Um passo coxito p’ó mangolé… um pulo do caraças p’Angola
Na filosofia do “sozinho”, daquele que se sente impotente face à imponente e imbatível realidade, que tenha decidido abandonar o sonho de grande escala para se centrar em acções individuais mais pequenas, de mais modestas ambições e impacto diminuto, tocando pouco mais de um punhado de pessoas de cada vez, a primeira etapa para deixar florir dentro de si a exuberante e esplendorosa flor do altruísmo, será o conhecimento terreno da realidade que o circunda. Aqui, por falta de estudos sociológicos, estatísticos, demográficos (pelo menos públicos, publicados ou publicamente comentados), mas também por factores de ordem “cultural” (a cultura do fechar os olhos, do preconceito, dos à priori, da generalização), somos muito rápidos a julgar os outros, escolhendo uma cestinha repleta de critérios discriminatórios como o tom de pele, a aparência, a indumentária e a apontar dedos acusadores contra os presumíveis culpados pelo estado da nação, pela corrupção, pela delinquência e tudo mais. Gastamos tantas energias procurando culpados que nos esquecemos de olhar para o espelho e por isso, ao invés de flores, estamos a esterilizar o nosso espírito deixando que as plantas daninhas da incompreensão, do ódio e do repúdio se instalem duradoiramente no nosso jardim.
Neste post, quero expor muito sucintamente um humilde passo que a princípio pode parecer absurdo na sua simplicidade e ridículo no que se propõe alcançar, não uma mudança à escala nacional, mas antes, um despertar do indivíduo, o aproximar de cada cidadão deste país, o entendimento e o bom senso.
A minha proposta para uma pequena revolução pessoal, numa micro-escala é o gesto da realização de um esforço mínimo para tentarmos perceber o que é viver nos escalões sociais mais baixos da sociedade, passar um, alguns, muitos dias com aqueles e aquelas que sofrem na pele as injustiças do capitalismo selvagem, que vêem as suas casas serem demolidas sendo recompensados com irrisórios 500 USD (“com que então, construção ilegal não é? Pois saiba que legalmente não temos sequer de indemnizá-lo caro senhor, dê-se por satisfeito e pouco pio!”), que vêem os filhos esvair-se em sangue à porta da clínica que recusa recebê-los sem o “cash in hand”, daqueles que são forçados a deixar os seus recém nascidos ao cuidado de criancinhas que ainda brincam com bonecas para que possam ir trabalhar e trazer no fim do mês aquela “ajuda humanitária”, aquela aberração a que chamamos salário. Não digo que vão “à maluca” e muito menos que vão armados em educadores, donos da razão e da verdade com um discurso moralista que aliás não será nada bem recebido, mas que vão enquanto observadores, passar uma manhã, um dia, um fim de semana com alguém que conheçam nesses bairros desfavorecidos (sugestão: as vossas empregadas), vão sentir o que poderia ser viver nas condições deles, não tivesse o acaso e a boa fortuna vos bafejado para o lado da minoria privilegiada. Será seguramente uma experiência que vos aproximará muito mais dos “outros” angolanos, os angolanos esquecidos, culpados por não terem tido filhas caçadoras de generais e filhos que pudessem ter estudado sem ter de trabalhar paralelamente no outro turno para trazer os trocos para o funji do almoço, culpados a cada dia por recolherem o seu salário paralelo aproveitando-se do “poder” conferido pelos cargos que ocupam para extorquir injustamente um ordenado mais justo à sociedade civil, porque o salário mínimo gastou-se no medicamento para a filha doente, os professores, agentes da polícia, fiscais (estes em competição cerradíssima com a polícia nacional para o título de maiores cães insensíveis e abusadores de poder), trabalhadores da função pública, do sector privado, culpados por tentarem sobreviver nesta selva onde reina o individualismo e ser pobre é sinónimo de ser fraco, subdesenvolvido, inculto. Vamos conhecê-los, vamos tentar compreender o seu percurso, as razões dos seus comportamentos, é o primeiro passo para acabar com a intolerância e a incompreensão, com o crescente racismo, com o tribalismo, sendo todos eles filhos da ignorância que continuamos a perpetuar insistindo em comportar-nos como temos feito até aqui: fechando os olhos, trancando as portas do carro e descartando-nos de toda e qualquer responsabilidade na desgraça alheia.
KulpadoKomum
Mano Kulpado Komum,
assim que acabei de ler o teu “post” lembrei me de um programa feito nos EUA pelo o realizador de documentarios polemicos Morgan Spurlock. Este realizador Americano fez um programa chamado 30 DIAS, o programa consistia em passar 30 dias num ambiente ou situacao social que nao seja o nosso. Exemplos: ele teve pessoas de classe media alta a viverem com um salario minimo durante um mes ou um catolico a viver com mulcumanos. Claramente estas pessoas depois desses 30 dias tinham sofrido ao que tu chamas te de uma “pequena revolucao pessoal”.
Nao e um passo ridiculo ou ate absurdo, mas sim um passo extremamente necessario na sociedade Angolana ou qualquer outra sociedade. Entender a nossa sociedade sem pre-conceitos e falsa analogias so faz com que a sociedade em si e nos individuos crescamos mais e mais.
Entao sendo esta a revolucao pessoal necessaria, sera a tua ideia de passar algum tempo num outro ambiente social que nao o nosso uma solucao que se possa por em pratica?
Eu acredito que seja extramente dificil. A classe alta em Angola esta habituada a viver com a palavra hipocresia no seu dia a dia. Fechar os vidros do carro, olhar para o lado, cunhas e gasosas sao entre muitos exemplos desta hipocresia. Eu acredito que em angola nao existe uma classe media, vivemos entre duas classes, ALTA e BAIXA. E a unica maneira que esta situcao tem perdurado e atraves dessa hipocresia. Acreditas que alguem vai concordar passar dois ou ate 30 dias com a sua empregada ou num dos bairros de luanda para melhor compreender a sua situacao?? Esta ideia vai contra a hipocresia que existe entre as pessoas que “podem” e tambem contra a filosofia indvidualista que existe hoje nao so em Angola mas no mundo. Quem vai querer sair da sua casa com ar condicionado e todos canais possiveis naquele “monstrinho” chamado televisao. ENTAO, o que fazer? Pois de uma certa maneira acredito que maior parte dos Angolanos de classe alta sabem como os seus empregados vivem e aonde vivem, mas como tudo nas suas vidas fecham os olhos.
Para mim a solucao nao esta em passar alguns dias, pois ao fim desses dias as pessoas muito facilmente entrariam de novo neste ciclo hipocrita de sempre. Vamos entao acabar com esse fechar de olhos! Como? Pais e sociedade sao valores esquecidos por muitos dos mais velhos e completamente postos de parte pelos os jovens do nosso pais. Nao pensem que quero com isto que angola viva num extremismo onde o pais esta a frente de tudo. Mas gostaria que pais e sociedade fossem valores mais falados no nosso ensino, televisao e ate mesmo dentro das nossas casas. Quando aparece uma luz na mente dos nosso jovens, onde eles se perguntam o porque das diferencas sociais e o que fazer para mudar, e uma luz muito rapida, pois os outros jovens dizem, “e angola, vamos fazer mais como?” ou entao vao falar com os seus pais, que maior parte das vezes nao promovem a mudanca pois dizem ja terem vivido o sufeciente para ver que as coisas em Angola nao mudam. E isto nao ajuda, so destroi as esperancas de quem nunca lutou e enterra as dos que ja lutaram no passado.
Concordo com etapas e accoes pequenas. A minha proposta inicial e FALAR, DISCUTIR e realmente DEBATER sobre o que se passa no nosso pais. Isto sim, acredito que sera um passo que levar a mudanca do individuo e que mais tarde podera ate levar ao tal incentivo para as pessoas realmente poderem ir passar os tais dias com pessoas de diferente extracto social que tu sugeriste!
Sei que pode parecer demasiado simples a minha ideia, mas e uma sugestao e espero mais propostas e criticas. Como disse, falando e debatendo levara nos a uma accao, pois a sempre um momento onde as palavras ja nao chegam e accao e necessaria!
Akele Abraco
Mukuolua Kinamatos
P.S: Peco desculpa pela falta de acentos, o teclado ta sem eles!
Mukuolua, tasse bem mô papoite?
Olha, existe uma lei universal que se prova eficaz a cada vez que é posta à prova, é a lei dos incentivos. Tu achas que o Spurlock não teve de “motivar” os “voluntários” dessa experiência? Nos países de mentalidade mais “evoluída” podemos tentar atirar o barro a parede com os incentivos morais (o pobre, a vítima, o coitadinho, vamos lá fazer “a nossa parte”), mas quando isso não funciona, faz-se apelo a outros incentivos nomeadamente o recurso ao rei dinheiro, com a quantia certa, convences até o papa a mudar o discurso sobre o preservativo para África, e o maior machão do mundo a deixar-se sodomizar. Toda a gente tem a dignidade a venda, só o preço é que difere. A minha proposta era mais para o indivíduo que pode usar o tal incentivo moral como recurso válido e suficiente e para uma experiência pessoal e inalienável, sem segundas intençoes mesmo que nobres, mas se fosse para fazer uma espécie de documento de alerta social como é o do Spurlock, entao seria uma questão de prometer as coisas certas aos jovens da alta sociedade (um hummer? uma dessas merdices superficiais que eles tanto estimam), porque como deves desconfiar, para os da baixa, o facto de experimentar a vida de lord durante um mes seria incentivo mais que contundente. Impossivel porque mano? Tu nao estarias disposto a ir fazer a experiencia por ti só? Se fossemos um grupo de 3 ou 4 e documentassemos a nossa experiencia, certamente convenceriamos outros tantos a fazerem-no depois e esses convenciriam outros 4 e estarias assim a formar um “exercito” consciente de pessoas com poder economico e concerteza os futuros quadros deste pais com poder para tomar decisoes de vulto, a fazerem-no.
Ate ja
KulpadoKomum
Mukuolua Kinamatos, tambem nao tem acento do pc que te escreve este comment.
Espero que ai nos paises diasporicos aonde voces se encontram nao esteja muito frio, que nao haja nenhum atentado e que voces estudem e trabalhem bem. Caso haja frio que comprem bons casacos de pele, atentados que esquivem bem as balas e as bombas e se tiverem a estudar que acabem esses cursos rapido porque Angola precisa efectivamente de voces.
Nao sei quem voces sao, nem daonde vem, nem o que querem, nem qual a vossa intencao. Nao sei a cor da vossa pele nem como voces se parecem, o que sei de voces eh…eh que realmente nao sei nada. Sei porem que paira aqui um misto de ilusao, imaturidade e muita instrucao. Faz-me concluir que estudarem nos bons colegios, boas familias, almoco, jantar, funge com todos nos sabado e muita whisky cola a noite.
Tudo isto faz-me duvidar da vossa capacidade e vontade de querer mudar. Mas para que o esforco, o que que vos falta??? Se nem proprios se conseguem identificar..medo? Revolucionarios com medo? nunca vi nada tao inedito. Seguir-vos para que se vcs parecem mais perdidos que todos os seguidores?, se voces proprios nao tem identidade….
PArece-me isto mais um passaatempo de pessoas desocupadas, sera?
Aguardo com ansiedade a vossa resposta.
Kandando.
Diawaba Lokua
Diawaba Lokua,
Começo por dizer o que já dissemos um milhão de vezes: Somos jovens angolanos, ainda estudantes, que indignados com a eterna situação de pobreza do país, tentamos encontrar uma maneira participar numa viragem de página na História de Angola, de forma a que o nosso país seja mais justo e mais democrático. Acreditamos que Angola possa ser melhor, acreditamos que existam em Angola pessoas que realmente queiram mudar as coisas, que são arrastadas por essa forte corrente de inércia, hábito e desilusão consecutivas. A nossa vontade de querer mudar não penso que esteja em causa, pois aqui estamos nós, tentando juntar mais pessoas que acreditem nas mesmas coisas, e tentando formar um núcleo. A nossa vontade reflecte-se neste site. Porquê fazer um blog? Porquê dedicarmos horas e horas de cada dia nosso escrevendo, lendo e pensando sobre, de e em Angola? Dizer que “parece mais um passatempo de pessoas desocupadas” parece-me demasiado simplista ou mesmo simplório.
O que nos falta? Permita-me perguntar-lhe: é angolano? Se sim, diga-me, não lhe falta nada? Também não sei a sua classe social (mas ao contrário de si, não me interessa), mas por melhor que esteja na vida, por mais rico que seja, não lhe falta nada? Angola vai bem? Já não há angolanos que morrem de fome? Não há angolanos que todos os dias atingem o nível mais deplorável de miséria, enquanto uns ostentam riqueza da maneira mais extravagante possível? O que nos falta? Falta-nos um país onde possamos estar descansados, porque sabemos que todos terão um “pedaço do pão”, falta-nos um país onde se respeite os direitos de todo e cada cidadão, onde possamos votar estejamos aonde estivermos, onde hajam oportunidades para todos os angolanos… no fundo falta-nos um país no verdadeiro sentido da palavra.
E não! Não temos medo. Se tivéssemos medo, ficaríamos como a maior parte das pessoas, calados. Ou no máximo, cochichando no escuro, falando baixinho, com a cabeça virada para baixo, com medo de sermos ouvidos. Damos a cara quando é preciso. Demos quando fizemos o abaixo-assinado, daremos em toda e qualquer ocasião em que surja uma oportunidade de reclamarmos o que nos é devido. E acredite, não estamos perdidos. Como vê, sabemos o que queremos. Ilusão? Se acreditar que o meu país pode melhorar, que possam haver mais igualdades,etc., é sinonimo de ilusão, então sim, ilusão. Imaturidade? Se isto implica acreditar que eu posso fazer parte duma mudança, sem ser arrastado pela corrente que levou muita gente à resignação, então sim, imaturo. E com orgulho.
Para terminar, gostaria que pensasse bem no seu papel. Criticar é fácil. Mas talvez, possa fazer parte de alguma coisa. Se se deu ao trabalho de escrever neste blog, talvez seja como nós e acredite em alguma coisa para Angola (isto pondo de lado a hipótese que é uma pessoa desocupada), então junte-se a nós. E não pedimos a ninguém que nos siga, mas que marche connosco, lado a lado.
Às vezes, basta acreditar.
Um kandando.
Aqui venho eu mais uma vez perceber o que se passa na cabeca dos Angolanos na diaspora. Atitude, atitude, foi a coisa que mais me tocou na sua resposta. Isso eh vital!! quanto a parte de existirem milhoes de pessoas que morrrem de fome, sem escola, que atingem niveis deploraveis de miseria…francamente. Sejamos serios veja la bem o que disse. vai tudo bem na sua casa? o seu pai bate na sua mae, trai a sua mae, os seus irmaos drogam-se. Ja tem todos os problemas dos seu Kubico resolvidos? Parece-me que sim, dai estar aqui a querer mudar a realidade de um paise com mais de 12 milhoes de pessoas. Quais sao as solucoes que apresenta para que o pais consiga atingir um nivel economico decente? para acabar com a miseria. Queiramos nos ou nao, se algo de errado foi feito, foi durante os 27 anso de conflita armado civil…agora as coisas vao melhorando. Sim acho tambem que se voces fizerem umas coisinhas, sao capazes de conseguir sensiblizar as pessoas…
Aquele Kandando
Diawaba Lokua
Diawaba Lokua,
Sabe, o egoísmo/individualismo destrói o nosso país. O facto de cada um pensar só no seu próprio umbigo aniquila a possibilidade de construir uma sociedade equilibrada.
“quanto a parte de existirem milhoes de pessoas que morrrem de fome, sem escola, que atingem niveis deploraveis de miseria…francamente. Sejamos sérios”.
O egoísmo/individualismo leva as pessoas a dizerem aberrações deste tipo que sinceramente, dispensam contra-argumentos, pois comentários desses mostram uma crueldade que até chega a ser ridícula.
Primeira coisa para acabar com a miséria é apostar no social. Pensar nas pessoas, e não em condomínios para pessoas que acham que a pobreza é uma doença!
Só para terminar: não preciso estar mal em casa para pensar no “próximo”. Faz parte duma educação de base e duma recusa a ser desumano : “Come, mas lembra-te que há quem não coma”.
Um kandando.
Pois bem, apesar de axar que faltam uma certas arestas a serem limadas, e como Voce, Kinamatos, sabe eu nao acho que existe capacidede no vosso seio. Porem, venho ca saber a opiniao dos jovens angolanos. Tava a ler um jornal angolano sobre o caso Miala e Paulo Tjipilica. Um foi condenado por insubordinacao e o outro mandou condenar Felisberto da Graca, Director do semanario angolense por difamacao. O que tem voces a dizer sobre este insolito?
Kandando
Diawaba Lokua
Diawaba acho que podemos acabar com o “voce” e passar ao “tu”, pelo menos do nosso lado dispensamos esse zelo de tratamento, espero que do teu seja o mesmo. Ainda nao percebi bem onde queres chegar com as tuas intervençoes mas acho positivo que recebamos criticas como as tuas “sabe eu nao acho que existe capacidede no vosso seio”. Claro que nao existe capacidade de mudar o pais no nosso seio, somos uma kambada de inergumenes, de pobre retorica falaciosa e demagogica nao e isso? Acho que ha ai um post ou outro em que assumimos a nossa insignificancia face a uma realidade tao avassaladora como e a nossa, onde para alem de 77% de analfabetos e 20% de corruptos incapazes, os 3% de pessoas com cabeça que poderiam fazer alguma (ainda que infima) diferença encontrem ainda forças para se afogarem uns aos outros por uma razao qualquer que ainda me escapa, mas que espero compreender um dia. Eu pessoalmente, ja nao tenho ambiçoes tao elevadas como ha uns anos atras, acho que o realismo conseguiu me dar um kibidi e com muita bofata la me foi enfiando algum “bom senso” na cabeça, mas as poucas ideias que tenho gosto de partilha-las e, mesmo quando elas nao conseguem despertar nos outros mais do que um sorriso de pena, esse sentimento de absurdo e ridiculo que parecem despontar dos teus comentarios, acho que vale a pena o esforço, sempre e mais do que recostar-me e ver o comboio colher os peoes que ficaram presos na passagem de nivel.
Quanto as tuas perguntas mano, se seguiste o julgamento do Miala acho que ficou mais que patente que ele esta a ser vitima de uma cabala, ha certas esferas restritas do poder onde nao se admitem mais inquilinos e ele esteve a mexer no ninho de imbondeiros com o Kope e c o Ze Maria. E uma conspiraçao e sinto muito por ele, espero que um dia se reponha a justiça. O Felisberto da Graça foi processado, julgado e condenado por difamaçao, o que queres que te diga? Se ele n consegue provar as coisas das quais acusa as pessoas e sendo a pessoa em questao um homem da justiça (e repara q eu digo DA justiça e nao DE justiça), meteu em marcha o sistema judicial para proteger a sua imagem. Sera q isso faz das coisas que foram ditas sobre ele MENTIRAS? Mhhh… nao sei, o que achas tu? Se te acusassem de ter violado uma criança e tu o tivesses realmente feito mas duvidasses da existencia de provas, nao jogarias o mesmo jogo? quanto mais nao fosse, para mostrar a tua indignaçao ao seres associado com praticas tao aberrantes.
Continua a criticar que isso lança o debate e se tiveres ideias melhores e textos escritos manda p o nosso email e nos logo vemos. Obrigado por participares
KulpadoKomum
Diawaba Lokua,
Penso que o caso Miala foi uma pequena farsa. Trata-se do antigo responsável dos Serviços Inteligência Externa de Angola, alguém de peso, que caiu pois já estava “demasiado pesado”. Depois do suposto golpe de estado, do qual se alegava que teria sido ele o responsável, ele foi despromovido. Atenção, supostamente não foi por isso que foi destituído do cargo, mas nós sabemos muito bem reconhecer as desculpas. Não é pelo facto de não se ter apresentado a uma “cerimónia” de despromoção que ele deveria ser julgado. Se é para julgá-lo, que seja pelo alegado golpe de estado. Mas pois, aí muito cuidado. Pois se tal acontecesse, ocupando a posição que ocupava, muita coisa viria cá pra fora, e nós não queremos isso, pois não?! Foi uma farsa, queriam afastá-lo por completo, sem se sujarem no barulho. “E porque não julgá-lo por uma coisa pequeníssima e nem sequer lhe dar a oportunidade de mencionar o alegado golpe de estado? Era óptimo.” Parece-me mais do que mesquinho, parece-me mesmo anti-democrático. Não digo que há santos nesta história, mas parece-me neste caso que há uns que atacam e outros que são atacados. P’ra mim, o julgamento foi outra farsa. A sentença já einha sido decidida desde o primeiro dia. Os advogados tiveram pouco espaço de manobra.
Mas diz-me, qual é a tua opinião? ☺
Um abraço.
KulpadoKomum, meu compadre, deixa-me comecar pelo fim. Quanto a parte das respostas face as minhas perguntas sobre o caso Miala. Deste uma opiniao pura e simplesmente de que ta soh contra o Governo. Eh o opiniao publica dakeles 3% que falaste. Todos dizem a mesma coisa. Mas uma cena, dentro desses 3% existirah alguem que esteja do lado do governo?? Porque se me disseres que sim, acho que assim voces terao mais power para continuarem, ja que se forem esses 3% a pensarem como voces…estamos meio payados, nao achas? Lembra-te que nao tou a criticar as vossas ideias. Sao acho um bocado utopicas, como ja mencionei algumas vezes.
Quanto ao facto de dizeres que muitas das minhas criticas sao absurdas e ridiculas, acho que es um bocadinho atrevido e esticado. Mas pronto somos angolanos e eu aceito isso. Eh imnportante perceberes que se pensassemos todos da mesma maneira isso seria o fim da nossa patria.
Quanto a estye site, deixa-me dizer-te que vejo-vos a falar de manifestacoes e bla bla bla, mas accao que eh bom ve-se NIENTE. Mas pronto, eu pergunto-me: Esses tipos sao os do parlapieh, oiu dakeles que tem vontade e falta-lhes atitude, ou dakeles que nao se conseguem organizar para se fazerem sentir, ou dakeles que tem conhecimentos de informatica e criaram um site???
Essa revolucao eh pra que? pra serem presidente, para chamar atencao das pessoas? par sensibilizar, para quE? ( da-me uma resposta para que eu nao te faca mais esta pergunta) Porque caso nao seja para atingirem o poder, lembra-te que o poder corrompe…e corrompe sempre…quando sairem os dAgora entraram outros..e o Virus propaga-se. Se conseguires uma coisa eu la estarei para te Apertar a mao( se me a esticares) e direi discretamente no teu ouvido: Diawaba Lokua
Por fim, quero dizer-te que esse “TU” vais nos aproximando, afinal somos angolanos e como tal tratamos-nos por “madie”, “mo mano”,
“mo wui” etc….Eh mesmo dreda ser Angolano
O Kandando,
Diawaba Lokua
Diawaba Lokua,
Acho que conceito de utopia é subjectivo. Era utopia, há 30 anos atrás sonhar com um país independente, numa altura em que a PIDE mantinha uma ordem fria e implacável. Entretanto, havia vontade, havia necessidade de liberdade. Obviamente que na altura havia uma consciência política muito maior (universitários iam incentivar estudantes do liceu, ou seja, já no liceu, os jovens já tinham uma consciência política, o que hoje é quase inconcebível). Era na altura muito mais utópico do que é hoje.
Quanto à falta de acção - epah ya. Estamos limitados por muitos factores alheios à nossa vontade, o que não nos impede de trocar ideias e pensar em acções que poderão ser feitas quando a ocasião for oportuna. E a palavra “revolução” faz-te confusão né? Vê nos primeiros artigos do site. “O começo”. E tenta perceber o que queremos dizer com revolução, e talvez depois de leres não caias mais em argumentos falaciosos.
Mas diz-me uma coisa: e tu? Em quê que acreditas? Criticas, falas e falas. Na tua opinião, como está Angola? vai bem, vai mal? O governo? O presidente? O caso Miala? Que posição tomas nisso tudo?
Kandando
Ah, finalmente um comment que me deixa tocado. Os primeiros comments que recebi foram do compadre Kinamantos. O Kinamatos tem atitude como ja lhe disse, mas falta-lhe limar essas arestas bicudas..Bicudas porque ele eh um jovem muito precipitado, responde as criticas de uma maneira assustada. O Kulpado Comum ja me pareceu mais um pensador, mais maduro e conversador. Este que me respondeu agora parece-me ser de um Compadre diferente, um jovem mais calmo e que em vez de se defender como os caes que ladram quando se sentem ameacados, este mano fala, conversa e faz perguntas. Tou tocado, nao sei se te aquece ou arrefece, mas parece-me teres vontade. Ja agora, qual eh o teu nome de guerra?
PAssando as respostas das perguntas, nao sei se tens reparado nos comments que ja fiz, que ja la vao cerca de meia dezena, eu acho que Angola ta em evoulucao, Angola Avante, e ateh acredito numa uma revolucao intelectual, nao sei ainda come sera a vossa.. Tipo voces ateh sao fixe…mas tipo que tipo que tipo que tao se a fazer de qualquer tipo. Nao sei ha qto tempo vcs nao vao a Luanda, provicias e tal, eu ja la nao ponho os pes a 4 natais. MAs depois da Morte do outro comandante, as coisas melhoraram, estabilidade economica, politica, e estrututal tb, vejo nos jornais da Internet as coisas a aocntecerem, falo com os Kambas que la vivem e eles partilham da mesma ideia que eu/ Acho que essa vossa revolucao faria mais sentido ha 10 anos atras. Mas nessa altura voces, ainda la estavam. O que quero dizer eh que voces tinham medo, depois tavam com os carros dos vosssos pais, muito Bingo e Chiuaua, e as cenas que voces vem hoje nakela altura ficavam muito a esquerda. Cresceram e vendo as coisas de fora ve-se melhor, tipo no jogo do amor.
Quanto ao Governo, Miala e presidente nao tenho nenhuma opiniao definidada..mas voces teram…DiGAM-ME concretamente o que pensam sobre todos esses pontos. Facam-me sentir esclarecido e perceber bem o que querem, facam-me sentir como se eu tivesse a apanhar uma orgia de opinioes.
PS: Espero que todos os participantes me deem uma opiniao. Todos! e que sejam claros, transaparentes e rebeldes.
Somos todos MAngoles!
Diawaba Lokua
Caro Diawaba Lokua, o Kinamatos não está a participar neste debate desde o princípio, tenho sido sempre eu, RevolucaoEmAngola. Portanto,o jovem calmo é o mesmo que o jovem precipidado. Engraçado, não é? Estive em Angola há bem pouco tempo: estive lá no cacimbo, durante um mês e tal. Estive em Luanda, Benguela e Lubango. Já tinha estado em Benguela, mas pela primeira vez estive no Lubango. E fiquei triste. Triste porque esperava mais da cidade. Triste porque fiquei com a sensação que “Angola é só Luanda” e o resto é conversa. Benguela e Lubango, são os “outros pólos” do país e estão, na minha opinião, completamente abandonados. Em Luanda, de há 3 anos para cá (sensivelmente), vêem-se prédios e mais prédios e mais prédios. A cidade está a mudar muito. E muito rapidamente. Mas nas províncias não se vê nada. Os edifícios que há lá, são os mesmos que os portugueses deixaram. Vê-se que há um grande desleixo em relação às províncias.
A verdade é que há um grande investimento em Angola, investimento estrangeiro. Há portanto capital a entrar, capital de fora –> O PIB sobe bwé. A taxa de crescimento sobe e sobe. O país com maior taxa de crescimento do MUNDO em 2006 e 2007. Mas o que quer isso dizer? Só quer dizer que há pessoas que estão ricas. Continuamos com um índice de alfabetização baixíssimo, o nosso IDH(Índice de Desenvolvimento Humano) é muito baixo, demasiado. Obviamente que depois da guerra o país melhorou, mas continua a haver um desprezo muito grande pelo povo. E um país que não tem um povo educado e com as mínimas condições de vida, por mais petróleo e diamantes que tenha, nunca há-de ser um grande país.
Eu tenho tido a conversa com muitas pessoas quando vou pra banda. As pessoas lá sentem que de alguma maneira as coisas estão a melhorar. E sem dúvida, para algumas pessoas, estão mesmo. “Já existe Belas Shopping”. “Já podemos ir ao cinema”, vêem-se muitas construções muitas coisas a serem feitas. Só que a maior parte é privado, e a maior parte dos angolanos não poderão desfrutar deves novos estabelecimentos. Acho bom que existam essas coisas, só não quero que seja um crescimento unilateral: O bairro do Ossos, no Sambizanga, não tem energia eléctrica desde 92. Vês? São esses contrastes que me obrigam a pensar e a pôr em causa essa “evidente” evolução. Há contudo coisas boas a anotar: o comboio Viana-Luanda foi reabilitado (pelos chineses), e o Lubango-Benguela há-de ser brevemente (se já não foi). As estradas entre Luanda e Benguela também estão a ser reabilitadas - A Kanjala já não mete medo, dizem :). Po, mas mesmo assim, acho que podemos fazer mais, não? Não sinto que haja vontade por parte dos governantes, de realmente mudar. De realmente avançarmos todos juntos e não uns à frente dos outros.
Quero também alertar-te para o facto dos jornais em linha. As notícias disponíveis em linha sobre o nosso país, são frequentemente mal dadas e demasiados parciais. São mesmo por vezes, enganadoras e incompletas. Mas não são todas, o problema é saber diferenciar as boas das más, e isso é uma coisa que tem de ser feita, estando no terreno.
Eu continuo a achar que o momento é esse de despertarmos e dizermos de voz alta: “Atenção, estamos a ver”. Porque se ninguém estiver a ver,se não houver um controle, cada um faz o que quer. Imagina um país sem regras. Aiuwé mamã.
Um Kandando
Brother, so para limpar mal entendidos, eu nao disse que as tuas opinioes eram absurdas e ridiculas, como poderia faze-lo sem cair eu proprio no ridiculo depois de ter feito uma introduçao dizendo que eram benvindas as tuas criticas tivessem elas o teor que tivessem. Com isto:
“e, mesmo quando elas nao conseguem despertar nos outros mais do que um sorriso de pena, esse sentimento de absurdo e ridiculo que parecem despontar dos teus comentarios, acho que vale a pena”
eu estou a falar dos sentimentos que AS MINHAS opinioes/propostas parecem despertar em ti e que eu percebo perfeitamente que o façam. Lamento o mal entendido.
Na paz
KulpadoKomum
so uma cena, o KulpadoKomum e o Revolucao em Angola sao a mesma pessoa?
Na paz madie,
Kandando e bom fim de samana
Nada broda, somos duas pessoas diferentes