Sunday, November 11, 2007

Vitória: Audiência com a consulesa

Aspirantes Votantes,

 É de conhecimento comum que temos estado a organizar uma manifestação que já goza de data marcada e alguns ecos na comunidade Angolana em Portugal. Tenho em crer, que temos feito sempre as coisas de forma responsável e lúcida, ou seja, mantendo sempre a porta do diálogo aberta. Portanto mantivémos a actividade da manifestação como prioridade, e paralelamente, investidas, a partir de cartas, para o consulado com o objectivo de vermos esclarecidas as nossas reticências.

Permitam-me contextualizar: Passeando os olhos pelos artigos da comunicação social Angolana, encontra-se sobre o voto da diáspora sempre a mesma redundância justificativa, dificuldades técnicas, adversidades financeiras e problemas de fiscalização. Há 6 meses que comemos com náuseas estas palavras vagas, redundantes e pouco esclarecedoras. Sempre a mesma lenga lenga. O que é que são dificuldades técnicas? papel, computadores, um par de máquinas fotográficas, um par de impressoras e um receptáculo onde as pessoas possam colocar o seu talão de voto? é preciso formação de pessoas o que é que são adversidades financeiras? quando São Tomé por exemplo, país paupérrimo consegue fazer com que a sua diáspora vote. o que é fiscalização? gente que contabilize os votos? Assim de repente não me parecem grandes dificuldades, daí o esforço de termos mandado cartas ao consulado para ver se de lá conseguiríamos esmiuçar respostas mais concretas.

Em pormenor, no final de junho, exaustos de artigos e declarações que se resumiam a “técnico” “financeiro” e “fiscalização” mandámos a primeira carta à consulesa, que hoje temos conhecimento nunca ter chegado às suas mãos. E a segunda, esta segunda feira, 5 de Novembro. E quando menos esperávamos os nossos telefones, na Terça-feira do dia seguinte(6 nov.), tocavam, para atender às nossas preces, com convites para uma audiência que se realizou hoje com a consulesa. Ainda embasbacados com a celeridade do nosso pedido, compilámos o discurso que há muito corre nos anúncios deste blog, juntamente com as noticias que nos têm colocado às escuras ao invés de nos iluminar e fomos, 2 representantes da cúpula que se tem reunido com afinco nos últimos tempos, ter com a consulesa, hoje de manhã, pelas 10h.

Enquanto virgens nestas andaças de audiências políticas, não sabíamos o que esperar, e ao chegar o que encontrámos foi uma consulesa articulada, simpática, informal sem deixar de ser formal e rapidamente notámos que estávamos perante uma pessoa competente e muito experiente (chegou a dizer-nos comicamente, que tem filhos mais velhos que nós). A consulesa, importa partilhar, está no cargo há menos de um ano, e fez questão de nos falar sobre algumas das suas batalhas, adversidades e estratégias. O nosso papel foi o de ouvir e de marcar a nossa posição de insatisfação. Começámos por agradecer a disponibilidade e a rapidez que nos proporcionou acesso a ela, esclarecemos quem nós éramos e o que fazíamos, assim como dar a conhecer que éramos parte de um grupo de jovens estudantes apartidário, que a nossa causa não se tratava de dissidência ou infantilismo, mas da defesa de um direito fundamental constitucional que nos está a ser negado. Começámos por mostrar a nossa agonia em não poder participar no voto e de seguida as nossas perguntas, construídas sobre frases dos artigos que temos recolhido. Falou-se durante cerca de 50 minutos e os argumentos da Cônsul foram em primeiro lugar, que ela não faz parte de CNE(Comissão Nacional Eleitoral) e como tal, não está totalmente esclarecida sobre o que são concretamente essas dificuldades técnicas, financeiras e de fiscalização, no entanto indiciou o que poderia ser: Falou da gigantesca tarefa que está a ser fazer com que toda Angola possa votar, o problemas das minas, e acessos aos locais de todos os cidadãos Angolanos, da numerosa população Angolana disseminada no mundo, disse-nos que até no Cambodja há Angolanos, enfatizou o inédito e frágil contexto de transição entre a guerra e paz, e agora novamente o inédito marco que se avizinha para uma democracia efectiva, salientou o nosso passado triste de guerra civil, a reconstrução e o passivo pesado que Angola tem sobre os ombros. Resumidamente tocou em pontos vitais, na sua maioria conhecidos por nós, mas que ainda assim, achámos não ser suficientes, e não suficientemente espalhados pela comunidade Angolana, . A maioria de nós ainda se encontra ignorante sobre os meandros que nos impossibilita de votar, Nós que estamos envolvidos nesta iniciativa de manifestação ainda não entendemos com clareza essas razões. E ao termos reiterado isso à consulesa, ela saudou a iniciativa, e prometeu-nos aquilo que penso ser a nossa segunda vitória, sendo a primeira a audiência em si, que recai na garantia de endossar uma carta da nossa parte à CNE(Comissão Nacional Eleitoral), com todas as nossas questões e reticências e a respectiva resposta. Olé!

Em última análise, a consulesa garantiu-nos que a esta altura é impossivel haver qualquer tipo de retrocesso na decisão concludente da CNE, instalando-se dessa forma a legitimidade e a inevitabilidade da nossa manifestação. Sentimos que estamos a lançar sementes de consciência, de que os Angolanos não querem mais dormir em febres de sono, querem participar e ajudar no crescimento do país. Sentimos que o inicio da democracia tem de contar com o contributo de todos os angolanos. Assim sem desmerecer o esforço do estado, exigimos mais.

Volto a reiterar que a consulesa está há menos de 1 ano no cargo. Nesse contexto falou-nos de 2 iniciativas muito interessantes que gostaria de colocar aqui. A primeira é que, brevemente o consulado de Angola vai ter uma linha de reclamações e sugestões disponível para todos, sem que para tal seja necessário deixar nome ou morada. E segundo que a consulesa escolheu como quinta-feira o dia para receber os cidadãos Angolanos de todas as quadrantes. Portanto quem achar que tem algo pertinente a tratar e que mereça a presença da consulesa, pode fazê-lo desde já.

Tivemos o cuidado, no decorrer da entrevista com a consulesa, de dizer que a nossa manifestação vai ser sem violência, sem irresponsabilidade e sem imaturidade. Vamos em prole de um direito que nos assiste, sem fechar a porta ao diálogo e a comunicação.

Salvamarte

Posted by (R)EvolucaoEmAngola at 21:16:58
Comments

One Response to “Vitória: Audiência com a consulesa”

  1. Anonymous says:

    O meu nome é Jaqueline Ferreira, sou estudante de jornalismo na Universidade Lusófona e gostaria de o contactar para uma entrevista sobre o tema deste post.O meu email é jack_d.melo@hotmail.com. Aguardo a sua resposta. Obrigado.

Leave a Reply