pública e outros que já aqui mencionei, são questões que têm de ser levadas muito a sério e ser tratadas por quem de facto conhece.”
Receitar os medicamentos é discutível, mas DIAGNOSTICAR as enfermidades acho que nem tanto. Será que temos mesmo de ter conhecimentos aprofundados nos domínios que nos afectam a todos antes de poder avançar uma opinião/sugestão? Então é “cada macaco no seu galho” e a sociedade civil contenta-se de acatar as decisões dos decisores entendedores na matéria? Podemos não ser todos ilucidados ou omniconscientes, mas não precisamos necessariamente de entender todos os porquês do que podemos sentir na pele, até porque, esses “porquês” são invariavelmente de uma tal complexidade na conjugação de eventos, que cada “expert” vai dar a sua explicação própria, relacionando tal e tal eventos com uma causalidade, muito freauentemente caíndo em falácias, estabelecendo ligações de causalidade onde elas não existem. Aconselho-te um livro que sei de certeza que vais curtir, está formidavelmente bem escrito e corrobora com essa teoria dos “homens de saber e de ciência” que se enganam muitas vezes nas suas analises. Meto-te aqui o link e se algum dia o resolveres ler, depois dá a dika do que achaste (http://freakonomicsbook.com/). Isto tudo para dizer, que não só podemos, como devemos, como já o estamos a fazer, trazer à lume os nossos pontos de vista, ainda que incompletos na sua análise e procurar humildemente avançar sugestões.
Infelizmente parece que nos andamos todos a testar uns aos outros, todos atiram perguntas e ninguém ousa respondê-las, como se fosse de alguma forma embaraçoso avançarmos com o que achamos serem as respostas correctas.
Para terminar, gostaria de te tranquilizar, eu costumo ir ao teu blog, mas sempre em intervalos muito espaçados de tempo para ler os vários posts e comentários de uma vez. Já te deixei lá alguns comentários inclusivé. Se houver algum tema que levantes para debate e que precise de atenção mais imediata que isso, é uma questão de nos dares a dika que a nossa frequentação aumentará certamente de ritmo. Não é uma questão de egocentrismo ou discriminação seja de que tipo for. Entretanto reiteramos-te o convite para passares a blogar também aqui, ou mesmo a meter textos que metes no teu blog e que aches dentro do contexto, aqui neste, que também é teu. Como disse o N’manga, todos os posts são submetidos à votação e já houve pelo menos dois que tiveram de ser reformulados antes de serem aceites para post, logo os teus não estariam exemptos disso. Seria um prazer ter mais um colaborador (já és família, tal é a tua assiduidade). E este convite estende-se a todo aquele que AINDA ESTEJA A LER ESTE COMENTÁRIO que já mais parece um evangelho e que ainda não terminou!
N’manga, concordo contigo e por isso não me resta que uma tímida e quase que menina esperança de um dia, poder haver esse tipo de “BASTA” generalizado e que as pessoas que já têm a espinha torta de carregar esse sistema nas costas, se dêm conta que eles (nós) são mais poderosos do que imaginam e cobrem aos dirigentes os direitos que lhes confere a nossa prostutuída constituição. Logicamente que isso implica um(ns) líder(es), daquelas pessoas que são cada vez mais raras , que estejam dispostas a abdicar da sua felicidade pessoal para dedicarem a sua vida a uma causa, talvez encontrando nela, essa felicidade da qual supus terem de abdicar. À falta de melhor, só nos resta entregarmo-nos até ao ponto em que sintamos que o nosso engajamento interfere com a nossa eterna busca pelo conforto. Se essa interferência se faz sentir logo a nível de participação em discussões, ou do “dar a cara”, paciência, nem toda a gente tem a mesma disponibilidade e nem toda a gente concorda com todas as lutas ou metodos para lutar. O importante é que cada um aja de acordo com a sua consciência e que faça aquilo que acha poder fazer, não podemos desvalorizar ou comparar o suor de cada um ao litro.
Passo então ao Diawaba:
“Coisas pequenas como as politicas internas,~a influencia dos emprestimos, a china, a Alemanha que agora nos emprestou 1Biliao de Dolares. Como todos os paises, nao ha ponto sem nó. Qual o interesses da Alemanha em Angola, o pros e os contras..etc etc.”
Foram €. Mas olha, não leves isto como um ataque, mas tu também transmites as notícias e deixas QUESTÕES? Então e comentários? Ou continuas a testar-nos? Eu, respondo-te com toda a franqueza e com toda a minha ignorância na matéria que NÃO SEI qual é o sector principal no qual a Alemanha tem os olhos, mas que terá certamente a ver com algum dos 32 minérios que enriquecem os nossos solos e empobrecem a nossa gente. Talvez também no sector secundário (indústrias). Houve em tempos uma maka com uma fábrica da Wolkswagen que deveria abrir em Angola, por causa dos azimutes de sempre: os investidores estrangeiros encabeçados por empresários de historial duvidoso que para acelararem a sua entrada e implementação no território nacional, fazem sócios os suspeitos de costume, os filhos da nomenklatura.
Não é mais segredo para ninguém que o PIB de Angola está a “fermentar” e uma vez que entras no ciclo de expansão, o capital chama capital, o terreiro torna-se atraente para investidores estrangeiros que conhecendo as nossas carências, vêm com o seu “savoir-faire”, contribuindo para a criação de empregos e logicamente, para o aumento da riqueza nacional, que irá por seu turno atrair AINDA MAIS investidores. Isso é a dinâmica e a lógica económica que tendem a mostrar esse lado positivo. Para os pontos negativos, ou temos um olho crítico e os antecipamos (às vezes precipitada e erroneamene), ou tentamos ver os exemplos dos outros países que já foram alvo desses investimentos e estudamos os prós e os contras. Só uma coisa é certa, a Alemanha não nos emprestou esse bilião por filantropia, e a lógica do capital é só uma: “hacer dinero”, e se os gajos se deram conta que, de maneira legal ou não, podem tirar proveito da nossa débil legislação (ou da aplicação da mesma) penal e do trabalho, não vão nem piscar os olhos antes de o fazerem.
“Tudo bem. Mas um pais tao grande que depende maioritariamente de um unico recurso natural? DEpois do cessar fogo, Angola tornou-se o pais com maior crescimento de PIB de Africa, mais de 50% vem do petroleo. “
Concordo contigo, não sei bem quais são os dados EXACTOS dos maiores produtores do mundo, mas afirmo sem receio de me distanciar muito da realidade, que os países do médio oriente vivem quase EXCLUSIVAMENTE do petróleo (vou averiguar, já estou muito cansado e com muito sono agora), por isso o Dubai está a tentar promover o sector turístico essencialmente, mas também estão com um projecto para um porto (MEGA claro está, tipo o MAIOR DO MUNDO), tentando com incitações económicas (baixas tarifas aduaneiras e outros mambos) tornar-se num dos centros de escoamento principais de mercadorias(olhem por exemplo o Panamá, a sua economia é baseada no CANAL). Seja como for, um país deve tentar diversificar os seus domínios de acção e criação de riqueza. Um dia o petróleo acaba.
“Voltando ao petroleo, temos os petrodolares no BNA. Se notarem bem, isso soh enfraquece mais a nossa economia, ao mesmo tempo que nos dá a sensaçao de que temos cada vez mais economicamente fortes. “
Tentei, mas não percebi esta afirmação. Podes ser mais explícito?
“Acho que nesta altura se podia manter a exploraçao do petroleo ao nivel que esta e desenvolver as outras 17 provincias.Tenho parentes que visitam o interior do país e que dizem que tudo eh do governador da provincia. “
Concordo mais uma vez, acho que temos aí um post que vai até mais longe, chama-se “Descentralizar o país”.
“Os Dubaianos todos felizes com os Angolanos que têm dinheiro no bolso “CAsh” e vão la comprar carros de luxo em segunda mão que duram 6 meses. Mas mesmo assim la voltam para comprar mais um ou dois. “
E a culpa é de quem, dos dubaianos? O problema aí é de mentalidade e de falta de oferta interior para nutrir essa mentalidade de consumo descontrolado de alguns que se endinheiraram com aquela facilidade que todos conhecemos. O dinheiro é novo para nós, e na falta de massa cinzenta, exibimos o que a massa verde nos compra, porque na nossa cultura, poder económico = inteligência, exemplo a louvar e a seguir!
“Ainda aqui eu, no meu modesto ponto de vista, nao comodista mas realista, acredito que o PR devia ficar mais uns aninhos ateh se acalmarem os ânimos. Ha muita gente agita e excitada naquele páis cheio e idéias magníficas mas po-las em prático eh uma passo maior do que parece. “
Mais um sinal da victória esmagadora do Zé Du sobre as mentes pensantes. De tal modo ele ofuscou e relegou ao silêncio mais-valias intelectuais (Marcolino Moco anyone?) que TODA A GENTE acredita que sem ele o navio perde o norte. Ele há de morrer um dia e aí? Ficaremos sem ninguém e choraremos a sua falta, que deixará um “vazio imenso”. Por favor, poupem-me dessa discursata, o Zé Du não decide tudo naquele país e tem muita gente capaz de relegar poderes e fazer igual ou melhor do que ele. Eu sou pela alternância, pelo simples facto que precisamos de RAPIDAMENTE nos dar conta que apartir de agora, cada papagaio ficará no puleiro por um tempo limitado, após o qual o povo avaliará o seu trabalho e o julgará nas urnas. Olhem Cabo-Verde por exemplo, desde as primeiras eleições que votaram imediatamente na oposição, seguindo-se o regresso ao PAICV e posterior veto ao poder reelegendo a oposição. Alternância fortifica a democracia, será que vocês já imaginaram como o país ia desempenar rapidamente com um partido com a dimensão do MPLA na oposição? Eu digo RUA! Tragam o próximo!
“Quanto aos quadros qualificados para este tipo de gestao, de certeza que os temos. Uns estudaram na diáspora e tiverem bolsas da Sonangol e outras entidades governamentais e outros já têm pais “emCASHeados”. O que significam que ambos nao acrteditam na mudança–.
Isto pode ser em grande parte verdade, mas é extremamente redutor. Estranho também o facto de dizeres que os quadros existem, mas sem o Zé Du estamos mal. O Zé é uma espécie de guru? De farol em mar turbulento? Os quadros sem o Zé já não sabem se sabem gerir?
“Mais uma vez digo, vamos deixar o mais velho trabalhar, porque de uma forma ou de outra eu vejo as coisas a acontecerem, vejo desenvolvimento…e vocês, conseguem ver o mesmo que eu?”
Não necessariamente. Não o suficiente para lhes dar mais um mandato, passem à oposição e tornem-se humildes, apresentem um projecto sólido para a próxima que aí talvez a malta converse.
Porra tá tarde
KulpadoKomum
Amigos Kulpadukomum e N´Manga,
Estarei eu a ser antagónico ao concordar com vocês e continuar a defender que assuntos tão sensíveis como economia, reforma na administração pública (precisa-se de uma urgentemente em Angola), e outros assuntos devem ser tratados com a maior seriedade e por quem percebe de facto da matéria?
N’Manga o Plano Marshall não foi esboçado apenas por um arquitecto, teve muita gente e muitos Estados Europeus envolvidos, apesar de ter o nome e estar sob tutela de um General Nobel da Paz.
Não quero circunscrever o espaço apenas a “diagnósticos do que vai mal” mas, falo por mim, o meu conhecimento técnico para muitas questões que aqui são levantadas é reduzido e se queremos um espaço com alguma credibilidade devemos ter a capacidade de não nos armarmos em bons ou corremos o risco de sermos desacreditados. Existem muitos temas que podemos debater sem envolver soluções explícitas.
Sobre a questão das fatias do orçamento que são destinadas aos ministérios, sem consultar o link, baseando-me nos valores que indicaste, não me sinto satisfeito com os 8% destinados a Educação, mesmo comparando Brasil e França. Essa fatia do Brasil deve equivaler, em comparação dos PIB’s, o dobro ou o triplo do valor bruto investido em Angola.
Repara que só São Paulo deve ter mais professores e salas de aulas do que Angola inteira.
Precisamos de mais investimento, de escolas com condições para docentes e para alunos.
Nos anos em que estudei em Angola sempre frequentei escolas públicas e nenhuma delas tinha condições básicas: salas com excesso de alunos, deficit de carteiras, sem janelas e portas, ou seja, havia o espaço mas não havia vidros nem portas nem nada que se pareça.
As casas de banho estavam sempre fechadas para uso dos docentes e funcionários, não tínhamos água, os meus profs. cartavam água, não havia laboratório para experimentar na pratica o que se dava em teoria.
Não tive ginásio, campo de basket ou andebol para educação física e pratica de desporto, fazíamos ao ar livre num terreno atrás da escola que, como fazia fronteira com um musseke, durante o dia era nosso e a noite era WC do musseke. Era aí que nós fazíamos ginástica, Aida hoje me lembro de correr a saltar para não pisar nas “minas”;) mas volta e meio rebentava uma (quando não caia nela).
O cenário hoje é bem pior, a pressão demográfica aumenta todos os dias e na minha cidade e nem mais uma sala de aulas se construiu ou reabilitou. Deve haver mais colégios privados do que escolas públicas em Angola (contando com as faculdades). Se queremos correr atrás do prejuízo temos que investir mais ou ser mais eficazes porque o Estado está desorganizado.
Há mais pessoal no estado do que aqueles que efectivamente existem. Há, na minha cidade, e isto é do conhecimento público e já foi denunciado na rádio da cidade, pessoas responsáveis pelo pagamento de serviços públicos como a Educação, Saúde e Forças Armadas que não dão baixa dos funcionários que morrem ou são despedidos e recebem eles o dinheiro dessas pessoas. Tornaram-se tão poderosas com o dinheiro que recebem e porque são famílias do M, que ninguém os prende ou os demite.
Por isso é que eu defendo uma reforma na Administração Pública (informatizar, descentralizar e emagrecer o Estado)
Na Saúde uso o mesmo discurso anterior. A França e o Brasil têm uma esperança de vida* muito maior que a nossa, a taxa de mortalidade infantil é bem menor que a nossa e têm pelo menos 3 vezes mais médicos e instalações hospitalares que nós em Angola. (São Paulo deve ter mais médicos que Angola inteira) Por isso devíamos investir mais até chegar ao patamar de França e Brasil e só depois baixar.
*(se quisesse fazer bem o trabalho de casa ia pesquisar mas deixo-vos isso como tema que possam trabalhar num próximo post.)
Kulpadokumum,
Estou de acordo com o Diawaba no assunto do PR JES. Angola é um fato feito a medida de JES e se ele por algum motivo sai não há ninguém que caiba no fato. Que Deus lhe dê muita saúde para continuar a frente de Angola até que a democracia esteja implantada e que pelo menos 1/3 da população de Angola esteja “informada” como nós (já tenha aberto os olhos), caso contrário será a desgraça total, o caos e a anarquia e comiam-se uns aos outros pelo poder.
Não te esqueças da união tribal que JES consegue. Unir os povos de Cabinda ao Cunene.
Não te esqueças que para um cargo como este é preciso muito mais do que idoneidade, humildade, competência e honestidade. É preciso ter carisma. As massas (90% de Angola) não se movem pelos valores que eu e tu temos mas sim por carisma, e não há em Angola ninguém com o carisma de JES.
“Os quadros sem o Zé já não sabem se sabem gerir?”
O problema não reside em eles saberem gerir ou não mas sim se o povo o reconhece ou não. A sociedade africana é complexa e muito tradicional. Não esperes que nos próximos 15 anos vejas um Presidente que não negro de cor (porque se sangue somos todos) ou do sexo feminino.
Mal ou bem ele tem levado o país (mais mal do que bem) rumo a estabilidade por isso vamos ter paciência e reflexão.
“Roma e Pavia não se fizeram num só dia!” Há ainda um longo percurso a percorrer até atingirmos a maturidade política e social para essas mudanças que tanto pretendemos. Eu entendo-te mas temos de pensar com a razão e não com o coração.
Abraço amigo.
Minha gente,
A minha pergunta é: será que é mesmo o carisma que mantém o Zé Du no poder por tantos anos? Tenho grandes dúvidas quanto a isso. Há quem diga, como o M.N, que JES tem carisma mas eu não consigo perceber bem onde está essa qualidade já que ele raramente aparece! É um simulacro de presidente, meio invisível. Tenho a leve sensação de que a estratégia de comunicação do Sr. Nosso presidente é a de comunicar o menos possível. Quando era mais pequena lembro-me de ver os discursos dele na TPA, aquando feriados mais importantes da Nação mas não muito mais que isso, principalmente se o compararmos com os restantes presidentes. Para além do conhecido “Jogo das Cadeiras” dos nossos ministros, parece-me que há alguém a jogar às escondidas também. Nesta cimeira EU/UA, JES quase nem apareceu!… Mas tem certamente outros trunfos na manga.
E como é que se mantém então no poder? Sem dúvida que é, como já foi aqui dito, com base numa teia muito bem construída e que é, como disse o N’Manga, difícil de desfazer. Mas mais do que o tal de carisma que se calhar a miopia me impede de ver, existe efectivamente uma política de intimidação, de repressão não assumida. (Há quem diga que o Zé Du “aprendeu” com o Putin, mas eu não vou tão longe nas especulações.) O que eu sinto, posso estar errada, é que as “massas”, na sua totalidade, não é que simpatizem propriamente com o homem. Existe sim muito MEDO. O medo que impede as pessoas (informadas até, que não pertencem às “massas”) de darem a cara em manifestações como a nossa, por exemplo. O medo da guerra ainda recente, ainda fresca na memória de todos e que deixou tantas marcas indeléveis. O medo de retaliações… Etc Etc Etc
JES tem aquele ar de “Pai da Nação” mas não acredito sinceramente que as “massas” (termo que me desagrada um tanto) sintam esse paternalismo todo quando lá em casa as crianças não têm água, pão, luz… As “massas” têm medo. As “massas” no máximo reconhecem alguma segurança na figura de JES mas também não têm termo de comparação! Talvez o que falte seja isso… Mais, muito mais do que o carisma é esse ambiente de medo já para não falar da intensiva propaganda política que dá um valente empurrão.
A questão da insegurança é um ponto importante de analisar porque é um sentimento transversal a todas as classes da sociedade Angolana. Não sei se esse clima de tensão é intencional para criar essa espécie de dependência do Zé Du, como se sem ele tudo pudesse desabar e acabar num caos, como disse o KulpadoKomum. Não sei se é legítima essa instabilidade e se o actual sistema representa, apesar de tudo, algum tipo de coesão que se suporta nesse regime vertical, como disse o M.N e o Diawaba Lokua. Quanto a isso, confesso, não consigo chegar a uma conclusão forte mas é sem dúvida um dilema sensível porque há muita coisa em jogo, muita coisa a ganhar e a perder.
Espero que a discussão aqui me ajude a formular uma opinião quanto a isso…
Kandando!
Kukiela*
Kukiela, acabaste de me fazer evitar enveredar pelo mesmo caminho sinuoso de ontem, em que me lanço num comentario que nunca mais acaba. Obrigado. Depois de ler o comentario do M.N. foi a primeira coisa que me ocorreu, que tinhamos certamente definiçoes muito diferentes de carisma. Para adicionar ao teu raciocinio com o qual compactuo, gostaria de pedir ao amigo M.N. que fizesse um esforço para se lembrar de UM discurso interessante do camarada Zé. Não é querer perseguir o senhor, ele tem mesmo um ar de santinho, mas porra, não tem o minimo dom de comunicação, as suas intervenções cheias de pontuações são insipidas e adormecem um elefante. Nem quando ele quer motivar o pessoal e berra “VIVA ANGOLA” parece ter convicção, como se ele proprio duvidasse do que lhe escrevem naquele papel que lê para todos. Se por “CARISMA” entendes ter a cara dele (de 40 anos) espalhada pelo pais inteiro em outdoors com metros quadrados de contraplacado suficientes para reparar alguns tectos de kubatas, nas tshirts que envergam milhares de cidadãos (não necessariamente por serem adeptos, mas porque lhes foram distribuidas gratuitamente, juntamente com as ja cantadas “maratonas” devidamente regadas de CUCA BGI), o nome em todas as placas e plaquinhas que celebram a inauguração de um tunel, ponte, ou mesmo de uma desconhecida pedra que alguém ousou chamar “monumento” (Baia de Luanda), então esta bem, ele é DE FACTO bastante carismatico.
Prefiro acreditar que se não conhecemos alternativa, foi porque ele soube que cordelinhos puxar para que ninguém brilhasse NUNCA mais que ele, definiu as regras do jogo e mesmo os mais perspicazes jogadores se submetem a elas, para não meterem em risco a quota parte de poder que lhes é atribuida, sem recalcitar e levantando a mão quando assim lhes é dito para fazerem, nomeadamente na ocasião de um dos congressos extraordinarios do M, em que se votou por unanimidade que o candidato as presidenciais deveria ser DE NOVO ele, mesmo depois de o homem ter atirado a toalha ao chão e dito “no quiero mas”! MEDO. De represalias por uma parte e de INCERTEZAS pelo outro, incerteza do que implicaria para a estabilidade politica/financeira DE CADA UM DELES, cheios de rabos-de-palha à mostra esperando que se acenda o primeiro fosforo. Ao menos com o Zé, eles ja sabem o pior que lhes pode acontecer e acomodam-se nas suas cadeiras!
Eles andem ai, so que não se exibem muito, por razoes diversas, sendo a principal a mais que questionavel liberdade de expressão no nosso pais. Sabemos bem que as bocas são toleradas a um certo nivel, mas quando elas vêm de gente de vulto (talvez os tais doutores, mais preparados para opinar sobre as soluções plausiveis), as forças metem-se em marcha para que elas sejam relegadas à um canto obscuro onde continuem a falar sozinhas (todos sabemos muito bem que, de uma forma ou de outra, TODA A GENTE tem de estar de boas relações com o partido, ou querem discutir isso também?).
Pronto, fico por aqui, e VOTO alternância ja (sei que vou perder, mas não é por isso que me meterei a jogar na equipa vencedora)!!!!
Abraços
KulpadoKomum
Afinal não fico, não posso deixar de contra-argumentar uma ou outra afirmação do M.N.:
“Não quero circunscrever o espaço apenas a “diagnósticos do que vai mal” mas, falo por mim, o meu conhecimento técnico para muitas questões que aqui são levantadas é reduzido e se queremos um espaço com alguma credibilidade devemos ter a capacidade de não nos armarmos em bons ou corremos o risco de sermos desacreditados.”
“Sobre a questão das fatias do orçamento que são destinadas aos ministérios, sem consultar o link, baseando-me nos valores que indicaste, não me sinto satisfeito com os 8% destinados a Educação, mesmo comparando Brasil e França.”
Não sera isto uma auto-reposta M.N.? DEVEMOS sim arriscar os nossos palpites, mesmo que eles não sejam portadores da plenitude dos conhecimentos teoricos na matéria em questão,que nos levam às vezes, como é este caso, a afirmar coisas sem grande sustentação. 8% do PIB até pode ser pouco, dependendo de como pensas a economia, mas tu pareces-me ser alguém bastante ortodoxo, ou como preferes, REALISTA, então deves querer um crescimento SUSTENTADO e não investir à “maluca” num sector, deixando outros na penuria e como sabes, sofremos de precaridade aguda a todos os niveis e sectores. Se queres por exemplo reformar a função publica e informatizar tudo (o progresso né?), tens de meter bufunfa bem gorda, até pq tens de contar com as variadissimas “gasosas” para os envolvidos e claro, as tabelas de preços absurdas que vigoram no nosso pais. Tens de investir na construcção de artérias que facilitem a mobilidade “de pessoas e bens” e que incentivem a deslocação (penso nas estradas, pontes, no caminho-de-ferro), tens de reconstruir outras cidades para que possas gerar emprego e assim cativar alguns milhares a voltarem as suas queridas terras e aligeirar a densidade populacional na tua. Mano, estou de acordo contigo, 8% é pouco, mas eu defendo outras ideias, que ao contrario das tuas, sao irrealistas. Tenta analisar REALISTICAMENTE o que sacrificarias nos outros sectores benificiarios desse PIB.
“Na Saúde uso o mesmo discurso anterior. A França e o Brasil têm uma esperança de vida* muito maior que a nossa, a taxa de mortalidade infantil é bem menor que a nossa e têm pelo menos 3 vezes mais médicos e instalações hospitalares que nós em Angola. (São Paulo deve ter mais médicos que Angola inteira) Por isso devíamos investir mais até chegar ao patamar de França e Brasil e só depois baixar.”
De novo, um discurso pouco feliz. Como queres comparar São Paulo com Angola? E um estado federal com 645 municipios e 41 MILHOES DE HABITANTES. Claro que tem mais médicos que Angola, se não tivesse ja tinha rebentado la uma guerra. A unica maneira de comparar paises tão heterogeneos e atraves de percentagens e por isso reitero que os 8% para alguém realista deviam ser mais que satisfatorios. Para além do mais, esqueces-te que antes de te tentares comparar aos outros, deves antes analisar a mudança de atitude e as tendências para o futuro a nivel interno. A educação levou 5% do PIB em 2002, 6.24% em 2003, 10.5 em 2004, 7% em 2005, 4% em 2006 e os ja sabidos 8% em 2007. Logico que todas essas percentagens correspondem a diferentes VALORES $$$, pois o PIB tem engordado nos ultimos anos.
La vou eu dormir tarde de novo, mas é por uma boa causa, tem me dado muito prazer esta partilha de ideias, tenho aprendido bwé convosco e sempre aproveito para ir “tratando” as minhas ilusões e utopias, quem sabe não acabarei um membro exemplar da sociedade com o seu 8/18 regular, sendo remunerado ao preço da praça.
Boas noites a todos e até amanhã, mesma hora e mesmo local ehehe
KulpadoKomum
Amigos,
” Angola é um fato feito a medida de JES e se ele por algum motivo sai não há ninguém que caiba no fato.”
Eu não concordo. Reconheço no JES uma inteligência política atípica. Essa inteligência permitiu-lhe isolar-se no plano político em Angola. Todos aqueles que realmente lhe podiam fazer frente, eram “carinhosamente” afastados (enviados como embaixadores de Angola em certos países, por exemplo). Rodeou-se de pessoas menos capazes do que ele e menos carismáticas (concordo que o JES tem carisma. Kulpadokumum, Carisma não é eloquência, os discursos dele podem adormecer, mas não deixa de ser uma pessoa carismática). Assim sendo, quando olhamos para o quadro político de hoje somos obrigados a dizer: “não há ninguém que o substitua”. Acho grave dizeres que “Angola é um fato feito à medida do JES” - Ele adaptou Angola à ele, e não Angola que “foi feita” para ele. Percebo que haja algum receio, porque a mudança é sempre temida, e também porque reconheço nele um certo nível. Sim, acho que é uma pessoa com nível (o que falta a muita gente em Angola) e sensível à muitas coisas (foi ele que aboliu a pena de morte em Angola, por exemplo). Contudo, fazendo os prós e os contras, acho que mesmo assim está ainda muito aquém daquilo que Angola precisa para se desenvolver como deve ser. E concordo, como disse o Kulpadokumum, com a rotatividade. Quando se sabe que temos um tempo limitado, a nossa postura muda, assim como a dos outros que olham p’ra nós.
Quanto à opinião dos peritos: obviamente que eu (que não percebo muito de economia), não vou começar aqui a dar palpites de como é que a Coca-Cola deve investir as suas acções na bolsa. Contudo, posso dizer: “Talvez se vocês (Coca-Cola) começarem a dar um brinde a cada criança que vos compre uma gasosa, vocês ganhem mais, porque o brinde é baratíssimo de fabricar, e as crianças iam “obrigar” os pais a comprarem só para receberem o brinde.” (isso é só um exemplo). Não sou economista, nem gestor, nem trabalho no marketing, mas a minha experiência empírica, fez-me ter uma ideia de como essa empresa pode aumentar os seus lucros. Dou este exemplo simples para perceberes aonde quero chegar. Podemos ter ideias de como as coisas podem funcionar, sem necessariamente saber como pôr essa ideia (detalhe por detalhe) em prática: deixamos isso para os peritos. Baza ter ideias, baza exprimi-las.
Um abraço,
N’Manga
Kukiela,
JES está no poder e no panorama das elites politicas a mais anos que Putin, o mais certo é ser o inverso da tua frase. “(Há quem diga que o Zé Du “aprendeu” com o Putin, mas eu não vou tão longe nas especulações.)”
Podes não gostar da palavra “massas” mas é assim que se qualifica a classe. (Vide: Pareto e a teoria das elites). Não é depreciativo, é sinónimo de povo. (deves gostar mais desta palavra) Povo é muito mais abrangente, povo inclui o “proletariado” e esse julgo estar mais contra do que a favor de JES e da sua cúpula. (Digo eu)
N’Manga, Kukiela e KulpadoKumum
Compreendo a vossa posição e visão sobre JES, as vossas criticas são também as minhas mas é preciso entender África, Angola e sua organização política. O facto de eu defender a sua continuação, neste período da sociedade angolana pós Guerra Civil, não significa que eu seja conivente e concorde com o actual quadro, apenas penso que não é o momento dele sair de cena, na minha óptica seria prematuro e desastroso. Como comparação: Imaginem que Angola é um animal selvagem que vive em cativeiro e que de repente é posto em liberdade na selva, sem ter desenvolvido aptidões de caça e de sobrevivência. O resultado seria catastrófico!
Nós (comentadores deste Blog) somos muito ocidentalizados, temos valores que África, no caso Angola, ainda não atingiu e não sei se algum dia atingirá porque todos os continentes e todos os povos têm a sua estrutura (sobas, feiticeiros, etc…) A forma do estado a que nós estamos habituados na Europa não pode ser aplicada a força em Angola, ainda não atingimos esse estádio. Não é tão simples como fazer “copy/paste”, é preciso adaptar à mentalidade de África.
Vocês estão a ver o aparelho do Estado ou o Futungo (com os actuais intervenientes) a obedecer um presidente que não JES? Conseguem imaginar o Kopelipa ou outro General, ou Chefe de polícia, ou Ministro, ou Governador, a seguir ordens do Samakuva ou de Vicente Pinto de Andrade? Acham que as condições estão hoje criadas para mudar o inquilino da cidade alta?
Já falei aqui da tripartição do poder e nenhum de vós parece que se interessou pelo assunto. Em Angola é o PR JES que nomeia os Juízes, os ministros, os Generais, os Chefes e Comandantes de polícia, os Governadores e etc etc… ou, seja não há separação de poderes (poder executivo, legislativo e judicial) quando os juízes forem eleitos pelos partidos com assento na Assembleia, quando os governadores forem eleitos pelo povo, quando os ministros forem eleitos pelo povo e quando os deputados tiverem autonomia aí sim podem mudar o timoneiro. Antes disso vamos andar a deriva…
KulpadoKumum e Kukiela ,
N´Manga percebeu o que quis dizer com “carisma”.
KulpadoKumum,
Disse-te que não tinha feito os trabalhos de casa! Confundi-me e onde disse São Paulo devia dizer Rio de Janeiro. Desculpa-me a infelicidade.
“Na Saúde uso o mesmo discurso anterior. A França e o Brasil têm uma esperança de vida* muito maior que a nossa, a taxa de mortalidade infantil é bem menor que a nossa e têm pelo menos 3 vezes mais médicos e instalações hospitalares que nós em Angola. (RIO DE JANEIRO deve ter mais médicos que Angola inteira) Por isso devíamos investir mais até chegar ao patamar de França e Brasil e só depois baixar.”
Acho que, se os recursos minerais e as receitas dos impostos forem usados eficazmente e se controlarmos os gastos com o Estado (as deslocações dos executivos, bolsas de estudo a descrição para os amigos do Menos, Pão, Luz e Agua(MPLA), juntas médicas a descrição para os amigos do M, carros e manutenção a pala do governo, empresas publicas como a TAAG onde se enterram milhões e milhões de dólares sem uma boa gestão, as ofertas monetárias valiosas que a elite governamental recebe no fim do ano tipo cabaz e outros gastos), se utilizarmos o Orçamento de Estado de forma eficiente e eficaz (Sem desvios do erário público) conseguimos construir pouco a pouco o país, aumentar as fatias que são destinadas a Saúde e a Educação sem que isso dificulte o desenvolvimento de outros sectores do Estado.
O maior cancro de Angola é a corrupção e os desfalcamentos. Se consultarem a o link http://www.globalwitness.org/media_library_detail.php/247/pt/novo_relatorio_expoe_a_apropriacao_ililita_de_bilh poderão constatar que em em 2000 há um rombo nos cofres do Estado no valor de 1.4 Biliões de dólares (1/3 do valor de receitas do Estado nesse ano). E se explorarem esse site da Global Witness encontrarão informações como:
(…) No ano passado, a Global Witness apresentou evidências sobre o desvio ostensivo de vastos montantes das receitas petrolíferas de Angola, depositadas numa conta da Abalone, num banco de Genebra, para comprar a dívida em questão. De um total de $774 milhões pagos a essa conta, entre 1997-2000, apenas $161 milhões foram parar a uma conta do Ministério das Finanças da Rússia. Perto de $600 milhões foram transferidos para contas pertencentes a Falcone e Gaydamak e uma série de companhias obscuras. Milhões de dólares terminaram nas contas de vários governantes angolanos, incluindo o Presidente Dos Santos. (4)(…)
E muitas outras…
KulpadoKumum
“(…)Não sera isto uma auto-reposta M.N.? DEVEMOS sim arriscar os nossos palpites,(…)”
Dizes bem… PALPITES!!!
Eu nunca disse que não podíamos tecer comentários e palpites ao nosso bel-prazer.
N’Manga,
“(…)Quanto à opinião dos peritos: obviamente que eu (que não percebo muito de economia), não vou começar aqui a dar palpites de como é que a Coca-Cola deve investir as suas acções na bolsa. Contudo, posso dizer: “Talvez se vocês (Coca-Cola) começarem a dar um brinde a cada criança que vos compre uma gasosa, vocês ganhem mais, porque o brinde é baratíssimo de fabricar, e as crianças iam “obrigar” os pais a comprarem só para receberem o brinde.” (isso é só um exemplo). Não sou economista, nem gestor, nem trabalho no marketing, mas a minha experiência empírica, fez-me ter uma ideia de como essa empresa pode aumentar os seus lucros. (…)”
Não confundas técnicas de marketing comercial com Macroeconomia. Uma coisa é o comércio (Microeconomia) e outra é a economia de um país (Macroeconimia). São matérias bem diferentes e com distintas.
Indica-me medidas aplicar em caso de Inflação, Deflação, Desinflação, Estagflação, na economia de um país.
Diz-me uma medida a aplicar para equilibrar Balança comercial de um país ou para valorizar a moeda.
Há um leque bem grande de perguntas que te podia colocar, que estão a dificultar a nossa economia Angolana e com certeza, tal como eu, não saberás certamente responder.
Palpites todos damos… julguei que quando disseste “A ideia já não é fazer crónicas do que está mal, mas ir mais longe do que isso: apresentar soluções, ou propor maneiras de contrariar essa tendência.”, não te estavas a referir a “palpites” mas efectivamente quais as medidas que se devem adoptar para solucionar determinado problema.
Agora que entendi o que querias dizer yaaahh tasse bem… concordo que devemos “apresentar soluções, ou propor maneiras de contrariar essa tendência”=(dar palpites)
Abraço
M.N
M.N.,
Devo dizer antes de mais nada que achei o teu comentário muito interessante. Penso que percebes de economia bem mais do que eu. E é exactamente por esse motivo que provavelmente, não apresentarei soluções económicas para o problema de Angola tão cedo. Mais facilmente, apresentarei propostas políticas e sociais(não sou nenhum especialista também, mas sinto-me mais à vontade nesses domínios). Mas talvez tu, que leste alguns livros de economia e que acompanhas, possas apresentar a tua proposta que mesmo com falhas (afinal de contas, não és nenhum perito), pode ter uma boa base e ser um bom ponto de partida. Percebes? É também preciso ver que a noção de perito exclui muita gente. Ser perito implica um domínio perfeito numa matéria (uma pessoa com curso de economia, pode entender bastante de economia e mesmo assim não é um perito).
“O busílis da questão pertinente que tu colocas é que nenhum de nós tem o “know how” para receitar as enfermidades que assolam o nosso país. Economia, Politica social, administração Pública e outros que já aqui mencionei, são questões que têm de ser levadas muito a sério e ser tratadas por quem de facto conhece.”
Ao reler o teu post, apercebo-me que talvez tenhas sido mal interpretado: talvez ao dizeres “por quem de facto conhece” quisesses dizer “por quem tenha um conhecimento que não precisa de ser o de um perito, mas que saiba do fala”.
E já agora, uma maneira de equilibrar a balança comercial de Angola, é deixarem de tirar massa do Estado para enfiar no bolso.Com isso sobrará muito mais dinheiro nos cofres do Estado para pensar em maneiras de começar a investir em produzir muito mais(matéria prima não falta).
Um abraço,
N’Manga
M.N. está bem patente nos teus comentários que percebes muito mais de economia do que a tua modéstia quer fazer crer. Não te subestimes. De certeza que a tua perspicácia ímpar já te deixou distinguir claramente a filosofia económica na qual se apoia o capitalismo/liberalismo, trata-se, claro está do pensamento néo-clássico que culpa a intervenção estatal por todos os problemas e mais alguns e que acha que se deve deixar toda a regularização económica à boa vontade dos mercados que funcionam à base da especulção (“educated guesses”). Dizem ser a maneira mais justa de determinar os preços, pois reflectem as ansiedades e necessidades dos indivíduos na sociedade.
Na verdade, é diabolicamente simples: os preços fixam-se pela lei da oferta e da procura, ponto final, a economia está explicada! Logicamente e felizmente, a realidade ainda não é tão linear, o Estado ainda intervém num certo número de matérias que não permitem que esse justo preço/ justo equilíbrio seja sempre verificado (ver subvenções e salários mínimos). É nas bolsas de valores que se determina o preço de tudo, além do valor das acções desta ou daquela sociedade anónima, os preços das matérias primas, como o petróleo e as taxas de câmbio das diferentes moedas. Tudo isso regulado por quanto se compra e quanto se vende. As razões de se querer comprar ou vender podem ser mais complexas, mas ao serem analisadas singularmente, são bastante lógicas.
Ora bem, assim sendo, e posto que Angola embarcou nessa aventura liberal, todas as nossas jogadas para mudar seja o que for a nível interno, farão parte de um tabuleiro global. Como já tentei explicar noutro comentário, aumentar a produção petrolífera pode trazer benefícios à curto termo, mas os mercados ajustam-se e a procura não vai aumentar porque Angola produz mais, o excesso de petróleo fará então com que o seu preço baixe. Simples né? Então aumentar a produção de petróleo não é uma alternativa nem viável, nem desejável no longo termo. O que temos de fazer é (se quisermos continuar a andar à toque de caixa dos modelos que insistimos em copiar) aplicar o dinheiro que vem do sector petrolífero no desenvolvimento de outros sectores que poderão vir a ser lucrativos, reduzindo a dependência do bruto e dando um passo no equilíbrio da balança comercial (para os leigos, BALANÇA COMERCIAL = Exportações – Importações, ela é logicamente negativa quando se importa mais do que se exporta, mas, a meu ver, dá-se um bocado de crédito a mais a este indicador.). Parece lógico que um país que só produz um bem, tenha de importar todos os outros que necessita para consumir, a ti não? Existem também as vantagens comparativas que são um dos efeitos perversos da globalização e fruto da heterogeneização (não há nada de “global” entre dois países) dos vários países do mundo que jogam o jogo. Exemplo que nos interessa:
Produção milho por Tonelada (valores hipotéticos para ilustrar a lógica)
Angola: 100 usd
Liberia: 30 usd
Tu, com contas a fazer à vida, vais preferir produzir localmente ou mandar vir o da Libéria (supondo que o milho é o MESMO)? Logicamente que se produzissemos internamente, diminuiríamos a dependência de importações, mas a um custo por vezes proíbitivo para o homem REALISTA que quer desenvolver vários sectores no país e deve portanto repartir o dinheiro em fracções substanciais para o fazer. Eu, acho que isso é pensar curto e que promovendo a agricultura e a pecuária nacionais, poderiamos no médio termo reduzir largamente os custos de produção local, beneficiando produtores e consumidores e reduzindo mais um pouco o desiquilíbrio comercial. Não se iludam, para deixarmos de ter uma balança deficitária precisamos de passar a produzir aquilo que consumimos mais e reduzir a nossa dependência dos bens que não produzimos. Acho que a tendência se inclina mais para o outro lado.
Ainda nessa lógica liberal, inflação é fruto de um desiquilíbrio entre a procura de bens de consumo e a oferta destes. Resultado, os bens raros irão para aqueles que estão dispostos a pagar mais por eles, e por isso… inflação! Como controlá-la? Temos de fazer de maneira que a oferta e a procura não tenham uma clivagem importante e isso faz-se tornando o dinheiro “mais caro” o que desencorajará alguns dos potenciais consumidores que preferem abdicar do consumo dos bens em questão (redução da procura). Como se faz o dinheiro caro? Tornando-o raro e/ou de difícil acesso, por intermédio de taxas de juro. Acho que o rapaz Morais tem feito um trabalho remarcável nesse domínio. A inflação ainda está elevada (10%), mas nada a ver com o pandemónio que era há não muito tempo atrás.
Caro M.N., tudo se resume no fim em analisar os benifícios/prejuízos do sistema que se escolhe adoptar e, jogar o jogo, as regras já foram escritas há muito tempo e nós não temos peso suficiente para alterá-las. Cada país tem a sua realidade que faz com que a lógica seja mais ou menos distorcida, avantajosa para uns e prejudicial para outros, mas essas realidades são fruto de inúmeras variáveis que dependem TODAS dos comportamentos inerentes aos seres humanos e por isso, nenhum sistema poderá algum dia ser perfeito. Para continuarmos esta discussão temos antes de saber se o que propomos é baseado no modelo actual ou se podemos conceber outro, baseado no pouco que sabemos e no muito que sonhamos. Se é realista ou não, não é o mais importante, acho que a discussão nos faria aproximar mais da perfeição das propostas (palpites se preferires) avançadas.
Akele abraço mangolê
KulpadoKomum