Quarta-feira, Novembro 28, 2007

As guerras e as desculpas esfarrapadas que as justificam


A globalização triunfou. É um facto incontestável que só os irredutíveis optimistas podem continuar a tentar ignorar. O tomate que comemos fora de época e que chega a um preço igual ou inferior àquele que se produz localmente, fez um longo trajecto até ao nosso prato e esconde muitas tragédias pessoais de indivíduos que continuam a ser submetidos à uma escravidão moderna, para que nós possamos consumir a preço baixo. No Brasil, a Amazónia está a ser devastada para se substituirem os hectares de «pulmão do mundo», por campos de monocultura de soja, principalmente para a exportação. São inúmeros os países africanos cuja economia depende essencialmente de matérias-primas que exportam para os países desenvolvidos, que por sua vez as transformam e as remetem para nós em forma de produto consumível. Angola é um desses países claro está e, Angola tem a (des)vantagem de ser muito rica na matéria prima mais importante do mundo moderno. Isso confere-lhe um certo poder, embora limitado, pois caso assuma uma postura de defesa nacional que seja incompatível com os interesses nacionais de algum dos seus clientes, o leite pode azedar e os donos do mundo podem decidir que somos o próximo país a liberar das amarras da ditadura.

É costumeiro os governos que decidem unilateralmente atacar um país, refugiarem-se em argumentos morais para arrecadarem o apoio das massas cujo núcleo duro é constituído por pessoas de reduzido percurso académico, limitado nível de cultura geral e uma capacidade enorme para serem moralistas sem moral, tal qual o religioso devoto que desanca nos filhos e na mulher. Isto é assim em todo o lado, as massas têm de ser massas, para serem previsíveis e fáceis de manipular.

É muito mais simples ter-se aprovação popular se formos atacar um regime ditador e corrupto, onde se matam pessoas à gás e onde se deixa deliberadamente morrer à fome certas etnias, sobretudo se o país em questão não faz por dissimular o ódio irascível que nutre pelo nosso e tem em sua posse armas que nos podem destruir a todos.

Já se sente o pulsar da tensão belicosa que se vive e se cogita nos bastidores, eles vão nos dando pistas, utilizando os veículos de difusão de informação convencionais, que, adivinhe-se, são digeridos pelas massas como pílulas da verdade. Fala-se em atacar o Irão, "uma ditadura intolerável, liderada por um presidente incorrigível, que tem por apanágio avançar propostas chocantes contra o menino prodígio, o Estado protegido de Israel e que, além do mais, tem vindo a empobrecer urânio, preparando-se para, dizem, ser mais um país com a arma nuclear. Não se pode permitir isso, alguém tem de lhes mostrar os limites da soberania nacional, implícitos no organigrama da hierarquia mundial". Afinal, o polícia pode andar armado, mas esse é um privilégio que não pode ser cedido a um saloio maluco qualquer, que possa meter em risco a estabilidade e a segurança do mundo "livre".

Vamos lá analisar a questão com um pouco mais de recuo e perguntar-nos porque raios de carga d'água se escolhem países como o Iraque e o Irão de tantas outras ditaduras que existem por aí, para se liberar o povo?

O Sadaam já foi enforcado e já deve andar lá para cima com direito a algumas virgens. Menos de 7, já que não teve o bom senso de se mandar aos ares levando consigo alguns "infiéis", mas, ao invés disso, o péssimo gosto de se deixar apanhar num buraco, sendo depois devidamente enxovalhado num segmento televisivo que girou o mundo.

O que é que aqueles gajos ainda andam lá a fazer? Não há outros conflitos por resolver? Então e o Sudão? Há quanto tempo o mundo "civilizado" assiste impávido ao genocídio no Darfur incapaz de ir em seu socorro? As ditaduras do Myanmar, da Coreia do Norte, da Líbia, Cuba, Zimbabwe, não tomam medidas? Uns embargos aqui, uns boicotes ali e uns vociferanços de tempos em tempos para lhes lembrar quem manda?

Os autoproclamados justiceiros do mundo parecem ter alguns critérios discriminatórios sobre quem merece a graça da salvação e quem pode morrer esperando.

Onde ficam a Arábia Saudita e a Rússia no meio disso tudo?

O primeiro, baseia a sua constituição no alcorão e vive sob a lei da Sha'ria, sendo o país com a mais elevada taxa de penas de morte, normalmente por decapitação (ou tiro na cabeça para as mulheres, para que elas não tenham de passar pelo vexame de ter de descobrir a cabeça e as costas*) e o segundo tendo recentemente besuntado a cozinha de sangue para fazer cabidela: condenação baseada em provas muito para lá de duvidosas de Mikhail Khodorkovski, envenenamento mortal de Alexander Litvinenko, assassinato de Anna Politkovskaya, retaliações à revoluções coloridas nos ex-satélites soviéticos, a brutal repressão na Tchetchénia, podíamos passar aqui um dia inteiro a enumerar os atropelos gravíssimos à lei internacional cometidas pelo governo do senhor Putin só nos últimos seis meses e que ele nem esboçou interesse em disfarçar, mas, vamos antes concentrar-nos nos VERDADEIROS terroristas, aqueles que são piores que todos os outros, aqueles que têm de ser erradicados e afastados do poder antes que o mal prevaleça sobre o bem.

Para aqueles que não foram na cantiga do ataque ao Afeganistão se dever ao mandato de captura de Bin Laden, ficou claro desde o princípio que a guerra no médio oriente era uma tomada de posição no xadrez geopolítico, a necessidade de os Estados Unidos conservarem a sua hegemonia controlando a matéria prima que é o baldrame da sociedade moderna, sem a qual, todo o nosso modelo social e económico se desmorona. Também se sabe que o maior consumidor dessa matéria prima são os Estados Unidos (5% da população mundial consumindo 25% da produção total) e que para manter os americanos calmos nos seus SUV, não se podem dar ao luxo perder o controlo sobre os preços. Pois, esses recursos são finitos e o maior produtor do mundo, a Arábia Saudita (uma luz?), já não tem o poder que tinha em '79 quando se propôs a compensar a quebra de produção iraniana, aumentando a sua, período esse que marca o fim do diktat da OPEP na determinação dos preços, tendo esta sido transferida para a bolsa de valores (um mercado à parte) onde os preços se estabelecem por especulação. Nessa altura, a procura era mais ou menos constante porque os países desenvolvidos não sofriam mudanças abruptas na necessidade de consumo e não havia muitos países em franco crescimento.

Hoje, a história é outra, o preço do barril vai continuar a subir enquanto os dois países mais povoados do mundo continuarem a ter as taxas de crescimento que se têm verificado nos últimos anos, a China e a Índia são países com muita "sede" de petróleo e tem sido sobretudo devido ao «boom» económico da China que a procura tem vindo a indicar uma tendência crescente, a oferta mostrando-se incapaz de lhe seguir o ritmo, ou por falta de capacidade, ou por falta de vontade dos países produtores, a maior parte dos quais realizam o essencial da sua riqueza nacional exportando o bruto e, receando certamente a escassez que se anuncia, vão racionando a sua exploração.

Consequência? Os Estados Unidos, maior consumidor, logo país sobre o qual as repercussões são mais importantes economicamente (não falo em termos de sofrimento físico), precisa de controlar uns quantos poços de petróleo e não pode condescender com pessoas pouco amistosas à frente dos governos dos países produtores.

Aí reside a razão lógica da invasão ao Iraque e das ameaças que se começam a sussurrar em direcçao ao Irão. Mas o que fizeram eles para que os Estados Unidos se sentissem tão ameaçados?

Em 2002, face a queda livre do valor do dolar, o Iraque propôs à OPEP que se passasse a cotar o barril em euros, que tinha mais valor e que lhes traria mais benefícios, tendo eles próprios dado o pontapé de partida. Foi aí que os Estados Unidos tiveram um calafrio e resolveram agir rapidamente, ao risco de verem o custo/barril ser multiplicado, o que representaria um autêntico descalabro para a economia americana. A solução? Tirar essa ideia absurda da cabeça do ditador, de preferência tirar-lhe mesmo a cabeça para que servisse de exemplo aos outros vizinhos atrevidos.

Pois bem, o Irão acabou de apresentar há coisa de alguns dias a MESMA proposta à OPEP. Creio que o Ahmadinejad está a preparar-se para um puro "western" com direito a bang-bang e pipocas para a assistência e Angola, como membro integrante da OPEP e visada pelo custo de oportunidade de continuar a vender o seu petróleo em dólares, tem uma palavrinha a dizer sobre o assunto, só ainda não sei qual é. Vou desenvolver um coxe mais com uma segunda parte, esta já vai longuíssima. Abram os olhos, cuidado com os caminhos obscuros!


KulpadoKomum
Escrito por (R)EvolucaoEmAngola em 01:03:50 | Link permanente | Comments (44) |

Quinta-feira, Novembro 22, 2007

Pós-Manifestação

É com orgulho que anuncio aqui o sucesso da manifestação do 19 de Novembro de 2007. "Sucesso? Com 20 pessoas?" Sim. Sucesso porque foram 20 pessoas debaixo de chuva, 20 pessoas entre 100 000 que não tiveram medo, que não se resignaram, que não se deixaram levar por esses facilitismos de resmungar entre 4 paredes e de se silenciar na rua. 20 angolanos que foram à rua gritar bem alto: "Democracia sem voto não tem sentido", "Angola é de todos nós", "Viva Angola".
Poderíamos ser mais? Sem dúvida. O que não significa que a comunidade angolana não partilhe a nossa revolta. É pura e simplesmente que a mesma não está pronta para  se manifestar. Durante a manifestação tivemos uma amostra disso: as pessoas que iam saindo do consulado levantavam as mãos, batiam palmas e abanavam afirmativamente a cabeça, ilustrando aprovação. No entanto, o apoio parava aí, num casual "fixe", e num acenar de cabeça. Muitos foram os angolanos com quem debatemos que acreditavam ser uma causa justa, e que se sentiam tal como nós indignados por não poderem participar nas próximas eleições do nosso país. Contudo, o passo seguinte não se sentem dispostos a dar. Este passo chama-se mobilização e é na minha opinião, o passo mais importante para qualquer povo que se diz democrático e independente. Muitos alegavam terem bolsas e terem medo de as perder, outros simplesmente diziam "concordo, mas manifestar é grave". Enfim, as desculpas não faltavam para tentar justificar o evidente: o medo. Medo de dar a cara, medo de tomar uma posição, medo de represálias. É verdade, 32 anos depois, e o medo mantém-se.  Recuso-me a acreditar que seja, como muitos dizem, "um problema cultural". Não! É demasiado fácil dizer que nós "nascemos assim e está tão intrinsecamente preso à nós, que chega a fazer parte da nossa cultura". Este foi um factor preponderante no número de angolanos presentes nessa manifestação. E espero que os angolanos que tenham ficado em casa, reflictam bem melhor naquilo que ainda podem fazer porque ainda nada está perdido e muito pode ser feito. Está na hora abandonar o medo e de abraçar a democracia.
O Sr. Estêvão Alberto, conselheiro de imprensa do Consulado de Angola em Lisboa, fez o "seu papel", ou seja o de desvalorizar a manifestação, dizendo que o número de manifestantes não é representativo da comunidade angolana residente em Portugal. Eu estou de acordo, o NÚMERO não é representativo, mas garanto ao Sr. Conselheiro que a posição defendida por estas 20 pessoas é sem dúvida a posição de grande parte desta comunidade de 100 mil angolanos. A única diferença é que estes 20 tiveram coragem de dar a cara. Ele também alegou que o grupo que a organizou é "sem representatividade": somos um movimento espontâneo, 100% apartidários. Não será esta a maneira mais pura de reivindicação? Cidadãos que não têm nenhum interesse político ou económico, que se juntam a outros cidadãos que partilhem a sua luta e causa, para     que uma certa medida seja tomada em prol do povo. Penso que neste caso, esta "falta de representatividade" é de louvar, e é bem mais pura que a criação de qualquer partido político.
Quero lembrar que a manifestação não é o ponto final. Vamos continuar a lutar pelos nossos direitos. Só pararemos de reivindicar o direito do voto, quando efectivamente nos for concedido esse direito.
Escrito por (R)EvolucaoEmAngola em 00:55:15 | Link permanente | Comments (31) |

Segunda-feira, Novembro 12, 2007

Esclarecimentos

O BLOG

Em primeiro lugar, é importante lembrar que este blog não foi aberto especificamente para a causa do voto. O objectivo foi criar um espaço para a discussão de diversas questões relacionadas com o nosso país, proporcionando o debate e promovendo as diferentes opiniões.
Temos percebido pela reacção das pessoas que o nome do blog pode ser mal interpretado. Com “(R)evolução em Angola” pretendemos enfatizar a “evolução” que acreditamos ser possível através da discussão e do debate. Contudo, existe a consciência de que há momentos em que a ruptura é necessária para evoluirmos, daí o “R”.

QUEM SOMOS

Somos um movimento espontâneo de angolanos sem qualquer tipo de ligação a partidos ou organizações políticas. A nossa causa é bastante concreta: reivindicamos um direito fundamental que nos está a ser negado, o direito ao voto.

O ABAIXO-ASSINADO


A nossa primeira acção foi em Julho de 2007 e assentou na via diplomática. Entregámos no Consulado de Angola em Lisboa e no Ministério das Relações Exteriores em Luanda um abaixo-assinado com mais de 100 assinaturas de cidadãos angolanos. O conteúdo da carta foi claro: estamos descontentes não só com a decisão de não ser possível votar na diáspora como também achamos insatisfatórias as explicações dadas pelas entidades angolanas, um simples “não há condições”. Esta nossa primeira tentativa diplomática para obtermos mais justificações foi frustrada, já que não tivemos qualquer resposta.

A AUDIÊNCIA


Passados 3 meses, era altura de dar o próximo passo e isso foi ardentemente discutido nas reuniões (todas elas anunciadas aqui no blog e abertas a qualquer pessoa interessada). A manifestação começou aí a ganhar forma. Contudo, optámos mais uma vez pela via diplomática e marcámos uma audiência com a Consulesa, Célia Baptista. Os objectivos eram os mesmos da primeira carta: saber os “porquês” e manifestar o nosso descontentamento. Fomos bem recebidos dia 7 de Novembro, no dia seguinte à marcação e o encontro durou aproximadamente uma hora. Fizemos perguntas concretas para descortinar aquele “não há condições”, perguntas às quais não nos souberam responder. A Consulesa mostrou ter conhecimento da manifestação e sugeriu que escrevêssemos outra carta com as nossas questões garantindo que esta seria entregue à Comissão Nacional Eleitoral. Sublinhou que o registo eleitoral já estava fechado.

A MANIFESTAÇÃO


“Impossivel votar na diáspora”: é contra isto que iremos protestar ordenada e pacificamente no dia 19 de Novembro em frente ao Consulado de Angola. Será uma manifestação devidamente autorizada pelo Governo Civil e está aberta a todos os solidários a esta causa. Salientamos mais uma vez que não existe nenhuma ligação partidária e que nos estamos a manifestar contra a decisão e não contra o Governo, muito menos contra Angola. Sentimos que não estão a ser realizados todos os esforços, e não há empenho nem dedicação para incluir os cidadãos da diáspora neste processo eleitoral.
Sendo Angola um Estado democrático, servimo-nos desse outro direito que a democracia nos concede que é o de nos manifestarmos para mostrar o nosso profundo descontentamento. Apesar de não vivermos em Angola somos todos angolanos e não é admissível que sejamos excluídos do próximo processo eleitoral que é de grande importância para o país. Como já temos afirmado, o voto é um direito e lutar por ele é um dever. Temos toda a legitimidade legal e ética para reivindicar os nosso direitos. Somos “um só Povo, uma só Nação” e um Povo sem voto é um Povo sem voz. Vamos levantar a voz nessa manifestação.

MANTER O DIÁLOGO


No entanto, não estamos a fechar portas ao diálogo, nem às diplomacias, nem às burocracias. Continuaremos a mandar cartas e à procura de explicações mais completas para melhor compreender os motivos desta decisão. Além do mais, as eleições nem sequer estão marcadas.
Escrito por (R)EvolucaoEmAngola em 01:05:39 | Link permanente | Comments (2) |

Domingo, Novembro 11, 2007

Vitória: Audiência com a consulesa

Aspirantes Votantes,


 É de conhecimento comum que temos estado a organizar uma manifestação que já goza de data marcada e alguns ecos na comunidade Angolana em Portugal. Tenho em crer, que temos feito sempre as coisas de forma responsável e lúcida, ou seja, mantendo sempre a porta do diálogo aberta. Portanto mantivémos a actividade da manifestação como prioridade, e paralelamente, investidas, a partir de cartas, para o consulado com o objectivo de vermos esclarecidas as nossas reticências.


Permitam-me contextualizar: Passeando os olhos pelos artigos da comunicação social Angolana, encontra-se sobre o voto da diáspora sempre a mesma redundância justificativa, dificuldades técnicas, adversidades financeiras e problemas de fiscalização. Há 6 meses que comemos com náuseas estas palavras vagas, redundantes e pouco esclarecedoras. Sempre a mesma lenga lenga. O que é que são dificuldades técnicas? papel, computadores, um par de máquinas fotográficas, um par de impressoras e um receptáculo onde as pessoas possam colocar o seu talão de voto? é preciso formação de pessoas o que é que são adversidades financeiras? quando São Tomé por exemplo, país paupérrimo consegue fazer com que a sua diáspora vote. o que é fiscalização? gente que contabilize os votos? Assim de repente não me parecem grandes dificuldades, daí o esforço de termos mandado cartas ao consulado para ver se de lá conseguiríamos esmiuçar respostas mais concretas.


Em pormenor, no final de junho, exaustos de artigos e declarações que se resumiam a "técnico" "financeiro" e "fiscalização" mandámos a primeira carta à consulesa, que hoje temos conhecimento nunca ter chegado às suas mãos. E a segunda, esta segunda feira, 5 de Novembro. E quando menos esperávamos os nossos telefones, na Terça-feira do dia seguinte(6 nov.), tocavam, para atender às nossas preces, com convites para uma audiência que se realizou hoje com a consulesa. Ainda embasbacados com a celeridade do nosso pedido, compilámos o discurso que há muito corre nos anúncios deste blog, juntamente com as noticias que nos têm colocado às escuras ao invés de nos iluminar e fomos, 2 representantes da cúpula que se tem reunido com afinco nos últimos tempos, ter com a consulesa, hoje de manhã, pelas 10h.


Enquanto virgens nestas andaças de audiências políticas, não sabíamos o que esperar, e ao chegar o que encontrámos foi uma consulesa articulada, simpática, informal sem deixar de ser formal e rapidamente notámos que estávamos perante uma pessoa competente e muito experiente (chegou a dizer-nos comicamente, que tem filhos mais velhos que nós). A consulesa, importa partilhar, está no cargo há menos de um ano, e fez questão de nos falar sobre algumas das suas batalhas, adversidades e estratégias. O nosso papel foi o de ouvir e de marcar a nossa posição de insatisfação. Começámos por agradecer a disponibilidade e a rapidez que nos proporcionou acesso a ela, esclarecemos quem nós éramos e o que fazíamos, assim como dar a conhecer que éramos parte de um grupo de jovens estudantes apartidário, que a nossa causa não se tratava de dissidência ou infantilismo, mas da defesa de um direito fundamental constitucional que nos está a ser negado. Começámos por mostrar a nossa agonia em não poder participar no voto e de seguida as nossas perguntas, construídas sobre frases dos artigos que temos recolhido. Falou-se durante cerca de 50 minutos e os argumentos da Cônsul foram em primeiro lugar, que ela não faz parte de CNE(Comissão Nacional Eleitoral) e como tal, não está totalmente esclarecida sobre o que são concretamente essas dificuldades técnicas, financeiras e de fiscalização, no entanto indiciou o que poderia ser: Falou da gigantesca tarefa que está a ser fazer com que toda Angola possa votar, o problemas das minas, e acessos aos locais de todos os cidadãos Angolanos, da numerosa população Angolana disseminada no mundo, disse-nos que até no Cambodja há Angolanos, enfatizou o inédito e frágil contexto de transição entre a guerra e paz, e agora novamente o inédito marco que se avizinha para uma democracia efectiva, salientou o nosso passado triste de guerra civil, a reconstrução e o passivo pesado que Angola tem sobre os ombros. Resumidamente tocou em pontos vitais, na sua maioria conhecidos por nós, mas que ainda assim, achámos não ser suficientes, e não suficientemente espalhados pela comunidade Angolana, . A maioria de nós ainda se encontra ignorante sobre os meandros que nos impossibilita de votar, Nós que estamos envolvidos nesta iniciativa de manifestação ainda não entendemos com clareza essas razões. E ao termos reiterado isso à consulesa, ela saudou a iniciativa, e prometeu-nos aquilo que penso ser a nossa segunda vitória, sendo a primeira a audiência em si, que recai na garantia de endossar uma carta da nossa parte à CNE(Comissão Nacional Eleitoral), com todas as nossas questões e reticências e a respectiva resposta. Olé!

Em última análise, a consulesa garantiu-nos que a esta altura é impossivel haver qualquer tipo de retrocesso na decisão concludente da CNE, instalando-se dessa forma a legitimidade e a inevitabilidade da nossa manifestação. Sentimos que estamos a lançar sementes de consciência, de que os Angolanos não querem mais dormir em febres de sono, querem participar e ajudar no crescimento do país. Sentimos que o inicio da democracia tem de contar com o contributo de todos os angolanos. Assim sem desmerecer o esforço do estado, exigimos mais.

Volto a reiterar que a consulesa está há menos de 1 ano no cargo. Nesse contexto falou-nos de 2 iniciativas muito interessantes que gostaria de colocar aqui. A primeira é que, brevemente o consulado de Angola vai ter uma linha de reclamações e sugestões disponível para todos, sem que para tal seja necessário deixar nome ou morada. E segundo que a consulesa escolheu como quinta-feira o dia para receber os cidadãos Angolanos de todas as quadrantes. Portanto quem achar que tem algo pertinente a tratar e que mereça a presença da consulesa, pode fazê-lo desde já.


Tivemos o cuidado, no decorrer da entrevista com a consulesa, de dizer que a nossa manifestação vai ser sem violência, sem irresponsabilidade e sem imaturidade. Vamos em prole de um direito que nos assiste, sem fechar a porta ao diálogo e a comunicação.



Salvamarte

Escrito por (R)EvolucaoEmAngola em 23:16:58 | Link permanente | Comments (1) |

Terça-feira, Novembro 06, 2007

Manifestação DIA 19.11.2007

Escrito por (R)EvolucaoEmAngola em 11:38:17 | Link permanente | Comments (0) |

Inscrição Consular

Familia BLOG,

O não hábito de inscrição consular tem sido uma das "poucas" desculpas para o governo Angolano não levar as eleições para fora de Angola. Apesar de ser uma desculpa fraca trata-se de um ponto bastante importante. Com eleições ou sem eleições todos Angolanos no estrangeiro devem ir ao seu consulado e tratar do seu registo consular. Pois assim poderão recorrer a este se tiverem algum problema no pais onde se encontram. PORTANTO NÃO ESPEREM MAIS!! Faço um apelo a todos os Angolanos em Portugal, Canada,França,Hollanda,Belgica, Africa do Sul, E.U.A e pelo mundo fora para irem FAZER A SUA INSCRIÇÃO CONSULAR!!!

Na minha opinião se realmente o governo tivesse interessado em que os Angolanos no estrangeiro votassem, teria começado campanhas de registo consular muito antes.

Leiam o artigo e partilhem a vossa opinião sobre este assunto.

Paz,

Mukuolua Kinamatos



ANGOP
Presidente da Comissão Eleitoral esclarece comunidade angolana em França sobre próximas eleições Angop

O presidente da comissão nacional eleitoral (CNE), Caetano de Sousa, esclareceu sábado, em Paris, "porque razão os angolanos residentes no estrangeiro não vão poder exercer o seu direito de voto nas próximas eleições, em 2008.

Caetano de Sousa referiu que "a CNE constatou que não estão ainda criadas as condições técnicas e materiais nas representações diplomáticas angolanas no estrangeiro que possam garantir uma participação da diáspora neste processo que se aproxima".

"A realidade é que muitos dos cidadãos angolanos residentes no estrangeiro não procederam e não tinham cultivado o hábito de inscrição consular, logo os serviços consulares de Angola ainda têm dificuldade em saber quantos cidadãos têm a viver na diáspora".

Alem das questões ligadas com a sua participação no próximo acto eleitoral, os angolanos residente em França, quiseram também saber da data exacta do próximo pleito eleitoral, que segundo o chefe de Estado, acontecerá durante o ano de 2008.

A palestra proferida sábado pelo presidente da comissão nacional eleitoral, realizou-se numa das salas da embaixada de Angola em Paris, para onde se deslocaram pelo menos 150 cidadãos angolanos que vivem nos diferentes cantos da França.
Escrito por (R)EvolucaoEmAngola em 05:36:38 | Link permanente | Comments (1) |