Segunda-feira, Outubro 29, 2007

REUNIÃO: O Fruto do confronto de Ideias


Aspirantes votantes Angolanos,

Já Hegel filosofava que a tese e a antitese era a condição fundamental para a evolução da humanidade. Queria o filósofo dizer que, para um individuo dar como certa a sua tese ou linha de pensamento tinha de confrontá-la com outra tese e procurar refutá-la, e ao fazê-lo encontrar a síntese, que resulta no fortalecimento da ambas as teorias, a do certo e a do errado derivada da discussão lógica.

E nós enquanto grupo apartidário que almeja votar, juntamo-nos no espírito de Hegel para celebrar a discussão saudável e troca de ideias, para chegarmos a conclusões consensuais, sobre o quando? e como? nos vamos manifestar.
Importa salientar que a reunião do dia 26 surgiu no seguimento de outra ocorrida no dia 19 deste mês. Relativamente à primeira, devo dizer que tal como o dia, apareceram 19 pessoas, de entre os quais 2 membros deste blog. Foi uma reunião de hora e meia saudável, em que apareceram essencialmente jovens e estudantes, infelizmente ainda não temos a amostra heterogénea que queremos, não queremos que esta manifestação seja apenas um grito de jovens estudantes angolanos, mas uma articulação de todos os angolanos, sexos, raças e idades. Portanto vai novamente o apelo: O VOTO É UM DIREITO, LUTAR POR ELE É UM DEVER! enviem os vossos contactos para o mail:REVOLUCAOEMANGOLA@GMAIL.COM para quando o momento da manifestação chegar podermos contactar-vos, para quando actualizarmos o blog contactar-vos, para quando nos reunirmos contactar-vos, para que possas fazer parte da história como interveniente, e não como um mero espectador! Tu contas!
Foi uma reunião em que se descobriu que no dia 22 de março de 2007 cerca de 150 angolanos reuniram-se com o ministro das Relações Exteriores, João Bernardo de Miranda e discutiu-se vários tópicos, de entre esse leque, o facto dos Angolanos no estrangeiro não poderem votar. E passo a citar:

"No que concerne ao processo eleitoral em curso no país, a maioria dos
angolanos presentes ao acto manifestou o desejo "ardente" de votar nas
próximas eleições. Neste aspecto, João Miranda explicou que existem muitas
dificuldades para a efectivação desse propósito, tendo em conta os altos
custos dessa operação"

http://www.embaixadadeangola.org/

Por esta altura sabe-se também que o Conselho Nacional de Ministros foi a entidade que rejeitou que a diáspora votasse, ou seja todas as comunidades fora da pátria, sob o pretexto dos altos custos dessa operação.
Ora vejamos porque é que os nossos irmãos palops da diáspora podem votar e nós não? se o nosso país é rico e regista um crescimento anual económico de 30%? Não é inconstitucional realizar eleições sem ter todas as condições de o fazer? Só em Portugal somos 100 mil angolanos, imaginemos no resto do mundo! Não é uma obrigação do estado ter a iniciativa de justifcar à diáspora porque é que não pode votar? Ora vejamos, foi feita uma reunião com 150 pessoas em Portugal para se comunicar que isso não seria possivel, e diga-se, misturado com outros tópicos. somos 100 mil, acham que 150 é uma amostra representativa dos Angolanos? o que é que o consulado está a fazer?
Em suma, foram sobre estas questões que a primeira reunião repousou. Seguiu-se uma ronda de confronto de ideias sobre qual seria o plano de acção, cujos frutos deram origem à ideia inicial FAZER UMA MANIFESTAÇÃO! para tal a tarefa da primeira semana seria espalhar a mensagem deste blog e deste movimento apartidário ao maior corpo de pessoas possível, e como disse acima, mais heterógeneo e diversificado possível. Contactar a associação de estudantes angolanos, trabalhadores, associações de estudantes Africanas (faculdades) espalhadas por Portugal, tal como pesquisar noticias e todo tipo de informação prévia sobre o assunto do voto e reunirmo-nos numa próxima ocasião.

Essa ocasião deu-se no dia 26, com um menor numero de aderentes, devido a várias razões e com 3 membros deste blog presentes. Foi uma reunião embuída de ideias inteligentes, de pessoas esclarecidas, e com um desejo visceral de se manifestarem! discutiu-se, (de forma algo anarquica mas construtiva, consequência directa do espirito de participação e vontade de votar, algo a melhorar nos proximos encontros) os moldes da manifestação, o dia, a data e a hora. Contou também com o precioso contributo de uma senhora mais velha, mais experiente, um outlyer no meio de uma maioria jovem, que transformou quiçá a reunião numa amostra daquilo que almejamos, uma ariticulação da nossa testesterona jovem com a experiência de alguém que já experienciou e viveu que tenha a sagacidade de nos aconselhar e a humildade de nos ouvir e apoiar. Contou também com um moderador "á paisana" algo que na próxima reunião tem de haver oficialmente assim como um plano de discussão, em nome da ordem e da produtivdade.
Houve discussão com alguns momentos de confusão, houve paixão, garra, efusividade tudo no espirito do confronto de ideias, que decerto pos Hegel a bater palmas no túmulo, houve essencialmente produtividade. Chegamos a conclusões claras e determinantes, a partir daqui já não há mais retorno, estamos motivados e organizados.
Começo por dizer que se definiu que no dia 11 de novembro vai haver uma surpresa da nossa parte, que quando ganhar contornos será certamente abordada aqui, e concluo que depois de uma intensa sessão de confronto de ideias, brotaram frutos democraticamente com o nascimento da data da nossa Manifestação: 19 DE NOVEMBRO! - EM FRENTE AO CONSULADO DE ANGOLA!

Definiu-se também que se vão continuar a fazer esforços para reunir o maior corpo de pessoas possivel, assim como marcar-se uma audência com a cônsul para ver se conseguimos fazer derramar alguma informação dos nossos representantes sobre as várias questões que decoram este texto.

A próxima reunião será como habitué, na sexta feira 2/novembro. num local a revelar brevemente.


As rodas da máquina começam a girar, cada pessoa ficou com uma tarefa, temos frases esboçadas, temos flyers, temos vontade de provocar mudança, está na altura de abandonarmos a letargia, de sair do sono profundo que caracteriza o estado actual da população do nosso país, queremos ser intervenientes da história, e não se trata de ser dissidente, trata-se de um direito cívico que nos está a ser castrado, recusamo-nos a ser a geração calada, a geração passiva, a geração coitada, queremos mudança! não queremos essa justiça postiça que nos pisa a voz! O país não tem dono angola é de todos nós! queremos VOTAR! estamos de data marcada, esta MANIFESTAÇÃO VAI ACONTECER A BEM OU A MAL.





Salvamarte

Escrito por (R)EvolucaoEmAngola em 00:11:30 | Link permanente | Comments (4) |

Quinta-feira, Outubro 04, 2007

China em Angola

A presença em peso da China em Angola é sem dúvida um dos assuntos mais polémicos do nosso quotidiano. Muitos acusam o Governo de “vender-se” e abrir as portas a todo e qualquer capital, sem discriminação e sem nenhum tipo de censura. Na verdade, a China é olhada de lado em quase todos os países do Ocidente e pelos EUA. A economia chinesa cresce exponencialmente, e pelo caminho vai esmagando muitas outras. Não são poucas as empresas que para lá se deslocalizam, fugindo aos impostos demasiados altos e procurando o “el dorado” nessa emergente potência mundial. Obviamente que a presença de tal gigante no nosso país pesa muito e deixa muitos de nós “na defensiva”, com medo do “ataque”. Será que esse medo é justificado? É certo que precisamos de proteger os nossos interesses (e notem bem que digo NOSSOS, ou seja, dos angolanos e não de um ou outro angolano). Como tem Angola reagido perante a China? O artigo que se segue foi publicado pelo quotidiano inglês FINANCIAL TIMES e dá-nos uma ideia da visão que o exterior tem da atitude do nosso governo perante a presença chinesa.
Atenção: O facto de estarmos a publicar este artigo, não quer dizer que estejamos 100% de acordo com tudo o que é nele escrito, quer por e simplesmente dizer que é um artigo interessante a ler, que nos pode dar uma boa noção da ideia que os outros têm de nós.

Informação é conhecimento.
Artigo original (clique aqui)


Um visitante pouco familiarizado com Angola poderia pensar que o país é hoje controlado pela China. Em Luanda, a capital, é difícil encontrar uma rua onde não haja uma equipa de engenheiros chineses que não esteja a restaurar alguma infra-estrutura pública. É preciso praticamente um minuto para Henrique Mendes, responsável do urbanismo no Huambo, segunda cidade do país, para enumerar todos os projectos realizados pelos chineses, desde a construção de hospitais, escolas, estádios e dum estabelecimento de ensino superior até à renovação do sistema de distribuição de água.
A Leste de Luanda, a estrada mostra sinais ainda mais evidentes da aparente dominação chinesa: não somente essa estrada asfaltada pelos chineses é a primeira via de boa qualidade construída no interior do país desde algumas dezenas de anos, como ela é cercada de casas pré-fabricadas de campanha, do tamanho de fortalezas e que abrigam os trabalhadores de empresas chinesas. É também a China que reabilita os caminhos de ferro de Benguela, que ligam a costa Atlântica à fronteira com a Zâmbia e a República Democrática do Congo.
Os analistas citam frequentemente o caso de Angola para mostrar que a China mantém relações neo-coloniais com África. Pequim não teria ajudado se não fosse em troca dum acesso privilegiado aos recursos do país em matérias-primas e dum aumento de influência. É verdade que os dois governos não fizeram nada, até agora, para dissipar esta impressão. Desde 2004, a China forneceu à Angola entre 6 à 11 biliões de dólares de linhas de crédito e enviou dezenas de milhares de trabalhadores. Ela também aumentou as suas importações de petróleo angolano (cujo montante passou de 5,6 biliões de dólares em 2005 à 9 biliões em 2006), ao ponto de tornar Angola no seu principal fornecedor.
Contudo, diplomatas e analistas perceberam, ao longo dos últimos meses, que a relação é um bocado mais equilibrada do que eles pensavam. Não somente as empresas chinesas descobrem que é mais difícil do que previsto de trabalhar em Angola, mas o governo angolano mostrou claramente que ele não era uma marioneta. A anulação, este ano, dum contrato com a sociedade chinesa de petróleo Sinopec para a construção duma refinaria no porto do Lobito (um projecto de 3 biliões de dólares) foi interpretada como um sinal que Angola está a afirmar-se.
“Todo o mundo se inquieta com a crescente influência da China em Angola”, comenta Lucy Corkin, uma analista do gabinete sul-africano Project for China Studies, que efectuou 3 “viagens de estudo” à Angola. “Não há confiança suficiente na capacidade dos angolanos em gerirem os seus próprios assuntos. O país é consciente do perigo de pôr todos os seus ovos no mesmo cesto e ele quer tirar o melhor partido possível da China, sem contudo apostar num só parceiro económico”.
Graça aos enormes recursos petrolíferos do país (1,7 milhões de barris por dia), o governo angolano pode gabar-se de ter encontrado uma “terceira via” para negociar com o resto do mundo: trata-se de colaborar com o Ocidente e com a China, mas sem ser devedor. A relação de Angola com a China, sublinham as autoridades, não se baseia numa submissão, mas sim numa estratégia. Com o orgulho ferido, consequência das reticências de doadores tradicionais e do Fundo Monetário Internacional em concluir acordos financeiros com Angola por causa de riscos de corrupção, elas (as autoridades) viram na China uma outra possível opção.
“Nós lançámos uma grande campanha diplomática no fim da guerra (em 2002), relata M. Mendes mas os doadores não vieram. Procurámos outras soluções. Temos o cuidado de lembrar aos chineses que nós não gastamos o dinheiro dos doadores, mas que somos nós mesmo os doadores e que devemos ter a última palavra.”
O governo angolano guarda em segredo os detalhes de acontecimentos que desencadearam acusações de desvios de fundos a seu encontro. O presidente Dos Santos controla directamente a afectação de empréstimos através do Governo de Reconstrução Nacional, dirigido por um aliado chegado, o general Viera Dias Kopelipa.
Há sinais de tensão. No final de 2004, depois das acusações de desvio lançadas contra altos funcionários angolanos, o ministro das finanças foi enviado a Pequim para confortar a China quanto a utilização dos seus fundos. E, em Janeiro 2006, aquando da sua tournée em 8 países africanos, o presidente Hu Jintao não passou por Angola.
Os empresários angolanos evocam muitos temas de descontentamento. Eles sublinham que o investimento chinês fora do sector petrolífero são irrisórios. E que relembram que as empresas chinesas nunca estabeleceram, ao contrário do previsto, parcerias com empresas locais, nem honraram a regra segundo a qual, estas mesmas empresas deveriam ver-se acordadas com 30% dos contratos ligados às linhas de crédito chinesas. “O mercado é activo, mas é preciso paciência”, comenta Wu Jiao, mestre de obras da Sinomach, uma sociedade chinesa de desenho industrial. “O procedimento é muito longo. Eu ouvi dizer que algumas empresas desistiram por causa das dificuldades. Nós devemos acostumar-nos à cultura e às normas locais”.
Por fim, é necessário dizer que os projectos estão frequentemente atrasados. O que exaspera o Movimento Popular de Libertação Popular, partido no poder (MPLA). Não adiou ele as eleições desde 1992, afim de poder apresentar-se diante dos seus eleitores com um sistema de caminhos de ferro e rede rodoviária reabilitada? Com os seus recursos petrolíferos, Angola dispõe hoje de potentes armas para poder resistir à potência chinesa, o que não é o caso dos países mais pobres.
Escrito por (R)EvolucaoEmAngola em 21:47:29 | Link permanente | Comments (0) |