Monday, July 16, 2007

Carta ao Consulado de Angola em Portugal: Abaixo-assinado.

 

Ex.ma Senhora
Dra. Célia Baptista
Cônsul Geral do
Consulado da República de Angola
Av. da República, 68 - 1050 Lisboa

Lisboa, 16 de Julho de 2007

Ex.ma Senhora Dra.,

Na qualidade de Cidadãos Angolanos, residentes em Portugal, e na sequência das notícias avançadas pelos media não podíamos deixar de demonstrar a nossa perplexidade face à possibilidade dos Angolanos residentes na Diáspora estarem impossibilitados de votar nas próximas eleições legislativas, alegadamente “por não estarem reunidas as condições necessárias”.

Sendo a edificação de um Estado Soberano e Democrático um dos principais objectivos da República de Angola, e de todos os Angolanos, é de inegável importância a participação de todos os Angolanos na prossecução deste objectivo.

Deste modo, parece-nos não poder ser, em circunstância alguma, ignorada a importância e o alcance do Constitucionalmente consagrado Direito de Voto da extensa Comunidade de Angolanos a residir em Portugal.

Neste sentido, e na esperança que este assunto ainda se encontre a ser analisado, gostaríamos de ser informados oficialmente pelo Consulado, sobre quais as alegadas condições que se encontram em falta para possibilitar que os Angolanos na Diáspora exerçam o seu legítimo Direito de Voto.

Agradecemos desde já a atenção dispensada e aguardamos por uma resposta o mais célere possível.

Pelo enriquecimento da democracia,

Abaixo-assinado

 

Esta carta será entregue ao Consulado de Angola em Portugal assim que forem reunidas todas as assinaturas necessárias para o abaixo-assinado. Embora este abaixo-assinado esteja a ser feito na cidade de Lisboa, sabemos que é um assunto que toca todos os angolanos ,em todo o Mundo. Por isso, achámos imprescindível enviar para além do abaixo-assinado feito em Lisboa, um abaixo-assinado “global” feito através da Internet. Assim, todos os angolanos, estejam aonde estiverem, são chamados a participar. A participação envolve, pura e simplesmente, o envio de um e-mail com o seu nome completo e número do bilhete de identidade ou passaporte ao queremos.votar@gmail.com. Na próxima segunda-feira, dia 23 de Julho, nós enviaremos por e-mail, ao consulado e ao MIREX(Ministério das Relações Exteriores), esta mesma carta seguida de todas as assinaturas que nos forem enviadas para o endereço electrónico referido. Deve se estar a perguntar: ”Porquê enviar duas vezes a mesma carta?”. Pois bem, para reforçar a nossa posição e para mostrar que não é somente a comunidade angolana em Portugal que está descontente com esta iniquidade que nos foi imposta, mas toda a comunidade angolana espalhada pelo Mundo, incluindo a que reside em Angola.

Até quando ficaremos calados?! Assine o abaixo-assinado.

Posted by (R)EvolucaoEmAngola at 22:39:54
Comments

8 Responses to “Carta ao Consulado de Angola em Portugal: Abaixo-assinado.”

  1. Anonymous says:

    Já sei que vocês conseguiram qualquer coisa como perto das 100 assinaturas, e que se preparam para apresenta-las ao Consulado Angolano em Lisboa. Apesar de louvar a vossa iniciativa, de alguma forma me iludi com vocês, julguei que eram ambiciosos no que faziam e não seriam jovens a querer dar nas vistas mas sim jovens com vontade de fazer algo.

    Iludi-me porque quem vai ao Consulado com 100 assinaturas não pode esperar que esse documento saia do Guichet da recepção… Vejamos as contas por baixo … somos mais de 100.000 angolanos em Portugal logo 100 assinaturas são 0,1% da população. É uma amostra residual sem qualquer significado em termos de estatística. Ninguém vos vai levar a sério no Consulado.

    Sei o quão difícil é recolher este tipo de assinaturas, os angolanos ainda têm medo de dar a cara e reclamar os seus direitos, têm medo das represálias e desconhecem o direito de cidadania (por isso louvei a vossa iniciativa, inclusive assinei) mas pensei que vocês fossem mais além… Pensei que fossem a RDP África (que vos receberia o vos cedia um espaço de antena) para divulgar a vossa iniciativa, que disponibilizassem na portaria da mesma esse abaixo assinado para quem, no prazo estabelecido por vocês, quisesse assinar. Pensei que tentassem ir a RTP África (que também penso que vos receberia) dar a cara pelo vosso movimento e pela vossa causa de descontentamento. Pensei que fossem a associação de estudantes angolanos falar com os seus dirigentes para tentar chegar a menssagem a todos… Mas afinal 100 assinaturas é quanto vos basta…

    Falar é facíl! (estão vocês a pensar do que eu acabei de escrever e estou eu a pensar da vossa iniciativa que morreu nas 100 assinaturas)

    Abraços de um angolano

  2. RevolucaoEmAngola says:

    Acho o teu comentário bastante pertinente e cheio de sentido em muita coisa. 100 assinaturas é pouco e não simboliza de maneira nenhuma o tamanho da nossa força de vontade. Infelizmente, e frisaste um ponto bastante importante, os angolanos em Portugal estão demasiado adormecidos. Enquanto no Canadá, ou em França, conseguem juntar-se angolanos para fazer manifestações, os angolanos em Portugal recusam-se a assinar um papel que em pouco ou nada lhes compromete. Estivemos no aeroporto a tentar recolher assinaturas, e sinceramente, a inconsciência das pessoas chocou-nos. “Eu estou de acordo que não se vote em Portugal”, “As pessoas que vão votar aqui vão votar contra o Governo”, “A constituição é do presidente”. Os absurdos ouvidos perpetuaram-se durante longas horas. Desmoralizados, mas não derrotados, continuámos a recolher assinaturas.
    Mas acredita que é muito mais complicado do que possas pensar. E sim, poderíamos tentar entrar em contacto com a RTP África, com a RDP, mas queríamos que fosse algo mais consistente,mais organizado, para que mais tarde, quando precisarmos mesmo de mobilizar pessoas para mais coisas, não caiamos no absurdo. Hoje somos muito poucos e pequenos, e a gestão de tempo não é sempre fácil. Talvez se tu te tivesses disponibilizado (digo tu, como poderia ter dito todos os outros), a coisa teria sido mais expansiva, até porque é uma razão que nos toca todos.
    Acho que também pecas num outro ponto: não somos jovens a querer dar nas vistas. Somos sim jovens que acreditam que as coisas possam mudar e que sabem que não é ficar parado que as coisas mudam. Não nos queremos exibir, muito pelo contrário. Demos a cara, sem nenhum medo de represálias. Demos a cara e daremos mais quantas vezes forem precisas.
    A nossa iniciativa podia ter sido mais forte: verdade! Mas acho que dizer que “morreu com 100 assinaturas” é demasiado fatídico. Vê as coisas como eu vejo: o impacto não será enorme, sem dúvida. Mas ao mesmo tempo é um despertar para muita gente, é uma pequena luz no fundo dum túnel que há muito se encontrava na escuridão. As pessoas ao verem 2,3 pessoas a recolherem assinaturas, dizem-se: “Pode ser que haja esperança”. E alguns até (tu, por exemplo), podem juntar-se a nós, e da próxima vez, não seremos 2 ou 3, mas sim 5,6 ou 9,10, etc. É um grito de alerta a todos aqueles que tal como eu, pensavam que ninguém se preocupava e apercebem-se de repente que há mais pessoas com a mesma vontade.
    Esta foi a nossa primeira acção, outras mais virão, e esperemos que aos poucos as pessoas estejam mais dispostas a lutar por aquilo a que têm direito.
    Não me interpretes mal, fico contente com a tua critica ( que tem alguma verdade), isso mostra que há pessoas atentas e que há movimento. Só lamento que tenhas esperado pelo momento final para criticares, em vez de partilhares a tua opinião no site assim que te ocorresse uma ideia (RDP,RTP) ou que tivesses tentado ajudar naquilo em que pudesses. Talvez isso teria evitado a tua desilusão. A nossa iniciativa não morreu com 100 assinaturas, mas exactamente o contrário: Nasceu com um abaixo-assinado de 100 assinaturas.
    Só para terminar, falar é fácil: é óbvio. Esta foi a principal razão pela qual nós tomámos esta iniciativa. Já falámos durante demasiado tempo. Não começamos assim tão bem, mas outras coisas virão.
    Obs.: Espero que não fiques ofendido por te ter tratado por tu. É por uma questão de confiança e de facilidade de escrita. ☺

  3. Anonymous says:

    RevolucaoEmAngola, sem makas, podes(m) me tratar por tu! Não comentei mas pensei em comentar, inclusive falei com pessoas que te/vos conhecem para saber se era bem vinda a ideia, foi aí que me informaram que tinham 100 assinaturas e que iam entrega-las. Não tinha conecimento deste vosso espaço até este fim-de-semana. Agora vou estar mais atento e no que puder vou ajudar

    Abraço

  4. Isaias says:

    Acho que têm toda a razão. Nós os angolanos na diáspora somos, quase todos, tratados como angolanos de 2ª. classe. Estou de acordo que se deveria, de forma ordeira e legalizada protestar junto da nossa representação diplomática, e, até mesmo, no Parlamento Europeu em Bruxelas.
    Os protestos devem ser organizados/preparados com antecedência e também com antecedência serem divulgadas as datas e os locais. Doutra forma não há mobilização. Coisas feitas à pressa e pouco divulgadas não surtem efeito.E quando não surtem efeito o lado contrário ainda se fica a rir.
    Esta é a minha modesta opinião.
    Isaias

  5. alfredo says:

    Oi, Gente da Angola, estou em Lisboa ate o 17 de avril, vim desde Argentina atender uma denuncia por violaçao aos direitos religiosos, trabalho numa comissao internacional e necessito falar com algumas pessoas que possam ajudar na redaçao da carta a Onu, preferentemente mulher de origem angolano e com formaçao e redaçao propria, nossa agencia pode ajudar financieiramente pelo travalho, entrar em contacto urgente. monsalfredo@yahoo,es. hoje, 04/04/2008
    Muito grato.
    Alfredo Montrezza

  6. Não só uma questão eleitoral é também necessário um recenseamento abrangente de todos os angolanos ,filhos de angolanos e netos de angolanos…E há que assumir a nacionalidade angolana sem sexclusividade ou seja permitir a multinacionalidade ou plurinacionalidade uma vez que existem nascidos em angola e seus descendentes espalhado pelos quatro cantos do mundo, aintes e depois da Independ~encia -11 novembro de 1975- muitos sem qualquer documento emitido pela republica de angola… há todo umtrabalho de base a fazer, pelo menos em cinco ou seis paises: Portugal, Brasil, Africa do Sul, Zambia, Congo-kinshasa e congo-Brazaville…não desc urando também o Canadá, a Holanda, e a França…e os paises da ex- urss

  7. Anonymous says:

    Corrigir o nome, pois a Exma Consul não é Célia mas sim Cecília.

  8. Anónimo says:

    È de admirar que angolanos que vieram com documentos angolanos em 1981 para a Europa, e que esses documentos caducaram não possam ser renovados no Consulado.É pedido no consulado uma certidão de nascimento actualizada, caso a pessoa não tenha meios de adquerir a dita certidão perde a nacionalidade? Ou terá de se deslocar a Angola para a obter. Se pedir um visto turistico para se deslocar á Terra onde nasceu tem muitos entraves o que é um absurdo pois mesmo nos documentos estrangeiros dos nacionais esta lá escrito a sua naturalidade e isso devia bastar. Será que tudo é mais facil para reais estrangeiros? Ou será que um turista precisa de uma carta de convite se normalmente vai para um hotel. Ou será que os hoteis em Angola mandam cartas de convite reconhecidas pelo notário para vistos turisticos? Deve ser uma nova modalidade pois ando por este mundo e nunca vi tal coisa em nenhum país como essa.Assim penso que a ideia é desmotivar as pessoas a regressar e não ajuda-las a voltar ao seu país de origem. Em meu entender o consulado devia resolver e facilitar os problemas dos naturais e não dificultar. Gostava de encontrar os meus fameliares em Angola mas pelos vistos tenho de encontrar outras soluções uma vez que nada é resolvido pelo Consulado.

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